Jornal da USP
Theo Schwan*
26.02.2026Estudo aponta que vulnerabilidade social pesa mais que exposição às altas temperaturas na definição do risco e pode orientar políticas de adaptação climática
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| Favelas são regiões com maior risco pelo calor. A cada ano, cerca de 550 mil pessoas morrem em decorrência das altas temperaturas no mundo – Foto: Wikimedia Commons |
As áreas menos favorecidas e mais adensadas de São Paulo são também as mais expostas ao risco de calor extremo. É o que confirma uma pesquisa realizada por cientistas da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo e de Design (FAU) da USP.
Em estudo, as pesquisadoras revelaram, visualmente, a conexão entre a desigualdade social e a vulnerabilidade climática no município. A partir de dados públicos, foi gerado o primeiro mapa de ilhas de calor — locais com temperaturas maiores do que seus arredores — para a cidade de São Paulo. Os resultados identificaram que a distribuição espacial do risco está diretamente ligada a aspectos socioeconômicos e climáticos e que o calor ameaça principalmente as periferias das zonas leste, norte e sul.
“Em São Paulo, quem corre mais risco ao calor são pessoas com baixa renda que moram em áreas adensadas, em favelas”, afirma Luiza Muñoz, primeira autora do artigo. A pesquisadora explica que fatores como menos presença ou acesso a áreas verdes são agravantes da exposição às altas temperaturas.