sábado, 10 de novembro de 2012

Araçá Azul, por Julio Medaglia

Supertônica
Um programa sobre o gosto
Julio de Paula | 26.10.2012


Arrigo Barnabé e Júlio Medaglia e a capa do álbum Araçá Azul Julio de Paula



Virgindade de meninas índias vale R$ 20 no Amazonas

Via Folha de São Paulo
Por KÁTIA BRASIL
04.11.2012

No município amazonense de São Gabriel da Cachoeira, na fronteira do Brasil com a Colômbia, um homem branco compra a virgindade de uma menina indígena com aparelho de celular, R$ 20, peça de roupa de marca e até com uma caixa de bombons.

A pedido das mães das vítimas, a Polícia Civil apura o caso há um ano. No entanto, como nenhum suspeito foi preso até agora, a Polícia Federal entrou na investigação no mês passado.

Doze meninas já prestaram depoimento. Elas relataram aos policiais que foram exploradas sexualmente e indicaram nove homens como os autores do crime.

Entre eles há empresários do comércio local, um ex-vereador, dois militares do Exército e um motorista.

As vítimas são garotas das etnias tariana, uanana, tucano e baré que vivem na periferia de São Gabriel da Cachoeira, que tem 90% da população (cerca de 38 mil pessoas) formada por índios.

Entre as meninas exploradas, há as que foram ameaçadas pelos suspeitos. Algumas foram obrigadas a se mudar para casas de familiares, na esperança de ficarem seguras.

A Folha conversou com cinco dessas meninas e, para cada uma delas, criou iniciais fictícias para dificultar a identificação na cidade.

M., de 12 anos, conta que "vendeu" a virgindade para um ex-vereador. O acerto, afirma a menina, ocorreu por meio de uma prima dela, que também é adolescente. "Ele me levou para o quarto e tirou minha roupa. Foi a primeira vez, fiquei triste."

A menina conta que o homem é casado e tem filhos. "Ele me deu R$ 20 e disse para eu não contar a ninguém."

P., de 14 anos, afirma que esteve duas vezes com um comerciante. "Ele me obrigou. Depois me deu um celular."

Já L., de 12 anos, diz que ela e outras meninas ganharam chocolates, dinheiro e roupas de marca em troca da virgindade. "Na primeira vez fui obrigada, ele me deu R$ 30 e uma caixa com chocolates."

DEZ ANOS

Outra garota, X., de 15 anos, disse que presenciou encontros de sete homens com meninas de até dez anos.

"Eu vi meninas passando aquela situação, ficando com as coxas doloridas. Eles sempre dão dinheiro em troca disso [da virgindade]."

P. aceitou depor na PF porque recebeu ameaças de um dos suspeitos. "Ele falou que, se continuasse denunciando, eu iria junto com ele para a cadeia. Estou com medo, ele fez isso com muitas meninas menores", afirma.

Familiares e conselheiros tutelares que defendem as adolescentes também são ameaçados. "Eles avisaram: se abrirem a boca a gente vai mandar matar", diz a mãe de uma menina de 12 anos.

Leia também:
.Versão local de Dorothy Stang, italiana é referência para índias
Exploração sexual de garotas indígenas é denunciada desde 2008

Comentário básico:
Esse é país das Olimpíadas!!!
Esse é o país da Copa!!!
Adelidia Chiarelli


SAMPA SANGRA

No Estadão
10.11.2012

Especial: o mapa da violência na Capital e Grande São Paulo

Em 17 dias, a onda de violência deixou pelo menos 131 mortos; mapa traz amostra dos locais dos crimes



Aluno que boicotar exame terá 'ficha suja', diz conselho de medicina de SP


JC e-mail 4621, de 09 de Novembro de 2012.
Aluno que boicotar exame terá 'ficha suja', diz conselho de medicina de SP


'Rebeldia' será arquivada e poderá ter 'impacto negativo' na carreira do futuro médico, afirma Cremesp. Líderes estudantis de três universidades pregam boicote à prova, que é obrigatória para estudantes do 6º ano.

Estudantes de medicina que boicotarem o exame do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) poderão ficar com a "ficha suja" no conselho. A prova, que passou a ser obrigatória para os alunos do sexto ano, é pioneira no País e acontece no domingo em São Paulo. Sem o certificado de participação, o estudante não obtém o registro profissional no conselho paulista.

Lideranças estudantis de três universidades (Unicamp, Unesp e Faculdade de Medicina de Marília) estão recomendando que os alunos boicotem o exame. A orientação é para que marquem, em todas as questões, a alternativa "B", de boicote.

Segundo o Cremesp, o "ato de rebeldia" ficará arquivado no conselho, na pasta do futuro médico. "Esses colegas estão entrando na profissão agora. Será que vão querer começar já cometendo uma infração ética?", questiona o conselheiro Bráulio Luna Filho e um dos coordenadores do exame, referindo-se à resolução que tornou obrigatório o exame.

Ele diz que a adesão ao boicote poderá ter um "impacto negativo" na carreira do futuro médico. "Não pretendemos fazer nenhum uso disso agora. Mas [a prova] vai ficar guardada, se precisar."

Criado em 2005, o exame era optativo até o ano passado. Nos últimos anos, foi sendo esvaziado. Em 2011, apenas 418 alunos (contra 998 de 2005) se inscreveram. A taxa de reprovação foi de 46% - índice médio dos últimos sete anos. "Temos absoluta convicção de que o recém-formado que não consegue acertar 60% da prova não tem condições de sair atendendo as pessoas sem colocar em risco a saúde delas", afirma Renato Azevedo Júnior, presidente do Cremesp.

O teste não exige nota mínima para aprovação. O aluno só precisa comparecer no dia da prova e responder a todas as questões. Por força de lei, o Cremesp não pode condicionar o registro à aprovação em um exame. Isso exigiria uma lei federal.

Novo modelo - A Associação Brasileira de Ensino Médico (Abem) e o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, já se posicionaram contrários ao exame do Cremesp. Eles defendem uma avaliação seriada do aluno: no 2º, 4º e 6º anos do curso.

Padilha disse que os ministérios da Saúde e da Educação estão discutindo um novo modelo de avaliação permanente dos estudantes e das escolas médicas. "É preciso avaliar aluno e faculdade. Se não houver evolução, o aluno não pode ser o único penalizado. A faculdade deverá ser proibida de ofertar novo vestibular."

Azevedo Júnior, do Cremesp, afirma que o conselho é favorável que as escolas de medicina avaliem seus alunos permanentemente, mas que haja uma avaliação externa no final do curso, nos moldes das que existem nos EUA e na Inglaterra. "As escolas são ineficientes nas suas avaliações. O ministério e a Abem defendem o exame progressivo, mas não o fazem", diz Luna Filho.

A despeito da polêmica, o exame tem recebido apoio de médicos renomados, como o cardiologista Adib Jatene e o oncologista Drauzio Varella, que também defendem avaliações externas periódicas. Para Jatene, o teste não deve ser encarado como punição, "mas como uma das formas de obrigar a escola a ensinar, e o aluno a aprender". CONTINUA!

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Servidor recebe propina para liberar laudos ambientais irregulares

Do R7, com Agência Record
9/11/2012

Esquema seria feito através de uma empresa de fachada

Um técnico da Cetesb (Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental), ligada à Secretaria do Meio Ambiente do governo paulista, e um empresário são suspeitos de comandar um esquema de concessão de licenças ambientais. Eles recebiam propina para o funcionário público liberar os laudos em Embu das Artes, na região Metropolitana de São Paulo.

O esquema seria feito através de uma empresa de fachada, na qual os dois eram sócios. Os dois foram presos na tarde desta quinta-feira (8).

A polícia apreendeu, com os suspeitos, maços de dinheiro que totalizam quase R$ 700 mil e há ainda outros US$ 37 mil.

A investigação da Corregedoria-Geral da Administração do Estado começou em agosto. Os corregedores descobriram que indústrias, comércios e condomínios da região, que precisavam de autorização da Cetesb para construir, usavam a RS Soluções Ambientais para conseguir licenças. Segundo o corregedor João Batista Beolchi, a RS é uma empresa de fachada e agia em parceria com o servidor da Cetesb. VEJA A MATÉRIA COMPLETA. VEJA O VÍDEO.

Quem poderá salvar os guarani-caiovás?, por Washington Novaes

Via Estadão
Por WASHINGTON NOVAES
09.11.2012

Há mais de 20 anos - 15 dos quais nesta página - o autor destas linhas escreve sobre a situação dramática dos índios guarani-caiovás, em Mato Grosso do Sul (MS). Naquele tempo já eram centenas os casos de suicídio entre essa gente (a segunda maior etnia indígena no País, 45 mil pessoas). E já nesse tempo eles não tinham onde viver segundo seus formatos próprios - as terras para as quais gradativamente os expulsavam eram muito pequenas, não permitiam manter a tradição de plantar, colher, caçar, pescar. Fora de suas terras, sem formação profissional adequada, seguiam a trajetória fatal: trabalhar como boias-frias, tornar-se alcoólatras, mendigos, loucos. E suicidas, como o jovem de 17 anos que se matou no dia seguinte ao de seu casamento - enforcou-se numa árvore e, sob seus pés, na terra, deixou escrito: "Eu não tenho lugar".

Quando ganhou espaço na comunicação a atual crise em dois hectares onde vivem 170 índios (Estado, 29/10), dois dias antes se suicidara um jovem de 23 anos, pelas mesmas razões. Felizmente, a desembargadora Cecília Mello, do Tribunal Regional Federal, determinou que os guarani-caiovás permaneçam na área até que se conclua a delimitação da que lhes deve caber - e onde estão "em situação de penúria e falta de assistência", o que, segundo ela, "reflete a ausência de providências do poder público para a demarcação das terras". Dizia o Conselho Indigenista Missionário (Cimi), nesse momento, que 1.500 guarani-caiovás já se haviam suicidado.

Só pode levar ao espanto trazer à memória que havia 5 milhões de índios ocupando os 8,5 milhões de quilômetros quadrados em 1500, quando aqui chegaram os colonizadores - ou seja, cada um com 1,7 quilômetro quadrado, em média. E hoje os guarani-caiovás da aldeia em questão precisam ameaçar até com suicídio coletivo para manterem 170 pessoas em dois hectares, 20 mil metros quadrados, menos de 120 metros para cada um, pouco mais que a área de um lote dos projetos habitacionais de governos. Mas nem isso lhes concedem.

Talvez já tenha sido mencionado em artigo anterior pensamento do antropólogo Lévi-Strauss num de seus livros, no qual se perguntava por que os índios brasileiros, que eram milhões, não massacraram os primeiros colonizadores, que eram umas poucas centenas. Teria sido muito fácil. Mas ele mesmo respondia: não só não mataram, como os trataram como fidalgos; porque na cosmogonia do índio brasileiro está sempre presente a chegada do outro - e esse outro é o limite da liberdade de cada pessoa. Tal como pensava outro antropólogo, Pierre Clastres (A Sociedade contra o Estado): nas culturas indígenas não há delegação de poder, ninguém dá ordens; cada indivíduo é livre; mas o limite da liberdade de cada pessoa está em outra pessoa. Só que o respeito à liberdade dos colonizadores custou aos índios o massacre. E situações como as que vivem hoje.

De pouco têm adiantado relatórios de organismos internacionais, entre eles o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), que destacam a importância (a começar pelo Brasil) das áreas indígenas para a conservação da biodiversidade, em perigo no mundo. Também têm sido esquecidas as lições do jurista José Afonso da Silva, que com seu parecer levou o Supremo Tribunal Federal a decidir pelo direito dos índios ianomâmis à demarcação de suas reservas, em Roraima: é um direito reconhecido desde as ordenações da coroa portuguesa, no século 17.

Mas quem comove o poder brasileiro? Ainda no ano passado - talvez também já tenha sido comentado aqui -, quando completou meio século a criação do Parque Indígena do Xingu pelo presidente Jânio Quadros, por proposta dos irmãos Villas Boas, o autor destas linhas, com apoio do ex-ministro Gilberto Gil, do artista plástico Siron Franco, do compositor e criador Egberto Gismonti, do ex-presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai) Márcio Santilli - entre muitas outras pessoas -, tentou levar à Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) a proposta de transformar o parque em patrimônio ambiental, histórico e cultural da humanidade. Afinal, naqueles 26 mil quilômetros quadrados, onde vivem 16 povos, está um pedaço riquíssimo do patrimônio ambiental brasileiro - de sua flora, sua fauna, seus recursos hídricos -, hoje cercado pelo desmatamento e pelo plantio de grãos; um pedaço importante da nossa História, pois a presença de etnias por ali tem mais de 2 mil anos; um pedaço valioso do patrimônio cultural, com todas as manifestações lá nascidas e que perduram. Mas para que a Unesco receba um pedido como esse é imprescindível - foi-nos dito - que ele tenha o aval de alguma autoridade brasileira. E não conseguimos sequer uma audiência da Funai ou de outro órgão para expor o pleito.

Não estranha. Aprendemos mais uma vez que uma iniciativa como essa é considerada "ameaça à soberania nacional e ao uso de recursos naturais". Tal como já acontecera em 2002, quando o autor destas linhas, membro da comissão que preparava o projeto da Agenda 21 brasileira, observou, numa reunião, que faltava no texto um capítulo sobre clima e mudanças nessa área. E propunha que ele fosse escrito. Imediatamente o representante do Itamaraty na comissão se levantou e impugnou a proposta, alegando que "essa área, que envolve a soberania brasileira, é privativa das Forças Armadas e do Itamaraty". Ponto final. Já promulgada a Agenda, no início do novo governo, a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) pediu que este escriba a representasse na Comissão da Agenda. A proposta do capítulo sobre clima e desenvolvimento sustentável foi reapresentada e aprovada em princípio. Mas jamais foi discutida. Morreu.

Tampouco estranha, assim, que os guarani-caiovás enfrentem esse calvário. Se o Parque do Xingu não pode ter prioridade, se centenas de milhares de índios em todo o País vivem um drama diário, que importância tem para o poder a sina de algumas dezenas de guarani-caiovás perdidos em meio à soja sul-mato-grossense?

* JORNALISTA E-MAIL: WLRNOVAES@UOL.COM.BR

Mudança climática pode ter ajudado a destruir civilização maia, diz estudo

Via G1
08.11.2012

Cientistas avaliaram chuvas na América Central para chegar à conclusão.
Grandes secas desencadearam fim do povo maia, sugere pesquisa.


Cientistas de universidades dos Estados Unidos, da Alemanha, da Grã-Bretanha e da Suíça realizaram um estudo que aponta que mudanças climáticas ocorridas no passado podem ter contribuído para o crescimento e o fim da civilização maia clássica, que habitou a região da América Central há mais de mil anos.

O estudo foi publicado no site da revista "Science", nesta quinta-feira (8). De acordo com os pesquisadores, já era cogitada a hipótese de que o clima pode ter causado a desintegração da sociedade maia, mas ainda não havia medições precisas sobre como e quando estas mudanças climáticas ocorreram. CONTINUA!

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

A NECESSÁRIA CRÍTICA A UMA CIÊNCIA MERCANTILIZADA: A QUEM SERVEM O PUBLICISMO, O CITACIONISMO E O LEMA “PUBLICAR OU PERECER”?


Psicologia em Estudo, Maringá, v. 17, n. 1, p. 1-4, jan./mar. 2012
Editorial
Por Silvana Calvo Tuleski

"Privatizaram sua vida, seu trabalho,
sua hora de amar e seu direito de pensar.
É da empresa privada o seu passo em frente,
seu pão e seu salário. E agora não contente querem
privatizar o conhecimento, a sabedoria,
o pensamento, que só à humanidade pertence.

(Privatizando, Bertold Brecht, 2007)



É com satisfação e, ao mesmo tempo, com indignação, que escrevo este editorial. Satisfação por ser este o ano em que a Psicologia completa seu cinquentenário como profissão no Brasil. É uma área profissional jovem, como também é jovem a ciência que a respalda, trilhando, por vezes, caminhos difíceis para delinear, explicitar e/ou revelar seu objeto, o psiquismo humano. Por outro lado, indignação, como resposta àquilo em que vem se transformando a ciência em geral, e particularmente, a Psicologia como ciência e profissão.

No caso da Psicologia, devido ao seu objeto - o psiquismo ou consciência humana - talvez caiba a ela uma responsabilidade ainda maior de denunciar o impacto de uma forma de produção científica que vem assumindo contornos de produção em série, com objetivos mercantilistas, cujo fim último não é "aliviar a miséria humana", como defendia Bertold Brecht (1977), mas alimentar bancos de dados, curvas estatísticas e currículos individuais, alienando aqueles que mais deveriam denunciar a alienação, porém enriquecendo uma grande fatia do mercado.

Em meu trabalho por três anos como Editora Geral da revista Psicologia em Estudo, foi comum o recebimento de mensagens de autores angustiados em saber sobre a tramitação de seus artigos, pois sua aprovação ou não punha em risco a conclusão de sua pós-graduação (mestrado ou doutorado). Professores pesquisadores de séria produção científica também escreviam, preocupados com isso devido às pressões impostas pelos programas de pós-graduação a que estavam vinculados, pois tinham que atestar uma boa quantidade de artigos produzidos em um determinado triênio, sob pena de serem deles sumariamente desvinculados, a despeito da solidez de suas pesquisas e da qualidade de suas aulas ou orientações - estas últimas, fundamentais para a formação de profissionais e pesquisadores compromissados eticamente com a ciência.

Por outro lado, pesquisas apontam um crescente adoecimento físico dos docentes pesquisadores, como, por exemplo, a pesquisa de Santana (2011). Nela o autor evidencia de modo contundente a correlação entre o aumento de produção científica e o número médio anual de orientandos por pesquisador, com maiores ocorrências médicas relacionadas a intervenções cardíacas.

Deste modo, além de estas exigências numéricas tornarem-se um problema de saúde física, esta lógica produtivista vem desencadeando uma competição desenfreada e uma "corrupção da personalidade humana", como atesta Vigotski (1930/2004), em que os valores se colocam de modo invertido na consciência dos pesquisadores, sob a pressão ideológica que Schlendlindwein(2009) denomina de "sistema de recompensa científica".

Procurando verificar o nível de adesão ou indignação quanto ao paradigma "publicar ou perecer", que, como exposto, vem adoecendo pesquisadores e comprometendo a qualidade das pesquisas, em uma busca rápida no Google, usando como descritores esse slogan, para minha surpresa, encontrei diversos artigos em blogs e periódicos científicos, das mais diversas áreas, apontando os severos riscos desta imposição à ciência. CONTINUA!

Especismo e ecocídio: 100 milhões de tubarões mortos por ano, artigo de José Eustáquio Diniz Alves

Via EcoDebate
Por José Eustáquio Diniz Alves
07.11.2012


Finning: Ibama apreende mais de 5 toneladas de barbatanas de tubarão no RN, 21/10/2012


[EcoDebate] O especismo é uma discriminação humana contra as outras espécies. Entre as agressões mais cruéis contra os animais sencientes está a prática do “Finning” – que é a captura e o corte das barbatanas do tubarão ainda vivo, sendo que, após a amputação, o resto do animal é jogado ao mar, onde, depois de muito sofrimento, acaba morrendo. As pessoas, em geral, têm medo de tubarão, mas são os tubarões que têm muitos motivos para temer os humanos.

A cada ano, cerca de 100 milhões de tubarões são mortos por esta prática cruel que causa tantos danos às suas populações. As barbatanas de tubarão são consideradas uma iguaria em algumas partes do mundo, principalmente no leste asiático. Em Hong Kong, por exemplo, uma sopa de barbatana de tubarão pode chegar a valer 100 dólares, tornando este tipo de pesca um grande negócio para os pescadores. Com o crescimento demográfico e a ascensão social de crescentes contingentes de asiáticos, esta prática vem se tornando cada vez mais comum.

Recentemente, alguns países, como os Estados Unidos da América (EUA), já proibiram o “finning” de tubarões. Mas este crime de especismo é muito difícil de ser evitado em outros locais, principalmente porque os tubarões não possuem fronteiras nacionais, pois são “senhores” dos oceanos, mas ironicamente são escravos da maldade humana. O “finning” continua sendo praticado em muitas partes do mundo, em especial, nos pontos extremos, como a América do Sul e a Austrália, contribuindo para o declínio das diversas espécies. O tubarão-azul, por exemplo, está em grave perigo de extinção, pois estima-se que 90% das barbatanas retiradas são desta espécie.

A sopa de barbatanas é um prato tradicional chinês, que a cultura antropocêntrica diz ser afrodisíaca e trazer sorte e inúmeros benefícios à saúde. Atualmente, é servida principalmente em casamentos e outras celebrações. Cerca de um terço de todo o consumo anual é feito no ano novo chinês.

Mas por meio da mobilização e da luta de ONGs e ambientalistas junto a restaurantes e grandes hotéis ao redor do mundo, a maior cadeia de hotéis na Ásia, Shangri-La, com mais de 72 hotéis, retirou os pratos à base de barbatanas do cardápio antes das festividades de casamento e de ano novo.

Além da mobilização dos defensores do meio ambiente e da biodiversidade, é preciso criar uma lei internacional condenando a matança de tubarões como mais um tipo de crime contra o ecosistema. Interromper a eliminação dos tubarões é mais uma forma de luta para erradicar o ecocídio da face da Terra.

José Eustáquio Diniz Alves, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em demografia e professor titular do mestrado em Estudos Populacionais e Pesquisas Sociais da Escola Nacional de Ciências Estatísticas – ENCE/IBGE; Apresenta seus pontos de vista em caráter pessoal. E-mail: jed_alves@yahoo.com.br

EcoDebate, 07/11/2012

Morte de jovem negro choca menos que de branco, diz pesquisa

Via O Dia/@brumelianebrum
07.11.2012

Brasília - O Senado e a Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir) da Presidência da República firmaram acordo de colaboração na campanha Igualdade Racial É pra Valer. O objetivo é ampliar os debates sobre igualdade racial para ajudar no processo de conscientização dos brasileiros sobre a importância do enfrentamento do racismo.

Nesta quarta-feira, o DataSenado, instituto de pesquisa da Casa, apresentou o resultado de entrevistas sobre o tema feitas por telefone com 1.234 pessoas. A entrevistas foram feitas em 123 municípios no período de 1º a 11 de outubro.

O objetivo da consulta foi aferir o grau de consciência da sociedade sobre a violência contra a juventude negra no Brasil. Dados de 2010 do Ministério da Saúde mostram que a maioria dos homicídios cometidos no país atinge jovens entre 15 e 29 anos, dos quais 75% são negros.

A pesquisa do DataSenado indica que 67,1% dos entrevistados acham que as mulheres sofrem mais com a violência e que 66,9% têm consciência de que as principais vítimas são negros.

Os números tabulados demonstram que, entre os entrevistados, há o reconhecimento de que a morte violenta de um jovem negro choca menos a sociedade do que a morte de um jovem branco.

As informações são da Agência Brasil

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Luta dos guaranis-kaiowas ganha projeção internacional


JC e-mail 4618, de 06 de Novembro de 2012.
Luta dos guaranis-kaiowas ganha projeção internacional


Só em 2011, ocorreram no País 56 conflitos fundiários pelo Brasil afora.

Nas últimas duas semanas, o Brasil incorporou no vocabulário o nome do povo Guarani-Kaiowa. "É caiová, ou tem som de 'ua'?", perguntaram centenas de pessoas nas redes sociais, numa curiosidade recém nascida sobre o povo indígena. Após uma carta interpretada como uma ameaça de suicídio coletivo, milhares de pessoas aderiram a causa, militando nas ruas ou na internet, para chamar a atenção para o drama dos 170 índios da comunidade Pyelito kue/Mbrakay, que reivindicam um pedaço de terra de dois hectares de extensão, numa fazenda de 700 hectares. A luta dessa etnia não é um fato isolado. Só em 2011 foram registrados, segundo a Comissão Pastoral da Terra (CPT), 56 conflitos fundiários no País envolvendo índios em 16 estados. São disputas que ocorreram em áreas demarcadas e fora delas. Os dados referentes a este ano ainda estão em fase de consolidação.

A luta dos Guarani, dividida nas etnias Kaiowa e Ñandevá, vem ocorrendo nas terras férteis do Mato Grosso do Sul e envolve 45 mil indígenas, dos quais 15 mil deles vivem à beira das estradas no estado. O grito de guerra dos Guarani-Kaiowa foi tão alto e causou tamanha comoção, dentro e fora do Brasil, que, em tempo recorde, a desembargadora Cecília Mello, da 3ª Região do Tribunal Regional Federal do MS, decretou, no final da última semana, à permanência dos índios na fazenda Cambará, no município de Tacuru, a 462 km de Campo Grande. A desocupação vinha sendo reivindicada pelos fazendeiros locais. O governo, por sua vez, montou uma força-tarefa.

Também no final da última semana, a secretária de Direitos Humanos, Maria do Rosário, e o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, reuniram-se com as lideranças dos Guarani-Kaiowa. Da reunião saíram várias decisões: envio da Força Nacional; seis lideranças indígenas ameaças passaram a ficar sob a proteção do Estado; e a Polícia Federal manterá reforço policial à área.

O Mato Grosso do Sul virou o palco desse drama. A pujança do seu crescimento econômico contrasta com a miséria dos índios. No ano passado, o estado registrou o maior crescimento de área plantada de cana-de-açúcar do País. Os canaviais ocupam 650 mil hectares, que renderam, na última safra, R$ 1,9 bilhão, o equivalente a 4,8% da produção nacional. Outros dois milhões de hectares são plantados com grãos. O estado é hoje o quarto maior produtor nacional de algodão e o quinto de soja. A própria Fundação Nacional do Índio (Funai) reconheceu a existência do conflito fundiário na área.

Em meio a briga, aumentou a pressão para a conclusão de um relatório completo sobre a situação dos Guarani, os Kaiowa e os Ñandevá. Seis grupos técnicos de identificação e delimitação de terra estão trabalhando para entregar o documento ao governo até meados de 2013. Antropólogos contratados pela Funai estão debruçados sobre dados oficiais, mas reclamam de dificuldades no trabalho de campo. É que, segundo o antropólogo Rubem Almeida, do Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro, que trabalha com ambas as etnias no Mato Grosso do Sul desde 1976, alguns fazendeiros não estão deixando os pesquisadores entrarem nas fazendas para pesquisa encomendada pela Funai. CONTINUA!

Obama é reeleito presidente dos EUA

Via blog do Noblat
07.11.2012

O Globo

Na mesma cidade em que quatro anos atrás fez seu discurso como o primeiro presidente negro na História dos EUA, Barack Obama agradeceu na madrugada desta quarta-feira o apoio dos eleitores que lhe garantiram um segundo mandato. Momentos antes, em Boston, o republicano Mitt Romney havia admitido a derrota.

- Se votaram pela primeira vez ou se ficaram horas nas filas (de votação), saibam que vocês fizeram sua voz ser ouvida - disse Obama à multidão em Chicago. - Obrigado por terem acreditado sempre. Nós somos a familia americana e vamos estar todos juntos como uma só nação - disse o presidente reeeleito, muito aplaudido.

O presidente afirmou que algumas vezes vão discordar, precisar de compromissos difíceis, mas prometeu que a economia vai se recuperar, que uma década de guerra está acabando e que uma longa campanha terminou. Admitindo, de certa forma, que esta foi uma eleição mais difícil do que a primeira, Obama declarou:

- Eu ouvi vocês e aprendi com vocês. Vocês me tornaram um presidente melhor. Vou votar para a Casa Branca mais inspirado e determinado do que nunca. Não somos um estado azul ou estado vermelho. Nós somos os Estados Unidos da América.


 
 

Leia mais em 'Ouvi vocês e aprendi com vocês. Vocês me tornaram um presidente melhor'

Ministros do STF retomam cálculo das penas dos réus do mensalão

Via blog do Noblat
07.11.2012

Carolina Brígido, O Globo

O Supremo Tribunal Federal (STF) retoma nesta terça-feira o cálculo das penas dos 25 condenados no processo do mensalão. Até agora, só foi definida a pena do operador do esquema, Marcos Valério, em 40 anos, seis meses e um dia de prisão.

Apesar disso, o presidente do STF, ministro Carlos Ayres Britto, disse nesta terça-feira, em Aracaju, que o julgamento pode acabar antes de sua aposentadoria, em 16 de novembro. Nesta data, Ayres se aposentará compulsoriamente ao completar 70 anos.

Durante evento do Judiciário, Ayres disse aos jornalistas que em “quatro ou cinco sessões” será possível concluir o julgamento. Esse é justamente o número de sessões que o STF fará até a aposentadoria do ministro.

Leia mais em Ministros do STF retomam cálculo das penas dos réus do mensalão

USP e Estadão lançam biblioteca digital sobre corrupção

Via Agência FAPESP
07.11.2012

Corrupteca começa com produção científica específica em corrupção extraída de mais de 48 mil periódicos e tudo que foi publicado no jornal relacionado à corrupção desde 1875. Consulta é aberta ao público

Agência FAPESP – O Núcleo de Pesquisa em Políticas Públicas (NUPPs) da Universidade de São Paulo (USP) em parceria com o jornal O Estado de São Paulo lançam a Corrupteca, uma biblioteca internacional digital especializada em corrupção.

De acordo com a USP, nessa primeira fase, a Corrupteca conta com cerca de 100 mil volumes digitais de textos completos. O acervo reúne a produção científica específica em corrupção extraída de 48.567 periódicos científicos, disponíveis em 1.643 universidades e centros de pesquisa de 63 países que fazem parte do consórcio Open Archives Initiative (OAI).

Além disso, ela conta também com o Acervo de Notícias que, em parceria com o Acervo Digital de O Estado de São Paulo, reúne tudo que foi publicado no jornal relacionado à corrupção desde 1875. A consulta é aberta ao público.

“A ideia é construir uma plataforma que indique não apenas os fatos e fenômenos da corrupção, mas que também traga análises que permitam indicar as consequências dela. É uma ferramenta analítica capaz de municiar os estudantes e pesquisadores do tema com material empírico”, explicou Moisés, que coordena o Projeto Temático “Brasil, 25 anos de democracia”, financiado pela FAPESP.

A implantação tecnológica do projeto foi feita pelo pesquisador Giovanni Eldasi, especialista em tecnologia e educação e um dos criadores do OAI, protocolo capaz de concentrar conteúdos disponibilizados pelas bibliotecas digitais.

A principal inovação da Corrupteca, segundo Eldasi, fica por conta da incorporação da web semântica ou web 3.0, que criou uma ontologia da corrupção, na qual conceitos semânticos como “caixa 2” são utilizados para filtrar os artigos e identificá-los não apenas pelo termo, mas pelo contexto também. Outro destaque é a linha do tempo dos casos de corrupção, na qual são dispostos, lado a lado na tela, artigos científicos e notícias.

Há planos para ampliação da ferramenta, conforme o crescimento do acervo. Outros planos pretendem uma futura integração da Corrupteca com bases jurídicas de processos.

A expectativa dos criadores da Corrupteca é que a reunião de todo esse material científico e jornalístico ajude a melhorar a qualidade da pesquisa, atrair interesse dos alunos e até mesmo de pesquisadores de outras universidades, ampliando a rede de conhecimento.

Mais informações: http://nupps.usp.br/corrupteca

terça-feira, 6 de novembro de 2012

SAMPA SANGRA

Jornal Nacional
06.11.2012

Lojistas e moradores dizem viver sob toque de recolher em bairro de SP

11 pessoas foram assassinadas, a maioria delas na Zona Norte da capital. PM declarou que desconhece qualquer toque de recolher na Vila Brasilândia e que policiamento foi reforçado na região.


Grande São Paulo teve mais uma madrugada violenta. 11 pessoas foram assassinadas, a maioria delas na Zona Norte, onde algumas escolas e bares estão sob toque de recolher.

No meio da escuridão, um ônibus vira cinzas em Santo André. Mas o alvo principal dos ataques, desta vez, foi a Zona Norte da capital- perto de onde uma policial militar foi executada com dez tiros nas costas, no último fim de semana.

No local, um ônibus desgovernado atropelou e matou um homem que estava na calçada. O veículo tinha sido roubado por bandidos, que mandaram os passageiros descer e, depois, soltaram os freios.

A cem metros da região, duas pessoas foram mortas por motoqueiros.

No mesmo bairro, três rapazes e um garoto de 13 anos foram executados na porta de um bar. O assassino fugiu a pé.

Câmeras de segurança flagraram o momento em que um homem saiu de um táxi e deu três tiros em um carro, onde estavam dois filhos de um ex-policial militar. Um morreu e o outro ficou gravemente ferido.

Quando o dia amanheceu, restou a insegurança. VEJA A MATÉRIA COMPLETA. VEJA O VÍDEO.




Governos federal e de SP anunciam ação conjunta contra violência

Uma das medidas será a criação de uma agência para integrar a ação policial de combate ao crime organizado.


Nesta terça-feira (6), os governos federal e de São Paulo anunciaram uma ação conjunta contra a violência. Uma das medidas será a criação de uma agência para integrar a ação policial de combate ao crime organizado.

O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, e o governador do estado, Geraldo Alckmin (PSDB), entraram juntos na sala de reunião para encontrar um caminho de combate à violência.

“Organizações criminosas não têm fronteira. É fundamental nós todos trabalharmos unidos na questão da segurança pública”, afirma Alckmin. VEJA A MATÉRIA COMPLETA. VEJA O VÍDEO.

Alunos de universidades particulares estudam menos, diz Ipea

Via Estadão
06.11.2012

Segundo pesquisa, 37,1% dos alunos dedicam menos de 5h semanais a estudos complementares

Os alunos de instituições particulares de ensino superior dedicam menos tempo fora da sala de aula aos estudos do que os matriculados em universidades públicas. É o que mostram os dados preliminares de uma pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea) sobre a juventude brasileira, divulgados nesta terça-feira, 6.

Os técnicos do Ipea entrevistaram 2,4 mil estudantes de 18 a 24 anos de duas instituições públicas e quatro particulares de São Paulo e Brasília.

Segundo o levantamento, 37,1% dos universitários brasileiros utilizam menos de 5 horas semanais para estudos fora da sala de aula. No outro extremo, 3,6% dos participantes da pesquisa afirmaram estudar mais de 26 horas semanais fora da sala de aula.

Na amostra da pesquisa detectou-se que 52% dos alunos estudam e trabalham. Desse grupo, a maior parte (44,7%) declarou separar menos de 5 horas semanais para estudos complementares - "o que é esperado de quem trabalha e estuda", dizem os técnicos do Ipea.

No entanto, 34,9% dos estudantes que se definiram como desempregados também utilizam essa mesma quantidade de horas para estudos fora da universidade.

A pesquisa, que compara a juventude brasileira à chinesa, é resultado de acordo de cooperação técnica entre o Ipea, a Sociedade Brasileira de Sociologia (SBS), o Centro de Pesquisa em Infância e Juventude e a Associação de Pesquisa em Infância e Juventude, ambos da China. Ao todo 2,4 mil jovens do país asiático também foram ouvidos, em Pequim e Xangai. Agora as informações serão analisadas mais detalhadamente pelos dois países para a divulgação do texto final. CONTINUA!

Lista aponta 10 ‘práticas de corrupção’ do dia a dia do brasileiro

Via blog do Noblat
05.11.2012

Mariana Della Barba, BBC Brasil

Quase um em cada quatro brasileiros (23%) afirma que dar dinheiro a um guarda para evitar uma multa não chega a ser um ato corrupto, de acordo com uma pesquisa realizada pela Universidade Federal de Minas Gerais e o Instituto Vox Populi.

Os números refletem o quanto atitudes ilícitas, como essa, de tão enraizados em parte da sociedade brasileira, acabam sendo encarados como parte do cotidiano.

"Muitas pessoas não enxergam o desvio privado como corrupção, só levam em conta a corrupção no ambiente público", diz o promotor de Justiça Jairo Cruz Moreira.

Ele é coordenador nacional da campanha do Ministério Público "O que você tem a ver com a corrupção", que pretende mostrar como atitudes que muitos consideram normal são, na verdade, um desvirtuamento ético.

Como lida diariamente com o assunto, Moreira ajudou a BBC Brasil a elaborar uma lista de dez atitudes que os brasileiros costumam tomar e que, por vezes, nem percebem que se trata de corrupção.

Leia mais em Lista aponta 10 ‘práticas de corrupção’ do dia a dia do brasileiro

Região da Amazônia ganhará 15 novas usinas hidrelétricas


JC e-mail 4617, de 05 de Novembro de 2012.
Região da Amazônia ganhará 15 novas usinas hidrelétricas


Demanda até 2015 exige 30 novas instalações em todo o Brasil.

A oferta de energia elétrica no País tem de crescer 42.600 megawatts (MW) nos próximos dez anos, e o Brasil vai colocar em operação entre três e quatro usinas hidrelétricas por ano para atender à demanda. A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) já planejou a entrada em operação de 34 novas usinas hidrelétricas até 2021, sendo 15 delas na Amazônia Legal.

Para Maurício Tolmasquim, presidente da EPE, ampliar a oferta de energia hidrelétrica é condição básica para o desenvolvimento econômico, e a instalação de usinas nos rios amazônicos é inevitável. "Não podemos abrir mão de construir hidrelétricas. Preservar o meio ambiente não é uma decisão excludente. É preciso achar um meio de a hidrelétrica ajudar a preservar", diz Tolmasquim.

A EPE propõe construir hidrelétricas do tipo plataforma, que depois de prontas ficariam isoladas na floresta, acessíveis apenas por helicóptero, inspiradas na extração de petróleo no mar. Mas, durante a construção, reconhece Tolmasquim, é impossível não abrir estradas e criar acampamentos para os operários. "Não tem como fazer sem construir estradas, mas elas podem ser reflorestadas."

A inevitabilidade da construção de novas hidrelétricas, principalmente na Amazônia, tem como premissa a necessidade de atender ao consumo cada vez maior de energia no País. O brasileiro ainda consome três vezes menos que o americano. Por isso, a tendência é consumir mais. "A sociedade tem de decidir se ela quer ser abastecida de energia elétrica. E a alternativa às hidrelétricas são usinas térmicas a óleo, gás natural ou carvão. É uma energia muito mais cara, que prejudica mais o meio ambiente", afirma o diretor-executivo da Brasil Hydro, Flavio Miguez de Mello.

Se mantido sem alterações estratégicas, o estudo da EPE para 2021 prevê que, à exceção das hidrelétricas, que representarão 12,6% da oferta de energia total no País, a participação das demais fontes renováveis passará dos atuais 1,4% para apenas 1,6%. Com 2.200 horas de insolação, o Brasil sequer incluiu a energia solar no planejamento energético até 2021. E quando se trata de ventos, o volume no Brasil é duas vezes maior do que a média mundial.

Para se discutir o futuro das hidrelétricas é preciso também discutir o padrão de consumo de energia no país e o gerenciamento da oferta. Dois estudos recém-lançados por organizações não governamentais (ONGs) apontam caminhos. "É preciso quebrar o paradigma de grandes hidrelétricas", diz o professor Paulo Henrique de Mello Sant'Ana, da Universidade Federal do ABC (UFABC), coordenador de um estudo patrocinado pela WWF-Brasil.

Sant'Ana lembra que países como a Dinamarca têm 30% de sua energia gerada pelos ventos e que a Alemanha, com muito menos sol que o Brasil, já é o terceiro país do mundo em energia solar, atrás de China e Estados Unidos. "No lugar de expandir a oferta, temos de aprender a gerenciar a demanda. Estamos diante de uma revolução energética, e o Brasil não está olhando para frente", diz.

Para o professor, alternativas para reduzir o ritmo frenético de construção de novas usinas estão em programas capazes de mudar o padrão de consumo.

Ponto frágil - Dados da Associação Brasileira de Refrigeração, Ar Condicionado, Ventilação e Aquecimento (Abrava) mostram que 8% da energia produzida no Brasil se destinam apenas ao chuveiro elétrico. Isso corresponde a 15 mil MW no horário de pico, entre 17h e 22h.

Segundo a Abrava, cada metro quadrado de coletor solar instalado para aquecer água pode evitar 56 metros quadrados de área inundada por hidrelétricas. No estudo "O Setor Elétrico Brasileiro e a Sustentabilidade no Século 21", patrocinado por cinco ONGs, incluindo o Greenpeace, o consultor em planejamento energético Roberto Kishinami afirma que o país precisa urgentemente planejar o aumento de sua eficiência econômica.

Ele lembra que a eficiência energética dos motores elétricos de uso industrial passou de 39,8% em 1984 para 47,1% em 2004. Segundo ele, um programa que reunisse os fabricantes de motores e instituições de pesquisa poderia, a curto prazo, promover a troca dos equipamentos antigos por outros com maior eficiência, reduzindo o custo e a necessidade de uso de energia nas indústrias, que respondem por metade do consumo total.

"A política brasileira é de gerar e distribuir energia no atacado, mas a tendência é descentralizar. O uso da energia solar é descentralizado, por domicílio ou empreendimento", explica Marcelo Mesquita, especialista em gestão de energia e consultor da Abrava.

O consultor chama atenção ainda pelo fato de as hidrelétricas receberem investimentos de R$ 190 bilhões e os programas de eficiência energética alcançarem no máximo R$ 10 bilhões no período. Os investimentos em usinas eólicas e de biomassa receberam do PAC apenas R$ 9,7 bilhões.

Ao optar por produzir energia na Amazônia, distante dos centros de consumo, o País tem de investir mais em linhas de transmissão. Só em interligações e para usar a energia a ser gerada pelas usinas de Belo Monte, Teles Pires e Tapajós (a ser licitada em 2013) estão revistos no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) investimentos de R$ 37,4 bilhões. A distância tende a agravar as perdas do sistema.

Segundo dados da EPE, o índice de perdas do setor elétrico, de 16,9% em 2012, chegará a 2021 em 16,1%, uma redução inferior a um ponto percentual. Para se ter uma ideia, no Chile esse índice fica em 5,6%; na Argentina em 9,9% e na Colômbia em 11,5%.

Os problemas nas linhas de transmissão têm sido apontados como os principais responsáveis pelos diversos apagões registrados no País. Em 2007, o Tribunal de Contas da União realizou auditoria para verificar as perdas e, no ano passado, o Ministério Público Federal abriu inquérito civil público para obrigar as autoridades a implementarem projetos eficientes que reduzam, efetivamente, as perdas energéticas.

O professor da Faculdade de Administração e Economia da Universidade de São Paulo em Ribeirão Preto, Eliezer Martins Diniz, afirma que as decisões sobre a construção de hidrelétricas ainda são tomadas com critérios unicamente econômicos.

"É preciso ter bom senso nesta hora. É importante gerar energia e reduzir a desigualdade social, mas preservar o meio ambiente é também evitar desigualdade entre gerações futuras. Falar em desenvolvimento econômico e social não pode ser um alvará para passar por cima de questões ambientais", afirma.

(Caderno Desafios Brasileiros - O Globo / O Estado de São Paulo)

sábado, 3 de novembro de 2012

À sombra de um delírio verde

Via Instituto Socioambiental


Na região Sul do Mato Grosso do Sul, fronteira com Paraguai, o povo indígena com a maior população no Brasil trava, quase silenciosamente, uma luta desigual pela reconquista de seu território.
Expulsos pelo contínuo processo de colonização, mais de 40 mil Guarani Kaiowá vivem hoje em menos de 1% de seu território original. Sobre suas terras encontram-se milhares de hectares de cana-de-açúcar plantados por multinacionais que, juntamente com governantes, apresentam o etanol para o mundo como o combustível “limpo” e ecologicamente correto.


Clique aqui e assista ao documentário.


Sem terra e sem floresta, os Guarani Kaiowá convivem há anos com uma epidemia de desnutrição que atinge suas crianças. Sem alternativas de subsistência, adultos e adolescentes são explorados nos canaviais em exaustivas jornadas de trabalho. Na linha de produção do combustível limpo são constantes as autuações feitas pelo Ministério Público do Trabalho que encontram nas usinas trabalho infantil e trabalho escravo.
Em meio ao delírio da febre do ouro verde (como é chamada a cana-de-açúcar), as lideranças indígenas que enfrentam o poder que se impõe muitas vezes encontram como destino a morte encomendada por fazendeiros.

À Sombra de um Delírio Verde

Tempo: 29 min
Países: Argentina, Bélgica e Brasil
Narração: Fabiana Cozza
Direção: An Baccaert, Cristiano Navarro, Nicola Mu
www.thedarksideofgreen-themovie.com



Falta de recursos afeta a forma de tomar decisões

Via Estadão
Por MARIANA LENHARO
02.11.2012

Pesquisa propõe que qualquer um, se submetido à escassez, prioriza problemas imediatos e negligencia questões de longo prazo

A escassez de recursos financeiros afeta a maneira como as pessoas pensam e tomam decisões. Segundo pesquisa publicada hoje na revista Science, essa é a explicação para o fato de pessoas em situação de pobreza tomarem atitudes que reforçam essa condição, como fazer empréstimos demais e economizar de menos.

Enquanto outras interpretações imputam esse comportamento a traços da personalidade ou a fatores sociais relacionados à pobreza, esse estudo propõe que qualquer um, quando submetido a uma situação de escassez, pode ser levado a deslocar sua atenção para problemas mais imediatos e negligenciar questões de longo prazo.

Para chegar a essa conclusão, pesquisadores das Universidades de Chicago, de Harvard e de Princeton submeteram voluntários a cinco experimentos. Eles se assemelham a jogos que simulam situações cotidianas envolvendo a administração de recursos. Em cada experimento, os participantes foram divididos aleatoriamente em dois grupos: um recebeu orçamento maior - os "ricos" - e outro, um orçamento menor - os "pobres".

O que os experimentos demonstraram foi que, na situação da escassez de recursos, as pessoas tendem a despender muito mais esforço para administrar as pequenas despesas. Para os que são mais pobres, elas parecem mais urgentes e geram uma ansiedade desproporcional.

Esse excesso de concentração no problema imediato resulta contraproducente, pois leva os indivíduos a desconsiderarem as questões menos imediatas, porém mais importantes. Uma das atividades realizadas pelos pesquisadores, por exemplo, concluiu, por meio de testes de atenção, que participantes com orçamento menor no jogo tinham um cansaço mental maior.

Os pesquisadores dão um exemplo: enquanto nos concentramos em pagar a conta da mercearia de semana em semana, corremos o risco de negligenciar o aluguel do mês seguinte.

É isso o que estimularia as pessoas mais carentes a contrair empréstimos com juros altos. "Se a escassez cria um foco nas despesas urgentes de hoje, a atenção irá para os benefícios do empréstimo, mas não para os seus custos", diz o artigo. CONTINUA!

Economistas da Unicamp lançam
Manifesto em Defesa da Civilização

Via Carta Maior
19.10.2012:

MANIFESTO EM DEFESA DA CIVILIZAÇÃO

Vivemos hoje um período de profunda regressão social nos países ditos desenvolvidos. A crise atual apenas explicita a regressão e a torna mais dramática. Os exemplos multiplicam-se. Em Madri uma jovem de 33 anos, outrora funcionária dos Correios, vasculha o lixo colocado do lado de fora de um supermercado. Também em Girona, na Espanha, diante do mesmo problema a Prefeitura mandou colocar cadeados nas latas de lixo. O objetivo alegado é preservar a saúde das pessoas.

Em Atenas, na movimentada Praça Syntagma situada em frente ao Parlamento, Dimitris Christoulas, químico aposentado de 77 anos, atira contra a própria cabeça numa manhã de quarta-feira. Na nota de suicídio ele afirma ser essa a única solução digna possível frente a um Governo que aniquilou todas as chances de uma sobrevivência civilizada. Depois de anos de precários trabalhos temporários o italiano Angelo di Carlo, de 54 anos, ateou fogo a si próprio dentro de um carro estacionado em frente à sede de um órgão público de Bologna.

Em toda zona do euro cresce a prática medieval de anonimamente abandonar bebês dentro de caixas nas portas de hospitais e igrejas. A Inglaterra do Lord Beveridge, um dos inspiradores do Welfare State, vem cortando recorrentemente alguns serviços especializados para idosos e doentes terminais. Cortes substantivos no valor das aposentadorias e pensões constituem uma realidade cada vez mais presente para muitos integrantes da chamada comunidade europeia. Por toda a Europa, museus, teatros, bibliotecas e universidades públicas sofrem cortes sistemáticos em seus orçamentos. Em muitas empresas e órgãos públicos é cada vez mais comum a prática de trabalhar sem receber. Ainda oficialmente empregado é possível, ao menos, manter a esperança de um dia ter seus vencimentos efetivamente pagos. Em pior situação está o desempregado. Grande parte deles são jovens altamente qualificados.

A massa crescente de excluídos não é um fenômeno apenas europeu. O mesmo acontece nos EUA. Ali, mais do que em outros países, a taxa de desemprego tomada isoladamente não sintetiza mais a real situação do mercado de trabalho. A grande maioria daqueles que hoje estão empregados ocupam postos de trabalhos precários e em tempo parcial concentrados no setor de serviços. Grande parte dos postos mais qualificados e de melhor remuneração da indústria de transformação foram destruídos pela concorrência chinesa.

Nesse cenário, a classe média vai sendo espremida, a mobilidade social é para baixo e o mercado de trabalho vai ficando cada vez mais polarizado no país das oportunidades. No extremo superior, pouquíssimos executivos bem remunerados que têm sua renda diretamente atrelada ao mercado financeiro. No extremo inferior, uma massa de serviçais pessoais mal pagos sem nenhuma segurança, que vivem uma realidade não muito diferente dos mais de 100 milhões que recebem algum tipo de assistência direta do Estado. O Welfare State, ao invés de se espalhar pelo planeta, encampando as tradicionais hordas de excluídos, encolhe, aumentando a quantidade de deserdados.

Muitos dirão que essa situação será revertida com a suposta volta do crescimento econômico e a retomada do investimento na indústria de transformação nestes países. Não é verdade. É preciso aceitar rapidamente o seguinte fato: no capitalismo, o inevitável avanço do progresso tecnológico torna o trabalho redundante. O exponencial aumento da produtividade e da produção industrial é acompanhado pela constante redução da necessidade de trabalhadores diretos. Uma vez excluídos, reincorporam-se – aqueles que o conseguem – como serviçais baratos dentro de um circuito de renda comandado pelos detentores da maior parcela da riqueza disponível. Por isso mesmo, a crescente desigualdade de renda é funcional para explicar a dinâmica desse mercado de trabalho polarizado.

Diante desse quadro, uma pergunta torna-se inevitável: estamos nós, hoje, vivendo uma crise que nega os princípios fundamentais que regem a vida civilizada e democrática? E se isso for verdade: quanto tempo mais a humanidade suportará tamanha regressão?

A angústia torna-se ainda maior quando constatamos que as possibilidades de conforto material para a grande maioria da população deste planeta são reais. É preciso agradecer ao capitalismo, e ao seu desatinado desenvolvimento, pela exuberância de riqueza gerada. Ele proporcionou ao homem o domínio da natureza e uma espantosa capacidade de produzir em larga escala os bens essenciais para as satisfações das necessidades humanas imediatas. Diante dessa riqueza, é difícil encontrar razões para explicar a escassez de comida, de transporte, de saúde, de moradia, de segurança contra a velhice, etc. Numa expressão, escassez de bem estar! CONTINUA!

Evolução - e não apenas exaustão, por Washington Novaes

Via Estadão
02.11.2012

WASHINGTON NOVAES - JORNALISTA. E-MAIL: WLRNOVAES@UOL.COM.BR - O Estado de S.Paulo

Por mais que se queira não se consegue fugir ao tema que o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, chamou durante a conferência Rio+20, em junho, de "exaustão do sistema econômico e social planetário" - 868 milhões de pessoas que passam fome todos os dias, 1,3 bilhão vivendo abaixo da linha da pobreza, população total de 7 bilhões avançado para 9 bilhões até meados do século, recursos naturais usados em ritmo superior à reposição, "crise de finitude de recursos", impasse na produção de alimentos. Como produzir para mais 2 bilhões de pessoas no atual quadro?

Segundo a Rádio ONU, estudos do Banco Mundial dizem que, embora a pobreza venha diminuindo, 22% da população do mundo "em desenvolvimento" ainda vive com menos de US$ 1,25 por dia (era 1,94 bilhão em 1981, baixou para 1,29 bilhão no fim da década passada; em 2015 ainda haverá 1 bilhão). Na África Subsaariana, uma em quatro pessoas na população de 856 milhões é subnutrida. Mesmo nos Estados Unidos 18,2% da população tem, segundo o Gallup, dificuldade para comprar alimentos (TV-Novosti, 28/9) - embora a própria Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) venha advertindo sobre o desperdício de 1,3 bilhão de toneladas anuais de alimentos no mundo, principalmente nos países mais ricos.

Um dos documentos mais contundentes, divulgado na semana passada em Nairóbi (Quênia) pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), diz que "os sustentáculos da segurança alimentar e da biodiversidade no mundo estão sendo minados". É urgente, por isso, incluir na agricultura e no seu planejamento os serviços prestados pela natureza para avaliar a situação em cada lugar - da mesma forma que, na Rio+20, a Universidade da ONU propôs um novo indicador, em lugar do produto interno bruto (PIB); esse Índice de Riqueza Inclusiva, avaliando o crescimento da China entre 1990 e 2008, e incluindo a perda de recursos naturais, baixou a taxa de 422% para menos de 20%; no Brasil, o índice caiu de mais de 40% no mesmo período para 13%.

O documento do Pnuma avalia a situação nas áreas da sobrepesca, do uso insustentável da água, das práticas agrícolas que degradam o ambiente e propõe novos caminhos - como na estocagem de alimentos de pequenos produtores (para eliminar desperdícios), uso restrito de fertilizantes e pesticidas, redução da mecanização. Tudo é fundamental, diz o Pnuma, já que a agricultura provê 90% do consumo mundial de calorias e a pesca, os outros 10%. Mas, na primeira a competição pelo uso da água na irrigação, a perda da biodiversidade (com consequências na erosão e desertificação) e os desastres climáticos estão levando a situações insustentáveis. Na pesca, 55% dos estoques de espécies estão "plenamente explorados", 32% "explorados em excesso", 3% esgotados e 15% "moderadamente explorados". Os hábitats costeiros de espécies, recifes de corais e mangues já se reduziram quase à metade. E o aquecimento e acidificação da água são causas importantes. Também nas culturas em áreas continentais os problemas são graves.

As recomendações incluem ainda a eliminação dos subsídios à pesca (US$ 25 bilhões a US$ 30 bilhões anuais) e a criação de impostos pesados para a pesca irregular; na agricultura, várias práticas para a conservação do solo, da diversidade biológica, da microfauna associada à fertilidade nas culturas, a redução de fertilizantes que provocam a eutrofização, a proibição do desmatamento.

No Brasil, estudo do Ministério do Desenvolvimento Social e da Universidade Rural Federal do Rio de Janeiro (26/10) tenta identificar as causas da alta dos preços dos alimentos para as camadas mais pobres da população, superior ao aumento inflacionário. E já aponta "o pico do preço do petróleo", os baixos estoques, fatores climáticos e os sistemas de financiamento e de especulação financeira (já se mencionou neste espaço que há commodities agrícolas brasileiras que ao final de sua trajetória no "mercado futuro", ao serem entregues concretamente ao consumo, já passaram por até 40 intermediários, cada um deles aumentando o preço). Diz ainda o estudo que, após a alta de preços, estes não retornam ao estágio anterior. Apesar de todos esses fatores, com o crescimento do salário mínimo e a ampliação dos programas de assistência às famílias de mais baixa renda no Brasil a situação nessa faixa melhorou. O Instituto Data Popular confirma (Estado, 22/1) que a classe E representava em 2001 cerca de 10% da população (17,3 milhões de pessoas) e em 2011 caíra para 3,6% (7 milhões).

De qualquer forma, é tudo tão preocupante que economistas da Unicamp lançaram (Carta Maior, 22/10) um Manifesto em Defesa da Civilização [Veja o Manifesto Aqui.], no qual afirmam que vivemos um período de "profunda regressão social" nos "países ditos desenvolvidos", com taxas muito altas de desemprego na Espanha e na Grécia. Por isso, pergunta: "Estamos vivendo crise que nega os princípios fundamentais da vida civilizada e democrática? E se isso for verdade, quanto tempo mais a humanidade suportará tamanha regressão?" Termina o texto dizendo que para não haver "uma reação inevitável, violenta e incontrolável" dos estratos mais prejudicados "é preciso colocar novamente em movimento as engrenagens da civilização".

Talvez possa ajudar nos lembrarmos de Teilhard de Chardin (O Fenômeno Humano, Editions Du Seuil, 1955), quando diz que "avançamos, como que em meio às dores de um grande parto, que traz à memória a história de crises da humanidade" - a Guerra de Troia, a queda do Império Romano, a invasão dos bárbaros, a aventura das cruzadas, as grandes navegações, as grandes descobertas e invenções, a Revolução Russa, o existencialismo, o movimento hippie, a Teologia da Libertação. Estaríamos evoluindo "para um mais-ser, um ser mais pleno e definitivo; porque o Universo, o nosso Universo, não apenas está em evolução, mas é uma evolução".

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Alarmante escasez de mujeres dedicadas a la ciencia en el mundo

Via Tendencias 21/Por Cardis
Imagen: NASA. Fuente: Everystockphoto.
30.10.2012


 
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'Conservar é ferramenta para manter exploração'


JC e-mail 4615, de 31 de Outubro de 2012.
'Conservar é ferramenta para manter exploração'


Diretora do MMA explica por que ainda temos só 1,5% das áreas marinhas e costeiras protegidas e quais são os desafios.

No mesmo mês em que o Brasil reafirmou seus compromissos de proteger a biodiversidade na 11ª Conferência das Partes da Convenção da Diversidade Biológica, na Índia, um anúncio que passou despercebido mostrou que ao menos em um dos pontos dessa luta o País segue perdendo.

O mero, um dos maiores peixes do Brasil, teve a sua captura proibida pelos próximos três anos. A espécie, que podia ser encontrada em toda a costa brasileira, está criticamente ameaçada de extinção. A proibição de sua pesca vinha de 2002, mas tinha perdido a validade em setembro deste ano. Como nesse período as populações do animal não chegaram a ser recuperar, foi necessário prorrogar a moratória.

O caso ilustra uma situação que alia a exploração excessiva dos recursos pesqueiros com a degradação dos ambientes costeiros do País e vem provocando não só a redução da oferta de peixes como põe em risco toda a biodiversidade marinha.

A recuperação de espécies sobre-exploradas é uma das chamadas Metas de Aichi, as quais 193 países concordaram estabelecer para serem cumpridas até 2020 para interromper a perda de biodiversidade no mundo.

E a realização desse objetivo está diretamente ligada a outro: a criação de unidades de conservação em 10% das áreas marinhas e costeiras. Nesse quesito, o País ainda está muito aquém, pois tem apenas 1,5% desse território protegido. Recentemente, por exemplo, foi adiada a ampliação do Parque Nacional Marinho de Abrolhos, entre Bahia e Espírito Santo.

Em entrevista, a responsável do governo federal pelo assunto, Ana Paula Prates, diretora de Áreas Protegidas do Ministério do Meio Ambiente, fala sobre os desafios e as dificuldades de atingir esses resultados no Brasil. LEIA A ENTREVISTA

Físico cobra políticas públicas para acesso aos museus científicos


JC e-mail 4615, de 31 de Outubro de 2012.
Físico cobra políticas públicas para acesso aos museus científicos


Levar museus de divulgação científica para comunidades mais pobres e mais distantes dos grandes centros do Brasil é um dos desafios internos que precisam ser enfrentados nos próximos anos.

A opinião é do físico Ildeu de Castro Moreira, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e diretor do Departamento de Popularização e Difusão da Ciência do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), proferida ontem (30), último dia do 2º Encontro Preparatório do Fórum Mundial de Ciência, realizado na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em Belo Horizonte.

O evento é um preparatório para a 6ª edição do Fórum Mundial de Ciência que acontecerá no Rio de Janeiro em novembro de 2013. É a primeira vez em que esse evento internacional acontece em um país fora da Europa. Os encontros são promovidos pela Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Academia Brasileira de Ciências (ABC), Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig), UFMG e MCTI, dentre outros órgãos.

Ao discorrer sob o tema "Museus e centros de ciência: espaços alternativos para difusão e acesso ao conhecimento", o físico considerou "pequeno" o número de museus de ciência distribuídos hoje pelo Brasil.

A estimativa é de que existem cerca de 300 espaços de popularização de ciência espalhados pelo País - zoológicos, museus, aquários, planetários, observatórios e jardins botânicos - que respondem o equivalente a 10% do total de três mil museus existentes no território nacional, concentrados principalmente nas regiões Sudeste e Sul. No caso dos planetários, Moreira destacou a existência de um pouco mais de 30 centros, enquanto na Índia existem 300 planetários.

Segundo o diretor do MCTI, o público de baixa renda não visita os museus por falta de opção de acesso, o que reflete a desigualdade social nacional. Na Amazônia, por exemplo, ele disse que a distância das comunidades pobres aos espaços científicos chega a três mil quilômetros.

Moreira citou dados de pesquisa sobre o acesso aos museus brasileiros que revelam que o número de visitantes em espaços científicos subiu de 4%, em 2006, para 8,3% em 2010. Os principais acessos são aos museus de biblioteca, cujas visitas expandiram de 25% para 28,7% no período analisado.

Proposta para o Fórum Mundial em 2013 - Conforme observa Moreira, faltam políticas públicas para difusão de museus científicos no País. Aliás, declarou, que essa informação precisa fazer parte das discussões de pesquisadores, cientistas, gestores e profissionais durante a 6ª edição do Fórum Mundial no Rio de Janeiro.

"Temos de ser mais propositivos em termos de ações", sentenciou. Sem citar números, o físico disse ser "grave" a falta de recursos para a expansão dos museus científicos no território nacional. Ele também observa a falta de pessoal qualificado para trabalhar nos espaços científicos brasileiros.

Moreira lembrou que constam de editais do MCTI algumas medidas para a divulgação cientifica e a popularização da ciência. Ele ressalva, porém: "Isso não significa dizer que existem políticas públicas para o acesso aos museus científicos no País".

Segundo Moreira, o papel dos museus de ciência vai muito além de preservar os instrumentos científicos. Para ele, o espaço científico é um ambiente propício para acessar pesquisas e refletir sobre o conhecimento, dentre outros, e ele deve ser visto como um complemento das atividades escolares.

Desafios - Na opinião de Moreira, o Brasil precisa ampliar o número dos espaços físicos científicos, implementar medidas para aumentar o acesso do público de comunidades carentes aos museus de ciência para atingir patamares europeus até 2020. É necessário valorizar tal atividade, estimular o investimento privado no setor, formar pessoal qualificado e integrar os espaços científicos com as escolas e universidades.

Déficit na divulgação científica - No olhar de Susana Dias, professora e coordenadora do curso de Mestrado em Divulgação Científica e Cultural (MDCC) do Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo da Unicamp (Labjor), o Brasil registra déficit na divulgação científica.

Segundo ela, a divulgação cientifica nacional é insuficiente para atender ao público, seja pelo lado do jornalismo, seja pelo o dos cientistas. A especialista defende a criação de outros modos de expressão científica. "É preciso pensar em como criar outras possibilidades para que seja possível uma participação pública na divulgação científica", disse.

Em sua palestra sobre "O papel do jornalismo científico na educação e acesso ao conhecimento", Susana destacou a necessidade do jornalismo científico ir além dos conhecimentos estabelecidos, como a escrita (palavras, imagem e som), da refutação e das críticas. Ela considera fundamental o jornalismo científico desbravar a relação entre ciência e vida. Ou seja, precisa representar a vida pela escrita em uma linguagem popular e atingir a todos os públicos. "A linguagem e o mundo estão conectados", disse ela, citando nomes de vários filósofos que afirmam que a ciência precisa ir além de seus limites.

(Viviane Monteiro - Jornal da Ciência)