domingo, 21 de abril de 2013

Eu me cuido muito
Adelidia Chiarelli








Justiça para as abelhas

Via ISA
16.04.2014

Pesticida que melhor protege as plantações é o mesmo que afeta os insetos necessários para a polinização. Ambientalistas lutam por controle ambiental mais rigoroso

RENATO GRANDELLE
renato.grandelle@oglobo.com.br

As abelhas estão no centro de uma disputa judicial nos Estados Unidos. Ambientalistas e apicultores entraram com uma ação contra a Agência de Proteção Ambiental (EPA, na sigla em inglês) do país, exigindo que o órgão crie um registro dos agrotóxicos que provocam danos aos insetos. O alvo do grupo são os neonicotinoides, uma potente classe de pesticidas, cuja fórmula conta com nicotina sintética.
Os neonicotinoides são mais eficientes do que outros agrotóxicos no controle de pragas, mas cobram um preço alto. Eles afetam o sistema nervoso de insetos polinizadores, o que restringe sua área de atuação e, assim, o rendimento de diversas culturas. Resíduos de agrotóxico foram encontrados em culturas de girassol, algodão e milho, onde há uma grande presença de abelhas.
Um movimento semelhante ao que chega à Corte americana ocorreu do outro lado do Atlântico. Em janeiro, a Comissão Europeia sugeriu que seus Estados-membros restringissem o uso de agrotóxicos prejudiciais às abelhas.
Nem todos os governos adotaram a medida à época, mas a pressão é tamanha que, duas semanas atrás, deputados do Reino Unido reivindicaram que o país também protegesse seus insetos. A Comissão de Meio Ambiente do Parlamento britânico assegura que pelo menos 60% das espécies do inseto tiveram sua população reduzida.
O documento poderá provocar no Reino Unido, a partir do dia 1o de janeiro do ano que vem, a moratória sobre pesticidas envolvidos com o sumiço das abelhas.
Outro ataque aos químicos foi disparado pela Conservação de Aves Americanas (ABC, na sigla em inglês), que contratou Pierre Mineau, um dos toxicologistas mais conhecidos do mundo, para compilar 200 estudos relacionados a neonicotinoides. Segundo ele, "um grão de milho revestido com o composto é suficiente para matar um pássaro".
Doutora em Agronomia pela Universidade Estadual de Londrinas, Michele Regina Lopes da Silva ressalta que a comunidade científica precisa aprofundar seus estudos sobre os efeitos dos neonicotinoides, tanto nas plantas quanto nos polinizadores.
- O mecanismo desencadeado por este pesticida na planta não é totalmente conhecido - diz. - Algumas produzem nicotina como forma de defesa, mas, quando a substância aparece pura, elas morrem. Com o neonicotinoide, o vegetal sobrevive porque seu mecanismo de defesa às pragas vem de apenas uma molécula de nicotina.
Além de alterar o funcionamento cerebral dos insetos, os pesticidas são solúveis em água. O spray, portanto, vai da planta para o solo, e de lá para sistemas aquáticos subterrâneos, onde sua composição química compromete outras formas de vida. Nos EUA, os níveis mais elevados de contaminação foram registrados na Califórnia. No entanto, alguns países europeus, como a Holanda, têm índices ainda maiores.

Discussão com indústria
Os efeitos dos neonicotinoides nas abelhas foram estudados por Christopher Connolly, diretor de Neurociências do Instituto de Pesquisas Médicas da Universidade de Dundee, do Reino Unido. - Esta classe de pesticidas provoca uma atividade no organismo da abelha que, ao chegar no cérebro, atrapalha seu poder de comunicação - explica. - Os insetos têm o centro de aprendizado enfraquecido. Muitos não conseguem aprender novas tarefas quando estão ao alcance desses compostos.
A ação dos neonicotinoides sobre os animais pode ter consequências para a disponibilidade de alimentos em todo o planeta:
- Se os insetos continuarem expostos a esta classe de pesticidas, haverá consequências na polinização da colheita - explicou. - A produção de alimentos pode se tornar cada vez mais difícil. As safras de frutas serão as mais afetadas.
A agência ambiental americana, segundo comunicado publicado em seu site, está fazendo "um novo exame para determinar a regulamentação de diferentes tipos de pesticidas, assim como o modo como as abelhas são expostas a eles". A EPA também pretende averiguar a toxicidade dos produtos químicos usando, além de seus próprios critérios, os adotados por países europeus.
Para Connolly, a polêmica não se resume a crucificar o pesticida, cujo papel no combate às pragas é incontestável. O que se deve discutir, segundo ele, é como adaptá-lo ou substitui- lo por um mecanismo que proteja as colheitas de pragas sem comprometer a atividade de outros seres vivos, inclusive aqueles importantes para a própria agroindústria.
- Será que a produção agrícola diminuiria sem os neonicotinoides? - questiona. - A indústria pode alegar que pesticidas alternativos seriam mais danosos ao ambiente. Enfim, é tempo de debater qual é o modo mais sustentável de lidar com esta questão.

O Globo, 16/04/2013, Amanhã, p. 8-9
 

Documento que registra extermínio de índios é resgatado após décadas desaparecido

Via Estado de Minas
Por Felipe Canêdo
19.04.2013

Relatório de mais de 7 mil páginas que relatam massacres e torturas de índios no interior do país, dado como queimado num incêndio, é encontrado intacto 45 anos depois

Depois de 45 anos desaparecido, um dos documentos mais importantes produzidos pelo Estado brasileiro no último século, o chamado Relatório Figueiredo, que apurou matanças de tribos inteiras, torturas e toda sorte de crueldades praticadas contra indígenas no país – principalmente por latifundiários e funcionários do extinto Serviço de Proteção ao Índio (SPI) –, ressurge quase intacto. Supostamente eliminado em um incêndio no Ministério da Agricultura, ele foi encontrado recentemente no Museu do Índio, no Rio, com mais de 7 mil páginas preservadas e contendo 29 dos 30 tomos originais.

Em uma das inúmeras passagens brutais do texto, a que o Estado de Minas teve acesso e publica na data em que se comemora o Dia do Índio, um instrumento de tortura apontado como o mais comum nos postos do SPI à época, chamado “tronco”, é descrito da seguinte maneira: “Consistia na trituração dos tornozelos das vítimas, colocadas entre duas estacas enterradas juntas em um ângulo agudo. As extremidades, ligadas por roldanas, eram aproximadas lenta e continuamente”.

Entre denúncias de caçadas humanas promovidas com metralhadoras e dinamites atiradas de aviões, inoculações propositais de varíola em povoados isolados e doações de açúcar misturado a estricnina, o texto redigido pelo então procurador Jader de Figueiredo Correia ressuscita incontáveis fantasmas e pode se tornar agora um trunfo para a Comissão da Verdade, que apura violações de direitos humanos cometidas entre 1946 e 1988.

Veja a matéria completa.

Massacre do Carandiru: 23 dos 26 PMs condenados

Via blog do Noblat
21.04.2013

Leonardo Guandeline, O Globo

O Tribunal do Júri condenou 23 dos 26 policiais militares acusados de matar 13 dos 111 detentos durante o massacre do Carandiru. Com pena de 12 anos de reclusão para cada homicídio, eles foram condenados a 156 anos de prisão, mas poderão recorrer da sentença em liberdade, de acordo com o juiz José Augusto Marzagão.

Inicialmente, os réus responderiam por 15 mortes, mas duas foram descartadas a pedido do Ministério Público porque as vítimas foram assassinadas com armas brancas, o que afastou a suspeita de ação policial. A Promotoria pediu também a absolvição de três policiais, que comprovaram estar em outros pontos do presídio do Carandiru no momento do massacre.

O último dia do julgamento durou mais de 16 horas e foi encerrado por volta de 1h20 deste domingo, com a leitura da sentença por parte do juiz. Para chegar à sentença, os jurados tiveram de responder a mais de 200 páginas de questionários, devido ao número de réus e vítimas.

O julgamento dos 26 policiais militares começou na última segunda-feira, dia 15, depois de ser suspenso por uma semana, em razão do mal estar de dos jurados. Com isso, o juiz Marzagão teve de dissolver o conselho de jurados e convocar um novo júri.

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Sindicância detecta ‘indícios de enriquecimento ilícito’ de Rose, ex-chefe da Presidência em SP

Via blog do Josias de Souza
Por Josias de Souza
20.04.2013

Uma sindicância feita por técnicos a serviço da Casa Civil da Presidência da República esquadrinhou as atividades de Rosemary Noronha no governo. O resultado foi acomodado num relatório de 120 folhas. No seu pedaço mais constrangedor, o documento sugere a “instauração de sindicância patrimonial em desfavor da ex-servidora.” Por quê? Detectaram-se “indícios de enriquecimento ilícito.” A pedido da ministra Gleisi Hoffmann (Casa Civil), a Controladoria-Geral da República abriu-se contra Rose, como a investigada é chamada na intimidade, um processo administrativo.

Até o ano passado, Rose chefiava o escritório da Presidência em São Paulo. Nomeada sob Lula, com quem mantinha íntimas relações, ela foi mantida na função por Dilma Rousseff. Tornou-se nacionalmente conhecida depois que a Polícia Federal a pilhou na Operação Porto Seguro. Indiciada por formação de quadrilha, tráfico de influência e corrupção passiva, Rose foi alvejada pela investigação da Casa Civil.

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A pós-graduação produtivista e o processo de alienação


JC e-mail 4709, de 19 de Abril de 2013.
A pós-graduação produtivista e o processo de alienação


Artigo de John Araujo publicado no blog da Sociedade Brasileira de Neurociência e Comportamento [i]


Qual o real papel da pós-graduação? Formar cidadão capaz de transformar a sociedade, ou simplesmente produzir artigos? Neste texto, discuto que a opção oficial tem sido pela segunda alternativa; porém, a consequência desta escolha está sendo a produção de um sistema composto por orientadores e orientandos alienados.

A pós-graduação pode ser analisada sobre diversos olhares, tais como o da agência de fomento, o do(a) gestor(a) (pró-reitoria e coordenação), o do(a) orientador(a), o do(a) orientando(a) e o da sociedade. Seria ideal se todos os olhares fossem próximos (quase iguais), e se todos tivessem o mesmo objetivo, pois conforme Paulo Freire defende, todo processo educacional tem o objetivo de formar cidadão capaz de transformar a sociedade.

Para mim a pós-graduação brasileira tem cada vez mais se distanciado dos ensinamentos de Paulo Freire e rapidamente tem assumido uma perspectiva capitalista. Ou seja, a pós-graduação no Brasil está se assemelhando a uma linha de montagem, em que nós (orientadores e orientandos) temos as mesmas funções de um trabalhador em uma linha de produção, sendo os produtos finais de nossa fábrica educacional, o programa de pós-graduação, a tese e os artigos derivados.

Mas onde realmente está a semelhança entre os dois: uma linha de montagem de uma fábrica e uma formação em pós-graduação? A semelhança está no fenômeno de alienação.[ii] No processo capitalista de uma linha de produção, cada operário executa apenas uma parte do processo de produção, sem ter tido participação nas decisões sobre os objetivos da produção e sobre a real necessidade social do produto final. Desta forma ele não domina o processo que leva ao resultado final, além disso, ele está limitado pelo salário.

Através das ações das agências de fomento e em parte dos gestores, a pós-graduação toma iniciativas inspiradas no modelo produtivista. Hoje temos um sistema de avaliação dos programas de pós-graduação baseado no número de produtos finais e no tempo de produção; ou seja, a medida da eficiência passou a ser o número de produtos e o tempo para realiza-los. Estes dois parâmetros passaram a ser as medidas chaves para a eficiência do processo de formação de recursos humanos em nível de pós-graduação. O processo de formação em si não é mais considerado. Alguns justificam que isto é necessário, pois há uma diversidade de processos de formação possíveis. Considero isto uma verdade, mas o que temos visto é que o atual sistema de avaliação está exatamente construindo um único processo de formação, o baseado em fins exclusivamente produtivistas.

Ainda continuo de braços dados a Paulo Freire, considerando que o objetivo da pós-graduação é formar cidadãos capazes de transformar a sociedade, como cabe a qualquer processo educacional. Atualmente, entretanto, há uma confusão, que para mim é proposital, em que alguns leem no lugar de "cidadãos capazes de transformar a sociedade" o "número de publicações".

E onde está a alienação? Falo de uma alienação que surge no processo de formação em nível de pós-graduação, pois para maximizar os lucros, ou seja, aumentar ou manter o Conceito CAPES dos programas de pós-graduação, presenciamos duas práticas:

1- Orientadores aumentarem o número de pós-graduandos, diversificando seus temas de investigação, e criando uma verdadeira linha de montagem de dados que se transformam em manuscritos. Dessa forma, a alienação surge da incapacidade do orientador dominar em profundidade o todo do processo de formação, e como resultado os produtos finais são de má qualidade ou defeituosos. Uma evidência de que esta alienação no conjunto dos orientados esteja acontecendo são os últimos casos de trabalhos publicados por autores brasileiros que foram retratados  [iii] em decorrência de apresentarem erros grosseiros nas apresentações dos resultados. Na ciência, o manuscrito com defeito é quase sinônimo de fraude ou má conduta.

2- Já o pós-graduando, este vive em um sistema que tem como uma prática comum a divisão e subdivisões do processo de pesquisa e de investigação científica. Nesta estratégia de fatiamento do fazer ciência, fica cabendo à cada pós-graduando apenas uma parte de um todo, e o mesmo fica sem condições de dominar ou conhecer o todo e muitas vezes até o objetivo geral do programa de pesquisa estabelecido pelo orientador. Além disso, está se tornando cada vez comum a prática do pós-graduando fazer parte do seu trabalho em outro laboratório, um laboratório que não o do orientador, as vezes até fora do país. Em alguns exemplos, a análise estatística é feita por outros, tais como outro pós-graduando ou outro pesquisador especializado, e em alguns casos a análise estatística é comprada. Aí surge aquilo que chamo de alienação: o pós-graduando finaliza seu trabalho, publica sua tese, mas não tem domínio das hipóteses, de parte da metodologia ou dos resultados, pois foi outro que fez [iv]. Alguns querem chamar este processo de interdisciplinar, mas eu o chamo de alienação do processo de fazer ciência.

Como reconhecer este processo de alienação entre os pós-graduandos? Para mim, um indicativo está na própria manifestação dos pós-graduandos que se queixam de uma insegurança e ansiedade em decorrência da falta do controle sobre seu próprio trabalho e seu futuro.[v]

Como superar esta alienação? Não tenho todas respostas, tenho sugestões, e gostaria de ouvir os colegas, para que em um próximo comentário possa fazer uma discussão sobre possíveis estratégias para mudar este quadro.

Se atualmente o Brasil precisa de mãos-de-obra especializadas, e se o Brasil precisa urgente de mais doutores, isto não significa somente que o Brasil precise de mais publicações. Mas sim, que nós precisamos de doutores capazes de transformar a realidade brasileira.

Precisamos reconstruir urgentemente o nosso sistema de pós-graduação, ou através do processo de alienação continuaremos como um país desigual e com índices educacionais inaceitáveis para o século XXI.

John Araujo é médico, doutor em Neurociência e Comportamento (USP), professor Associado IV da UFRN , pesquisador do CNPq e atualmente vice-presidente da SBNeC (Sociedade Brasileira de Neurociência e Comportamento).

Notas

[i] Este texto foi apresentado pela primeira vez durante a arguição da minha mestrando Carolina Carrijo.

[ii] O conceito de alienação aqui apresentado é inspirado em Karl Marx - Manuscritos econômicos filosóficos (1844) e Elementos para a crítica econômica política (1857), (A alienação econômica pode ser descrita de duas formas: o trabalho como (a) atividade fragmentada e como (b) produto apropriado por outros).

[iii] The Journal of Endocrinology has run a correction for a paper by Rui Curi, the Brazilian scientist whose lawyers threatened Science-Fraud.org after the site ran a number of posts critical of Curi's work. In: http://retractionwatch.wordpress.com/2013/02/28/another-correction-for-rui-curi-whose-legal-threats-helped-force-shutdown-of-science-fraud-site/

[iv] Como diria Marx: "o trabalho como atividade fragmentada"

[v] Veja o comentário de Sérgio Arthuro "Depressão na Pós-Graduação e Pós-doutorado no blog coNeCte http://blog.sbnec.org.br/2012/10/depressao-na-pos-graduacao-e-pos-doutorado/ e o comentário de Isabella Bertelli "Pós-graduação rima com depressão" emhttp://cienciaemente.blogspot.com.br/2012/11/pos-graduacao-rima-com-depressao.html


Estudo: 10% da população tem algum transtorno de aprendizagem


JC e-mail 4709, de 19 de Abril de 2013.
Estudo: 10% da população tem algum transtorno de aprendizagem


Os cientistas descobriram que a ocorrência simultânea de mais de um tipo de transtorno em um aluno é mais comum do que se imaginava

Estudo divulgado nesta quinta-feira em artigo na revista especializada Science indica que até 10% da população tem algum transtorno de aprendizagem - como dislexia, discalculia, autismo, desordem de atenção (déficit ou hiperatividade). A pesquisa, feita por cientistas da universidade College London (Reino Unido), indica que as crianças frequentemente são afetadas por mais de um tipo de dificuldade. Segundo os autores, a arma contra esse problema pode estar na tecnologia.

Os transtornos de aprendizagem são resultado de um desenvolvimento atípico do cérebro com complicadas causas genéticas e ambientais. Conforme os pesquisadores, essas condições isoladas já são um desafio para o educador, mas eles descobriram que a ocorrência simultânea de mais de um tipo de transtorno em um aluno é mais comum do que se imaginava. Para se ter uma ideia, entre 33% e 45% das crianças com desordem de atenção também sofrem de dislexia - e outros 11%, de discalculia (dificuldade em trabalhar com números).

"Nós estamos finalmente começando a achar maneiras efetivas de ajudar estudantes com um ou mais transtorno de aprendizagem, e apesar de a maior parte dos estudantes conseguir normalmente se adaptar a uma abordagem única para toda a classe, aqueles com transtorno de aprendizagem vão precisar de suporte especializado desenvolvido para sua única combinação de dificuldades", diz Brian Butterworth, da College London.

Ao lado de Yulia Kovas, também da universidade, Butterworth reuniu o que se conhece sobre as bases desses transtornos para tentar esclarecer o que os causa. Eles esperam melhorar a educação para estudantes de maneira individual, além de treinar psicólogos, médicos e professores.

"Cada criança tem uma perfil cognitivo e genético único, e o sistema educacional deve ser capaz de monitorar e adaptar o atual repertório de habilidades e conhecimento dos estudantes", diz Butterworth. "Uma aproximação promissora envolve o desenvolvimento de aplicações de aprendizado aprimorada tecnologicamente, como jogos de videogame, que são capazes de adaptar-se às necessidades individuais em cada disciplina básica."

(Portal Terra)

sábado, 20 de abril de 2013

Humilha, São Paulo - Por Fernanda Torres

Via Folha de São Paulo
Por Fernanda Torres
19.04.2013

Vivo em uma beira de praia na zona rural do país. É a certeza que me vem cada vez que boto os pés em São Paulo.

Subi o planalto para um jantar em benefício da Amfar, organização de apoio à pesquisa da Aids que angaria fundos pelo planeta. Sharon Stone, dando provas de seu QI de mais de 150, comandou a festa.

Belíssima, madura e emocionada, a americana de peitos de Barbie subiu ao palco para comemorar a cura da primeira criança vítima da doença. Há 20 anos como embaixadora da instituição, cargo anteriormente ocupado por Elizabeth Taylor, a estrela mantém uma militância ativa e questionou a Amfar por não se envolver na terapia de bebês.

Em 2008, em Cannes, Sharon cavou US$ 10 milhões (cerca de R$ 20 milhões) em uma noitada semelhante, alavancando o trabalho de cientistas que, hoje, retribuem com a cura da menina do Mississipi.

A musa liderou o leilão com uma categoria assombrosa. Diante da timidez momentânea da plateia, provocava com o vozeirão dolby surround: "Come on, Brazil, show your generosity!". Impossível resistir. Que o diga o empresário que arrematou um beijo de língua de Kate Moss por US$ 45 mil.

A gala acabou com um strip da inesquecível Dita. A dívida moral pelo fausto foi quitada com os 2 milhões de doletas arrecadadas.

Acordei e rumei para o MAC a fim de ver a "Sala de Espera" de Carlito Carvalhosa. No táxi, em um cruzamento dos Jardins, uma escultura de dois ossos gigantes, ladrilhados a la Gaudí, encostados no muro de uma mansão de esquina me chamou a atenção. Ao lado da obra, uma placa: Dog Bar. Era um spa de luxo para cachorros de madame.

Só aqui.

A etérea instalação de postes suspensos, "como se estivessem prestes a desencarnar", diz Carvalhosa, já me satisfaria os sentidos. Mas era o dia da abertura do novo prédio do museu, e lá fui eu para o sétimo andar do edifício de Niemeyer, recém-liberto dos labirintos tristes do Detran.

A reforma é exemplar, só falta aparar a grama. Mas o que impressiona é a sensibilidade da curadoria de Tadeu Chiarelli. Foi confiada ao professor doutor em artes plásticas da USP a missão de organizar a exibição permanente do imenso acervo da universidade.

Em vez de ocupar o prédio todo de uma vez, pendurando quadros sem formar um pensamento crítico sobre o que é exposto, o curador optou por começar com uma pequena mostra do que poderemos esperar do MAC.

As 85 obras de "O Agora, o Antes: Uma Síntese do Acervo do MAC USP" propõe um diálogo entre as diversas épocas, estilos e artistas que compõem a coleção.

"Toda obra de arte ganha novas possibilidades de interpretação a partir do espaço que compartilha com outra", avalia Chiarelli na apresentação. "Perturbar e ressignificar verdades consagradas são as funções de uma universidade preocupada com o devir do conhecimento."

Rever "Minha Mãe Morrendo", de Flávio de Carvalho, e saber que ela estará ali sempre que eu precisar, me fez invejar um Estado que conta com pessoas com a formação de Chiarelli, fruto da solidez acadêmica das universidades paulistas.

Muitas das obras expostas pertencem ao espólio do Banco Santos, de Edemar Ferreira, e esperam a decisão da Justiça para definir seu destino. O leilão das peças serviria para cobrir parte da dívida, mas o MAC, que preserva a coleção desde 2005, também se vê como credor e anseia ser ressarcido com parte do precioso arquivo.

Torço pelo MAC. Grande parte das fundações culturais brasileiras adquiriu obras de arte com o auxílio das leis de incentivo. Devolvê-las ao público através de entidades de responsa, como a USP, seria salvá-las do esquecimento.

Chiarelli sabe que a melhor maneira de preservar um patrimônio é expô-lo. As placas de metal informando que certas peças estão sob tutela do MAC, mas fazem parte do ativo do Banco Santos retido na Polícia Federal, completam "O Agora, o Antes", e me deram o gosto de um discreto e imponente ato político.

No adeus, um Bacon de uma dúzia de milhões de dólares, retratando um elefante que atravessa uma floresta escura, diferente de tudo que eu já vi dele, estava lá para quem quisesse ver, na SP-Arte.

Humilha, São Paulo.

Fernanda Torres é atriz e colunista da Folha desde 2010. Escreve aos sábados, a cada duas semanas, na versão impressa do caderno "Ilustrada".

***
Comentário básico:
Viva a Vila Tibério!!!
Adelidia Chiarelli


Vergonha federal, por Maria Helena RR de Sousa

Via blog do Noblat
Por Maria Helena RR de Sousa
19.04.2013

Na capital do estado de Goiás, que nunca é demais esquecer é o estado onde está encravada a capital do Brasil, 29 moradores de rua foram assassinados nos últimos oito meses e dezenas desapareceram.

As mortes foram com muita violência: a tiros, a facadas, espancados até morrer. Durante oito meses. 240 dias. Num silêncio total sobre o assunto. Ninguém preso, nenhuma passeata, nem um deputado ocupando o plenário da Câmara para pedir socorro para aquela cidade dominada pela maldade.

E as autoridades constituídas deste país? Manifestaram-se?

Talvez porque a Comissão dos Direitos Humanos estivesse muito preocupada com os direitos de seu estrambótico presidente, não tivesse tempo para ver a agressão aos direitos à vida daqueles miseráveis ali perto, a 205 km da civilizadíssima Brasília.

Pelo menos até ontem quando a ministra dos Direitos Humanos, é de justiça que se diga, pediu à Procuradoria-Geral da República que a Polícia Federal assumisse a investigação desses crimes covardes.

“Diante da gravidade do quadro apresentado, comuniquei a decisão de que serão ajuizados os incidentes de deslocamento de competência como única maneira de que o estado, como um todo, não fique inerte diante de uma situação de imensa gravidade”, disse o procurador.

Mas o dr. Rangel explicou que para “deslocar a competência”, leva algum tempo. Os trâmites são demorados, ele precisa escrever os pedidos. Foram muitos crimes. Serão muitos pedidos.

“Não sei quanto tempo, mas é um assunto muito urgente e que demandará atuação urgente de todos os órgãos envolvidos”, completou o Procurador-Geral.

Uma pergunta: por que tantos moradores de rua na capital do estado de Goiás? O governador é tucano, o prefeito da cidade é petista. Não creio que interesse descobrir quem é o maior culpado. Em minha opinião, o que interessa mesmo é saber o seguinte: quais as providências que serão tomadas para que não haja mais moradores de rua em nossas cidades?

A presidente da República repete a ladainha do Lula: não há mais miseráveis no Brasil. Está tudo muito bem no quartel de Abrantes. Nada mais está como dantes...

E a Imprensa? A minha querida imprensa? Fez logo uma grita sobre o crime hediondo em Boston, reagiu contra a brutalidade em Caracas, mas sobre esses desgraçados em Goiânia, nada.

Será que o brasileiro não notou o que está acontecendo em sua terra? A crueldade entrou por todas as frestas que encontrou e quase que diariamente ouvimos falar de crimes bestiais.

Jovens morrendo, jovens matando. Homens e mulheres agindo como bestas-feras. Alunos socando professores. Colegas se espancando em sala de aula. A droga substituindo a família.

Não me cabe fazer análises dos motivos, do que levou a isso, só o que me ocorre dizer é que precisamos dar um basta nessa situação.

Chega de pensar em arrumar a casa para as visitas: precisamos arrumar a casa para nossos filhos e netos. Para nós.

Ministério da Defesa e ufólogos abrem canal para troca de informações sobre óvnis

Via Agência Brasil
Por Pedro Peduzzi
19.04.2013

Brasília – Motivado pelo grande número de pedidos sobre arquivos envolvendo óvnis –objetos voadores não identificados - apresentados com base na Lei de Acesso à Informação, o Ministério da Defesa abriu ontem (18) o primeiro canal de comunicação com estudiosos sobre o assunto, chamados ufólogos, em reunião ocorrida na capital federal.

“Foi uma reunião super-histórica e inédita, não só no Brasil como em todo o mundo. Nunca um Ministério da Defesa recebeu ufólogos para debater o tema”, disse à Agência Brasil o editor da revista UFO, Ademar José Gevaerd.

Segundo o coronel da Aeronáutica Alexandre Emílio Spengler, responsável pelo Serviço de Informações ao Cidadão do Ministério da Defesa, o tema é, disparado, o mais buscado entre os cidadãos que fazem uso da Lei de Acesso à Informação para pedidos dirigidos à área militar, o que acabou dando mais relevância à abertura de diálogo entre governo e estudiosos.

“Até o momento foram 107 pedidos. Só para a Força Aérea foram feitas 65 solicitações. Em segundo lugar, com apenas 27 pedidos, estão as informações sobre remuneração de militares”, informou à Agência Brasil o coronel.

Os ufólogos ficaram otimistas com a recepção. “As autoridades deixaram claro que o ministro [da Defesa] Celso Amorim respeita a ufologia e o trabalho dos ufólogos, e que vão levar adiante a ideia de estabelecer, com a Comissão Brasileira de Ufólogos, um canal de comunicação para alcançarmos, sem obstáculos ou desvios, as três Forças Armadas, sempre que precisarmos de informações sobre o assunto”, disse Gevaerd.

Os entendimentos iniciados com o governo brasileiro serão divulgados mundialmente pelos estudiosos brasileiros. “Isso será informado a ufólogos de todo o mundo na semana que vem, quando participaremos do Congresso Mundial de Ufologia em Washington. Sem dúvidas, todos os holofotes estarão sobre o Brasil”, acrescentou.

De acordo com o Ministério da Defesa, dos 107 pedidos de informação relacionados a óvnis, 26 foram deferidos e resultaram na entrega de algum tipo de documento ao solicitante. Os demais foram negados.

“Todos os [pedidos] negados, até o momento, foram por não termos a informação ou por ela ainda estar sob sigilo”, explicou Spengler. Segundo ele, há a possibilidade de o sigilo estar justificado pelo fato de envolver “assuntos relacionados à segurança nacional”. Alguns deles, classificados como secretos ou ultrassecretos.

O Comando da Aeronáutica já entregou os documentos não classificados relativos a óvnis ao Arquivo Nacional, por determinação de uma portaria. Há, segundo a Defesa, alguns documentos do Exército que não foram entregues porque foram extraviados.

“O Exército já admitiu que parte dos documentos pode ter sido destruída, o que de fato era permitido por um decreto de 1977 [Decreto 79.099], que permitia a destruição de documentos sigilosos, bem como de eventuais termos pedindo a destruição”, informou Spengler. Segundo ele, não há estimativas sobre o número de documentos destruídos sob respaldo do decreto.

Entre os documentos mais solicitados pelos ufólogos, mas ainda sem resposta, está o da Operação Prato, ocorrida no município de Colares (PA), na década de 70, em que militares da Aeronáutica fizeram uma operação tendo por base relatos de cidadão da região sobre avistamentos de objetos luminosos. Segundo os ufólogos, durante o episódio, médicos atenderam diversas vítimas de queimaduras causadas pelos óvnis.

A expectativa é que, a partir do próximo 1º de junho e no máximo até a mesma data do ano que vem, após seguir os trâmites legais, as autoridades comecem a divulgar informações sobre casos como este.

Em nota divulgada pelo Ministério da Defesa, o secretário de Coordenação e Organização Institucional do Ministério, Ari Matos, disse que as informações que ainda não se tornaram públicas são exceções, e que a regra geral é "disponibilizar todos os documentos". Segundo ele, alguns casos ainda têm que obedecer ao prazo legal, "mas isso é uma questão que em breve será solucionada".

Edição: Davi Oliveira

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Primeiro livro sobre a história da arte no Brasil é reeditado

Via BandNews Literatura - com Maiá Prado
Quarta-feira, 17 de abril de 2013

Publicado em 1885 "Belas Artes: Estudos e Apreciações" de Félix Ferreira é o primeiro livro de história da arte do Brasil, que acaba de ganhar a sua segunda edição pela Zouk Editora. O livro insere a produção artística brasileira do século XIX pela primeira vez dentro da história da arte universal.

Para falar sobre a importância desta obra, o Bandnews TV conversou com o professor de história da arte da USP Tadeu Chiarelli.


Veja entrevista aqui.


Postos de saúde abrem amanhã para dia de mobilização da campanha contra a gripe

Via Agência Brasil
Por Paula Laboissière
19.04.2013

Brasília – Postos de saúde em todo o país funcionam amanhã (20) para o dia de mobilização da Campanha Nacional de Vacinação contra a Gripe. Idosos, gestantes, mulheres em período de puerpério (até 45 dias após o parto), crianças de 6 meses a 2 anos, índios, profissionais de saúde e doentes crônicos devem receber a dose.

A imunização começou no dia 15 de abril e segue até o dia 26. A meta da campanha é vacinar 32 milhões de pessoas que integram os chamados grupos prioritários, que incluem também a população carcerária.

De acordo com o secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Jarbas Barbosa, o objetivo do dia de mobilização é facilitar o acesso de pessoas que trabalham e que têm dificuldade de comparecer às unidades de saúde durante o período comercial. “Apesar de ter toda a próxima semana, até o dia 26, não vamos deixar para a última hora. Procure a unidade de saúde mais próxima da sua casa para receber a vacina”, apelou.

Durante a campanha, serão distribuídos cerca de 43 milhões de doses que, este ano, protegem contra os seguintes subtipos de influenza: A (H1N1) ou gripe suína, A (H3N2) e B.

Edição: Juliana Andrade

Lei tira exigência de pós-graduação para novos professores de federais


JC e-mail 4708, de 18 de Abril de 2013.
Lei tira exigência de pós-graduação para novos professores de federais


Governo afirmou que pretende alterar novamente a regra, para que as instituições possam voltar a exigir diploma de pós-graduação

Uma lei de iniciativa do governo federal que entrou em vigor no mês passado determinou que as universidades federais não podem mais exigir nos concursos para professor os títulos de mestre ou doutor dos candidatos.

Na prática, quem só tiver diploma de graduação pode agora disputar todas as vagas abertas nas universidades. Até então, esses candidatos eram aceitos como exceção. Após ser procurado pela Folha, o governo afirmou ontem que pretende alterar novamente a regra, para que as instituições possam voltar a exigir diploma de pós-graduação, como condição primordial para a inscrição.

O governo ainda não sabe, porém, se mandará um projeto de lei ao Congresso ou se editará medida provisória. Dirigentes de universidades disseram à Folha que o Executivo não tinha a intenção de proibir a exigência de mestrado ou doutorado. Houve um erro no projeto, segundo eles, só percebido quando as universidades consultaram suas áreas jurídicas para abrir os concursos.

(Fábio Takahashi / Folha de São Paulo)

Piauí já tinha presença humana há 22 mil anos, segundo estudo


JC e-mail 4708, de 18 de Abril de 2013.
Piauí já tinha presença humana há 22 mil anos, segundo estudo


Uma dificuldade desse tipo de estudo é saber se as lascas nos artefatos são resultado de trabalho humano e não de fenômenos naturais

http://www1.folha.uol.com.br/infograficos/2013/04/18305-america-pre-historica.shtml

Um artigo de pesquisadores franceses e brasileiros traz novos dados à discussão sobre a data da chegada do homem à América ao analisar três sítios arqueológicos no Piauí e mostrar evidências de presença humana na região até 22 mil anos atrás.

Os achados dos pesquisadores, publicados no periódico "Journal of Archaeological Science", são mais uma evidência empírica contra o chamado paradigma "Clovis first", a teoria mais antiga sobre a ocupação das Américas.

Proposto por arqueólogos dos EUA na década de 1930, o modelo sustenta que os primeiros moradores do continente vieram a pé da Ásia durante a Era do Gelo há cerca de 13 mil anos --quando havia uma ponte terrestre entre os dois continentes-- e se dispersaram pelas Américas.

"As evidências trazidas pelos estudos de artefatos líticos [objetos feitos com pedra lascada ou polida] não deixam dúvida da nossa descoberta", disseram Christelle Lahaye e Eric Böeda, líderes do time de arqueólogos. As escavações foram feitas entre 2008 e 2011 na Toca da Tira Peia, localizada no Parque Nacional Serra da Capivara, no Piauí, e 113 artefatos de pedra foram recolhidos de cinco camadas do solo.

Foi utilizada uma técnica que mede o dano natural da radiação solar em cristais como quartzo e feldspato presentes nos sedimentos nos quais foram encontrados os artefatos. Com isso, os cientistas conseguiram estimar a última exposição do solo à luz solar, variando de 4.000 anos no topo a 22 mil anos atrás no terceiro nível.

Uma dificuldade desse tipo de estudo é saber se as lascas nos artefatos são resultado de trabalho humano e não de fenômenos naturais.

"Encontramos ferramentas feitas a partir de matérias-primas que não se encontram perto do abrigo. Isso nos leva a concluir que elas foram escolhidas, trazidas, trabalhadas e utilizadas pela ação humana", disse Gisele Felice, da Universidade Federal do Vale do São Francisco.

Para os autores, isso significa que homens viveram nessa parte do mundo no mínimo 10 mil antes do previsto.

ROTA ALTERNATIVA

Niède Guidon, presidente da Fundação Museu do Homem Americano e uma das autoras do trabalho, crê que as descobertas da equipe franco-brasileira reforçam a hipótese de que a chegada do homem à América se deu por várias regiões do continente.

"Pensamos que houve migrações vindas da África por uma corrente marítima que vem do litoral africano até o Nordeste, e há migrações mais tardias que chegaram pelo sul, vindas do Pacífico."

Segundo Guidon, grupos de humanos podem ter começado a sair da África a partir das grandes secas que atingiram o continente há cerca de 130 mil anos.

Astolfo Araújo, do Museu de Arqueologia e Etnografia da USP diz, no entanto, que os modelos da vinda do homem pela África e pelo Pacífico, apesar de viáveis, são frágeis, devido à ausência de evidências convincentes.

(Folha de São Paulo)

Cristovam: descaso com a educação é uma forma de corrupção


JC e-mail 4708, de 18 de Abril de 2013.
Cristovam: descaso com a educação é uma forma de corrupção


Senador diz que governo pressionou os membros da CCJ da Câmara a rejeitar projeto que obriga os pais que recebem a bolsa família a visitar as escolas dos filhos

Em pronunciamento nesta quarta-feira (17), o senador Cristovam Buarque (PDT-DF) manifestou sua frustração com o governo Dilma Rousseff, que teria pressionado os membros da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara a rejeitar o projeto de lei que obriga os pais que recebem a bolsa-família a visitar as escolas dos filhos. Ele classificou o descaso com a educação das crianças como a "mais dramática" forma de corrupção.

- A Câmara votou contra por pressão do governo, mas com o voto de pessoas que se consideram da oposição e dizem defender os direitos humanos - afirmou, salientando o desprezo de muitos parlamentares aos mais necessitados.

Cristovam contestou os argumentos apresentados na Câmara de que "os pobres não sabem conversar com os professores" e que a escola está longe da moradia dos responsáveis pelos alunos. No entendimento de Cristovam é preciso fazer com que os pais se envolvam na educação dos filhos, mesmo que por um auxílio financeiro "pequenininho".

O senador lembrou que há 18 anos teve início no Distrito Federal o projeto de Bolsa-Escola, de sua autoria - que, levado à esfera federal, registrou grande expansão nos governos Fernando Henrique, Lula e Dilma - lamentando que a escola tenha sido abandonada no plano de transferência de renda.

- É bem provável que os filhos daquelas famílias sejam hoje pais recebendo bolsa-família. Isso mostra o fracasso do projeto que eu criei, mas que no meio do caminho foi desvirtuado.

Para Cristovam, o Brasil precisa de governos que tenham por objetivo abolir a necessidade de bolsas, o que - destacou - depende da ascensão educacional das crianças e da participação dos pais no acompanhamento da atividade dos professores. Em sua avaliação, o governo Dilma tem impedido isso.

- Que em cinco, dez, vinte, trinta anos nenhuma família tenha que votar porque o presidente dá bolsa-família. Hoje sabemos que existe isso - lamentou.

Em apartes, Casildo Maldaner (PMDB- SC) criticou a expansão do "assistencialismo", Alvaro Dias (PSDB-PR) associou-se à indignação de Cristovam com "a passividade e o descaso" do governo, e Acir Gurgacz (PDT-RO) cobrou metas e planejamento que levem à minimização da demanda pela bolsa-família.

(Agência Senado)

quinta-feira, 18 de abril de 2013

LUIZ GONZAGA: O SERTÃO É ELE!

Rádio Batuta
InstitutoMoreiraSales





Ouça! Muito lindo!


Mundo atual e subjetividade: um desafio ao psicanalista - Por Marcio de F. Giovannetti

Via Ciência e Cultura - SBPC
v.55 n.4 São Paulo out./dez. 2003

Por Marcio de F. Giovannetti

O que é o mundo atual? Difícil de definir, o mundo. Mas a palavra atual nos coloca de chofre no centro da problemática de hoje. Em que momento começa algo como o 'mundo atual'? No assassinato do arquiduque em Sarajevo? Na Revolução Russa? No Reichstag? No ataque a Pearl Harbor? Na bomba de Hiroshima? Na chegada do homem à lua, coincidindo com a revolução sexual do Ocidente e os movimentos feministas? Na conquista do espaço cibernético? Na queda do muro de Berlim? Na globalização econômica? Na clonagem da ovelha Dolly? Em 11 de setembro de 2001?

Se há algo que permanece hoje em nosso mundo é a idéia de pós. Tudo o mais parece extremamente provisório. A palavra atual parece significar hoje e apenas hoje. Aqui e agora. Ou melhor, apenas agora, pois a própria idéia de "aqui" é absolutamente questionável diante da internet ou de um aparelho de televisão. Noite e dia parecem ser coisas de outros tempos, com todas as conseqüências que isso traz para o animal humano, sonhador e dependente que é de seus sonhos, conforme nos mostrou Freud no início do século XX. Não por acaso, surge alguém como Paul Virilio, um estudioso da velocidade, que trabalhando com as questões relacionadas às catástrofes, acaba por criar o conceito de estética do desaparecimento para caracterizar a perspectiva desse momento histórico. Em uma palavra, poderíamos dizer que o que há de mais característico no mundo de hoje é o desaparecimento da permanência. Tudo se volatiliza. Tudo é descartável. Mas, paradoxalmente, há um aumento da expectativa do tempo da vida humana. Quanto mais tempo vive o homem, menor o tempo de cada uma de suas coisas, sejam elas artefatos, produções culturais ou conceitos científicos. Ser estranho esse, o homem...


Temos algo que se aproxima a uma idéia, a uma definição de mundo atual: é o mundo cujo criador é o homem. Começa-se a escrever um "Novíssimo Testamento". Por isso a proliferação de novas religiões e uma reafirmação fundamentalista das antigas. Por isso o aparecimento diário de novos profetas sejam eles à moda antiga ou travestidos de ídolos televisivos ou de filósofos da pós-modernidade. Quando Walter Benjamin contrapôs a notícia do jornal à narrativa histórica, não tinha a mínima idéia de que hoje a narrativa jornalística, por ter a duração de 24 horas, chega a ser quase que clássica se comparada aos noticiários "ao vivo" de nossas TVs e às notícias de última hora da internet. Em minutos, criamos e destruímos um pedaço deste novo mundo, admirável como o nomeou Aldous Huxley. Mas apenas admirável: uma miragem impossível de ser usufruída, digerida. Pois as alucinações só satisfazem os desejos e as necessidades por um curto período de tempo.

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Jovens delinquentes - Por Contardo Calligaris

Via Folha de São Paulo
Por Contardo Calligaris
18.04.2013

Na noite de terça-feira passada (dia 9), em São Paulo, Victor Hugo Deppman, estudante de 19 anos, foi assassinado. As câmeras mostram que ele entregou seu celular, e o assaltante o matou sem razão, com um tiro na cabeça.

O criminoso se entregou à polícia declarando que faltavam dois dias para ele completar 18 anos. Com isso, pelo ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente), aos 20 anos e 11 meses no máximo, ele voltará a circular. A gente não pode nem deixar anotado o nome do assassino, para mantê-lo afastado de nossas vidas futuras: por ele ser menor, seu anonimato é preservado.

É assim que protegemos o futuro do criminoso, para que, uma vez regenerado pela mágica de três anos de internação (alguém acredita?), ele possa facilmente reintegrar a sociedade e ser um cidadão exemplar, nosso vizinho.

Obviamente, nos últimos dias, multiplicaram-se os pedidos de revisão do próprio ECA. Marcos Augusto Gonçalves (na Folha de segunda) observou que, na boca dos políticos, esses pedidos escondem décadas de descaso em matéria de segurança pública. Concordo. Mas, como não sou político, não vou deixar de discutir, mais uma vez, o estatuto do menor.

Por exemplo, sou a favor de baixar a maioridade penal, drasticamente, como acontece no Reino Unido, no Canadá, na Austrália, na Índia, nos Estados Unidos etc. --sendo que, na maioria desses lugares, o juiz tem a autonomia para decidir por qual crime um menor de 12 ou dez anos será, eventualmente, julgado como adulto.

Hélio Schwartsman (na página 2 da Folha de sexta passada) aconselhou prudência: seria melhor não "legislar sob forte impacto emocional" e, sobretudo agora, confiar apenas nas "considerações racionais". Ele quase me convenceu, mas...

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quarta-feira, 17 de abril de 2013

93% dos paulistanos querem redução da maioridade penal

Via Folha de São Paulo
17.04.2013

Se dependesse apenas dos paulistanos, a maioridade penal no Brasil, que hoje é de 18 anos, seria reduzida para 16.

Pesquisa Datafolha mostra que 93% dos moradores da capital paulista concordam com a diminuição da idade em que uma pessoa deve responder criminalmente por seus atos. Outros 6% são contra, e 1% não soube responder.

Os pesquisadores ouviram anteontem 600 pessoas. A margem de erro é de quatro pontos (para mais ou menos).

Em consultas anteriores, em 2003 e 2006, a aprovação à medida pelos moradores da cidade foi de 83% e 88%, respectivamente --a margem de erro era de dois pontos.

Sobre a idade a partir da qual um adolescente deveria passar a ser responsabilizado criminalmente, parte dos entrevistados, em respostas espontâneas (sem haver opções no questionário), defende que menores de 16 anos sejam enquadrados.

Para 35%, jovens de 13 a 15 anos deveriam ser considerados pela lei como adultos. Para 9%, até menores de 13 anos deveriam ter esse tratamento.

Quando é dada a opção de escolher o que seria mais eficaz para reduzir a criminalidade, há divisão: 42% dizem que seria ideal criar políticas públicas mais eficientes para jovens.

Outros 52% afirmam que a redução da maioridade penal já implicaria na melhoria dos índices criminais. Há ainda 5% que acreditam que ambas as medidas são necessárias.

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Gargalo de professores


JC e-mail 4706, de 16 de Abril de 2013.
Gargalo de professores


Editorial publicado no Jornal Estado de Minas no dia 15 de abril

"Insanidade", disse Albert Einstein, "é repetir as mesmas ações e esperar resultados diferentes". A afirmação do criador da Teoria da Relatividade serve para a preocupante situação do magistério. Reduz-se significativamente o número de candidatos a professor matriculados nas universidades. Segundo dados do Censo de Educação Superior de 2011, são eles que mais abandonam a carreira durante o curso.

Física encabeça a lista dos desistentes. Nada menos de 31% dos estudantes interrompem os estudos e tomam outros rumos. Em números absolutos, português e matemática sobressaem - 40 mil alunos evadiram em busca de melhores oportunidades. Vale lembrar que as três matérias são obrigatórias nos níveis fundamental e médio. Quem as ministrará?

Ganha cores nítidas, assim, o quadro que se vinha esboçando havia anos. Salários baixos, falta de estímulo, más condições de trabalho e poucas oportunidades de ascensão funcional tornam a carreira pouco atraente. Comparada com outras que exigem o mesmo grau de escolaridade, fica claro o desprestígio que expulsa talentos e joga na orfandade milhões de brasileiros cuja única oportunidade de melhoria social reside na educação de excelência.

Não se pode esquecer, também, o apelo dos concursos públicos. O recrutamento universal baseado na meritocracia atrai os ex-futuros professores com a remuneração, a possibilidade de progressão na carreira e a carga mais leve que a de responder pelo futuro de crianças e jovens. A conclusão não pode ser outra: ao desqualificar o magistério, o governo deu um tiro no pé do país. Estimulou a evasão dos melhores para outros destinos. Só ficaram os raros vocacionados ou os incapazes de buscar saídas.

É um círculo vicioso. Maus professores formam maus profissionais, que, por sua vez, serão maus advogados, maus engenheiros, maus arquitetos, maus garçons, maus administradores, maus tudo. A falta de excelência do ensino contribui para a baixa produtividade do trabalhador e a falta de competitividade da economia. Em suma: emperra o desenvolvimento e atrasa a concretização do projeto de entrar no fechado clube das nações desenvolvidas.

Os pessimistas dizem que o Brasil perdeu o trem da história. Na década de 1970, ao promover a reforma do ensino, democratizou o acesso à escola. Mas ficou no meio do caminho. Negligenciou a democratização do conhecimento. O resultado é a tragédia revelada pelas avaliações nacionais e internacionais de cursos. Os otimistas, porém, acreditam que ainda há tempo.

O bom senso manda ser realista. Além de salários compatíveis com os pagos aos profissionais de nível superior mais valorizados, impõe-se oferecer plano de carreira atraente, melhorar as condições de trabalho e dar prestígio ao professor. Continuar a brincadeirinha do faz de conta é apostar na insanidade de Einstein. Ou acreditar em Papai Noel e na Gata Borralheira - o que dá no mesmo.

Revalidação de diplomas estrangeiros não deve ser automática


JC e-mail 4705, de 15 de Abril de 2013.
Revalidação de diplomas estrangeiros não deve ser automática


A conclusão foi consenso entre os participantes de audiência pública no Senado Federal com a presença do autor da proposta e da presidente da SBPC

O processo de revalidação de diplomas de instituições de ensino superior estrangeiras deve ser aperfeiçoado, com a previsão de que ela não seja automática. A conclusão foi consenso entre os participantes de audiência pública realizada na última sexta-feira (12) na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE) do Senado Federal.

O encontro foi organizado para debater o Projeto de Lei 399/2011, que trata do assunto. O próprio autor da proposta, senador Roberto Requião (PMDB-PR), reconheceu a necessidade de se alterar o projeto, retirando a previsão de automatismo. Para os participantes, deve ser estabelecido um processo mais objetivo e rápido, com critérios claros de avaliação para a revalidação de diplomas obtidos em instituições estrangeiras.

Requião reconheceu que o texto original precisa ser aperfeiçoado, com mudanças em outros pontos, além da previsão de revalidação automática. O senador pretende padronizar os critérios para o reconhecimento, a avaliação periódica das instituições de ensino pelo MEC, e dar velocidade ao reconhecimento de diplomas.

Helena Nader, presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), defendeu a necessidade de se garantir a qualidade do ensino. Para ela, a revalidação deve ser justa com os mais de 200 mil alunos que estudam no Brasil obedecem aos parâmetros da avaliação da Capes. Helena, que também representou a Academia Brasileira de Ciências (ABC) no encontro, lembrou que o modelo brasileiro de avaliação está sendo copiado no resto do mundo. "A Europa tem vindo ao Brasil aprender como se faz e se avalia um mestrado", disse, acrescentando que a revalidação deve seguir os mesmos parâmetros de avaliação da Capes. Segundo sua visão, o grande desafio é manter a qualidade, e fazer com que o processo não seja eternizado.

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Alunos do Norte e Nordeste sabem menos que Sul e Sudeste


JC e-mail 4706, de 16 de Abril de 2013.
Alunos do Norte e Nordeste sabem menos que Sul e Sudeste


Levantamento feito com base em dados da Prova Brasil mostra o porcentual de alunos de escolas públicas que obtiveram pontuação considerada adequada no exame


Em Alagoas, por exemplo, 57% dos estudantes terminam o 9.º ano do ensino fundamental sem saber o conteúdo de matemática que deveriam dominar já no fim do 5º. Ano

Alunos de Estados das Regiões Norte e Nordeste do Brasil têm quatro anos de atraso na aprendizagem em relação aos estudantes do Sul e Sudeste do País.

Os dados são de um levantamento da Fundação Lemann, feito com base em microdados da Prova Brasil, e mostram o porcentual de alunos de escolas públicas que obtiveram pontuação considerada adequada no exame.

Os resultados apontam que, ao fim do ensino fundamental, no 9.º ano, os estudantes que moram em Alagoas, no Maranhão e no Amapá sabem menos português e matemática do que aqueles que estão terminando o 5.º ano na rede pública de Estados como Minas Gerais, do Distrito Federal e de Santa Catarina.

Em Alagoas, por exemplo, 57% dos estudantes terminam o 9.º ano do ensino fundamental sem saber o conteúdo de matemática que deveriam dominar já no fim do 5.º ano. Isso significa que mais da metade dos estudantes foi para o ensino médio sem saber, por exemplo, localizar informações em um gráfico, competência esperada para uma criança de 10 anos de idade.

No outro extremo, em Minas Gerais, 87% dos alunos do 9.º ano têm conhecimento proficiente ou avançado do conteúdo do 5.º ano. O índice chega a 85% em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul.

Se o aprendizado dos formandos do 9.º ano já está muito aquém do que eles deveriam saber no 5.º ano, o cenário fica ainda pior se forem consideradas as competências esperadas para a etapa que estão concluindo.

Na rede municipal do Amapá, por exemplo, apenas 2,4% dos alunos vão para o ensino médio com aprendizado adequado para enfrentar a nova etapa.

(Estado de São Paulo)


Universidade federal ainda tem aulas em hotel após três anos de criação


JC e-mail 4706, de 16 de Abril de 2013.
Universidade federal ainda tem aulas em hotel após três anos de criação


A Ufopa (Universidade Federal do Oeste do Pará) vive de improviso mesmo três anos após o decreto de sua criação em novembro de 2009. Um de seus campi se chama "Boulevard" -- referência ao nome do hotel em que funciona, o Amazônia Boulevard


Todos os 1.200 calouros que recebe a cada vestibular passam pelas 40 salas de aula que funcionam em conjunto com as atividades hoteleiras do locador, agências de viagem e até uma outra unidade universitária de uma instituição privada.

Segundo um relatório da CGU (Controladoria Geral da União), de julho de 2012, ali estão alugados também 140 m² para biblioteca, além de um auditório de 1.000 m².

Esse não é o único improviso. No campus Rondon, antigo espaço da UFPA, um prédio ainda não acabado já tem salas de aulas e laboratórios ocupados desde janeiro. Ainda sem acabamento e com áreas em construção, as salas servem à demanda crescente dos estudantes que chegam.

O problema de espaço para salas de aulas e laboratórios só deve ser completamente resolvido em 2017, quando deverá estar pronto um edifício entregue em quatro etapas no campus Tapajós, segundo o reitor José Seixas Lourenço.

Até 2017, duas turmas de ingressantes já deverão ter se formado. A construção do edifício ainda não foi iniciada.

Abandonar navio
A falta de estrutura atinge também os professores que não têm laboratórios para desenvolver suas pesquisas --a pesquisa é um dos pilares da atuação universitária em conjunto com o ensino e a extensão de serviços à comunidade.

"Não temos como concorrer de igual para igual pela verba dos órgãos de fomento. No projeto de pesquisa preciso apontar qual a infraestrutura que o projeto vai ter e não tenho nada", reclama o professor Aguinaldo Gomes, da licenciatura em história e geografia.

"A gente mesmo se coloca um prazo para esperar que a situação melhore, se não, vou embora", comenta Rodrigo Fadini, professor de ecologia florestal.

No curso de licenciatura integrada em história e geografia, dos 15 professores existentes, 6 ou já deixaram ou estão em processo de saída da instituição.

Os cursos de ciências econômicas e de farmácia são dois dos que têm sua continuidade ameaçada por falta de professor. Serão trazidos docentes de outras universidades federais para assumirem aulas nos próximos semestres, afirma o reitor José Seixas Lourenço, que confirma que as graduações passarão por uma reavaliação para saber se têm condições de seguirem ofertando vagas.

Os professores não são os únicos a deixarem vagas ociosas na Ufopa. Das 290 cadeiras oferecidas anualmente nos cursos de licenciatura, metade não é preenchida. Um dos bacharelados interdisciplinares oferecidos pela instituição, o de etnodesenvolvimento, não tem nenhum aluno matriculado no momento.

(Cristiane Capuchinho, Uol)

terça-feira, 16 de abril de 2013

O descontrole do Estado com os carros oficiais

Correio Braziliense - 14/04/2013
JOÃO VALADARES » LEANDRO KLEBER
Via Clipping MP

O governo feredal não faz a menor ideia do tamanho da frota dos veículos à disposição dos servidores e muito menos de quanto gasta com manutenção

Governo federal não tem ideia do tamanho da frota ou do gasto com os veículos à disposição das autoridades. Levantamento do Correio aponta que são, pelo menos, 310 automóveis ao custo de R$ 8,3 milhões anuais

O silêncio condescendente do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic) após o secretário executivo da pasta, Alessandro Teixeira, ter sido flagrado utilizando veículo oficial para ir malhar numa academia expõe a farra dos “carros pretos” na Esplanada. Levantamento realizado pelo Correio, excluindo três ministérios (Ciência e Tecnologia, Relações Exteriores e Trabalho e Emprego) que não encaminharam os dados, indica que há 310 automóveis utilizados exclusivamente para deslocamento de autoridades. Um privilégio sem controle que consome anualmente pelo menos R$ 8,3 milhões dos cofres públicos apenas em manutenção. Se fossem enfileirados, os veículos ocupariam um espaço de 1,5 quilômetro.

O Ministério do Planejamento, que deveria centralizar todas as informações, não sabe sequer o tamanho da frota oficial do país. Questionado sobre os bens, informou que “não é possível quantificar o número de veículos do governo federal senão com um levantamento em cada um dos órgãos da administração federal”. Também não tem ideia do gasto anual com manutenção. “Isso varia de veículo para veículo e, mais uma vez, seria necessário um levantamento órgão a órgão.”

O levantamento do Correio levou em consideração apenas as sedes dos ministérios. As entidades vinculadas às pastas, assim como empresas estatais, não foram contabilizadas. Em alguns casos, o custo foi calculado a partir das informações globais, que incluem manutenção de veículo, combustível, seguro obrigatório, licenciamento e locação.

Além dos ministros, secretários executivos e alguns diretores têm direito à regalia. A maioria dos carros utilizados por ministros é o modelo Ford Fusion, avaliado em R$ 82 mil. No Ministério do Planejamento, todos os ocupantes de cargos DAS 6 podem utilizar os 13 veículos de transporte institucional, sendo 11 modelos Fiat Linea e dois Vectras. 

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Poluição sonora é alvo do Ministério Público

Via EcoDebate
16.04.2013

A poluição sonora agrava problemas de saúde e segurança, aumenta os índices de violência e é considerada um dos grandes desafios ambientais do mundo moderno, mas, mesmo assim, é tratada com omissão por parte dos órgãos públicos. Por isso, o MP quer fechar um cerco contra essa grande vilã das grandes cidades e vai discutir a questão no XIII Congresso Brasileiro do Ministério Público de Meio Ambiente que acontece do dia 17 à 19 de Abril, em Vitória (ES).

O promotor de Meio Ambiente André Silvani, de Pernambuco, ministrará a palestra “Poluição sonora como crime” diz que esse tipo de poluição é encarado como subjetivo e visto como uma questão cultural, o que não pode ocorrer. “Existe uma lei, que não é cumprida. Aciona-se o policiamento, que pede para o cidadão abaixar o som, bate nas costas dele e vai embora. Em uma analogia simplista, é a mesma coisa que resolver um assalto pedindo para que o ladrão não faça mais isso, guarde a sua arma e vá embora. O certo é prender o som e conduzir a pessoa à delegacia”, pondera Silvani.

Em Recife, 90% dos procedimentos ambientais dizem respeito à poluição sonora. Diante do dado alarmante, a prefeitura firmou um contrato com o MP, secretarias e órgãos do Governo do Estado com objetivo de acabar com a barulheira ao deixar mais evidente a responsabilidade de cada uma das instituições envolvidas na fiscalização de estabelecimentos de serviços, lojas, bares e até residências na cidade.

Continua