quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Ciência Hoje On-line: Desaparecidos sociais


JC e-mail 4586, de 19 de Setembro de 2012.
Ciência Hoje On-line: Desaparecidos sociais


Policial civil defende revisão da conduta em casos de desaparecimento. Ao analisar esse tipo de ocorrência no Rio de Janeiro, depara-se com a desatenção junto às famílias e com a dificuldade de traçar um perfil das pessoas desaparecidas.

Na cidade do Rio de Janeiro, são registrados, em média, 5.200 casos de desaparecimento por ano. Alguns dos desaparecidos voltam para casa dias depois; outros, para o desespero dos familiares, são encontrados mortos - em ocorrências que variam de acidentes como atropelamento ou afogamento a assassinatos.

Centenas de casos, no entanto, ficam sem solução. Foi sobre eles que a policial civil Gisele Martins de Souza se debruçou em monografia apresentada no Curso de Especialização em Segurança e Cidadania da Universidade Cândido Mendes. Foram avaliados cerca de 200 casos não solucionados de desaparecimento, ocorridos entre janeiro e dezembro de 2010.

Leia a matéria completa na CH On-line, que tem conteúdo exclusivo atualizado diariamente: http://cienciahoje.uol.com.br/noticias/2012/09/desaparecidos-sociais.
(ICH)

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

UM MODERNISMO QUE VEIO DEPOIS
TADEU CHIARELLI







Núcleo organiza evento em defesa de direitos dos animais

Via Agência USP de Notícias
Por Júlio Bernardes - jubern@usp.br
14.09.2012

Os seres vivos que não têm possibilidade de se manifestar, como os animais, também são sujeitos de direitos. Nesse sentido, os seres humanos são responsáveis pela formulação de códigos de proteção, segurança e preservação das espécies. Este princípio é adotado nas pesquisas do Núcleo de Estudos das Diversidades, Intolerâncias e Conflitos (Diversitas), da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, que também recebe e encaminha denúncias sobre maus tratos com animais. Nos dias 20 e 21, o Diversitas realiza o “VI Seminário de Direito e Ética Animal”, com o tema “Crueldade Consentida: Diversão Perversa”.

“Cada vez que uma espécie se desorganiza e é eliminada, todo o ecossistema se desequilibra, por isso o homem, como predador, precisa intervir com códigos e leis”, ressalta a professora Zilda Iokoi, da FFLCH, que coordena o Diversitas. “Isso inclui o estabelecimento de uma ética que leve a práticas que não submetam nenhum animal a condições degradantes, para preservar as espécies”.

O Diversitas possui um Observatório que recebe denúncias de crueldade para com os animais pela internet, neste site. “Em média são recebidas de duas a três denúncias por semana”, afirma a professora. Uma triagem é feita pelos pesquisadores do Núcleo, e quando a violência é comprovada, o caso é encaminhado a um promotor público. Os casos também servem de base para pesquisas. “A partir dos processos são discutidos procedimentos éticos, a difusão de ideias de tolerância, além da elaboração de propostas de políticas públicas e projetos de leis”, acrescenta Zilda.

Com o evento deste ano, o Diversitas pretende levar para a sociedade a discussão sobre o abuso de animais com fins de recreação, o que inclui estudos sobre a realização de rodeios. “Essa prática, que envolve valores altíssimos, serve apenas de competição entre criadores, que valorizam seus produtos, submetendo os animais à dor”, alerta a professora. A crítica também se estende à “Farra do Boi”e às rinhas de briga de galo, entre outras atividades consideradas tradicionais. “Se, por um lado, há necessidade da preservação cultural, é preciso também discutir o direito à vida, pois práticas intolerantes não se justificam”. CONTINUA!

terça-feira, 18 de setembro de 2012

O projeto secreto por trás de Belo Monte,
por Carlos Tautz

Via blog do Noblat
Por Carlos Tautz
18.09.2012

A revelação de que “Projeto bilionário de grupo canadense quer extrair ouro no Xingu” (Valor, 17/09 [veja a matéria aqui]) comprova o que vários opositores da construção da usina Belo Monte há anos vêm afirmando. A megahidrelétrica não é o único projeto que grandes grupos econômicos têm para a região onde está sendo erguida a planta energética mais polêmica do Brasil.

Vários especialistas afirmam que, sozinha e sem os subsídios governamentais, a usina não é viável economicamente.

Para fazer jus à montanha de dinheiro que o governo coloca no projeto (só o BNDES comprometeu-se com R$ 24 bilhões), é preciso haver razões ocultas, ou outros projetos “secretos” como este que agora vem à tona, o da corporação mineradora Belo Sun Mining, sediada em Toronto.

Os mesmos especialistas especulam que há outras usinas projetadas para o trecho a montante de Belo Monte. Assim, funcionando de forma articulada, garantiriam-lhe a viabilidade que isoladamente a usina não tem.

Com a revelação dos planos de mineração, vai-se explicando a insistência da direção do Ibama em contrariar seu próprio corpo técnico e aprovar uma licença ambiental manchada pela necessidade de seu consórcio construtor atender 40 condicionantes para emissão da licença.

Boa parte dessas condicionantes, que não estão sendo cumpridas em sua totalidade, são referentes justamente à região conhecida como Volta Grande, trecho de quase 100km de extensão que corre o risco de secar quando do barramento do Xingu.

Agora sabe-se para quê: “Nas terras indígenas da região do Xingu próximas aos canteiros de obras da UHE Belo Monte estão concentrados pedidos de autorizações de pesquisa e lavra de minerais nobres, como ouro, diamante, nióbio, cobre, fósforo, fosfato”, escreveu no jornal Correio da Cidadania a pesquisadora Telma Monteiro, antiga observadora dos megaprojetos na Amazônia.

Há muito os canadenses revelam sua intenção de explorar o ouro do Xingu. Em apresentação na Fundação Getúlio Vargas no Rio de Janeiro em 2010, a Belo Sun Mining já afirmava que planeja o início da mineração em 2015.

De tão ambiciosos e impactantes, é absolutamente impossível que os planos não fossem de conhecimento do governo federal, seja por informes dos arapongas da Abin, seja por força dos canais que o Ministério de Minas e Energia cultiva com grandes corporações internacionais.

Não basta que os grandes projetos, causadores de irreversíveis impactos negativos sobre a sociedade e o ambiente, cumpram a legislação ambiental brasileira. Apenas isso não os legitima. É necessário que eles deixem de fazer parte de agendas ocultas e passem a ser discutidos pela sociedade, que precisa ter a oportunidade de opinar e, eventualmente, até de vetar seu desenvolvimento.

Carlos Tautz, jornalista, é coordenador do Instituto Mais Democracia – Transparência e Controle Cidadão de Governos e Empresas.

MPF vai investigar projeto no Xingu


JC e-mail 4585, de 18 de Setembro de 2012.
MPF vai investigar projeto no Xingu


O Ministério Público Federal (MPF) em Altamira abriu procedimento para investigar o projeto de mineração de ouro da companhia canadense Belo Sun Mining, que pretende instalar "a maior mina de ouro do Brasil" na Volta Grande do Xingu, ao lado do local diretamente impactado pela usina hidrelétrica de Belo Monte, no Pará.

Reportagem publicada ontem revelou detalhes do plano da companhia, que pretende extrair 4,6 mil quilos de ouro por ano da região, com investimento de US$ 1,076 bilhão. O projeto está sendo licenciado pela Secretaria Estadual de Meio Ambiente do Pará (Sema) e uma audiência pública foi realizada na quinta-feira passada, na cidade de Senador José Porfírio, onde fica a jazida de ouro.

Por meio de nota, a procuradora do MPF Thais Santi, que investiga o empreendimento, informou que acompanhou a audiência pública e questionou a realização do empreendimento "em uma área já fragilizada com a instalação da usina de Belo Monte, justamente a região que é afetada pelo desvio da vazão do Xingu" para alimentar as turbinas da hidrelétrica.

"É muito preocupante que o projeto não faça nenhuma menção à sobreposição de impactos", disse a procuradora. Thais Santi também questionou a ausência de informações sobre impactos aos indígenas. "Simplesmente não há estudos sobre impactos nos indígenas da Volta Grande ou participação da Funai no licenciamento", disse.

A preocupação é partilhada pela Defensoria Pública do Estado do Pará e pelas comunidades atingidas, que enviaram documento ao MPF e à Sema solicitando mais audiências. A secretaria concordou em realizar pelo menos mais uma audiência pública. O MPF também enviou ofício ao diretor do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), solicitando informações sobre as licenças de exploração dadas à Belo Sun Mining. O DNPM já liberou diversas autorizações de pesquisa na região para a companhia.
(Valor Econômico)

Como ajudar um motorista bêbado?
How to Help a Drunk Driver?







Valeu, Carlinhos, mon amour!

Grupo canadense quer extrair ouro ao lado de
Belo Monte


JC e-mail 4584, de 17 de Setembro de 2012.
Grupo canadense quer extrair ouro ao lado de Belo Monte


O rio Xingu vai deixar de ser palco exclusivo de Belo Monte, a polêmica geradora de energia em construção no Pará. Em uma região conhecida como Volta Grande do Xingu, na mesma área onde está sendo erguida a maior hidrelétrica do País, avança discretamente um megaprojeto de exploração de ouro.

O plano da mineradora já está em uma etapa adiantada de licenciamento ambiental e será executado pela empresa canadense Belo Sun Mining, companhia sediada em Toronto que pretende transformar o Xingu no "maior programa de exploração de ouro do Brasil".

O projeto é ambicioso. A Belo Sun, que pertence ao grupo canadense Forbes & Manhattan Inc., um banco de capital fechado que desenvolve projetos internacionais de mineração, pretende investir US$ 1,076 bilhão na extração e beneficiamento de ouro. O volume do metal já estimado explica o motivo do aporte bilionário e a disposição dos empresários em levar adiante um projeto que tem tudo para ampliar as polêmicas socioambientais na região. A produção média prevista para a planta de beneficiamento, segundo o relatório de impacto ambiental da Belo Sun, é de 4.684 quilos de ouro por ano. Isso significa um faturamento anual de R$ 538,6 milhões, conforme cotação atual do metal feita pela BM&FBovespa.

A lavra do ouro nas margens do Xingu será feita a céu aberto, porque "se trata de uma jazida próxima à superfície, com condições geológicas favoráveis". Segundo o relatório ambiental da Belo Sun, chegou a ser verificada a alternativa de fazer também uma lavra subterrânea, mas "esta foi descartada devido, principalmente, aos custos associados."

Para tirar ouro do Xingu, a empresa vai revirar 37,80 milhões de toneladas de minério tratado nos 11 primeiros anos de exploração da mina. As previsões, no entanto, são de que a exploração avance por até 20 anos. Pelos cálculos da Belo Sun, haverá aproximadamente 2.100 empregados próprios e terceirizados no pico das obras.

O calendário da exploração já está detalhado. Na semana passada, foi realizada a primeira audiência pública sobre o projeto no município de Senador José Porfírio, onde será explorada a jazida. Uma segunda e última audiência está marcada para o dia 25 de outubro. Todo processo de licenciamento ambiental está sendo conduzido pela Secretaria de Meio Ambiente do Pará. O cronograma da Belo Sun prevê a obtenção da licença prévia do empreendimento até o fim deste ano. A licença de instalação, que permite o avanço inicial da obra, é aguardada para o primeiro semestre do ano que vem, com início do empreendimento a partir de junho de 2013. A exploração efetiva do ouro começaria no primeiro trimestre de 2015, quando sai a licença de operação.

Todas as informações foram confirmadas pelo vice-presidente de exploração da Belo Sun no Brasil, Hélio Diniz, que fica baseado em Minas Gerais. Em entrevista, Diniz disse o "Projeto Volta Grande" é o primeiro empreendimento da companhia canadense no Brasil e que a sua execução não tem nenhum tipo de ligação com a construção da hidrelétrica de Belo Monte ou com sócios da usina. "Somos uma operação independente, sem qualquer tipo de ligação com a hidrelétrica. Nosso negócio é a mineração do ouro e trabalhamos exclusivamente nesse projeto", disse Diniz.

O "plano de aproveitamento econômico" da mina, segundo o executivo, ficará pronto daqui a seis meses. Nos próximos dias, a Belo Sun abrirá escritórios em Belém e em Altamira. Hélio Diniz disse que, atualmente, há cerca de 150 funcionários da empresa espalhados na Volta Grande do Xingu, região que é cortada pelos municípios de Senador José Porfírio, Vitória do Xingu e Altamira.

O local previsto para receber a mina está localizado na margem direita do rio, poucos quilômetros abaixo do ponto onde será erguida a barragem da hidrelétrica de Belo Monte, no sítio Pimental. A exploração da jazida, segundo Diniz, não avançará sobre o leito do rio. "A mina fica próxima do Xingu, mas não há nenhuma ação direta no rio."

Para financiar seu projeto, os canadenses pretendem captar recursos financeiros no Brasil. De acordo com o vice-presidente de exploração da Belo Sun, será analisada a possibilidade de obter financiamento no BNDES. "Podemos ainda analisar a alternativa de abrir o capital da empresa na Bovespa. São ações que serão devidamente estudadas por nós."

Segundo a Belo Sun, o futuro reservado para a região da mina, quando a exploração de ouro for finalmente desativada, será o aproveitamento do projeto focado no "turismo alternativo", apoiado por um "programa de reabilitação e revegetação". Na audiência pública realizada na semana passada, onde compareceram cerca de 300 pessoas, a empresa informou que haverá realocação de pessoas da área afetada pelo empreendimento e que a construção de casas será financiada pela Caixa Econômica Federal. A Belo Sun listou 21 programas socioambientais para mitigar os impactos que serão causados à região e à vida da população.
(Valor Econômico)


Lamento básico:
olhos d’água...
olhos d’água...
só restarão os teus,
só restarão os meus.
Adelidia Chiarelli

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

“Como escrever a tese certa e vencer”,
por José Murilo de Carvalho

Via racismoambiental:

O texto abaixo – de 1999, mas que acabo de “descobrir” – pode não ter graça para muitas pessoas. Mas para quem convive ou conviveu com o mundo acadêmico é impossível lê-lo sem dar pelo menos uma gargalhada. Se alguém se sentir ofendido/a, entretanto, não peço desculpas. No máximo, sugiro que se entenda com José Murilo, quando o encontrar, já que foi ele que o escreveu. Com muito bom humor, TP.

Ter que fazer uma tese de doutoramento na incerteza de como será recebida e na insegurança quanto ao futuro da carreira é experiência traumática. Quando passei por ela, gostaria de ter tido alguma ajuda. É esta ajuda que ofereço hoje, após 30 anos de carreira, a um hipotético doutorando, ou doutoranda, sobretudo das áreas de humanidades e ciências sociais. Ela não vai garantir êxito, mas pode ajudar a descobrir o caminho das pedras.

Dois pontos importantes na feitura da tese são as citações e o vocabulário. Você será identificado, classificado e avaliado de acordo com os autores que citar e a terminologia que usar. Se citar os autores e usar os termos corretos, estará a meio caminho do clube. Caso contrário, ficará de fora à espera de uma eventual mudança de cânone, que pode vir tarde demais. Começo com os autores. A regra no Brasil foi e continua sendo: cite sempre e abundantemente para mostrar erudição. Mas, atenção, não cite qualquer um. É preciso identificar os autores do momento. Eles serão sempre estrangeiros. Atualmente, a preferência é para franceses, alemães e ingleses, nesta ordem. Cito alguns, lembrando que a lista é fluida. Entre os franceses, estão no alto Chartier, Ricoeur, Lacan, Derrida, Deleuze, Lefort. Foucault e Bourdieu ainda podem ser citados com proveito. Quem se lembrar de Althusser e Poulantzas, no entanto, estará vinte anos atrasado, cheirará a naftalina. Se for para citar um marxista, só o velho Gramsci, que resiste bravamente, ou o norte-americano F. Jameson. Entre os alemães, Nietzsche voltou com força. Auerbach e Benjamin, na teoria literária, e Norbert Elias, em sociologia e história, são citação obrigatória. Sociólogos e cientistas políticos não devem esquecer Habermas. Dentre os ingleses, Hobsbawm, P. Burke e Giddens darão boa impressão. Autores norte-americanos estão em alta. Em ciência política, são indispensáveis. Robert Dahl ainda é aposta segura, Rorty e Rawls continuam no topo. Em antropologia, C. Geertz pega muito bem, o mesmo para R. Darnton e Hayden White em história. Não perca tempo com latino-americanos (ou africanos, asiáticos, etc.). Você conseguirá apenas parecer um tanto exótico. Da Península Ibérica, só Boaventura de Souza Santos, e para a turma de direito. Brasileiros não ajudarão muito, mas também não causarão estrago, se bem escolhidos. Um autor brasileiro, no entanto, nunca poderá faltar: seu orientador ou orientadora. Ignorá-lo é pecado capital. Você poderá ser aprovado na defesa da tese, mas não terá seu apoio para negociar a publicação dela e muito menos a orelha assinada por ele, ou ela. Se o orientador ou orientadora não publicou nada, não desanime. Mencione uma aula, uma conferência, qualquer coisa.

O vocabulário é a outra peça chave. Uma palavra correta e você será logo bem visto. Uma palavra errada e você será esnobado. Como no caso dos autores, no entanto, é preciso descobrir os termos do dia. No momento, não importa qual seja o tema de sua tese, procure encaixar em seu texto uma ou mais das seguintes palavras: olhar (as pessoas não vêem, opinam, comentam, analisam: elas lançam um olhar); descentrar (descentre sobretudo o Estado e o sujeito); desconstruir (desconstrua tudo); resgate (resgate também tudo o que for possível, história, memória, cultura, deus e o diabo, mesmo que seja para desconstruir depois); polissêmico (nada de ‘mono’); outro, diferença, alteridade (é a diferença erudita), multiculturalismo (isto é básico: tudo é diferença, fragmente tudo, se não conseguir juntar depois, melhor); discurso, fala, escrita, dicção (os autores teóricos produzem discurso, historiadores fazem escrita, poetas têm dicção); imaginário (tudo é imaginado, inclusive a imaginação); cotidiano (você fará sucesso se escolher como objeto de estudo algum aspecto novo do cotidiano, por exemplo, a história da depilação feminina); etnia e gênero (essenciais para ficar bem com afro-brasileiros e mulheres); povos (sempre no plural, “os povos da floresta”, “os povos da rua”, no singular caiu de moda, lembra o populismo dos anos 60, só o Brizola usa); cidadania (personifique-a: a cidadania fez isso ou aquilo, reivindicou, etc.). Para maior efeito, tente combinar duas ou mais dessas palavras. Resgate a diferença. Melhor ainda: resgate o olhar do outro. Atinja a perfeição: desconstrua, com novo olhar, os discursos negadores do multiculturalismo. E assim por diante.

Como no caso dos autores, certas palavras comprometem. Você parecerá démodé se falar em classe social, modo de produção, infraestrutura, camponês, burguesia, nacionalismo. Em história, se mencionar descrição, fato, verdade, pode encomendar a alma.

Além dos autores e do vocabulário, é preciso ainda aprender a escrever como um intelectual acadêmico (note que acadêmico não se refere mais à Academia Brasileira de Letras, mas à universidade). Sobretudo, não deixe que seu estilo se confunda com o de jornalistas ou outros leigos. Você deve transmitir a impressão de profundidade, isto é, não pode ser entendido por qualquer leitor. Há três regras básicas que formulo com a ajuda do editor S.T. Williamson. Primeira: nunca use uma palavra curta se puder substituí-la por outra maior: não é ‘crítica’, mas ‘criticismo’. Segunda: nunca use só uma palavra se puder usar duas ou mais: ‘é provável’ deve ser substituído por ‘a evidência disponível sugere não ser improvável’. Terceira: nunca diga de maneira simples o que pode ser dito de maneira complexa. Você não passará de um mero jornalista se disser: ‘os mendigos devem ter seus direitos respeitados’. Mas se revelará um autêntico cientista social se escrever: ‘o discurso multicultural, como ser desconstrutor da exclusão, postula o resgate da cidadania dos povos da rua’.

Boa sorte.

– Jornal O Globo, 16 de Dezembro de 1999, p. 7. Compartilhado por Estela Marcia Rondina Scandola.

Oposição quer a abertura de investigação contra Lula

Via Folha de São Paulo
Por ANDREZA MATAIS
MATHEUS LEITÃO
16.09.2012

A oposição fará uma reunião na próxima terça-feira (18) para decidir se ingressa em conjunto ou separadamente com pedido de investigação sobre a suposta participação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no mensalão.

A ação terá como base reportagem da "Veja" na qual é atribuído a Marcos Valério, operador do mensalão, a revelação de que Lula era o "chefe" do esquema que teria desviado, segundo a revista, R$ 350 milhões. CONTINUA!

sábado, 15 de setembro de 2012

Incêndios destroem 3 parques nacionais

Via Estadão
Por Aline Reskalla, Especial Para o Estado, BELO HORIZONTE,
e Fátima Lessa, Correspondente, CUIABÁ
14.09.2012

Áreas da Chapada dos Guimarães, Xingu e da Serra da Canastra sofrem com fogo

Incêndios consomem os parques nacionais da Canastra, do Xingu e Chapada dos Guimarães e o Pantanal, em Mato Grosso. A situação é mais grave na Canastra, no sudoeste de Minas, onde o fogo já queimou cerca de 50 mil hectares - o equivalente a 50 mil campos de futebol - e está fora de controle, segundo o chefe do parque, Darlan de Pádua.

“As equipes estão exaustas. Tudo dificulta o combate ao incêndio, o vento, o relevo, o tempo seco”, disse Pádua. Segundo ele, o fogo chegou ontem à região do Alto da Cascad’anta, onde está a primeira cachoeira do parque. A nascente de um dos principais rios brasileiros, o São Francisco, está preservada.

O parque tem área total de 70 mil hectares, onde estão cachoeiras com quedas d’água que variam de 100 a 300 metros de altura e uma rica fauna e espécies características da fauna brasileira, como o tamanduá-bandeira, o lobo-guará, o veado campeiro, ema e pato-mergulhão. CONTINUA!

Academia Brasileira de Letras (ABL) é acusada de censura por historiador da arte

Via Estadão
Por ROBERTA PENNAFORT
14.09.2012

O historiador da arte Jorge Coli acusa a Academia Brasileira de Letras (ABL) de ter censurado a transmissão pela internet de uma conferência sua com o título "Sexo não é mais o que era". Ele tratava de questões como pornografia, erotismo e sexualidade no universo das artes e se referia a quadros como "A origem do mundo", do pintor francês Gustave Courbet, de 1866, que mostra a genitália de uma mulher, e obras do norte-americano Jeff Koons.

Professor da Unicamp, Coli divulgou no site da série de conferências, intitulada "O futuro não é mais o que era", um texto em que diz que sua fala "sublinhava o caráter conservador do moralismo atual e criticava os puritanismos repressivos que oprimem o imaginário". Para ele, a postura da ABL corrobora sua tese. "Ilustrou, de modo preciso, o acerto de minha tese sobre a hipocrisia pudibunda (termo no qual certamente ela ainda censurará as duas últimas sílabas) de nosso tempo". E concluiu: "Não apenas os acadêmicos são imortais: eles também não têm sexo, como os anjos". CONTINUA!

PODER DA FÉ

Globo Repórter
14.09.2012

Conheça a história de pessoas que acreditam na energia espiritual
Casos que a medicina ainda não tem como explicar. Quatro histórias de cura com o mesmo remédio: os passes de dona Isabel.

De repente, uma doença sem cura e a vida por um fio.

"O médico falou pra gente ‘não dou 2 meses pra ele’", disse a filha de Zé Carlos.

"As dores são fortes mesmo. E a gente precisa ter um equilíbrio muito grande pra poder suportar tudo isso", afirmou Zé Carlos.

De uma hora pra outra, um diagnóstico que ninguém merece.

"Ele chegou carregado, com o lado direito todo sem movimento, sem enxergar, com a boca torta”, lembrou a mulher de Yano.

Como aguentar uma lesão grave no menisco sem cirurgia?

"Não sinto absolutamente nada. Nada”, revelou Alessandro.

E quando o futuro de uma criança sai do controle dos pais?

"As informações eram as piores possíveis, até de infecção generalizada", contou o pai.

"Então, tem que operar rápido, urgente", contou a mãe.

"Eu não fiz nenhuma cirurgia, não tomei remédio. Fiz o tratamento espiritual e fui curada", disse Isabela,

São casos assim que a medicina ainda não tem como explicar. Quatro histórias de cura com o mesmo remédio: os passes de dona Isabel.

Já são quase 70 anos que ela trabalha com a mediunidade para curar as pessoas. Mas até hoje não gosta de falar em milagres. Veja matéria completa. Veja o vídeo.


Veja também outras matérias do Globo Repórter de 14.09.2012:

- Entenda como funciona a terapia pela imposição das mãos

- Saiba o que acontece nas cerimônias fechadas do candomblé

- Meditação ajuda mulheres na luta contra o desequilíbrio hormonal

- Será que o poder da espiritualidade pode ajudar a ciência?

SUS perdeu quase 42 mil leitos nos últimos sete anos, diz Conselho Federal de Medicina

Via Agência Brasil
Por Aline Leal Valcarenghi
e Paula Laboissière
14/09/2012

Brasília – Levantamento do Conselho Federal de Medicina (CFM) com base em dados do Ministério da Saúde aponta que quase 42 mil leitos de internação do Sistema Único de Saúde (SUS) foram desativados entre outubro de 2005 e junho de 2012.

Entre as especialidades mais atingidas com o corte, de acordo com a análise, estão a psiquiatria (-9.297 leitos), a pediatria (-8.979), a obstetrícia (-5.862), a cirurgia-geral (-5.033) e a clínica-geral (-4.912).

Mato Grosso do Sul é apontado como o estado brasileiro que mais perdeu leitos (-26,6%), seguido pela Paraíba (-19,2%) e pelo Rio de Janeiro (-18%). Em números absolutos, São Paulo aparece na frente, com a redução de 10.278 leitos, seguido por Minas Gerais, com 5.177, e pelo Paraná, 3.057.

Já Roraima, segundo o levantamento, é o estado que registrou o maior aumento no número de leitos no mesmo período (33,5%), seguido por Rondônia (23,6%) e pelo Amapá (9,2%). Em números absolutos, o Pará aparece na frente, com 793 leitos criados, seguido por Rondônia, com 622, e pelo Amazonas, com 360.

Por meio de nota, o presidente do CFM, Roberto Luiz d’Ávila, avaliou que grande parte dos problemas enfrentados pelo SUS passa pelo subfinanciamento e pela falta de uma política eficaz de presença do Estado.

“Os gestores simplificaram a complexidade da assistência à máxima de que ‘faltam médicos no país’. Porém, não levam em consideração aspectos como a falta de infraestrutura física, de políticas de trabalho eficientes para profissionais da saúde, e, principalmente, de um financiamento comprometido com o futuro do SUS”, disse no comunicado.

O Ministério da Saúde apontou falhas no levantamento. De acordo com a pasta, o CFM não fez uma interpretação correta dos números, já que os dados não foram analisados ano a ano e os leitos remanejados não foram levados em consideração.

Edição: Lílian Beraldo

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Publicidade Infantil: Obesidade infantil está relacionada à propaganda de refeições fast-food

Matéria da Agência Câmara de Notícias
Via EcoDebate
12.09.2012



Crianças preferem lanches que estão associados a personagens infantis.

Em Florianópolis, uma lei municipal proíbe lanchonetes de venderem lanche com brinquedo. É a primeira cidade do País proibir essa venda casada.

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), houve aumento contínuo e substancial do percentual de crianças e adolescentes com excesso de peso e obesas nos últimos anos, atingindo mais de 30% do público entre 5 e 9 anos de idade e cerca de 20% de crianças e jovens entre 10 e 19 anos. Diante dessas estatísticas, especialistas apontam que o vilão seriam as peças publicitárias que se valem do licenciamento de personagens ou mascotes e da venda casada para estimular o consumismo nesse público.

“É impossível para os pais sozinhos, com o nível de ‘agressividade’ da publicidade infantil, tratarem de forma adequada o consumismo”, diz Inês Vitorino, coordenadora do Grupo de Pesquisa da Relação Infância, Adolescência e Mídia, da Universidade Federal do Ceará (UFC). “A criança não pede ao pai o biscoito de um gosto específico, mas do personagem A ou B”, completa.

Atualmente, uma lei em vigor em Florianópolis (8.985/12) proíbe redes de fast-food de comercializarem produtos que acompanhem brindes voltados ao público infantil. É a primeira cidade do País a contar com a proibição.

Brinquedos O presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias, deputado Domingos Dutra (PT-MA), ressalta, entretanto, que a pressão publicitária não fica restrita aos alimentos. “Sou quilombola e tenho uma filha de sete anos que me pede sempre uma boneca Barbie de olhos azuis e cabelos loiros em datas comemorativas”, conta o parlamentar alertando para o poder da publicidade de interferir no imaginário infantil.

Vanessa Anacleto, mãe de um menino de quatro anos e integrante do Coletivo Infância Livre de Consumismo – entidade que nasceu de discussões nas redes sociais -, sustenta que somente a autorregulamentação do setor não está funcionando.

Sandra Amorim, que representa o Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, reclama ainda que faltam recursos para garantir às crianças todos direitos previstos na Constituição e para protegê-las de toda a forma de exploração, violência e opressão. “Ao permitir que elas [crianças] recebam informações em excesso que as incitem ao consumismo estamos produzindo uma violação ao direto da criança de ter um desenvolvimento saudável”, afirma.

Projeto de lei Em tramitação na Câmara desde 2001, o Projeto de Lei 5921/01 pode sinalizar o começo de uma solução para assunto. A proposta, que aguarda análise na Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática, disciplina a publicidade destinada à venda de produtos infantis.

O relator, deputado Salvador Zimbaldi (PDT-SP), explica que o objetivo é buscar um meio termo para que a propaganda não venha a ser proibida e para que também não continue havendo um estímulo absurdo ao consumo.

O texto original da proposta já foi alterado nas comissões de Defesa do Consumidor e de Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio.

“Há cada vez mais pesquisas que demonstram o impacto da publicidade direcionada ao público infantil. Por isso o tema está sendo cada vez mais debatido tanto na Câmara como no Senado”, afirma Pedro Hartung, assessor do Instituto Alana – Projeto Criança e Consumo.

Mas Fernando Brettas, representante do Sindicato das Agências de Propaganda do Distrito Federal (Sinapro-DF), critica a proposta em análise na Câmara. “O debate está errado. O projeto de lei em votação está na contramão do mundo inteiro. O discurso é ideológico, fundamentalista, autoritário.”

Matéria da Agência Câmara de Notícias, publicada pelo EcoDebate, 12/09/2012

Hospital usa tampa de lixeira para apoiar maca




 
 Comentário básico:
Este é o país das Olimpíadas!
Este é o país da Copa!
Adelidia Chiarelli

Mensalão vai terminar na cadeia, afirma ministro

Via blog do Josias de Souza
Por Josias de Souza
14.09.2012

Na quarta-feira (12), véspera da sessão em que foi concluída a análise do capítulo da lavagem de dinheiro do processo do mensalão, um ministro do STF recebeu um velho amigo para o almoço. O interlocutor quis saber como terminaria o julgamento. “Vai terminar na cadeia”, disse o magistrado. “Regime fechado”, acrescentou.

O ministro soou peremptório ao discorrer sobre a situação dos ex-gestores do Banco Rural, de Marcos Valério e dos ex-sócios Cristiano Paz e Ramon Hollerback. Afirmou que a soma das penas os levará ao cárcere. Estimou que o castigo da reclusão alcancará também réus do núcleo político do escândalo. CONTINUA!

Publicado novo número da Revista Eletrônica Educação Ambiental em Ação


JC e-mail 4582, de 13 de Setembro de 2012.
Publicado novo número da Revista Eletrônica Educação Ambiental em Ação


A Revista Eletrônica Educação Ambiental em Ação, uma iniciativa do Grupo de Educação Ambiental da Internet - GEAI, é editada trimestralmente desde 2002.

A publicação é mantida pelo esforço voluntário dos membros da equipe, não tendo uma instituição mantenedora e totalmente feita com os recursos da internet. Todos os volumes anteriores estão à disposição no ambiente virtual http://revistaea.org/.

O principal objetivo da publicação desta revista é que ela seja um instrumento para divulgar, difundir e incentivar ações de educação ambiental integradas e conscientizadoras em variados espaços sociais. Pretende mostrar o que muitas pessoas, de diferentes Estados do Brasil, e alguns estrangeiros, pensam e fazem para a consolidação da educação ambiental. Por fim, pretende ser um jardim de ideias, um solo fértil onde germinam sementes de conscientização, ação, reflexão, tolerância e confiança na construção de um mundo melhor.

A edição atual de número 41 foi lançada no dia 4 de setembro. Esta é uma das maiores edições em termos de quantidade de artigos, comprovando que a educação ambiental se faz cada vez mais presente nas práticas educacionais cotidianas, quer seja em espaços escolares ou não. Lamentavelmente, poucos estudos se preocupam (ou se atrevem) a computar dados resultantes de práticas educacionais ambientais, porque atitude e consciência são difíceis de avaliar. Esta publicação serve de importante indicativo de que a Educação Ambiental está se multiplicando, saindo da teoria e indo direto para a prática, para o concreto das pessoas dispostas ao fazer, que aos poucos vão aprendendo o quê o seu fazer representa, teoricamente, e assim vai se juntando prática com teoria, teoria com prática.

(Informações equipe da revista Educação Ambiental em Ação)

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Césio 137 – O Brilho da Morte (documentário de 2003)

postado no youtube
em 2011


Parte I



Parte II



Vítimas do Césio-137 não recebem medicamentos

Via Site da BAND
12.09.2012





Comentário básico:
Este é o país das Olimpíadas!
Este é o país da Copa!
Adelidia Chiarelli


25 anos do desastre radioativo de Goiânia, artigo de Heitor Scalambrini e Odesson Ferreira


JC e-mail 4581, de 12 de Setembro de 2012.
25 anos do desastre radioativo de Goiânia, artigo de Heitor Scalambrini e Odesson Ferreira


Heitor Scalambrini Costa é professor da Universidade Federal de Pernambuco. Odesson Alves Ferreira é da Associação das Vitimas do Césio 137/AVCésio. Artigo enviado ao JC Email pelos autores.

O fenômeno da radioatividade descoberto pelo físico francês Henri Becquerel em 1896, mostrou que o núcleo de um átomo muito energético tende a se estabilizar, emitindo o excesso de energia na forma de partículas e ondas. As radiações emitidas por esses núcleos chamadas de partículas, alfa e beta (pouco penetrantes) possuem massa, carga elétrica e velocidade. Os raios gama são os mais perigosos por serem mais penetrantes (energéticos), e de efeitos extremamente nocivos para a vida, são emitidos na forma de ondas eletromagnéticas, não possuem massa, e se propagam com a velocidade de 300.000 km/s.

Portanto, quando temos a presença indesejável de um material radioativo em local onde não deveria estar, existe assim a contaminação radioativa que gera irradiações. Para descontaminar um local, retira-se o material contaminante. Sem o contaminante o lugar não apresentará irradiação, nem ficará radioativo, irradiação não contamina, mas contaminação irradia.

Feito este preâmbulo, relembremos o ocorrido há 25 anos, naquele 13 de setembro de 1987, no município de Goiânia (GO), considerado o maior acidente radiológico do mundo. Um aparelho de radioterapia contendo o material radioativo césio-137 (produzido em reatores nucleares) encontrava-se abandonado no prédio do Instituto Goiano de Radioterapia (IGR), instituto privado, no centro de Goiânia, desativado há cerca de 2 anos (isto mesmo, havia 2 anos que o equipamento estava abandonado no local). Dois homens, Roberto e Wagner, à procura de sucata, entraram no prédio do Instituto sem nenhuma dificuldade, pois o mesmo se encontrava em escombros, sem portas e nem janelas, e levaram o aparelho até Devair, dono de um ferro-velho. Durante a desmontagem do aparelho, foram expostos ao ambiente 19 g de cloreto de césio-137 (CsCl), pó semelhante ao sal de cozinha. O encontrado não era exatamente na forma de pó, mais parecia como uma pasta, de cor acinzentada, e virava pó quando friccionado. Mas o que chamava muita atenção é que no escuro, brilhava intensamente com uma coloração azulada. Encantado com o brilho do material, Devair, passou a mostrá-lo e até distribuí-lo a amigos e familiares, inclusive para os irmãos Odesson e Ivo, que levou um pouco de césio para sua filha, Leide.

Expostas ao material radioativo, às pessoas começaram a desenvolver sintomas da contaminação (tonturas, náuseas, vômitos e diarréia), algumas após horas de exposição e outras após alguns dias, levando-as a procurarem farmácias e hospitais. Foram medicadas como portadoras de uma doença contagiosa. Os sintomas só foram caracterizados como contaminação radioativa em 29 de setembro, depois que esposa do dono do ferro-velho Maria Gabriela, levou parte do aparelho desmontado até a sede da Vigilância Sanitária. No dia 23 de outubro daquele ano morria Maria Gabriela, esposa de Devair e sua sobrinha Leide. Devair, juntamente com outras 15 pessoas, foram encaminhadas para tratamento de descontaminação no Hospital Naval Marcílio Dias no Rio de Janeiro, vindo a falecer em 1994. Nestes 25 anos 6 pessoas da mesma família Alves Ferreira vieram a óbito.

Para a verdade dos fatos, é necessário deixar registrado que o governo na época não sabia ainda o que estava acontecendo. Até que no dia 29 de setembro, um dia após Maria Gabriela e Geraldo (catador de recicláveis que morava no ferro-velho) terem levado a peça que continha o césio a Vigilância Sanitária. O físico Walter Mendes, de férias na cidade, solicitou um contador Geiger do escritório da Nuclebrás de Goiânia, emprestando-o a Vigilância Sanitária. E ai sim, foi constatado a radioatividade.

A propagação do césio-137 para as casas próximas onde o aparelho foi desmontado se deu por diversas formas. Merece destaque o fato do CsCl ser higroscópico, isto é, absorver água da atmosfera. Isso faz com que ele fique úmido e, assim, passe a aderir com facilidade na pele, nas roupas e nos calçados. Levar as mãos ou alimentos contaminados à boca resulta em contaminação interna do organismo, o que aconteceu com Leide de 6 anos de idade. Oficialmente, segundo a Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen), quatro pessoas morreram, e além delas, das 112.800 pessoas que foram monitoradas, em 6.500 foram encontradas contaminação discreta, mas apenas 250 apresentaram contaminação corporal interna e externa que mereceram maior atenção e acompanhamento. Destas, 49 foram internadas e 21 exigiram tratamento médico intensivo.

Os trabalhos de descontaminação dos locais afetados produziram 6.500 toneladas (somente recentemente reconhecida pela Cnen) de lixo contaminado com apenas 19 g de césio-137. O lixo armazenado em caixas, tambores, containeres eram constituídos de roupas, utensílios domésticos, plantas, solo, animais de estimação, veículos, materiais de construção (algumas casas foram implodidas, sem que pudesse tirar nada de dentro, nem brinquedos, fotografias). Todo este lixo radioativo foi armazenado em um depósito construído na cidade de Abadia de Goiás, vizinha a Goiânia, onde deverá ficar, pelo menos 180 anos.

Quatorze anos depois, o governo de Goiás incluiu mais 600 pessoas na lista de vítimas. O Ministério Público Estadual (MPE) chegou à conclusão que, policiais e funcionários que trabalharam durante o período da tragédia foram contaminados e alguns morreram em conseqüência de doenças provocadas pelo césio. E estas mortes nunca entraram nas estatísticas oficiais.

Por outro lado, o Centro de Assistência aos Radioacidentados Leide das Neves Ferreira, criado pelo governo do estado para acompanhar as vítimas, não admitia relacionar ao acidente com o césio, as mortes e as doenças denunciadas pelo MPE. Foi então assinado um acordo entre o Estado e o MPE para que as novas vítimas, seus filhos e netos recebessem assistência médica e indenização.

Após vinte e cinco anos do desastre radioativo, as várias pessoas contaminadas pela radioatividade não recebem os medicamentos, que, segundo leis instituídas, deveriam ser distribuídos pelo governo. E muitas pessoas envolvidas diretamente com o ocorrido, ainda vivem nas redondezas da região do acidente, entre as Ruas 57, Avenida Paranaíba, Rua 74, Rua 80, Rua 70 e Avenida Goiás, sem oferecer nenhum risco de contaminação.

Este desastre deixou marcas profundas nas pessoas mais diretamente afetadas e que sobreviveram, e em todo município. O que caracterizou este episódio, e deixou evidente a sociedade, foi o despreparo, a inoperância, o improviso e o desinteresse demonstrado pelo poder público com a saúde das pessoas, principalmente manipulando informações.

A Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen) ficou desnudada diante do grave desastre de Goiânia. Mas não é somente a Cnen, mas todas as atividades nucleares no Brasil continuam surpreendendo negativamente, pois transcorrido 25 anos as atitudes e a postura de hoje são semelhantes a do passado. Pouca coisa mudou, em relação à transparência e a prepotência. E o descrédito a esta autarquia é cada vez mais percebido pela população, quando ela se informa e toma conhecimento das atividades desenvolvidas na área nuclear, onde sobressai a visão miliciana de soberania e defesa nacional, em que tudo é sigiloso, tudo é secreto.

O exemplo mais recente que acontece, ou podemos dizer a tragédia anunciada, é o que atinge as populações vizinhas da mina de urânio de Caetité na Bahia. Mas esta é outra estória que devemos estar atentos e evitar que nosso povo morra pela (ir)responsabilidade dos governantes.

* A equipe do Jornal da Ciência esclarece que o conteúdo e opiniões expressas nos artigos assinados são de responsabilidade do autor e não refletem necessariamente a opinião do jornal.

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Carl Sagan - Última Entrevista




Parte I
 
 
 
Parte II
 
 
 
Parte III


Sobre Carl Sagan (em português)



O jogo não é para todos

Via Contemprânea
Por Carla Rodrigues
Publicado no jornal Valor Econômico
27.07.2012

“Cidades feridas” é um termo com o qual a antropóloga norte-americana Ida Susser, da Universidade da Cidade de Nova York, tem trabalhado há pelo menos uma década e que dá título a um de seus livros. Sob está denominação, está em questão a combinação entre crise e direcionamento de investimentos de forma pouco democrática. “Pânico e ameaças são pretextos para que o setor público se abra a investimentos privados e limite a participação da sociedade”, argumenta ela. O resultado é uma reestruturação urbana pouco comprometida com a população local e muito orientada pelos interesses do capital.

Sobre essas e outras questões Susser falou no seminário internacional “Deslocamentos, desigualdades e direitos humanos”, que aconteceu no início do mês de julho na PUC-SP. Organizado pela presidente da ABA, a professora Bela Feldman-Bianco (UNICAMP), o seminário fez parte da programação da 28a. Reunião Anual da Associação Brasileira de Antropologia, a ABA. Realizada em São Paulo por sugestão do recém-falecido antropólogo Gilberto Velho, a ideia de voltar à capital paulista depois de 30 anos era promover um encontro acadêmico na metrópole – e não em cidades-balneário como Caxambu ou Águas de Lindóia – a fim de estender as atividades acadêmicas além dos limites da universidade. Foram organizadas mostras de cinema, atividades em museus, e o seminário internacional que discute temas contemporâneos para além da agenda acadêmica, como a pesquisa da professora Susser.

De interesse dos brasileiros, em geral, e aos paulistanos e cariocas, em particular, ela estuda as transformações urbanas orientadas pelos investimentos em megaeventos esportivos, como a Copa do Mundo e as Olimpíadas. Nesta entrevista, Susser critica a maneira como governos dão prioridade a investimentos em áreas turísticas e relegam comunidades pobres à invisibilidade, numa agenda pautada pelos interesses do capital privado que descaracteriza o ambiente urbano. “A realização de grandes eventos é útil para o capital, mas não é necessária do ponto de vista do interesse público”, argumenta ela nesta entrevista. CONTINUA!

‘Pessoa com deficiência, no Brasil, é não-cidadão’

Via Estadão
Por Luiz Alexandre Souza Ventura
11.09.2012


“A pessoa com deficiência, no Brasil, vive uma situação de não-cidadão”. Quem afirma é Teresa Costa d’Amaral, superintendente do Instituto Brasileiro dos Direitos da Pessoa com Deficiência (IBDD). Segundo ela, o País não garante a esta população os direitos básicos. Na análise da especialista, ir e vir, possibilidade de locomoção, acesso à escola e ao trabalho são alguns itens como os quais brasileiros com limitações físicas (ou intelectuais) não podem contar.

Semelhante é a avaliação de Moisés Bauer, presidente do Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência (Conade), instituição vinculada à Secretaria Especial dos Direitos Humanos, que responde diretamente à Presidência da República. “Na escala de prioridades do Estado brasileiro, o assunto está lá embaixo. Os investimentos são pulverizados e as ações, maquiadas”. Bauer, de 42 anos, deficiente visual desde os 8, ocupa também o cargo de presidente da Organização Nacional dos Cegos do Brasil. “A ausência de políticas públicas no nosso País cria um cenário de vulnerabilidade e precariedade à pessoa com deficiência”. CONTINUA!

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Pesquisa sobre anêmonas de tubo sugere que América do Sul teve “mar interno”

Via Agência Fapesp
Por Fábio de Castro
O5.09.2012


Estudo sobre processo evolutivo de
diversificação de organismos
marinhos reforça teoria geológica de
 que há 10 milhões de anos existia uma
 língua de oceano que cortava o
continente desde o Caribe até o
 Uruguai, cobrindo toda a bacia
 Amazônica (ilustração: Science)
Agência FAPESP – Depois de estudar por quatro anos o processo evolutivo de diversificação de um grupo de anêmonas de tubo do Atlântico Sul, um grupo de pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) obteve um resultado inesperado: o estudo biológico acabou contribuindo para reforçar a teoria geológica de que, há cerca de 10 milhões de anos, a bacia Amazônica era ocupada por um mar interno que ligava o Caribe ao Uruguai.

O estudo, publicado na revista PLoS One, teve o objetivo inicial de identificar, por meio de análises genéticas e moleculares, em que momento da evolução ocorreu a diferenciação entre duas espécies de anêmonas de tubo do gênero Isarachnanthus, do grupo Ceriantharia presentes no oceano Atlântico.

Os resultados mostraram, no entanto, que o cenário mais provável para a diferenciação das duas espécies – e de uma terceira existente no oceano Pacífico – seria coerente com a chamada teoria da “rota marinha da Amazônia no Mioceno médio”.

Segundo essa teoria, um passagem marinha ligava o Caribe à região atual da costa do Uruguai, entre 9 milhões e 11 milhões de anos atrás, cortando ao meio o continente. A maior parte do Brasil atual, nesse período conhecido como Mioceno médio, teria sido uma ilha separada do resto da América do Sul por uma língua de oceano. CONTINUA!

Aqui quem fala é da Terra


JC e-mail 4579, de 10 de Setembro de 2012.
Aqui quem fala é da Terra


Nave que é a mensagem na garrafa da Terra para o resto do Cosmos faz 35 anos de viagens presa na 'alfândega' do Sistema Solar.

Carregando um disco de ouro com imagens e sons da Terra e informações científicas, a nave marcou época por ser a primeira "mensagem na garrafa" cósmica enviada pelo nosso planeta - um recado para possíveis civilizações extraterrestres que derem a sorte de encontrá-la.

Agora, porém, cientistas estão em dúvida sobre sua localização - pode ser que ela ainda não esteja nas fronteiras do Sistema Solar, ao contrário do que se pensava. O fenômeno que traça a fronteira entre a zona de influência do Sol e a exterior é o chamado vento solar: as partículas eletricamente carregadas emitidas por nossa estrela em alta velocidade.

Os cientistas da Voyager-1 achavam que a nave já tinha se aproximado da chamada heliopausa, onde o vento solar encontra o vento interestelar (vindo do resto da Via Láctea). Nessa fronteira, os dois se anulam.

Em abril de 2010, a nave parou de sentir o vento solar, e cientistas concluíram que a calmaria era sinal de que as partículas do Sol estavam sendo freadas pelas da região interestelar. A nave estaria exatamente na transição da heliopausa, prestes a saltar para fora do reino do Sol.

Para confirmar a descoberta, em 2011, os cientistas decidiram rotacionar a Voyager-1 para fazer mais medidas. Mesmo sendo incapaz de detectar o vento solar radial (vindo diretamente do Sol), a espaçonave deveria sentir o vento meridional (que ricocheteia na heliopausa e sopra perpendicularmente).

A tentativa, porém, foi em vão, relatou Robert Decker, astrofísico da Universidade Johns Hopkins (EUA), na revista "Nature". Os detetores da nave não estavam sentindo nem uma brisa. "Concluímos que a Voyager-1 não está perto da heliopausa", escreveu Decker. Existe a possibilidade, diz, de que essa região seja uma fronteira móvel e tenha se afastado ao longo de um ano.

O célebre disco de ouro das Voyagers foi idealizado pelo astrônomo pop star Carl Sagan (1934-1996). O comitê reunido por ele fez de tudo para que as instruções para tocar o disco pudessem ser entendidas por qualquer criatura com conhecimento científico avançado, usando como unidade o período de uma transição dos átomos de hidrogênio - os mais comuns e "básicos" do Universo.

À velocidade atual, a pobre nave precisará de 17 mil anos - mais ou menos o tempo que nos separa do auge da Idade do Gelo - para viajar um ano-luz completo.
(Folha de São Paulo)