terça-feira, 23 de outubro de 2012
MPF entra com ação contra Anac pedindo transporte gratuito de cadeiras de rodas em aviões
Via Agência Brasil
Por Bruno Bocchini
22.10.2012
São Paulo – O Ministério Público Federal em São Paulo protocolou hoje (22) ação civil pública, com pedido de liminar, para garantir o transporte gratuito de cadeiras de rodas por todas as companhias aéreas que atuam no Brasil. A ação é movida contra a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), responsável pela regulamentação dos voos no país.
A Resolução 9/2007 da Anac, hoje em vigor, obriga que as cadeiras de rodas sejam transportadas gratuitamente no interior da aeronave junto dos passageiros “quando houver espaço disponível ou serão consideradas como bagagens prioritárias”.
“Basta às empresas aéreas dizer que inexiste espaço no interior da cabine [o que é evidente] para poderem transportar as cadeiras de rodas no compartimento de bagagens e, com isso, cobrarem valores até mesmo superiores aos das passagens aéreas por tal transporte”, diz, na ação, o autor do processo, o procurador Jefferson Aparecido Dias.
Na ação, o procurador pede que a Anac seja obrigada a mudar sua regulamentação para garantir o transporte gratuito e incondicional de cadeiras de rodas, "independente de seu peso e local”. O MP solicita ainda que a agência fiscalize e puna as companhias aéreas que continuarem cobrando pelo transporte.
“Ao negar o transporte da cadeira de rodas de forma gratuita, sob o argumento falacioso de que 'inexiste espaço no interior da cabine', as empresas aéreas, com anuência da Anac, violam de forma clara os direitos fundamentais das pessoas com deficiência”, diz o procurador na ação.
Edição: Fábio Massalli
Comentário básico
Faço minhas as palavras do procurador:
“Ao negar o transporte da cadeira de rodas de forma gratuita, sob o argumento falacioso de que 'inexiste espaço no interior da cabine', as empresas aéreas, com anuência da Anac, violam de forma clara os direitos fundamentais das pessoas com deficiência”
Adelidia Chiarelli
Por Bruno Bocchini
22.10.2012
São Paulo – O Ministério Público Federal em São Paulo protocolou hoje (22) ação civil pública, com pedido de liminar, para garantir o transporte gratuito de cadeiras de rodas por todas as companhias aéreas que atuam no Brasil. A ação é movida contra a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), responsável pela regulamentação dos voos no país.
A Resolução 9/2007 da Anac, hoje em vigor, obriga que as cadeiras de rodas sejam transportadas gratuitamente no interior da aeronave junto dos passageiros “quando houver espaço disponível ou serão consideradas como bagagens prioritárias”.
“Basta às empresas aéreas dizer que inexiste espaço no interior da cabine [o que é evidente] para poderem transportar as cadeiras de rodas no compartimento de bagagens e, com isso, cobrarem valores até mesmo superiores aos das passagens aéreas por tal transporte”, diz, na ação, o autor do processo, o procurador Jefferson Aparecido Dias.
Na ação, o procurador pede que a Anac seja obrigada a mudar sua regulamentação para garantir o transporte gratuito e incondicional de cadeiras de rodas, "independente de seu peso e local”. O MP solicita ainda que a agência fiscalize e puna as companhias aéreas que continuarem cobrando pelo transporte.
“Ao negar o transporte da cadeira de rodas de forma gratuita, sob o argumento falacioso de que 'inexiste espaço no interior da cabine', as empresas aéreas, com anuência da Anac, violam de forma clara os direitos fundamentais das pessoas com deficiência”, diz o procurador na ação.
Edição: Fábio Massalli
Comentário básico
Faço minhas as palavras do procurador:
“Ao negar o transporte da cadeira de rodas de forma gratuita, sob o argumento falacioso de que 'inexiste espaço no interior da cabine', as empresas aéreas, com anuência da Anac, violam de forma clara os direitos fundamentais das pessoas com deficiência”
Adelidia Chiarelli
Quão rara é a Terra? Artigo de Marcelo Gleiser
JC e-mail 4608, de 22 de Outubro de 2012.
Quão rara é a Terra? Artigo de Marcelo Gleiser
Marcelo Gleiser é professor de física e astronomia do Dartmouth College, em Hanover (EUA). Artigo publicado na Folha de São Paulo de domingo (21).
Agora que temos a certeza de que existe um número enorme de planetas com características físicas semelhantes às da Terra, vale perguntar se eles têm, de fato, a chance de abrigar formas de vida e, se tiverem, que vida seria essa.
Antes, alguns números importantes. Os melhores dados com relação à existência de outros planetas vêm do satélite da NASA Kepler, que anda buscando planetas como a Terra mapeando 100 mil estrelas na nossa região cósmica. Pelo desenho da missão, a identificação dos planetas usa um efeito chamado de trânsito: quando um planeta passa em frente à sua estrela (por exemplo, Vênus passando em frente ao Sol) o brilho da estrela é ligeiramente diminuído.
Marcando o tempo que demora para o planeta passar em frente à estrela, a diminuição do brilho e, se possível, o período da órbita (quando o planeta retorna ao seu ponto inicial), é possível determinar o tamanho e massa do planeta. Com isso, a missão estima que cerca de 5,4% de planetas na nossa galáxia têm massa semelhante à da Terra e, possivelmente, estão na zona habitável, o que significa que a temperatura na sua superfície permite a existência de água líquida (se houver água lá).
Como sabemos que o número de estrelas na nossa galáxia é em torno de 200 bilhões, a estimativa da missão Kepler implica que devem existir em torno de 10 bilhões de planetas com dimensões semelhantes às da Terra.
Nada mal, se supusermos que basta isso para que exista vida. Porém, a situação é bem mais complexa e depende das propriedades da vida e, em particular, da história geológica do planeta.
Aqui na Terra, a vida surgiu 3,5 bilhões de anos atrás. Porém, durante aproximadamente 3 bilhões de anos, a vida aqui era constituída essencialmente de seres unicelulares, pouco sofisticados. Digamos, um planeta de amebas. Apenas quando a atmosfera da Terra foi "oxigenada", e isso devido à "descoberta" da fotossíntese por essas bactérias (cianobactérias, na verdade), é que seres multicelulares surgiram.
Essa mudança também gerou algo de muito importante: quando o oxigênio atmosférico sofreu a ação da radiação solar é que se formou a camada de ozônio que acaba por proteger a superfície do planeta. Sem essa proteção, a vida complexa na superfície seria inviável.
Fora isso, a Terra tem uma lua pesada, o que estabiliza o seu eixo de rotação: a Terra é como um pião que está por cair, rodopiando em torno de si mesma numa inclinação de 23,5 graus. Esta inclinação é a responsável pelas estações do ano e por manter o clima da Terra relativamente agradável. Sem nossa Lua, o eixo de rotação teria um movimento caótico e a temperatura variaria de forma aleatória.
Juntemos a isso o campo magnético terrestre, que nos protege também da radiação solar e de outras formas de radiação letal que vêm do espaço, e o movimento das placas tectônicas, que funciona como um termostato terrestre e regula a circulação de gás carbônico na atmosfera, e vemos que são muitas as propriedades que fazem o nosso planeta especial.
Portanto, mesmo que existam outras "Terras" pela galáxia, defendo ainda a raridade do nosso planeta e da vida complexa que nele existe.
* A equipe do Jornal da Ciência esclarece que o conteúdo e opiniões expressas nos artigos assinados são de responsabilidade do autor e não refletem necessariamente a opinião do jornal.
STF condena Dirceu, Genoino e Delúbio por formação de quadrilha
Jornal Nacional
22.10.2012
O ministro mais antigo do Supremo comparou a quadrilha do mensalão a organizações criminosas que atuam no Rio e em São Paulo.
O Supremo Tribunal Federal condenou, nesta segunda-feira (22), o ex-chefe da Casa Civil, José Dirceu, e outros nove reús por formação de quadrilha. O ministro mais antigo do Supremo comparou a quadrilha do mensalão a organizações criminosas que atuam no Rio e em São Paulo.
A ministra Rosa Weber divergiu do relator Joaquim Barbosa. Ela manteve o entendimento anterior, quando julgou outros réus acusados de formação de quadrilha. Para Rosa Weber, os réus dos núcleos político, operacional e financeiro do mensalão tiveram o objetivo de comprar votos no Congresso, mas não formaram uma quadrilha. Veja a matéria completa. Veja o vídeo.
Veja também: Saiba o papel dos condenados pelo STF por formação de quadrilha
22.10.2012
O ministro mais antigo do Supremo comparou a quadrilha do mensalão a organizações criminosas que atuam no Rio e em São Paulo.
O Supremo Tribunal Federal condenou, nesta segunda-feira (22), o ex-chefe da Casa Civil, José Dirceu, e outros nove reús por formação de quadrilha. O ministro mais antigo do Supremo comparou a quadrilha do mensalão a organizações criminosas que atuam no Rio e em São Paulo.
A ministra Rosa Weber divergiu do relator Joaquim Barbosa. Ela manteve o entendimento anterior, quando julgou outros réus acusados de formação de quadrilha. Para Rosa Weber, os réus dos núcleos político, operacional e financeiro do mensalão tiveram o objetivo de comprar votos no Congresso, mas não formaram uma quadrilha. Veja a matéria completa. Veja o vídeo.
Veja também: Saiba o papel dos condenados pelo STF por formação de quadrilha
Médicos atendem em pátio de emergência psiquiátrica no Ceará
Jornal Nacional
22.10.2012
Devido a falta de vagas, os pacientes com doenças mentais estão espalhados pelo chão no pátio da única emergência psiquiátrica do estado.
A falta de vagas em hospitais psiquiátricos no Ceará está obrigando médicos a fazer o atendimento dos pacientes num pátio.
Os pacientes com doenças mentais estão espalhados pelo chão no pátio da única emergência psiquiátrica do Ceará. Demonstram o cansaço e o desgaste da espera por internação.
Na maioria dos casos estes pacientes não têm condições de voltar para casa porque estão em surto: oferecem risco para a família e para eles mesmos. Por isso, durante o tempo em que permanecem lá são medicados, mas, não podem ser internados por falta de vagas. Uma espera que pode chegar a quase uma semana.
"Seis dias eu estou com ele aí, ele dormindo no chão, com a perna inchada, tossindo”, disse Maria Jacinta da Silva, dona de casa.
“Nós vemos situações, dramas familiares dentro de casa, às vezes crimes, suicídios e diversas situações que não deveriam ocorrer se houvesse leitos, se houvesse a possibilidade de tratamento", afirmou Adelmo Pontes, médico-psiquiatra. Veja a matéria completa. Veja o vídeo.
Comentário básico:
Esse é o país das Olimpíadas!!!
Esse é o país da Copa!!!
Adelidia Chiarelli
22.10.2012
Devido a falta de vagas, os pacientes com doenças mentais estão espalhados pelo chão no pátio da única emergência psiquiátrica do estado.
A falta de vagas em hospitais psiquiátricos no Ceará está obrigando médicos a fazer o atendimento dos pacientes num pátio.
Os pacientes com doenças mentais estão espalhados pelo chão no pátio da única emergência psiquiátrica do Ceará. Demonstram o cansaço e o desgaste da espera por internação.
Na maioria dos casos estes pacientes não têm condições de voltar para casa porque estão em surto: oferecem risco para a família e para eles mesmos. Por isso, durante o tempo em que permanecem lá são medicados, mas, não podem ser internados por falta de vagas. Uma espera que pode chegar a quase uma semana.
"Seis dias eu estou com ele aí, ele dormindo no chão, com a perna inchada, tossindo”, disse Maria Jacinta da Silva, dona de casa.
“Nós vemos situações, dramas familiares dentro de casa, às vezes crimes, suicídios e diversas situações que não deveriam ocorrer se houvesse leitos, se houvesse a possibilidade de tratamento", afirmou Adelmo Pontes, médico-psiquiatra. Veja a matéria completa. Veja o vídeo.
Comentário básico:
Esse é o país das Olimpíadas!!!
Esse é o país da Copa!!!
Adelidia Chiarelli
segunda-feira, 22 de outubro de 2012
Extração de águas subterrâneas pode ter ‘disparado’ o terremoto perto de Lorca, Espanha, em 2011
Via EcoDebate
22.10.2012
Em 11 de maio de 2011, nove pessoas foram mortas e dezenas ficaram feridas por um terremoto de magnitude 5,1, perto de Lorca, no sul da Espanha. Agora parece que o terremoto foi provocado pela atividade humana.
A forma, intensidade, profundidade são fatores que, adequadamente avaliados, podem fornecer aos sismólogos uma visão rara de como um terremoto pode ser desencadeado, e assim, dar uma nova esperança para as pessoas que tentam prever tais eventos . Pode até ser possível fornecer informações e métodos que permitam reduzir a força e a escala de tais abalos no futuro.
Sabemos que pequenos terremotos podem ter sido provocados por atividades humanas, como fracking , mas até agora não havia provas convincentes do envolvimento humano em grandes terremotos fatais.
O terremoto de Lorca foi invulgarmente raso, um ponto observado por Pablo González, da Universidade de Western Ontario, no Canadá, e seus colegas. Eles decidiram investigar se ele poderia ter sido provocado pela remoção de grandes quantidades de águas subterrâneas para irrigação. Isso fez com que o lençol freático Lorca fosse reduzido drasticamente.
Usando radar, para medir a deformação do solo causada pelo terremoto, González e seus colegas , identificaram o ponto onde o terremoto foi originado. Eles descobriram que envolveu cerca de 20 centímetros de deslizamento e ocorreu três quilômetros abaixo da superfície da Terra – um terço da profundidade que seria esperada para terremotos dessa magnitude.
A equipe então desenvolveu um modelo para simular o efeito da redução das águas subterrâneas em padrões de estresse na crosta. As tensões coincidiram a tal ponto com o padrão de ruptura visto no terremoto que a extração das águas subterrâneas deve ter acionado o evento, concluíram os pesquisadores.
González acrescentou que o terremoto teria acontecido, eventualmente, até mesmo se a água não fosse extraída, considerando as características tectônicas que, crescentes, eventualmente resultariam em ruptura.
Mesmo assim, o terremoto não poderia ter acontecido do jeito que aconteceu, se o lençol freático não estivesse explorado, diz Jean-Philippe Avouac do California Institute of Technology, em Pasadena, que não esteve envolvido no estudo. Ele acha que a evidência sugere que o evento foi mais raso do que teria sido sem a intervenção humana e, portanto, mais destrutivo.
Avouac concorda que o estresse na crosta da Terra tem de ser liberado de uma maneira ou de outra. Mas ele diz que a atividade humana – como a extração de água – pode causar o aceleramento do estresse, que pode ocorrer mais rápido, em vez de ser dissipado lentamente ao longo do tempo.
Uma parte fundamental de prever e possivelmente até mesmo controlar terremotos é entender o que pode acioná-los, Avouac acrescenta. Mesmo pouco provável na maioria dos eventos, a possibilidade de que a atividade humana está implicada em alguns eventos oferece novas oportunidades para investigação
Referência: The 2011 Lorca earthquake slip distribution controlled by groundwater crustal unloading
Nature Geoscience (2012) doi:10.1038/ngeo1610
Do EcoDebate, com informações de Michael Slezak, do New Scientist
22.10.2012
Em 11 de maio de 2011, nove pessoas foram mortas e dezenas ficaram feridas por um terremoto de magnitude 5,1, perto de Lorca, no sul da Espanha. Agora parece que o terremoto foi provocado pela atividade humana.
A forma, intensidade, profundidade são fatores que, adequadamente avaliados, podem fornecer aos sismólogos uma visão rara de como um terremoto pode ser desencadeado, e assim, dar uma nova esperança para as pessoas que tentam prever tais eventos . Pode até ser possível fornecer informações e métodos que permitam reduzir a força e a escala de tais abalos no futuro.
Sabemos que pequenos terremotos podem ter sido provocados por atividades humanas, como fracking , mas até agora não havia provas convincentes do envolvimento humano em grandes terremotos fatais.
O terremoto de Lorca foi invulgarmente raso, um ponto observado por Pablo González, da Universidade de Western Ontario, no Canadá, e seus colegas. Eles decidiram investigar se ele poderia ter sido provocado pela remoção de grandes quantidades de águas subterrâneas para irrigação. Isso fez com que o lençol freático Lorca fosse reduzido drasticamente.
Usando radar, para medir a deformação do solo causada pelo terremoto, González e seus colegas , identificaram o ponto onde o terremoto foi originado. Eles descobriram que envolveu cerca de 20 centímetros de deslizamento e ocorreu três quilômetros abaixo da superfície da Terra – um terço da profundidade que seria esperada para terremotos dessa magnitude.
A equipe então desenvolveu um modelo para simular o efeito da redução das águas subterrâneas em padrões de estresse na crosta. As tensões coincidiram a tal ponto com o padrão de ruptura visto no terremoto que a extração das águas subterrâneas deve ter acionado o evento, concluíram os pesquisadores.
González acrescentou que o terremoto teria acontecido, eventualmente, até mesmo se a água não fosse extraída, considerando as características tectônicas que, crescentes, eventualmente resultariam em ruptura.
Mesmo assim, o terremoto não poderia ter acontecido do jeito que aconteceu, se o lençol freático não estivesse explorado, diz Jean-Philippe Avouac do California Institute of Technology, em Pasadena, que não esteve envolvido no estudo. Ele acha que a evidência sugere que o evento foi mais raso do que teria sido sem a intervenção humana e, portanto, mais destrutivo.
Avouac concorda que o estresse na crosta da Terra tem de ser liberado de uma maneira ou de outra. Mas ele diz que a atividade humana – como a extração de água – pode causar o aceleramento do estresse, que pode ocorrer mais rápido, em vez de ser dissipado lentamente ao longo do tempo.
Uma parte fundamental de prever e possivelmente até mesmo controlar terremotos é entender o que pode acioná-los, Avouac acrescenta. Mesmo pouco provável na maioria dos eventos, a possibilidade de que a atividade humana está implicada em alguns eventos oferece novas oportunidades para investigação
Referência: The 2011 Lorca earthquake slip distribution controlled by groundwater crustal unloading
Nature Geoscience (2012) doi:10.1038/ngeo1610
Do EcoDebate, com informações de Michael Slezak, do New Scientist
Estagiária que injetou café com leite em veia de paciente admite que não tinha preparo
Via Fantástico
21.10.2012
O erro dela custou a vida de uma senhora de 80 anos. Era seu terceiro dia de estágio para ser técnica em enfermagem.
A estagiária que injetou café com leite na veia de uma paciente admite que não tinha preparo. O erro dela custou a vida de uma senhora de 80 anos. Há um ano, o Fantástico denunciou a formação deficiente e as más condições de trabalho de muitos desses profissionais, uma realidade que pouco ou nada mudou até agora.
“Injetei o leite e botei pelo lugar errado”, afirma Rejane Telles. Era seu terceiro dia de estágio para ser técnica em enfermagem.
Fantástico: Alguma vez você tinha realizado algum tipo de procedimento, nem que fosse como treinamento, como dar injeção, esse tipo de coisa? Rejane: Não. Fantástico: Nunca? Rejane: Nunca.
Mesmo assim, Rejane Telles, junto com outra estagiária, fez um procedimento que sabia que não podia fazer, provocando a morte de uma senhora de 80 anos. Veja a matéria completa. Veja o vídeo.
21.10.2012
O erro dela custou a vida de uma senhora de 80 anos. Era seu terceiro dia de estágio para ser técnica em enfermagem.
A estagiária que injetou café com leite na veia de uma paciente admite que não tinha preparo. O erro dela custou a vida de uma senhora de 80 anos. Há um ano, o Fantástico denunciou a formação deficiente e as más condições de trabalho de muitos desses profissionais, uma realidade que pouco ou nada mudou até agora.
“Injetei o leite e botei pelo lugar errado”, afirma Rejane Telles. Era seu terceiro dia de estágio para ser técnica em enfermagem.
Fantástico: Alguma vez você tinha realizado algum tipo de procedimento, nem que fosse como treinamento, como dar injeção, esse tipo de coisa? Rejane: Não. Fantástico: Nunca? Rejane: Nunca.
Mesmo assim, Rejane Telles, junto com outra estagiária, fez um procedimento que sabia que não podia fazer, provocando a morte de uma senhora de 80 anos. Veja a matéria completa. Veja o vídeo.
domingo, 21 de outubro de 2012
Os jogos da fome, por Esther Vivas
Via http://esthervivas.com/portugues/
Por Esther Vivas
A crise alimentar açoita o mundo. Trata-se de uma crise silenciosa, sem grandes anúncios, que não interessa nem ao Banco Central Europeu, nem ao Fundo Monetário Internacional, nem à Comissão Europeia; mas que atinge a 870 milhões de pessoas, que passam fome, segundo indica o relatório “O estado da insegurança alimentar no mundo – 2012”, apresentado no dia 9 de outubro passado pela Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO).
Acreditamos que a fome está bem longe de nossos confortáveis sofás; que pouco tem que ver com a crise econômica que nos atinge. Porém, a realidade é bem distinta. Cada vez aumenta mais o número de pessoas que passa fome no Norte. Obviamente, não se trata da mesma fome que atinge aos países da África ou outros; porém, consiste na impossibilidade de ingerir as calorias e proteínas mínimas necessárias; e isso tem consequências sobre nossa saúde e nossas vidas.
Há anos, chegam até nós as terríveis cifras da fome nos Estados Unidos: 49 milhões de pessoas, 16% das famílias, segundo dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, que incluem a mais de 16 milhões de crianças. Números que o escritor e fotógrafo David Bacon põe rosto em seu trabalho ‘Hungry By The Numbers‘ (Famélicos segundo as estatísticas). As caras da fome no país mais rico do mundo.
No Estado Espanhol, a fome converteu-se também em uma realidade tangível. Sem trabalho, sem salário, sem casa e sem comida. Assim estão muitíssimas pessoas golpeadas pela crise. Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística, em 2009, calculava-se que mais de 1 milhão de indivíduos tinham dificuldades para consumir o mínimo necessário. Hoje, a situação, ainda sem cifras, é muito pior. As entidades sociais estão superlotadas; e nos últimos dois anos, duplicaram-se as demandas de ajuda por falta de alimentos, para comprar remédios etc. E, segundo informa a organização Save the Children, com cifras de 25% de pobreza infantil, cada vez são mais as crianças que comem somente uma vez ao dia, no restaurante escolar e graças a bolsas de estudo, devido a dificuldades econômicas enfrentadas por suas famílias.
Por isso, não é de se estranhar que, inclusive, o prestigiado jornal estadunidense, The New York Times, publicara, em setembro de 2012, uma galeria fotográfica de Samuel Aranda, ganhador do World Press Photo 2011, que, sob o título ‘In Spain, austerity and hunger‘ (Na Espanha, austeridade e fome) retratara as consequências dramáticas da crise para milhares de pessoas: fome, pobreza, despejos, paralisações…; mas, também, muita luta e mobilização. O Estado Espanhol conta com as taxas de pobreza mais elevadas de toda a Europa, ficando atrás somente da Romênia e da Letônia, segundo um relatório da Fundação Foessa. Uma realidade que se impõe e vem a público, apesar de que alguns a querem silenciar.
A crise econômica, por outro lado, está intimamente ligada à crise alimentar. Os mesmos que nos conduziram à crise das hipotecas subprime, que originou o estouro da “grande crise”, em setembro de 2008, são os que, agora, especulam com as matérias primas alimentares (arroz, milho, trigo, soja…), gerando um aumento significativo de seus preços e convertendo-as em inacessíveis para grandes camadas da população, especialmente nos países do Sul. Fundos de investimento, companhias de seguros, bancos… compram e vendem ditos produtos nos mercados de futuros com a única finalidade de especular com os mesmos e fazer negócio. O que existe de mais seguro para investir do que a comida, se todos temos que comer a cada dia…?
Na Alemanha, o Deutsche Bank anunciava lucros fáceis para quem investia em produtos agrícolas no auge. Negócios similares eram propostos por outro dos principais bancos europeus, o BNP Paribas. O Barclays Bank ingressava, em 2010 e 2011, quase 900 milhões de dólares por especular com a comida, segundo dados do World Development Movement. E não temos porque ir muito longe. Catalunya Caixa oferecia a seus clientes grandes benefícios econômicos a custa de investir em matérias primas sob o slogan: “depósito 100% natural”. E o Banco Sabadell contava com um fundo especulativo que operava com alimentos.
Apesar de tudo que falam, a fome não tem tanto a ver com secas, conflitos bélicos etc.; mas com os que controlam e ditam as políticas agrícolas e alimentares e em mãos de quem estão os recursos naturais (água, terra, sementes…). O monopólio do atual sistema agroalimentar por um punhado de multinacionais, com o apoio de governos e instituições internacionais, impõe um modelo de produção, distribuição e consumo de alimentos a serviço dos interesses do capital. Trata-se de um sistema que gera fome, perda da agrodiversidade, empobrecimento camponês, mudança climática… e onde se antepõe o lucro econômico de uns poucos às necessidades alimentares de uma grande maioria.
‘Os jogos da fome’ era o título de um filme de ficção dirigido por Gary Ross, baseado no Best-seller de Suzanne Collins, onde uns jovens, representando suas comunidades, tinham que enfrentar-se para alcançar o triunfo e ganhar comida, bens e presentes para o resto de suas vidas. Às vezes, a realidade não está muito distante da ficção. Hoje, alguns “jogam” com a fome para ganhar dinheiro.
*Esther Vivas, membro de Centro de Estudios sobre Movimientos Sociales (CEMS) UPF. Tradução: Adital.
Por Esther Vivas
A crise alimentar açoita o mundo. Trata-se de uma crise silenciosa, sem grandes anúncios, que não interessa nem ao Banco Central Europeu, nem ao Fundo Monetário Internacional, nem à Comissão Europeia; mas que atinge a 870 milhões de pessoas, que passam fome, segundo indica o relatório “O estado da insegurança alimentar no mundo – 2012”, apresentado no dia 9 de outubro passado pela Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO).
Acreditamos que a fome está bem longe de nossos confortáveis sofás; que pouco tem que ver com a crise econômica que nos atinge. Porém, a realidade é bem distinta. Cada vez aumenta mais o número de pessoas que passa fome no Norte. Obviamente, não se trata da mesma fome que atinge aos países da África ou outros; porém, consiste na impossibilidade de ingerir as calorias e proteínas mínimas necessárias; e isso tem consequências sobre nossa saúde e nossas vidas.
Há anos, chegam até nós as terríveis cifras da fome nos Estados Unidos: 49 milhões de pessoas, 16% das famílias, segundo dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, que incluem a mais de 16 milhões de crianças. Números que o escritor e fotógrafo David Bacon põe rosto em seu trabalho ‘Hungry By The Numbers‘ (Famélicos segundo as estatísticas). As caras da fome no país mais rico do mundo.
No Estado Espanhol, a fome converteu-se também em uma realidade tangível. Sem trabalho, sem salário, sem casa e sem comida. Assim estão muitíssimas pessoas golpeadas pela crise. Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística, em 2009, calculava-se que mais de 1 milhão de indivíduos tinham dificuldades para consumir o mínimo necessário. Hoje, a situação, ainda sem cifras, é muito pior. As entidades sociais estão superlotadas; e nos últimos dois anos, duplicaram-se as demandas de ajuda por falta de alimentos, para comprar remédios etc. E, segundo informa a organização Save the Children, com cifras de 25% de pobreza infantil, cada vez são mais as crianças que comem somente uma vez ao dia, no restaurante escolar e graças a bolsas de estudo, devido a dificuldades econômicas enfrentadas por suas famílias.
Por isso, não é de se estranhar que, inclusive, o prestigiado jornal estadunidense, The New York Times, publicara, em setembro de 2012, uma galeria fotográfica de Samuel Aranda, ganhador do World Press Photo 2011, que, sob o título ‘In Spain, austerity and hunger‘ (Na Espanha, austeridade e fome) retratara as consequências dramáticas da crise para milhares de pessoas: fome, pobreza, despejos, paralisações…; mas, também, muita luta e mobilização. O Estado Espanhol conta com as taxas de pobreza mais elevadas de toda a Europa, ficando atrás somente da Romênia e da Letônia, segundo um relatório da Fundação Foessa. Uma realidade que se impõe e vem a público, apesar de que alguns a querem silenciar.
A crise econômica, por outro lado, está intimamente ligada à crise alimentar. Os mesmos que nos conduziram à crise das hipotecas subprime, que originou o estouro da “grande crise”, em setembro de 2008, são os que, agora, especulam com as matérias primas alimentares (arroz, milho, trigo, soja…), gerando um aumento significativo de seus preços e convertendo-as em inacessíveis para grandes camadas da população, especialmente nos países do Sul. Fundos de investimento, companhias de seguros, bancos… compram e vendem ditos produtos nos mercados de futuros com a única finalidade de especular com os mesmos e fazer negócio. O que existe de mais seguro para investir do que a comida, se todos temos que comer a cada dia…?
Na Alemanha, o Deutsche Bank anunciava lucros fáceis para quem investia em produtos agrícolas no auge. Negócios similares eram propostos por outro dos principais bancos europeus, o BNP Paribas. O Barclays Bank ingressava, em 2010 e 2011, quase 900 milhões de dólares por especular com a comida, segundo dados do World Development Movement. E não temos porque ir muito longe. Catalunya Caixa oferecia a seus clientes grandes benefícios econômicos a custa de investir em matérias primas sob o slogan: “depósito 100% natural”. E o Banco Sabadell contava com um fundo especulativo que operava com alimentos.
Apesar de tudo que falam, a fome não tem tanto a ver com secas, conflitos bélicos etc.; mas com os que controlam e ditam as políticas agrícolas e alimentares e em mãos de quem estão os recursos naturais (água, terra, sementes…). O monopólio do atual sistema agroalimentar por um punhado de multinacionais, com o apoio de governos e instituições internacionais, impõe um modelo de produção, distribuição e consumo de alimentos a serviço dos interesses do capital. Trata-se de um sistema que gera fome, perda da agrodiversidade, empobrecimento camponês, mudança climática… e onde se antepõe o lucro econômico de uns poucos às necessidades alimentares de uma grande maioria.
‘Os jogos da fome’ era o título de um filme de ficção dirigido por Gary Ross, baseado no Best-seller de Suzanne Collins, onde uns jovens, representando suas comunidades, tinham que enfrentar-se para alcançar o triunfo e ganhar comida, bens e presentes para o resto de suas vidas. Às vezes, a realidade não está muito distante da ficção. Hoje, alguns “jogam” com a fome para ganhar dinheiro.
*Esther Vivas, membro de Centro de Estudios sobre Movimientos Sociales (CEMS) UPF. Tradução: Adital.
Na Paraíba, agricultora morre vítima de agrotóxicos
Via Instituto Humanitas Unisinos
18.10.2012
Após trabalhar nos plantios de tomate no interior paraibano, mantendo contato direto e intensivo com agrotóxicos, a jovem agricultora Rosália Barbosa de Souza, de 23 anos, grávida e mãe de mais dois filhos, foi vítima de Aplasia Medular.
A reportagem é de Patrícia Ribeiro e publicado pelo portal da Articulação do Semi-árido – ASA, 17-10-2012.
A agricultora Rosália Barbosa de Souza, de 23 anos, morreu no último dia 18 de julho, vítima da doença Aplasia Medular, adquirida após trabalhar por anos no cultivo de tomate em lavouras na região de Cubati, no estado da Paraíba. Grávida, ela manteve contato direto com agrotóxicos e foi vítima de Aplasia Medular, uma doença autoimune que resulta numa anemia profunda comprometendo todos os tipos de células do sangue. O bebê foi salvo por médicos que a acompanhavam no Instituto Materno Infantil (IMIP), no Recife (PE), após indução de parto prematuro.
O pai da agricultora, o senhor Damião Barbosa de Souza, conta que ela apresentou manchas na pele e sangramento na gengiva quando estava grávida do seu terceiro filho. “Ela trabalhou na plantação de tomate e ainda chegou a apanhar tomate. O marido dela também trabalha. Era ela que lavava a roupa dele quando ele chegava. Tudo isso é contato, né? Quando ela ia lavar roupa, chegava a sair aquela água diferente do veneno. Devido ela estar amamentando também, e depois ter engravidado, a imunidade estava baixa, aí ficou mais fácil pra doença”, relatou.
Após seis meses de gravidez, com o estado de saúde agravado, Rosália foi transferida para o IMIP, onde ficou internada e foi submetida a exames. No laudo médico consta como causa da morte Hemorragia pulmonar e aplasia de medula óssea.
“O momento da gravidez é um momento delicado quando o corpo da mulher engendra um enorme esforço para gerar e nutrir um novo ser. A medula óssea é demandada a produzir mais sangue, tanto que é muito comum que as mulheres apresentem anemia leve neste momento. Passa a ser um momento então que a medula estaria mais vulnerável a agressões externas o que poderia ter contribuído para a doença. Por outro lado, os agrotóxicos podem gerar más-formações e até morte do feto”, contou a professora do curso de medicina da Universidade Federal de Campina Grande em Cajazeiras (UFCG/PB), Ana Carolina de Souza Peiretti.
Ainda segundo a docente, a doença faz com que as defesas do corpo passem a atacar as células da medula óssea onde o sangue é produzido. Além do uso de agrotóxicos, medicamentos, radiação, vírus, drogas e agentes químicos também podem causar a toxidade medular.
O companheiro de Rosália, o agricultor Marizaldo Pereira Alves, conta que apesar do nascimento prematuro e das adversidades da gestação, a criança está bem e não apresenta nenhuma complicação.
Iniciativas de enfrentamento
Desde abril de 2011, quando foi lançada a Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida, movimentos sociais, grupos ambientais e demais organizações tem desenvolvido inúmeras ações de conscientização, enfrentamento e denúncia contra 07 empresas multinacionais, que controlam mais de 70% do mercado de agrotóxicos no Brasil (Monsanto, Syngenta, Bayer, Novartis, Dupont, Basf e Dow), as quais estão diretamente ligadas ao grupo da bancada ruralista no senado.
Embora as ações se depararem com a omissão, negligência e mesmo a conivência do Estado, os movimentos sociais ainda enfrentam o silêncio das grandes mídias sobre questões relacionadas ao problema do uso intensivo e indiscriminado dos defensivos químicos. Continua
18.10.2012
Após trabalhar nos plantios de tomate no interior paraibano, mantendo contato direto e intensivo com agrotóxicos, a jovem agricultora Rosália Barbosa de Souza, de 23 anos, grávida e mãe de mais dois filhos, foi vítima de Aplasia Medular.
A reportagem é de Patrícia Ribeiro e publicado pelo portal da Articulação do Semi-árido – ASA, 17-10-2012.
A agricultora Rosália Barbosa de Souza, de 23 anos, morreu no último dia 18 de julho, vítima da doença Aplasia Medular, adquirida após trabalhar por anos no cultivo de tomate em lavouras na região de Cubati, no estado da Paraíba. Grávida, ela manteve contato direto com agrotóxicos e foi vítima de Aplasia Medular, uma doença autoimune que resulta numa anemia profunda comprometendo todos os tipos de células do sangue. O bebê foi salvo por médicos que a acompanhavam no Instituto Materno Infantil (IMIP), no Recife (PE), após indução de parto prematuro.
O pai da agricultora, o senhor Damião Barbosa de Souza, conta que ela apresentou manchas na pele e sangramento na gengiva quando estava grávida do seu terceiro filho. “Ela trabalhou na plantação de tomate e ainda chegou a apanhar tomate. O marido dela também trabalha. Era ela que lavava a roupa dele quando ele chegava. Tudo isso é contato, né? Quando ela ia lavar roupa, chegava a sair aquela água diferente do veneno. Devido ela estar amamentando também, e depois ter engravidado, a imunidade estava baixa, aí ficou mais fácil pra doença”, relatou.
Após seis meses de gravidez, com o estado de saúde agravado, Rosália foi transferida para o IMIP, onde ficou internada e foi submetida a exames. No laudo médico consta como causa da morte Hemorragia pulmonar e aplasia de medula óssea.
“O momento da gravidez é um momento delicado quando o corpo da mulher engendra um enorme esforço para gerar e nutrir um novo ser. A medula óssea é demandada a produzir mais sangue, tanto que é muito comum que as mulheres apresentem anemia leve neste momento. Passa a ser um momento então que a medula estaria mais vulnerável a agressões externas o que poderia ter contribuído para a doença. Por outro lado, os agrotóxicos podem gerar más-formações e até morte do feto”, contou a professora do curso de medicina da Universidade Federal de Campina Grande em Cajazeiras (UFCG/PB), Ana Carolina de Souza Peiretti.
Ainda segundo a docente, a doença faz com que as defesas do corpo passem a atacar as células da medula óssea onde o sangue é produzido. Além do uso de agrotóxicos, medicamentos, radiação, vírus, drogas e agentes químicos também podem causar a toxidade medular.
O companheiro de Rosália, o agricultor Marizaldo Pereira Alves, conta que apesar do nascimento prematuro e das adversidades da gestação, a criança está bem e não apresenta nenhuma complicação.
Iniciativas de enfrentamento
Desde abril de 2011, quando foi lançada a Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida, movimentos sociais, grupos ambientais e demais organizações tem desenvolvido inúmeras ações de conscientização, enfrentamento e denúncia contra 07 empresas multinacionais, que controlam mais de 70% do mercado de agrotóxicos no Brasil (Monsanto, Syngenta, Bayer, Novartis, Dupont, Basf e Dow), as quais estão diretamente ligadas ao grupo da bancada ruralista no senado.
Embora as ações se depararem com a omissão, negligência e mesmo a conivência do Estado, os movimentos sociais ainda enfrentam o silêncio das grandes mídias sobre questões relacionadas ao problema do uso intensivo e indiscriminado dos defensivos químicos. Continua
Máscara de Joaquim Barbosa já é febre entre foliões no Rio
Via UOL/blog do Josias de Souza
20.10.2012
20.10.2012
Brasil para no último capítulo de Avenida Brasil
Jornal Nacional
20.10.2012
Durante sete meses, o Divino foi o bairro mais próximo dos brasileiros. E o desfecho da história dos moradores do bairro e do lixão hipnotizou, apaixonou e capturou a atenção de milhões de brasileiros.
Sexta-feira (19) à noite, o último capítulo da novela Avenida Brasil parou o país.
Às 21h da noite, ruas e avenidas vazias em todo o país. São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Salvador. O Brasil parou em frente à televisão, em casa, nos bares, nos restaurantes, de olho nos telões e nos celulares.
Em São Paulo, teve gente pedindo pra trocar o som da banda pelo áudio da TV. E o corre-corre habitual do aeroporto de Congonhas teve pausa obrigatória onde houvesse imagem, onde estivesse passando a novela que encantou o país.
Amigos, vizinhos, família, todos juntos. Em Manaus, no Pará, em Porto Alegre, no Recife e em Belo Horizonte.
Normalmente, as pessoas vão para o bairro da Lapa, no Rio de Janeiro, para bater papo com os amigos, ouvir música ao vivo. Só que na sexta, ficou todo mundo de olho no último capítulo de Avenida Brasil.
E procurando a mesma resposta: quem matou o Max? Teve bolão e palpite de todo o tipo.
Durante sete meses, o Divino foi o bairro mais próximo dos brasileiros. E o desfecho da história dos moradores do bairro e do lixão hipnotizou, apaixonou, e capturou a atenção de milhões de brasileiros no Brasil e no mundo. Um fenômeno que, definitivamente, deixou marcas. Veja a matéria completa. Veja o vídeo.
20.10.2012
Durante sete meses, o Divino foi o bairro mais próximo dos brasileiros. E o desfecho da história dos moradores do bairro e do lixão hipnotizou, apaixonou e capturou a atenção de milhões de brasileiros.
Sexta-feira (19) à noite, o último capítulo da novela Avenida Brasil parou o país.
Às 21h da noite, ruas e avenidas vazias em todo o país. São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Salvador. O Brasil parou em frente à televisão, em casa, nos bares, nos restaurantes, de olho nos telões e nos celulares.
Em São Paulo, teve gente pedindo pra trocar o som da banda pelo áudio da TV. E o corre-corre habitual do aeroporto de Congonhas teve pausa obrigatória onde houvesse imagem, onde estivesse passando a novela que encantou o país.
Amigos, vizinhos, família, todos juntos. Em Manaus, no Pará, em Porto Alegre, no Recife e em Belo Horizonte.
Normalmente, as pessoas vão para o bairro da Lapa, no Rio de Janeiro, para bater papo com os amigos, ouvir música ao vivo. Só que na sexta, ficou todo mundo de olho no último capítulo de Avenida Brasil.
E procurando a mesma resposta: quem matou o Max? Teve bolão e palpite de todo o tipo.
Durante sete meses, o Divino foi o bairro mais próximo dos brasileiros. E o desfecho da história dos moradores do bairro e do lixão hipnotizou, apaixonou, e capturou a atenção de milhões de brasileiros no Brasil e no mundo. Um fenômeno que, definitivamente, deixou marcas. Veja a matéria completa. Veja o vídeo.
sábado, 20 de outubro de 2012
As 'coisas indescritíveis' do mundo do consumo, por Washington Novaes
Via Estadão
Por Washington Novaes
19.10.2012
O historiador Eric J. Hobsbawn, que morreu no começo da semana passada, deixou livros em que caracterizou de forma contundente os tempos que estamos vivendo. "Quando as pessoas não têm mais eixos de futuros sociais acabam fazendo coisas indescritíveis", escreveu ele no ensaio Barbárie: Manual do Usuário (Estado, 2/10). Ou, então, "aí está a essência da questão: resolver os problemas sem referências do passado". Por isso, certamente Hobsbawn não se espantaria com a notícia estampada neste jornal poucos dias antes de sua morte: Na Espanha, cadeados nas latas de lixo (27/9). "Com cada vez mais pessoas vivendo de restos, prefeitura (de Madri) tranca as latas como medida de saúde pública." Nada haveria a estranhar num país onde a taxa de desemprego está por volta de 25%, 22% das famílias vivem na pobreza e 600 mil não têm nenhuma renda.
E que pensaria o historiador com a notícia (Estado, 26/9) de que as autoridades de Bulawato, no Zimbábue (África), "pediram aos cidadãos que sincronizem as descargas de seus vasos sanitários para poupar água. (...) Os moradores devem esvaziar os vasos apenas a cada três dias e em horários determinados"? Provavelmente Hobsbawn não se espantaria, informado das estatísticas da ONU segundo as quais 23% da população mundial (mais de 1,5 bilhão de pessoas) defeca ao ar livre por não ter instalações sanitárias em sua casa. As do Zimbábue ainda estão à frente.
E da China que pensaria ele ao ler nos jornais (22/9) que a prefeitura de Xinjian, no leste do país, "está sob intensa crítica da opinião pública após enjaular dezenas de mendigos no mesmo lugar durante um festival religioso"? Ao lado da foto das jaulas nas ruas com mendigos encarcerados, a explicação de autoridades de que assim fizeram porque os pedintes assediavam peregrinos e corriam risco de ser atropelados ou pisoteados. Mas "entraram nas jaulas voluntariamente". Será para não correr riscos desse tipo que "quatro estrangeiros de origem ignorada" vivem há três meses no aeroporto de Cumbica, em São Paulo, recusando-se a dizer sua nacionalidade e procedência (Folha de S.Paulo, 29/9)? "Em tempos de transformação", disse o psicanalista Leopold Nosek a Sonia Racy (Estado, 7/10), "quando o velho não existe mais e o novo ainda não se estruturou, criam-se os monstros".
Para onde se caminhará? Na Europa, diz a Organização Internacional do Trabalho que, com todo o sul do continente em crise, o desemprego na faixa dos 15 aos 24 anos crescerá 22% em 2013, pouco menos no ano seguinte. Nos Estados Unidos, a taxa de desemprego entre jovens está em 17,4%, talvez caia para 13,35% até 2017 (Agência Estado, 5/9). O desemprego médio nos 17 países da zona do euro subiu para 11,4%.
Pulemos para o lado de cá. Um em cada cinco brasileiros entre 18 e 25 anos não trabalha nem estuda (Estado, 26/9). São 5,3 milhões de jovens. Computados também os que buscam trabalho, chega-se a 7,2 milhões. As mulheres são maioria. E o déficit ocorre embora o País tenha gerado 2,2 milhões de empregos formais em 2011.
As estatísticas são alarmantes. A revista New Scientist (28/7) diz que 1% da população norte-americana controla 40% da riqueza. Já existem 1.226 bilionários no mundo. "Nós somos os 99%", diz o movimento de protesto Occupy. Entre suas estatísticas estão as que os relatórios do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) vêm publicando desde a década de 1990: pouco mais de 250 pessoas, com ativos superiores a US$ 1 bilhão cada, têm, juntas, mais do que o produto bruto conjunto dos 40 países mais pobres, onde vivem 600 milhões de pessoas. Já a metade mais pobre da população mundial fica com 1% da renda global total. Menos de 20% da população mundial, concentrada nos países industrializados, consome 80% dos recursos totais. E 92 mil pessoas já acumulam em paraísos fiscais cerca de US$ 21 trilhões, afirma a Tax Justice Network.
E que se fará, com a população mundial aumentando e os recursos naturais - inclusive terra para plantar alimentos - escasseando? É cada vez maior o número de economistas que já mencionam com frequência a "crise da finitude de recursos". Os preços médios de alimentos "devem dobrar até 2030, incluídos milho (mais 177%), trigo (mais 120% e arroz (107%)", alerta a ONG Oxfam (Instituto Carbono Brasil, 6/9). 775 milhões de jovens e adultos são analfabetos e não têm como aumentar a renda (Rádio ONU, 10/9).
De volta outra vez ao nosso terreiro, vemos que "mais de 90% das cidades estão sem plano para o lixo" (Estado, 2/8). Na cidade de São Paulo, 90% do lixo reciclável vai para aterros sanitários (CicloVivo, 10/8). Diariamente 5,4 bilhões de litros de esgotos não tratados são descartados. Perto de metade dos domicílios não é ligada a redes de esgotos. A perda de água nas redes de distribuição (por furos, vazamentos, etc.) está por volta de 40% do total. Mas 23% das cidades racionam água, segundo o IBGE (Estado, 20/10/2011). E grande parte da água do Rio São Francisco que será transposta irá para localidades com essas perdas - antes de corrigi-las. E com o líquido custando muito mais caro, já que muita energia será necessária para elevá-lo aos pontos de destino.
Enquanto isso, a campanha eleitoral correu morna em praticamente todo o País, com candidatos fazendo de conta que vivemos na terra da promissão, não precisamos de planos diretores rigorosos nas cidades, não precisamos responsabilizar quem mais consome - e mais gera resíduos -, não precisamos impedir a impermeabilização do solo das cidades nem impedir a ocupação de áreas de risco.
"A sociedade de consumo", escreveu Hobsbawn, "interessa-se apenas pelo que pode comprar agora e no futuro". Mas terá de resolver o problema de 1 bilhão de idosos em dez anos (Fundo de População das Nações Unidas, 1.º/10).
* JORNALISTA E-MAIL: WLRNOVAES@UOL.COM.BR
Por Washington Novaes
19.10.2012
O historiador Eric J. Hobsbawn, que morreu no começo da semana passada, deixou livros em que caracterizou de forma contundente os tempos que estamos vivendo. "Quando as pessoas não têm mais eixos de futuros sociais acabam fazendo coisas indescritíveis", escreveu ele no ensaio Barbárie: Manual do Usuário (Estado, 2/10). Ou, então, "aí está a essência da questão: resolver os problemas sem referências do passado". Por isso, certamente Hobsbawn não se espantaria com a notícia estampada neste jornal poucos dias antes de sua morte: Na Espanha, cadeados nas latas de lixo (27/9). "Com cada vez mais pessoas vivendo de restos, prefeitura (de Madri) tranca as latas como medida de saúde pública." Nada haveria a estranhar num país onde a taxa de desemprego está por volta de 25%, 22% das famílias vivem na pobreza e 600 mil não têm nenhuma renda.
E que pensaria o historiador com a notícia (Estado, 26/9) de que as autoridades de Bulawato, no Zimbábue (África), "pediram aos cidadãos que sincronizem as descargas de seus vasos sanitários para poupar água. (...) Os moradores devem esvaziar os vasos apenas a cada três dias e em horários determinados"? Provavelmente Hobsbawn não se espantaria, informado das estatísticas da ONU segundo as quais 23% da população mundial (mais de 1,5 bilhão de pessoas) defeca ao ar livre por não ter instalações sanitárias em sua casa. As do Zimbábue ainda estão à frente.
E da China que pensaria ele ao ler nos jornais (22/9) que a prefeitura de Xinjian, no leste do país, "está sob intensa crítica da opinião pública após enjaular dezenas de mendigos no mesmo lugar durante um festival religioso"? Ao lado da foto das jaulas nas ruas com mendigos encarcerados, a explicação de autoridades de que assim fizeram porque os pedintes assediavam peregrinos e corriam risco de ser atropelados ou pisoteados. Mas "entraram nas jaulas voluntariamente". Será para não correr riscos desse tipo que "quatro estrangeiros de origem ignorada" vivem há três meses no aeroporto de Cumbica, em São Paulo, recusando-se a dizer sua nacionalidade e procedência (Folha de S.Paulo, 29/9)? "Em tempos de transformação", disse o psicanalista Leopold Nosek a Sonia Racy (Estado, 7/10), "quando o velho não existe mais e o novo ainda não se estruturou, criam-se os monstros".
Para onde se caminhará? Na Europa, diz a Organização Internacional do Trabalho que, com todo o sul do continente em crise, o desemprego na faixa dos 15 aos 24 anos crescerá 22% em 2013, pouco menos no ano seguinte. Nos Estados Unidos, a taxa de desemprego entre jovens está em 17,4%, talvez caia para 13,35% até 2017 (Agência Estado, 5/9). O desemprego médio nos 17 países da zona do euro subiu para 11,4%.
Pulemos para o lado de cá. Um em cada cinco brasileiros entre 18 e 25 anos não trabalha nem estuda (Estado, 26/9). São 5,3 milhões de jovens. Computados também os que buscam trabalho, chega-se a 7,2 milhões. As mulheres são maioria. E o déficit ocorre embora o País tenha gerado 2,2 milhões de empregos formais em 2011.
As estatísticas são alarmantes. A revista New Scientist (28/7) diz que 1% da população norte-americana controla 40% da riqueza. Já existem 1.226 bilionários no mundo. "Nós somos os 99%", diz o movimento de protesto Occupy. Entre suas estatísticas estão as que os relatórios do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) vêm publicando desde a década de 1990: pouco mais de 250 pessoas, com ativos superiores a US$ 1 bilhão cada, têm, juntas, mais do que o produto bruto conjunto dos 40 países mais pobres, onde vivem 600 milhões de pessoas. Já a metade mais pobre da população mundial fica com 1% da renda global total. Menos de 20% da população mundial, concentrada nos países industrializados, consome 80% dos recursos totais. E 92 mil pessoas já acumulam em paraísos fiscais cerca de US$ 21 trilhões, afirma a Tax Justice Network.
E que se fará, com a população mundial aumentando e os recursos naturais - inclusive terra para plantar alimentos - escasseando? É cada vez maior o número de economistas que já mencionam com frequência a "crise da finitude de recursos". Os preços médios de alimentos "devem dobrar até 2030, incluídos milho (mais 177%), trigo (mais 120% e arroz (107%)", alerta a ONG Oxfam (Instituto Carbono Brasil, 6/9). 775 milhões de jovens e adultos são analfabetos e não têm como aumentar a renda (Rádio ONU, 10/9).
De volta outra vez ao nosso terreiro, vemos que "mais de 90% das cidades estão sem plano para o lixo" (Estado, 2/8). Na cidade de São Paulo, 90% do lixo reciclável vai para aterros sanitários (CicloVivo, 10/8). Diariamente 5,4 bilhões de litros de esgotos não tratados são descartados. Perto de metade dos domicílios não é ligada a redes de esgotos. A perda de água nas redes de distribuição (por furos, vazamentos, etc.) está por volta de 40% do total. Mas 23% das cidades racionam água, segundo o IBGE (Estado, 20/10/2011). E grande parte da água do Rio São Francisco que será transposta irá para localidades com essas perdas - antes de corrigi-las. E com o líquido custando muito mais caro, já que muita energia será necessária para elevá-lo aos pontos de destino.
Enquanto isso, a campanha eleitoral correu morna em praticamente todo o País, com candidatos fazendo de conta que vivemos na terra da promissão, não precisamos de planos diretores rigorosos nas cidades, não precisamos responsabilizar quem mais consome - e mais gera resíduos -, não precisamos impedir a impermeabilização do solo das cidades nem impedir a ocupação de áreas de risco.
"A sociedade de consumo", escreveu Hobsbawn, "interessa-se apenas pelo que pode comprar agora e no futuro". Mas terá de resolver o problema de 1 bilhão de idosos em dez anos (Fundo de População das Nações Unidas, 1.º/10).
* JORNALISTA E-MAIL: WLRNOVAES@UOL.COM.BR
Práticas do antienvelhecimento são vetadas
JC e-mail 4607, de 19 de Outubro de 2012.
Práticas do antienvelhecimento são vetadas
Conselho Federal de Medicina proíbe prescrição de hormônios para pessoas sem deficiência dessas substâncias.
A indicação e a divulgação do uso de hormônios e outras substâncias com o objetivo de prevenir ou reverter o envelhecimento passa a ser uma prática vedada a médicos. É o que determina uma resolução do Conselho Federal de Medicina, que já havia sido publicada como recomendação em agosto e agora tem força de lei para médicos.
Segundo o texto, a reposição hormonal só pode ser feita quando houver um deficit comprovado da substância e nos casos de o benefício dessa reposição ser cientificamente provado ou de haver um nexo causal entre a doença e a falta do hormônio. Ou seja, fica proibido indicar doses extra de hormônios para pacientes que têm níveis normais da substância.
O texto também proíbe a prescrição de vitaminas, antioxidantes e dos chamados hormônios bioidênticos (com estrutura igual à do hormônio natural) com o apelo do antienvelhecimento.
O conselho entende que não há evidência científica que respalde essas terapias. "Não se pode vender uma ilusão. E uma ilusão que custa caro", afirma Gerson Zafalon, relator da resolução.
Uma prática atual - e agora condenada - é a de aumentar o nível hormonal para além do considerado normal para a faixa etária com o objetivo de aumentar a massa muscular, diz Silvia Pereira, da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia. A sobrecarga no corpo pelas práticas agora proibidas, explica a médica, pode desencadear problemas como diabetes, hipertensão, distúrbios do sono e câncer.
A norma, que deve ser publicada hoje no "Diário Oficial da União", tem validade imediata. O médico que não cumprir fica sujeito a punições que vão da censura reservada à cassação. E o conselho ainda prepara nova resolução para regular a prática ortomolecular.
Outro lado - O presidente da Sociedade Brasileira para o Estudo do Envelhecimento, Wilmar Jorge Accursio, faz ressalvas a algumas informações técnicas divulgadas pelo CFM, mas elogia o fim das promessas de transformar o paciente num "super-homem". Accursio defende a indicação de hormônios só quando há deficiência. E diz que não há nada contra o hormônio "bioidêntico"; o problema, segundo ele, é o discurso de que ele é inofensivo.
A médica Luciana Aun, autora do livro "Segredos do Antienvelhecimento" (ed. Livre Expressão, 165 págs.), afirma que a prática é mal compreendida até por causa do nome. "Não é uma coisa feita para estética, por motivos banais. É para prevenir as doenças da velhice." Segundo a cirurgiã, é preciso mesmo limitar o uso de hormônios. No entanto, afirma que a resolução do CFM foi feita com base em pareceres dos médicos geriatras, que, para ela, estão atacando algo que "não conhecem bem". "Médicos sérios estão sofrendo com isso."
Já para Edson Luiz Peracchi, presidente da Academia Brasileira de Medicina Antienvelhecimento, a resolução é "frustrada", ilegal e não vai impedir prescrições baseadas em justificativa técnica. "É uma tentativa de estancar a evolução científica, permitindo que a geriatria fique na mão do médico que trata o velho e não em quem trabalha com a prevenção."
A empresária paulistana Keila Rastelli Galebe, 39, é adepta do antienvelhecimento há cerca de seis anos. Ela toma vitaminas e antioxidantes. "Já fiz duas cirurgias para troca de válvula do coração. Depois que comecei o tratamento, para minha surpresa, minhas próteses não se desgastaram mais." Keila diz que nunca tomou hormônios. "Aprendi a me alimentar melhor, com proteínas magras, castanhas e alimentos integrais."
(Folha de São Paulo)
sexta-feira, 19 de outubro de 2012
Nós podemos mudar o mundo, por Sérgio Abranches
Via ecopolítica
11.10.2012
Ouvi Jane Fonda dizer que tudo no mundo está sujeito à lei da entropia, à segunda lei da termodinâmica, segundo a qual tudo decai. “Só uma dimensão da vida não obedece a esse determinismo da decadência”, ela disse, “o espírito humano”. Jane Fonda falava do aumento da longevidade e, portanto, do desafio de uma vida ativa, criativa e útil no “terceiro estágio da vida”. Mas essa reflexão vai além, ela transcende a própria existência individual. E ela nos ensina que podemos conquistar grandes mudanças, com um livro, um filme, um celular.
Quando um jovem resolve ler hoje uma das grandes obras de Herman Hesse, porque estamos comemorando o cinquentenário de sua morte, ele está dando provas desse poder do espírito humano de transcender, de enfrentar a decadência e o esquecimento. Mesmo que não encontre no livro um universo contemporâneo ao seu, encontrará ideias e valores que continuam contemporâneos. Menciono Hesse, porque ele foi um autor capaz de influenciar profundamente toda uma geração e ficou algumas décadas sem ser reeditado em muitos lugares, como se suas obras tivessem perdido a energia espiritual que continham. Mas não perderam. E a reedição de seus livros – Demian, Sidarta, O Jogo das Contas de Vidro – promove esse reencontro entre as novas gerações e o produto imorredouro do espírito humano de Hesse.
Thomas Mann, em plena angústia com o destino tenebroso de sua Alemanha, foi visitar Herman Hesse em sua casa em Montagnola, Ticino, em 1943. E viu nele, exatamente, esse galgar a escada do espírito humano de que fala Jane Fonda. Ele diz:
“Eu o conheci primeiramente de forma mais íntima quando, sofrendo o primeiro choque da perda de meu país, minha casa e meu coração, eu o via frequentemente em sua bela casa e jardim em Ticino. Como eu o invejava naqueles dias! – não tanto por sua segurança em um país livre, mas acima de tudo pelo grau arduamente conseguido de liberdade espiritual na qual me superava, por seu afastamento filosófico de toda a política alemã. Não havia nada mais confortante, mais curativo nesses dias confusos que a sua conversa.”
Essas manifestações do espírito humano têm um poder que vai muito além do indivíduo. São capazes de incendiar corações e mentes, fazer diferença no mundo e provocar mudanças revolucionárias. Em um momento no qual as utopias estão sendo substituídas pelas distopias, pelas visões de um futuro trágico, é importante pensar nessa força do espírito humano livre.
Há 50 anos, em setembro de 1962, foi publicado nos Estados Unidos o livro Silent Spring, de Rachel Carson, cientista e ecologista. Um marco fundador do ambientalismo no EUA. Um exemplo ainda hoje insuperado de como escrever sobre evidências científicas de forma acessível ao grande público, sem concessões simplificadoras. Rachel Carson já estava enfrentando o câncer de mama que a matou em 1964, quando escreveu esse livro brilhante. Em 1960, havia passado por uma mastectomia radical. Silent Spring, é um livro em defesa da vida, denunciando, pela primeira vez, com base científica irrefutável, o envenenamento do ambiente pelo uso de pesticidas sintéticos, principalmente o DDT. “Se continuarmos envenenando a natureza, ela um dia vai nos envenenar”, era sua mensagem central. Vendeu dois milhões de cópias.
Não era o primeiro livro de Rachel. Dez anos antes da publicação de Silent Spring, ela ganhou vários prêmios de prestígio por The Sea Around Us (O Mar à nossa volta). Em 1964, já muito debilitada pela doença prestou depoimento no Senado sobre o uso de pesticidas sintéticos. O depoimento e o sucesso popular do livro mudariam a política regulatória do país. Rachel é parte da história que levou ao banimento mundial do DDT. No depoimento, o senador Democrata pelo Alaska, Ernest Gruening percebeu, com clareza, essa força do espírito humano e dos livros, ao dizer a Rachel que:
“De vez em quando na história da humanidade, um livro apareceu que mudou substancialmente o curso da história.”
Silent Spring fez isso. Quando estava na faculdade de sociologia, li uma tese de doutorado sobre duas cidades idênticas, no meio oeste do EUA, numa área de indústria metalúrgica e química muito poluída. Vizinhas e gêmeas, apenas um rio as separava. Elas tinham políticas sobre poluição do ar totalmente distintas, porém. Uma era totalmente complacente com a poluição. A outra havia adotado legislação muito rigorosa de controle. O pesquisador não encontrou qualquer causa objetiva – demográfica, racial, etária, socioeconômica, partidária – que explicasse a diferença. O fator determinante dessa atitude divergente sobre poluição era um casal de ambientalistas, nos seus 60 anos, muito carismático e que mantinha um programa na rádio local. Com suas explicações sobre as causas e danos da poluição ao ambiente e à saúde humana, construíram as bases objetivas para uma das primeiras leis de proteção da água e do ar nos Estados Unidos. Novamente a força do espírito humano de que nos fala Jane Fonda. Ele ganha força com a idade, porque acumula sabedoria e capacidade de chegar até o outro.
É possível mudar o mundo com ideias, com palavras, com livros, com atitudes. Com todas as manifestações do espírito humano. Por isso precisamos cultivar esse espírito, individualmente, cuidando de nosso próprio aprimoramento intelectual e como seres humanos, e de toda a nossa gente, lutando pela valorização e pelo investimento na educação de qualidade, na cultura sob todas as suas formas, na independência da produção cultural, na ciência e no jornalismo de qualidade em todas as mídias. Não são as produções panfletárias, nem os artefatos ideológicos que mudam o mundo. São as ideias propostas com qualidade, a boa literatura, a boa explicação científica, o bom teatro, o bom cinema, o bom jornalismo.
Esse espírito humano, essa força da inteligência e da capacidade criativa, progride, melhora com a idade e com o tempo. Não decai. Progride porque se enriquece com mais sabedoria, paz interior, tolerância e visão de mundo. (Não confundir nunca tolerância: o respeito pela diferença, pelo diverso; com complacência: a aceitação da delinquência.) Exemplos dessa força do espírito humano temos e tivemos muitos nessa nossa turbulenta era de risco e de todas as ias vezes idades: Nelson Mandela, Wangari Maathai, Malala Yousafzai.
Malala Yousafzai é uma garota paquistanesa de 14 anos. Uma defensora corajosa e inspiradora da educação das meninas, em um país que as quer excluir da escola, à força. Ela foi baleada, na última terça-feira, por homens mascarados, que entraram no ônibus da escola, chamaram seu nome e atiraram nela. Está em estado grave no hospital, mas deve se recuperar e sem sequelas, segundo os médicos. Não é um caso isolado. Nem de brutalidade e repressão contra meninas que querem estudar, nem de atos de bravura e heroísmo, de crença na vitória do espírito, da resistência pacífica, mas determinada e resoluta contra a opressão, a violência e a tirania.
Como Herman Hesse escreveu em Gertrude:
“Se você odeia uma pessoa, você odeia algo nela que é parte de você mesmo. O que não é parte de nós, não nos perturba.”
Casos como os de Malala Yousafazi poderiam ser razão para o pessimismo. Mas, quando olhamos todos os casos de vitória do espírito humano – e o espírito humano é sempre a força do bem – temos certeza de que sua causa será vitoriosa, como foi vitoriosa a causa de Rachel Carson. Malala vencerá seu drama pessoal e sua causa universal.
Termino com o espírito cosmopolita de Herman Hesse. Debilitado pela doença, mas forte no espírito, Hesse não pôde ir a Estocolmo receber o Prêmio Nobel, em 1946. Mandou um discurso por escrito. Transcrevo dele algumas partes são totalmente contemporâneas aos valores do cosmopolitanismo.
“Minha saúde sempre foi delicada, e eu acabei um inválido permanente pelos males dos anos, desde 1933, que destruíram o trabalho de minha vida e me assoberbaram novamente com pesadas obrigações. Mas minha mente não se quebrou, e eu me sinto um parente de vocês e da ideia que inspirou a Fundação Nobel, a ideia de que a mente é internacional e supranacional, que ela tem que servir não à guerra e à aniquilação, mas à paz e à reconcialiação.
Meu ideal, contudo, não é anular as características nacionais, na busca de uma humanidade uniforme. Ao contrário, que a diversidade de todas as formas e cores tenham longa vida nesta nossa amada Terra. Que coisa maravilhosa é a existência de tantas raças, tantos povos, tantas línguas, e tantas variedades de atitude e visão!”
11.10.2012
Ouvi Jane Fonda dizer que tudo no mundo está sujeito à lei da entropia, à segunda lei da termodinâmica, segundo a qual tudo decai. “Só uma dimensão da vida não obedece a esse determinismo da decadência”, ela disse, “o espírito humano”. Jane Fonda falava do aumento da longevidade e, portanto, do desafio de uma vida ativa, criativa e útil no “terceiro estágio da vida”. Mas essa reflexão vai além, ela transcende a própria existência individual. E ela nos ensina que podemos conquistar grandes mudanças, com um livro, um filme, um celular.
Quando um jovem resolve ler hoje uma das grandes obras de Herman Hesse, porque estamos comemorando o cinquentenário de sua morte, ele está dando provas desse poder do espírito humano de transcender, de enfrentar a decadência e o esquecimento. Mesmo que não encontre no livro um universo contemporâneo ao seu, encontrará ideias e valores que continuam contemporâneos. Menciono Hesse, porque ele foi um autor capaz de influenciar profundamente toda uma geração e ficou algumas décadas sem ser reeditado em muitos lugares, como se suas obras tivessem perdido a energia espiritual que continham. Mas não perderam. E a reedição de seus livros – Demian, Sidarta, O Jogo das Contas de Vidro – promove esse reencontro entre as novas gerações e o produto imorredouro do espírito humano de Hesse.
Thomas Mann, em plena angústia com o destino tenebroso de sua Alemanha, foi visitar Herman Hesse em sua casa em Montagnola, Ticino, em 1943. E viu nele, exatamente, esse galgar a escada do espírito humano de que fala Jane Fonda. Ele diz:
“Eu o conheci primeiramente de forma mais íntima quando, sofrendo o primeiro choque da perda de meu país, minha casa e meu coração, eu o via frequentemente em sua bela casa e jardim em Ticino. Como eu o invejava naqueles dias! – não tanto por sua segurança em um país livre, mas acima de tudo pelo grau arduamente conseguido de liberdade espiritual na qual me superava, por seu afastamento filosófico de toda a política alemã. Não havia nada mais confortante, mais curativo nesses dias confusos que a sua conversa.”
Essas manifestações do espírito humano têm um poder que vai muito além do indivíduo. São capazes de incendiar corações e mentes, fazer diferença no mundo e provocar mudanças revolucionárias. Em um momento no qual as utopias estão sendo substituídas pelas distopias, pelas visões de um futuro trágico, é importante pensar nessa força do espírito humano livre.
Há 50 anos, em setembro de 1962, foi publicado nos Estados Unidos o livro Silent Spring, de Rachel Carson, cientista e ecologista. Um marco fundador do ambientalismo no EUA. Um exemplo ainda hoje insuperado de como escrever sobre evidências científicas de forma acessível ao grande público, sem concessões simplificadoras. Rachel Carson já estava enfrentando o câncer de mama que a matou em 1964, quando escreveu esse livro brilhante. Em 1960, havia passado por uma mastectomia radical. Silent Spring, é um livro em defesa da vida, denunciando, pela primeira vez, com base científica irrefutável, o envenenamento do ambiente pelo uso de pesticidas sintéticos, principalmente o DDT. “Se continuarmos envenenando a natureza, ela um dia vai nos envenenar”, era sua mensagem central. Vendeu dois milhões de cópias.
Não era o primeiro livro de Rachel. Dez anos antes da publicação de Silent Spring, ela ganhou vários prêmios de prestígio por The Sea Around Us (O Mar à nossa volta). Em 1964, já muito debilitada pela doença prestou depoimento no Senado sobre o uso de pesticidas sintéticos. O depoimento e o sucesso popular do livro mudariam a política regulatória do país. Rachel é parte da história que levou ao banimento mundial do DDT. No depoimento, o senador Democrata pelo Alaska, Ernest Gruening percebeu, com clareza, essa força do espírito humano e dos livros, ao dizer a Rachel que:
“De vez em quando na história da humanidade, um livro apareceu que mudou substancialmente o curso da história.”
Silent Spring fez isso. Quando estava na faculdade de sociologia, li uma tese de doutorado sobre duas cidades idênticas, no meio oeste do EUA, numa área de indústria metalúrgica e química muito poluída. Vizinhas e gêmeas, apenas um rio as separava. Elas tinham políticas sobre poluição do ar totalmente distintas, porém. Uma era totalmente complacente com a poluição. A outra havia adotado legislação muito rigorosa de controle. O pesquisador não encontrou qualquer causa objetiva – demográfica, racial, etária, socioeconômica, partidária – que explicasse a diferença. O fator determinante dessa atitude divergente sobre poluição era um casal de ambientalistas, nos seus 60 anos, muito carismático e que mantinha um programa na rádio local. Com suas explicações sobre as causas e danos da poluição ao ambiente e à saúde humana, construíram as bases objetivas para uma das primeiras leis de proteção da água e do ar nos Estados Unidos. Novamente a força do espírito humano de que nos fala Jane Fonda. Ele ganha força com a idade, porque acumula sabedoria e capacidade de chegar até o outro.
É possível mudar o mundo com ideias, com palavras, com livros, com atitudes. Com todas as manifestações do espírito humano. Por isso precisamos cultivar esse espírito, individualmente, cuidando de nosso próprio aprimoramento intelectual e como seres humanos, e de toda a nossa gente, lutando pela valorização e pelo investimento na educação de qualidade, na cultura sob todas as suas formas, na independência da produção cultural, na ciência e no jornalismo de qualidade em todas as mídias. Não são as produções panfletárias, nem os artefatos ideológicos que mudam o mundo. São as ideias propostas com qualidade, a boa literatura, a boa explicação científica, o bom teatro, o bom cinema, o bom jornalismo.
Esse espírito humano, essa força da inteligência e da capacidade criativa, progride, melhora com a idade e com o tempo. Não decai. Progride porque se enriquece com mais sabedoria, paz interior, tolerância e visão de mundo. (Não confundir nunca tolerância: o respeito pela diferença, pelo diverso; com complacência: a aceitação da delinquência.) Exemplos dessa força do espírito humano temos e tivemos muitos nessa nossa turbulenta era de risco e de todas as ias vezes idades: Nelson Mandela, Wangari Maathai, Malala Yousafzai.
Malala Yousafzai é uma garota paquistanesa de 14 anos. Uma defensora corajosa e inspiradora da educação das meninas, em um país que as quer excluir da escola, à força. Ela foi baleada, na última terça-feira, por homens mascarados, que entraram no ônibus da escola, chamaram seu nome e atiraram nela. Está em estado grave no hospital, mas deve se recuperar e sem sequelas, segundo os médicos. Não é um caso isolado. Nem de brutalidade e repressão contra meninas que querem estudar, nem de atos de bravura e heroísmo, de crença na vitória do espírito, da resistência pacífica, mas determinada e resoluta contra a opressão, a violência e a tirania.
Como Herman Hesse escreveu em Gertrude:
“Se você odeia uma pessoa, você odeia algo nela que é parte de você mesmo. O que não é parte de nós, não nos perturba.”
Casos como os de Malala Yousafazi poderiam ser razão para o pessimismo. Mas, quando olhamos todos os casos de vitória do espírito humano – e o espírito humano é sempre a força do bem – temos certeza de que sua causa será vitoriosa, como foi vitoriosa a causa de Rachel Carson. Malala vencerá seu drama pessoal e sua causa universal.
Termino com o espírito cosmopolita de Herman Hesse. Debilitado pela doença, mas forte no espírito, Hesse não pôde ir a Estocolmo receber o Prêmio Nobel, em 1946. Mandou um discurso por escrito. Transcrevo dele algumas partes são totalmente contemporâneas aos valores do cosmopolitanismo.
“Minha saúde sempre foi delicada, e eu acabei um inválido permanente pelos males dos anos, desde 1933, que destruíram o trabalho de minha vida e me assoberbaram novamente com pesadas obrigações. Mas minha mente não se quebrou, e eu me sinto um parente de vocês e da ideia que inspirou a Fundação Nobel, a ideia de que a mente é internacional e supranacional, que ela tem que servir não à guerra e à aniquilação, mas à paz e à reconcialiação.
Meu ideal, contudo, não é anular as características nacionais, na busca de uma humanidade uniforme. Ao contrário, que a diversidade de todas as formas e cores tenham longa vida nesta nossa amada Terra. Que coisa maravilhosa é a existência de tantas raças, tantos povos, tantas línguas, e tantas variedades de atitude e visão!”
Estudo da ONU diz que 50% dos pântanos desapareceram no século 20
JC e-mail 4605, de 17 de Outubro de 2012.
Estudo da ONU diz que 50% dos pântanos desapareceram no século 20
A urbanização, a poluição, o uso excessivo da água e a forte produção agrícola levaram ao desaparecimento de metade dos pântanos mundiais no século 20, segundo relatório da Organização das Nações Unidas divulgado nesta terça-feira (16).
O documento do Programa da ONU para o Meio Ambiente, o Pnuma, destaca ainda que 20% dos mangues da Terra deixaram de existir desde 1980.
O texto da agência cita o Pantanal brasileiro como um dos mais importantes do mundo, ao lado do Lago Chade, na África, e do Delta do Danúbio, no leste europeu. O diretor-executivo do Pnuma, Achim Steiner, afirmou que muitas vezes, medidas políticas "não levam em consideração o que os pântanos fornecem", contribuindo para a sua rápida degradação.
Para ele, é preciso colocar urgente esses ecossistemas no centro do manejo da água, para que sejam alcançadas as necessidades econômicas, ambientais e sociais da população mundial - o chefe do Pnuma lembrou que até 2050, o planeta terá 9 bilhões de habitantes.
O documento pede regulamentações que protejam os pântanos e ressaltem sua importância, além de garantir que os pântanos tornem-se soluções para o manejo da água e da terra no mundo. O relatório do Pnuma pede, ainda, maior participação das comunidades, incluindo os povos indígenas, para garantir que os conhecimentos tradicionais estejam integrados na gestão dos pântanos.
(Portal UOL)
A nova classe alta, artigo de Nizan Guanaes
JC e-mail 4605, de 17 de Outubro de 2012.
A nova classe alta, artigo de Nizan Guanaes
Nizan Guanaes é publicitário e presidente do Grupo ABC. Texto publicado em sua coluna semanal na Folha de São Paulo de terça-feira (16).
Depois da nova classe média, este país precisa de uma nova classe alta. O Brasil moderno exigirá uma nova elite. Que é bem diferente de uma casta: um dinheiro responsável que seja gasto assim como foi feito, com o bom-senso das madrugadas e do suor, misturando vitórias e tragédias, mas sempre com muito respeito e espírito público.
Não quero desrespeitar ninguém com generalizações porque toda generalização é burra, mas, muitas vezes, o pai funda e o filho afunda. Da mesma forma que é preciso educar a população em geral, é preciso também educar os filhos da elite. E, em muitos sentidos, a educação pública tem tido proporcionalmente mais avanços do que a privada.
O Brasil que mais cedo do que tarde terá assento permanente no Conselho de Segurança da ONU e será ouvido em todos os fóruns importantes do mundo precisa preparar os jovens brasileiros para serem futuros líderes globais. Mas, além de falar o bom inglês, eles precisarão também falar fluentemente o português.
Não acredito numa sociedade dividida por preconceitos e ódios. Essa sanha contra os ricos que está acontecendo na França não vai levar a França a lugar nenhum. Mas o novo Brasil construído por um intelectual professor, um líder sindical e uma economista vítima da ditadura exige uma elite à altura desse momento maior do Brasil. Um momento maior, mas não um momento fácil, porque o mundo será cada vez mais competitivo.
Essa elite (à qual pertenço) às vezes parece mais mobilizada para educar os pobres do que os próprios filhos - casa de ferreiro, espeto de pau. Mas não educar bem uma criança, deixá-la crescer no shopping center, consumindo loucamente sem ter desafios e sonhos que transcendam um abdome de tanquinho e o próximo modelo de iPhone, é falta de amor com ela e falta de responsabilidade com o país.
Levei recentemente um de meus filhos para testes de admissão em duas escolas americanas de elite. Lá encontrei muitos pais chineses, indianos. E nada de brasileiros. O português tão ouvido nas lojas de Nova York e Miami é bem menos ouvido na Harvard que eu e o meu Antônio visitamos. Se você é brasileiro e quer ter um caso secreto em Nova York, leve sua namorada para uma biblioteca.
Visitei Bill Gates em sua casa e me emocionei andando pela biblioteca dele. Estão lá os mais importantes livros da civilização humana nas suas primeiras edições. E é óbvio que o dono daquela biblioteca vai dividi-la com o mundo quando não estiver mais nele. Ser rico é um privilégio, um direito e também uma responsabilidade.
Nasci no Pelourinho, no largo do Carmo, número 4. Descia a ladeira do Carmo e subia o Pelô todos os dias para ir ao colégio Maristas. Eu ia de ônibus, e a escola era mais cara do que meus pais podiam pagar. Não era escola... Era um investimento. Meu pai, que era médico, foi para a Inglaterra com bolsa de estudos do governo e me levou para aprender inglês, conhecer o mundo e não ter medo dele. Meu avô Demócrito Mansur de Carvalho, líder sindical comunista, ensinou-me a amar Castro Alves. Minha mãe, a amar Pablo Neruda e Machado de Assis.
Meu pai me ligou para me comunicar a morte de Vinicius com a voz embargada de quem perdeu um amigo. E eles eram todos amigos nossos, porque minha família era amiga dos livros. Eu devo aos meus pais e ao esforço deles de sacrificar uma parcela significativa do que ganhavam para me dar ao luxo de estudar o fato de eu estar preparado para uma vida e um mundo maiores do que o mundo no qual eu nasci. E graças a eles eu cheguei até onde cheguei: colunista desta Folha.
A classe média, a tradicional e a nova, têm motivos óbvios para estudar e se qualificar: um mercado de trabalho cheio de oportunidades para subir na vida, avançar materialmente. Já a classe alta tem motivos tão nobres quanto, embora nem sempre tão evidentes: liderar essa transformação com valores includentes, iluministas e brasileiros.
* A equipe do Jornal da Ciência esclarece que o conteúdo e opiniões expressas nos artigos assinados são de responsabilidade do autor e não refletem necessariamente a opinião do jornal.
Queijo coalho para prevenir tumores
JC e-mail 4606, de 18 de Outubro de 2012.
Queijo coalho para prevenir tumores
Pesquisa de brasileiro constata multiplicação das células de defesa nos consumidores.
Muito consumido no Nordeste, principalmente no sertão, e nas praias do Rio de Janeiro, o queijo de coalho pernambucano previne danos relacionados ao envelhecimento, ao câncer, a ataques cardíacos, derrame e arteriosclerose. Aumenta, ainda, a disponibilidade de zinco no corpo, mineral que ajuda na multiplicação de células de defesa, garante o biólogo Roberto Afonso da Silva, do Laboratório de Imunopatologia Keiko Asami (Lika), da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), que passou quatro anos estudando as propriedades do produto para sua tese de doutorado.
A pesquisa do brasileiro acaba de ser publicada na "Food Chemistry". No trabalho - "O queijo de coalho do Nordeste do Brasil pode ser utilizado como alimento funcional?" - ele mostra que além do sabor agradável, o queijo nordestino tem propriedades não só nutritivas como bioativas.
O queijo de coalho é muito disseminado no Nordeste, mas em Pernambuco há apenas 200 queijarias registradas. Apesar de muito popular, suas propriedades funcionais nunca haviam sido descritas. Como o produto encontra-se 'a véspera de obter certificação de indicação geográfica, as suas qualidades chamaram atenção dos pesquisadores da UFPE.
Normalmente associada 'a vitamina C e aos flavonóides - substâncias encontradas em uvas, vinhos, chá verde, laranja - a ação anti-oxidante também pode ser atribuída ao queijo tão solicitado pelo homem da caatinga, hoje muito presente nos mercados populares da capital.
"O queijo de coalho é rico em peptídeos bioativos, com propriedades antioxidantes (combatem os radicais livres), antimicrobianas e carreadoras de zinco, mineral que tem função de ativar enzimas que multiplicam as células de defesa", explicou o pesquisador. CONTINUA!
quinta-feira, 18 de outubro de 2012
O lamento de um dinossauro, por Mario Chimanovitch
Hoje, tratam o velho como um estorvo. Jornalistas 'das antigas' são desprezados. Para os jovens, tudo está na internet, e lá não há velho chato. Estou sobrando
Como velho jornalista da velha escola, aquela que nos ensinava na unha e nos cascudos de chefias que acatávamos sem chiar, gratos por podermos conviver com nomes cujo simples som nos intimidava, observo que em algum momento algo muito importante se rompeu -e ninguém lhe deu a menor importância.
Hoje, por todo lado, apregoa-se que só o novo é bom e todos disputam a honra de serem mais novos do que os demais.
Ser velho, nestes tempos estranhos, é ser um estorvo, ser inútil, um dinossauro improvável, movimentando-se num universo de frágeis louças. Eu sou um dinossauro e vivo trombando o grande rabo da minha longa história contra as prateleiras deste mundo asséptico. Acho que estou sobrando.
Muito se fala, nos discursos eleitoreiros, das bondades que cada campanha sugere a seu candidato, para agradar a nós, os mais velhos. Cada vez que vejo um almofadinha desses abraçando a senhorinha sofrida e prometendo-lhe mundos e fundos, a ira me sobe à cabeça e por pouco não arremesso a bengala que me ampara de encontro ao televisor.
Porque, no fundo, no fundo mesmo, o que todo mundo quer é tirar a nós, os velhos, do caminho e dos cofres da previdência. Somos aquelas criaturas que parecem servir, apenas, para confrontar cada jovem pimpão com sua própria finitude e com o fato de que a única alternativa disponível à morte, por enquanto, é mesmo sobreviver, como der. E é aqui que a coisa complica.
Provavelmente nunca na história se desprezou tanto a experiência e a memória dos mais velhos como nas últimas décadas. Se você, como eu, é um jornalista "das antigas", vale menos que um PC 386, daqueles que um dia pareceram uma enorme inovação e hoje não passam de lixo eletrônico descartável e, como tal, ambientalmente incorreto.
Eu me sinto ambientalmente incorreto quando tento mostrar o muito que a memória de duas guerras cobertas, alguns prêmios de imprensa e reportagens memoráveis, inutilmente, me ensinou.
Desempregado desde 2007, sobrevivendo de cada vez mais raros bicos, sinto que cheguei aos meus limites. A autoestima se esfacela e posso entender porque tantos não resistiram e acabaram sucumbindo ao álcool, às drogas ou, tanto pior, à ideia da própria morte.
Tolo e romântico que sempre fui, imaginava que essa vivência toda, mais tarde, me permitiria ajudar os mais novos a melhorarem o mundo imperfeito que é o campo de colheita dos bons jornalistas. Ledo engano, porém.
Tudo o que a história pode ensinar a um jovem, ao que parece, pode ser encontrado nos meandros da nebulosa da internet. Com a vantagem de que lá não haverá nenhum velho chato para dizer que noutros tempos, no meu tempo, algo era assim ou assado por causa disto ou daquilo.
A informação brotará do tablet, cristalina, fria e desinfetada pelo distanciamento tecnológico. O dedicado repórter, com o ímpeto de seus jovens anos, vai poder navegar pelos escaninhos da memória que me resta, sem precisar me aturar e a minha própria história.
Acho que vou ter de procurar emprego de empacotador de caixa de supermercado. E se um dia algum candidato se aproximar de mim, entre um pé de alface e uma caixa de ovos, agradecerei cada migalha que os governos me oferecerem como dádiva. Ao menos assim, talvez, eu tenha alguma utilidade.
MARIO CHIMANOVITCH, 67, é jornalista há 44 anos. Repórter investigativo, cobriu conflitos no Oriente Médio, na África e na Amazônia
Via Folha de São Paulo
Por Mario Chimanovitch
16.10.2012
Geração hiperconectada: vício em internet preocupa pais e especialistas
JC e-mail 4605, de 17 de Outubro de 2012.
Geração hiperconectada: vício em internet preocupa pais e especialistas
Brasil está no topo do ranking de tempo gasto na rede.
No mundo povoado por sete bilhões de pessoas, há seis bilhões de celulares. A conclusão dos especialistas é que a tecnologia chega em lugares em que não há nem água potável. Quanto mais rico um país, mais acesso aos "gadgets". O termo tipicamente "nerd" significa novas geringonças tecnológicas. No Brasil, já existem mais celulares habilitados do que gente: 1,4 por pessoa. Com internet à mão, o país está no topo do ranking de tempo gasto na rede. A fartura de crédito - é possível comprar um computador em 12 suaves prestações - também contribui para o surgimento de uma geração viciada em internet: os hiperconectados.
"A minha mãe não entende: eu não sou viciado em internet", reclama o estudante Lucas Honda, de 15 anos. Morador de Brasília, o adolescente não se conforma com a proibição imposta pela mãe. Foi obrigado a ficar um fim de semana inteiro longe do iPhone. Ele já acorda conectado e ficou em recuperação "só" em duas matérias. Longe do seu xodó, tem de se contentar "apenas" com o iPad e o computador: onde também assiste a filmes e se diverte com os games.
Uso com limites - Offline é um status que só usa quando está na sala de aula. O recreio de Lucas serve para atualizar os 500 amigos do Facebook sobre as novidades das últimas horas e checar o que acontece no universo do Twitter. Pelo celular ainda olha as fotos que os contatos botaram no Instagram e responde as mensagens que recebeu no Whatsapp: o aplicativo da moda que funciona como o "messenger" para telefones. Os torpedos não pesam na conta no fim do mês porque as mensagens são envidas pela internet. E ainda podem ser mandadas para uma lista específica de contatos.
O ritual da atualização se repete ao soar do sinal que encerra o dia na escola. Antes do almoço, as novidades são checadas de novo. À tarde, faz as tarefas enquanto fica "logado" nas redes. "Eu sei me controlar porque sei a hora de fazer as minhas obrigações. Só a minha mãe acha que não sei."
A mãe do adolescente tem razão ao impor limites ao filho, segundo Cristiano Nabuco, professor da Universidade de São Paulo (USP), um dos maiores especialistas do assunto no Brasil.
No seu consultório, vivencia experiências dramáticas e não hesita em responder qual foi o pior caso que enfrentou. Conta que uma mãe desesperada levou um adolescente de 15 anos para se tratar após ter sido notificada pelo condomínio. Foi multada porque seu filho atirava cuecas sujas pela janela para não ter de "pausar" o videogame e ir ao banheiro. Entre os recordes que conseguiu, está jogar 45 horas interruptas. "Quando fui tratar o garoto, ele virou para mim e disse que, se bobeasse, ganhava muito mais dinheiro jogando do que eu", contou Nabuco.
Pela internet, o adolescente vendia caro os pontos que conseguia no videogame. É obeso mórbido, filho de pais separados e a mãe dava pouca atenção ao filho. Ele abandonou o tratamento.
Nabuco explica que os adolescentes, mais até que as crianças, são a principal faixa da população vulnerável ao vício da conexão na rede por não ter cérebro fisiologicamente maduro e perder com facilidade a noção do tempo. Mas ressalta que o mundo hoje, mergulhado em tecnologia, acentua essa situação. Um dos exemplos é que muitos filhos ensinam aos pais os meandros das novas mídias. E esse é um fato que parece natural, mas é a inversão dos princípios da humanidade, diz Nabuco.
Entrar na internet funciona para quem tem o vício como álcool ou droga: traz paz momentânea. Alivia a depressão. Dribla fobias sociais. O professor explica ainda que, por isso, depressivos, tímidos patológicos e bipolares são mais propícios a se tornarem dependentes da rede.
Na escola de Lucas Honda, uma das turmas de primeiro ano recebeu tablets para um projeto-piloto: substituir os livros. Alguns colegas passam madrugadas conectados. Substituíram aquelas antigas e enormes conversas típicas de adolescentes por telefone por teclar. A conta do telefone barateou, mas agora alguns pais começam a gastar com psicólogos. "É muito difícil se desconectar, mas no fim de semana o ideal é não responder e-mail nem trocar mensagens e dar mais atenção aos filhos", conclui o professor da USP.
Analice Gigliotti, psiquiatra e chefe do Setor de Dependências da Santa Casa da Misericórdia do Rio, afirma que este problema está crescendo em todo o mundo, mas tem um potencial maior no Brasil, onde a população tende a ser mais conectada que em outras nações. Para ela, a internet e as novidades tecnológicas, se usadas com cuidado, são até positivas para crianças, por estimular áreas do cérebro normalmente "esquecidas" na infância. Mas quando se tornam um problema?
"Para identificar se a pessoa está com problemas, os sintomas são deixar de fazer algo por causa da internet, reclamação de parentes e amigos, sentir a necessidade de estar conectado ou ansioso esperando o momento de estar on-line. Se isso ocorre, é necessário um tratamento", disse ela, por telefone, de Genebra, na Suíça, onde participa de um seminário sobre este tema.
(O Globo)
Dilma veta 9 pontos do Código Florestal
Via Estadão
Por Lisandra Paraguassu e Rafael Moraes Moura
17.10.2012
Presidente retirou do texto a principal mudança feita pelo Congresso na nova lei, que alterava a chamada escadinha e diminuía a área de recuperação de florestas nas margens dos rios
BRASÍLIA - A presidente Dilma Rousseff vetou nesta quarta-feira, 17, a principal mudança feita no Código Florestal pelo Congresso, a que alterava a chamada escadinha e diminuía a área de recuperação de florestas nas margens dos rios. Um decreto presidencial, usado para regulamentar o Cadastro Ambiental Rural (CRA) e o Programa de Recuperação Ambiental (PRA), vai recuperar o texto original da Medida Provisória alterada pelos parlamentares, o que promete abrir uma nova frente de batalha com a bancada ruralista da Câmara dos Deputados. CONTINUA!
Por Lisandra Paraguassu e Rafael Moraes Moura
17.10.2012
Presidente retirou do texto a principal mudança feita pelo Congresso na nova lei, que alterava a chamada escadinha e diminuía a área de recuperação de florestas nas margens dos rios
BRASÍLIA - A presidente Dilma Rousseff vetou nesta quarta-feira, 17, a principal mudança feita no Código Florestal pelo Congresso, a que alterava a chamada escadinha e diminuía a área de recuperação de florestas nas margens dos rios. Um decreto presidencial, usado para regulamentar o Cadastro Ambiental Rural (CRA) e o Programa de Recuperação Ambiental (PRA), vai recuperar o texto original da Medida Provisória alterada pelos parlamentares, o que promete abrir uma nova frente de batalha com a bancada ruralista da Câmara dos Deputados. CONTINUA!
Ambientalistas querem tornar o Desmatamento Zero obrigatório
JC e-mail 4605, de 17 de Outubro de 2012.
Ambientalistas querem tornar o Desmatamento Zero obrigatório
Iniciativa, inspirada na Lei da Ficha Limpa, prevê abaixo-assinado de 1,4 milhão de assinaturas.
O desmatamento no Brasil pode ser proibido por Lei. O recado, curto e grosso, cabe em pouco mais de 200 palavras. Já em seu primeiro artigo, o texto determina: "fica instituído o desmatamento zero no Brasil, com a proibição da supressão de florestas nativas em todo o território nacional. A União, os estados, municípios e o Distrito Federal não mais concederão autorizações de desmatamento das florestas nativas brasileiras". Para entrar em vigor, com todas as disposições em contrário revogadas, ainda há um longo caminho. A iniciativa se inspira na Lei da Ficha Limpa, que também começou como um projeto popular e já é realidade, deixando de fora do último pleito mais de mil políticos "contas sujas".
O primeiro passo é reunir a simpatia e a assinatura de 1,4 milhão de pessoas, número equivalente a 1% do total de eleitores brasileiros. A mobilização lançada em março já obteve mais de 560 mil nomes e continua tanto nas ruas quanto na internet www.desmatamentozero.org.br. De acordo com as previsões de Márcio Astrini, coordenador da Campanha da Amazônia do Greenpeace, a expectativa é que em 2014 ou 2015 a proposta seja apresentada ao Congresso Nacional.
"Não esperávamos tanta adesão em tão pouco tempo. Com as eleições de 2014, teremos um gancho eleitoral e colocaremos a lei nos holofotes. Apresentaremos o projeto aos candidatos para ver quem assina, quem não", revelou Astrini. "Deveremos ter muito mais do que 1,4 milhão assinaturas até as próximas eleições."
Bater o requisito mínimo de pessoas para apresentar o Projeto de Lei não é a parte mais difícil. Para entrar em vigor, é preciso que a iniciativa seja aprovada no Congresso Nacional. As últimas votações, sobretudo as ligadas ao novo Código Florestal, mostram o tamanho do desafio de engajar deputados e senadores com a defesa do meio ambiente.
"O Brasil teve quatro projetos de iniciativa popular aprovados. O da Ficha Limpa está entre os mais expressivos. Precisamos envolver a sociedade civil como um todo, sair do contexto ambiental e ganhar uma musculatura maior", disse Astrini.
Dentro desta estratégia, ambientalistas querem discutir a importância da floresta além da preservação das árvores. Especialistas comparam os custos de abrir novas áreas de exploração econômica dentro das fronteiras da floresta. Depois, fazem uma comparação de preço entre o custo de expandir uma atividade econômica ocupando área de floresta e aumentar a produtividade sem derrubar mais árvores. O trabalho, que será lançado em 2013, deverá apontar para os benefícios de melhoria da eficiência - tanto em relação ao aumento da produtividade, quanto nas infraestruturas de escoamento da produção - como um caminho mais barato, com maiores retornos para a exploração econômica e com preservação da floresta no país.
Para José Álvaro Moisés, professor do Departamento de Ciência Política da USP e diretor do Núcleo de Pesquisa de Políticas Públicas, a iniciativa popular tem o papel de complementar a democracia. "Iniciativas como esta chamam a atenção para temas que a sociedade quer na agenda política, que não pode ser apenas a agenda do Executivo ou dos parlamentares."
Enquanto a proibição do desmatamento não entra em vigor, as florestas continuam encolhendo. O Boletim de Desmatamento da ONG Imazon detectou 232 quilômetros quadrados de desmatamento na Amazônia Legal em agosto de 2012. O número é 3% menor do que o mesmo período de 2011. Na semana passada, o Ministério do Meio Ambiente divulgou dados do Sistema de Detecção de Desmatamentos em Tempo Real, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais. O corte de florestas continua, embora tenha diminuído 45,9% em setembro contra agosto de 2012, quando foi registrado um aumento de 140%. Entre estes dois meses, o Ibama autuou 226 propriedades. Para tornar a fiscalização mais eficiente, a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, anunciou, na última terça-feira, que contará com a ajuda da Força Nacional de Segurança Ambiental.
(O Globo)
Carta da comunidade Guarani-Kaiowá de Pyelito Kue/Mbarakay-Iguatemi-MS para o Governo e
Justiça do Brasil
VIA ARTICULAÇÃO DOS POVOS INDÍGENAS DO BRASIL
11.10.2012
Nós (50 homens, 50 mulheres e 70 crianças) comunidades Guarani-Kaiowá originárias de tekoha Pyelito kue/Mbrakay, viemos através desta carta apresentar a nossa situação histórica e decisão definitiva diante de da ordem de despacho expressado pela Justiça Federal de Navirai-MS, conforme o processo nº 0000032-87.2012.4.03.6006, do dia 29 de setembro de 2012. Recebemos a informação de que nossa comunidade logo será atacada, violentada e expulsa da margem do rio pela própria Justiça Federal, de Navirai-MS.
Assim, fica evidente para nós, que a própria ação da Justiça Federal gera e aumenta as violências contra as nossas vidas, ignorando os nossos direitos de sobreviver à margem do rio Hovy e próximo de nosso território tradicional Pyelito Kue/Mbarakay. Entendemos claramente que esta decisão da Justiça Federal de Navirai-MS é parte da ação de genocídio e extermínio histórico ao povo indígena, nativo e autóctone do Mato Grosso do Sul, isto é, a própria ação da Justiça Federal está violentando e exterminado e as nossas vidas. Queremos deixar evidente ao Governo e Justiça Federal que por fim, já perdemos a esperança de sobreviver dignamente e sem violência em nosso território antigo, não acreditamos mais na Justiça brasileira. A quem vamos denunciar as violências praticadas contra nossas vidas? Para qual Justiça do Brasil? Se a própria Justiça Federal está gerando e alimentando violências contra nós. Nós já avaliamos a nossa situação atual e concluímos que vamos morrer todos mesmo em pouco tempo, não temos e nem teremos perspectiva de vida digna e justa tanto aqui na margem do rio quanto longe daqui. Estamos aqui acampados a 50 metros do rio Hovy onde já ocorreram quatro mortes, sendo duas por meio de suicídio e duas em decorrência de espancamento e tortura de pistoleiros das fazendas.
Moramos na margem do rio Hovy há mais de um ano e estamos sem nenhuma assistência, isolados, cercado de pistoleiros e resistimos até hoje. Comemos comida uma vez por dia. Passamos tudo isso para recuperar o nosso território antigo Pyleito Kue/Mbarakay. De fato, sabemos muito bem que no centro desse nosso território antigo estão enterrados vários os nossos avôs, avós, bisavôs e bisavós, ali estão os cemitérios de todos nossos antepassados.
Cientes desse fato histórico, nós já vamos e queremos ser mortos e enterrados junto aos nossos antepassados aqui mesmo onde estamos hoje, por isso, pedimos ao Governo e Justiça Federal para não decretar a ordem de despejo/expulsão, mas solicitamos para decretar a nossa morte coletiva e para enterrar nós todos aqui.
Pedimos, de uma vez por todas, para decretar a nossa dizimação e extinção total, além de enviar vários tratores para cavar um grande buraco para jogar e enterrar os nossos corpos. Esse é nosso pedido aos juízes federais. Já aguardamos esta decisão da Justiça Federal. Decretem a nossa morte coletiva Guarani e Kaiowá de Pyelito Kue/Mbarakay e enterrem-nos aqui. Visto que decidimos integralmente a não sairmos daqui com vida e nem mortos.
Sabemos que não temos mais chance em sobreviver dignamente aqui em nosso território antigo, já sofremos muito e estamos todos massacrados e morrendo em ritmo acelerado. Sabemos que seremos expulsos daqui da margem do rio pela Justiça, porém não vamos sair da margem do rio. Como um povo nativo e indígena histórico, decidimos meramente em sermos mortos coletivamente aqui. Não temos outra opção esta é a nossa última decisão unânime diante do despacho da Justiça Federal de Navirai-MS.
Atenciosamente, Guarani-Kaiowá de Pyelito Kue/Mbarakay
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