quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

O minuto que revela quem somos - Paulo Nassar

Jornal da USP
Paulo Nassar
23.02.2026

A morte é um dos grandes organizadores da vida social. Como lembram historiadores e filósofos da cultura, ela é o paradigma da perda irrecuperável e, por isso mesmo, o fundamento de toda prática da memória. Os mortos são a quintessência daquilo que deve ser lembrado. Todas as culturas, das mais antigas às contemporâneas, criaram rituais para domesticar o inominável, atribuir sentido à ruptura e reinscrever o morto no tecido simbólico da comunidade. O modo como uma sociedade lida com a morte e o luto não é detalhe folclórico: é índice de seu nível de educação afetiva, de civilidade, de respeito pelo outro. É um termômetro moral.