quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

Na USP, Artes Plásticas e Poli se unem em busca de patente para próteses customizáveis

Jornal da USP
Maria Luiza Negrão e Amanda Ferreira
24.02.2026



Projeto de parceria entre pesquisadores da Poli e das Artes Plásticas permite que usuário personalize suas próteses, podendo reduzir as taxas atuais de rejeição dessa tecnologia.

A partir da ideia de obra de arte anexa ao corpo, próteses customizadas podem reduzir os índices de
abandono ao uso desses dispositivos Imagem: Monica Tavares


A Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP depositou seu primeiro pedido de patente na Agência USP de Inovação (Auspin). Trata-se de um projeto idealizado por Monica Tavares, professora sênior do Departamento de Artes Plásticas (CAP), que foi apoiado tanto pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) quanto pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Junto ao professor Chi-Nan Pai, da Escola Politécnica (Poli-USP), e Juliana Henno — na época, pós-doutoranda da ECA —, a professora Monica coordena um projeto de criação do que chamam de “próteses transformacionais”.

De acordo com os pesquisadores, o conceito de prótese transformacional se relaciona com a ideia de prótese como extensão do corpo, mas de maneira bem distinta das chamadas próteses cosméticas, que não têm funcionalidade e buscam somente imitar o membro ausente. O termo “prótese transformacional” é um neologismo criado pela professora a partir de dois conceitos: objeto transformacional e objectile. O primeiro foi formulado pelo psicanalista estadunidense Christopher Bollas para se referir a um objeto que, na infância, modifica sua experiência como indivíduo e, na vida adulta, “recupera essas vivências precoces a partir de determinadas situações”. O outro conceito, objectile, foi cunhado pelo filósofo Gilles Deleuze e, segundo a professora, traduz “um novo tipo de objeto, que não tem uma forma e matéria fixa”, se transformando constantemente.