quinta-feira, 16 de agosto de 2012
Amazônia abriga terceira corrida do ouro no Brasil
Via Agência Brasil
Por Carolina Gonçalves
15.08.2012
Brasília – O que o resultado das operações de fiscalização de crimes ambientais sinalizava, e o governo temia, está sendo confirmado agora por especialistas em mineração e órgãos ambientais: começou, há quase cinco anos, a terceira corrida do ouro na Amazônia Legal, com proporções, provavelmente, superiores às do garimpo de Serra Pelada, no sul do Pará, no período entre 1970 e 1980.
Nos últimos cinco anos, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) desativou 81 garimpos ilegais que funcionavam no norte de Mato Grosso, no sul do Pará e no Amazonas, na região da Transamazônica. O Ibama informou que foram aplicadas multas no total de R$ 75 milhões e apreendidos equipamentos e dezenas de motores e balsas.
Nesta semana, fiscais do Ibama e da Fundação Nacional do Índio (Funai) e agentes da Polícia Federal, desativaram três garimpos ilegais de diamante no interior da Reserva Indígena Roosevelt, em Rondônia. Dezessete motores e caixas separadoras usadas no garimpo ilegal foram destruídos, cessando o dano de imediato em área de difícil acesso.
A retomada do movimento garimpeiro em áreas exploradas no passado, como a Reserva Roosevelt, e a descoberta de novas fontes de riqueza coincidem com a curva de valorização do ouro no mercado mundial. No ano passado, a onça – medida que equivale a 31,10 gramas de ouro – chegou a valer mais de US$ 1,8 mil.
Com a crise mundial, a cotação no mercado internacional, recuou um pouco este ano, mas ainda mantém-se acima de US$ 1,6 mil. No Brasil, a curva de valorização do metal continua em ascensão. No início deste ano, o preço por grama de ouro subiu 12%, chegando a valer R$ 106,49.
“É um valor muito alto que compensa correr o risco da clandestinidade e da atividade ilegal. Agora qualquer teorzinho que estiver na rocha, que antes não era econômico, passa a ser econômico”, afirma o geólogo Elmer Prata Salomão, presidente da Associação Brasileira de Pesquisa Mineral e ex-presidente do Departamento Nacional da Produção Mineral (DNPM), ligado ao Ministério de Minas e Energia.
Como a atual corrida do ouro é muito recente, os dados ainda são precários e os órgãos oficiais não têm uma contagem global. Segundo Salomão, que presidiu o DNPM na década 1990, depois da corrida do ouro de Serra Pelada, foram feitos levantamentos que apontaram cerca de 400 mil garimpeiros em atividade no Brasil.
O secretário executivo da Agência para o Desenvolvimento Tecnológico da Indústria Mineral Brasileira (Adimb), Onildo Marini, cita duas regiões em Mato Grosso consideradas estratégicas para o garimpo: o Alto Teles Pires, no norte do estado, que já teve forte movimento da atividade e hoje está em fase final, e Juruena, no noroeste mato-grossense, onde o garimpo foi menos explorado.
“Tem garimpos por toda a região e tem empresas com direitos minerários reconhecidos para atuar lá”, relata. Como ainda há muito ouro superficial que atrai os garimpeiros ilegais, a área tem sido alvo de conflitos. As empresas tentaram solucionar o problema no final do ano passado, quando procuraram o governo de Mato Grosso e o DNPM. “A notícia que tive é que a reunião não foi muito boa. Parece que o governo local tomou partido do garimpo”, disse ele. Procurado pela Agência Brasil, o governo de Mato Grosso não se manifestou.
“Os garimpos mais problemáticos são os de ouro e diamante. Na Amazônia, incluindo o norte de Mato Grosso, estão os mais problemáticos e irregulares, tanto por estarem em áreas proibidas, como por serem clandestinos.”
A Reserva Roosevelt, no sul de Rondônia, a 500 quilômetros da capital, Porto Velho, é outro ponto recorrente do garimpo ilegal. A propriedade de mais de mil índios da etnia Cinta-Larga, rica em diamante, foi palco de um massacre, em 2004, quando 29 garimpeiros, que exploravam clandestinamente a região, foram mortos por índios dentro da reserva. O episódio foi seguido por várias manifestações dos Cinta-Largas, incluindo sequestros, que pediam autorização para explorar a reserva.
“Agora existe um grupo de garimpeiros atuando junto com os índios, ilegalmente. Agora, eles estão de mãos dadas. A gente viu fotografias com retroescavadeiras enormes”, diz o geólogo.
Os garimpos na Reserva Roosevelt voltaram a ser desativados esta semana, quando o Ibama deflagrou mais uma operação na região, com o apoio da Polícia Federal.
Marini explicou que ainda não é possível contabilizar os números da atividade praticada ilegalmente na região. “Não há registro. Na região do Tapajós, onde [o garimpo] está na fase final, falava-se em valores muito altos, em toneladas de ouro que teria saído de lá, mas o registro oficial é pequeno, a maior parte é clandestina. Ouro, diamante e até estanho, que é mais barato, na fase de garimpo, mais de 90% era clandestino”.
Edição: Nádia Franco
Bamburrou! O grito que ecoa as distorções da Amazônia brasileira
Garimpos clandestinos levam devastação à Amazônia Legal
Mecanização de garimpos dificulta repressão da atividade ilegal
Operação desativa garimpo de diamante em reserva de Rondônia
Mato Grosso e Pará concentram maioria dos garimpos clandestinos
Polícia Federal aumenta combate ao garimpo ilegal
olhos d’água...
olhos d’água...
só restarão os teus,
só restarão os meus.
Adelidia Chiarelli
Por Carolina Gonçalves
15.08.2012
Brasília – O que o resultado das operações de fiscalização de crimes ambientais sinalizava, e o governo temia, está sendo confirmado agora por especialistas em mineração e órgãos ambientais: começou, há quase cinco anos, a terceira corrida do ouro na Amazônia Legal, com proporções, provavelmente, superiores às do garimpo de Serra Pelada, no sul do Pará, no período entre 1970 e 1980.
Nos últimos cinco anos, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) desativou 81 garimpos ilegais que funcionavam no norte de Mato Grosso, no sul do Pará e no Amazonas, na região da Transamazônica. O Ibama informou que foram aplicadas multas no total de R$ 75 milhões e apreendidos equipamentos e dezenas de motores e balsas.
Nesta semana, fiscais do Ibama e da Fundação Nacional do Índio (Funai) e agentes da Polícia Federal, desativaram três garimpos ilegais de diamante no interior da Reserva Indígena Roosevelt, em Rondônia. Dezessete motores e caixas separadoras usadas no garimpo ilegal foram destruídos, cessando o dano de imediato em área de difícil acesso.
A retomada do movimento garimpeiro em áreas exploradas no passado, como a Reserva Roosevelt, e a descoberta de novas fontes de riqueza coincidem com a curva de valorização do ouro no mercado mundial. No ano passado, a onça – medida que equivale a 31,10 gramas de ouro – chegou a valer mais de US$ 1,8 mil.
Com a crise mundial, a cotação no mercado internacional, recuou um pouco este ano, mas ainda mantém-se acima de US$ 1,6 mil. No Brasil, a curva de valorização do metal continua em ascensão. No início deste ano, o preço por grama de ouro subiu 12%, chegando a valer R$ 106,49.
“É um valor muito alto que compensa correr o risco da clandestinidade e da atividade ilegal. Agora qualquer teorzinho que estiver na rocha, que antes não era econômico, passa a ser econômico”, afirma o geólogo Elmer Prata Salomão, presidente da Associação Brasileira de Pesquisa Mineral e ex-presidente do Departamento Nacional da Produção Mineral (DNPM), ligado ao Ministério de Minas e Energia.
Como a atual corrida do ouro é muito recente, os dados ainda são precários e os órgãos oficiais não têm uma contagem global. Segundo Salomão, que presidiu o DNPM na década 1990, depois da corrida do ouro de Serra Pelada, foram feitos levantamentos que apontaram cerca de 400 mil garimpeiros em atividade no Brasil.
O secretário executivo da Agência para o Desenvolvimento Tecnológico da Indústria Mineral Brasileira (Adimb), Onildo Marini, cita duas regiões em Mato Grosso consideradas estratégicas para o garimpo: o Alto Teles Pires, no norte do estado, que já teve forte movimento da atividade e hoje está em fase final, e Juruena, no noroeste mato-grossense, onde o garimpo foi menos explorado.
“Tem garimpos por toda a região e tem empresas com direitos minerários reconhecidos para atuar lá”, relata. Como ainda há muito ouro superficial que atrai os garimpeiros ilegais, a área tem sido alvo de conflitos. As empresas tentaram solucionar o problema no final do ano passado, quando procuraram o governo de Mato Grosso e o DNPM. “A notícia que tive é que a reunião não foi muito boa. Parece que o governo local tomou partido do garimpo”, disse ele. Procurado pela Agência Brasil, o governo de Mato Grosso não se manifestou.
“Os garimpos mais problemáticos são os de ouro e diamante. Na Amazônia, incluindo o norte de Mato Grosso, estão os mais problemáticos e irregulares, tanto por estarem em áreas proibidas, como por serem clandestinos.”
A Reserva Roosevelt, no sul de Rondônia, a 500 quilômetros da capital, Porto Velho, é outro ponto recorrente do garimpo ilegal. A propriedade de mais de mil índios da etnia Cinta-Larga, rica em diamante, foi palco de um massacre, em 2004, quando 29 garimpeiros, que exploravam clandestinamente a região, foram mortos por índios dentro da reserva. O episódio foi seguido por várias manifestações dos Cinta-Largas, incluindo sequestros, que pediam autorização para explorar a reserva.
“Agora existe um grupo de garimpeiros atuando junto com os índios, ilegalmente. Agora, eles estão de mãos dadas. A gente viu fotografias com retroescavadeiras enormes”, diz o geólogo.
Os garimpos na Reserva Roosevelt voltaram a ser desativados esta semana, quando o Ibama deflagrou mais uma operação na região, com o apoio da Polícia Federal.
Marini explicou que ainda não é possível contabilizar os números da atividade praticada ilegalmente na região. “Não há registro. Na região do Tapajós, onde [o garimpo] está na fase final, falava-se em valores muito altos, em toneladas de ouro que teria saído de lá, mas o registro oficial é pequeno, a maior parte é clandestina. Ouro, diamante e até estanho, que é mais barato, na fase de garimpo, mais de 90% era clandestino”.
Edição: Nádia Franco
Bamburrou! O grito que ecoa as distorções da Amazônia brasileira
Garimpos clandestinos levam devastação à Amazônia Legal
Mecanização de garimpos dificulta repressão da atividade ilegal
Operação desativa garimpo de diamante em reserva de Rondônia
Mato Grosso e Pará concentram maioria dos garimpos clandestinos
Polícia Federal aumenta combate ao garimpo ilegal
olhos d’água...
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só restarão os meus.
Adelidia Chiarelli
Especialistas analisam os dados do Ideb 2011
JC e-mail 4562, de 15 de Agosto de 2012.
Especialistas analisam os dados do Ideb 2011
A divulgação do Ideb abre nova temporada de debates sobre a educação brasileira. Confira as análises divulgadas nos jornais de hoje (15).
Bom na largada, ruim na chegada
Análise de Daniel Cara, coordenador-geral da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, publicada no Correio Braziliense.
Vale ressaltar que o Ideb não é um indicador perfeito, é um índice importante porque é o que o Brasil tem para fazer análise de como está a qualidade da educação básica. O problema é que ele sozinho não consegue responder se o sistema de ensino melhorou ou não. Com esses resultados, podemos inferir que o ensino fundamental nos anos iniciais tem recebido maior atenção do poder público, especialmente, da esfera municipal e da união. No melhor desempenho nesse período, comparado com os seguintes - no fim do ensino fundamental e no médio -, vemos que esse esforço não está sendo correspondido ou se aperfeiçoando. É como se estivéssemos falhando nessa etapa. De modo geral, podemos dizer que o Brasil começa a acertar no início da alfabetização, mas falha muito no fim do processo, o que reflete na incapacidade do estado em ser sistêmico. É como se o país estivesse ficando bom de largada e ruim na chegada. Fica a certeza de que para garantir educação de qualidade desde a creche até a universidade, que nem entra na avaliação do indicador, é preciso resolver questões graves vivenciadas nas fases básicas do ensino. O sistema de educação precisa de políticas novas para que, de fato, os estudantes possam aprender.
A melhoria dos resultados precisa ocorrer em todos os níveis de ensino
Análise de Paula Louzano, professora da Faculdade de Educação da USP, publicada na Folha de São Paulo.
Os resultados da Prova Brasil, divulgados pelo MEC junto com o Ideb, nos mostram o quanto os nossos alunos estão aprendendo. Os estudantes de escolas públicas do 5º ano em 2011 aprenderam muito mais matemática - o equivalente a dois anos acadêmicos- que seus colegas que, em 2005, estavam na mesma série. Essa é uma excelente notícia. Porém, partimos de patamares de aprendizagem muito baixos, e ainda estamos aquém de um aprendizado adequado. Mesmo em 2011, nem todos os alunos do 5º ano foram capazes de resolver uma divisão exata por um número de dois algarismos.
Mas a má notícia é que os demais níveis de ensino (6º ao 9º ano e o ensino médio) não acompanham o ritmo da melhoria dos anos iniciais. E o que é pior: os níveis mais avançados de ensino parecem ter mais dificuldades em agregar valor quando os alunos chegam a eles mais bem preparados. Por exemplo, os alunos de 2005, no fim do ensino fundamental, saíram em 2009 com 65 pontos a mais na prova. Já os de 2009 ganharam apenas 56 pontos ao finalizar o mesmo nível em 2011.
Os números parecem mostrar que não temos conseguido potencializar os ganhos do início da escolarização em níveis subsequentes de ensino. Em tempo, boa parte dos nossos alunos no final do 9º ano já é capaz de realizar a divisão acima, mas aí descobrimos que eles não aprenderam a aplicar o conceito de porcentagem em situações simples.
Nossa educação precisa de medidas reformadoras Análise de Denis Mizne, diretor executivo da Fundação Lemann publicada no jornal O Estado de São Paulo.
A divulgação de dados confiáveis e comparáveis é talvez o maior avanço institucional que conseguimos nas últimas décadas. Boa parte da repercussão, contudo, será sobre quem está em primeiro, segundo ou último lugar nos rankings, quais as redes que conseguiram avançar e quais regrediram. Temos o desafio de pensar em como colocar no centro do debate o imperativo de que a sociedade precisa garantir que os alunos aprendam o que deveriam aprender.
Por qualquer ângulo, a conclusão é uma só: nossas redes não estão ensinando. Ainda que haja algum avanço nos anos iniciais - de 0,2 ponto em aprendizagem -, nos anos finais e no ensino médio o País está estagnado. Milhões de alunos que passam anos nas escolas, mas chegam ao final dos ciclos sem saber o esperado.
Esta "década perdida" mostra que medidas reformadoras precisam ser adotadas. A primeira é estabelecer o que tem de ser ensinado. Sem saber onde deve chegar, nenhum professor será capaz de construir boas aulas, nenhum diretor poderá liderar sua escola e nenhum gestor poderá estabelecer prioridades.
A segunda é garantir que tenhamos bons professores. O desafio é hercúleo, mas alguns pontos ajudariam: estabelecer critérios de progressão na carreira que levem em conta não os títulos, mas a capacidade do professor de dar boas aulas. Seria fundamental que a maioria dos professores tivesse jornada de 40 horas e ficasse fixa em uma escola. Por fim, precisamos de modelos híbridos de uso de tecnologia em sala de aula, que levem conteúdo de ponta a alunos e professores, e que permitam que diferentes alunos aprendam em tempos e metodologias diferentes.
A boa notícia é que sempre temos exemplos de escolas, municípios e até regiões que estão fazendo a lição de casa e conseguindo garantir o direito à educação de seus alunos. Se aceitarmos o desafio presidencial de sermos avaliados como País por aquilo que fazemos por nossas crianças e adolescentes, temos de enfrentar os debates difíceis e promover uma revolução na educação brasileira.
* A equipe do Jornal da Ciência esclarece que o conteúdo e opiniões expressas nos artigos assinados são de responsabilidade do autor e não refletem necessariamente a opinião do jornal.
MEC divulga Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) de 2011
JC e-mail 4562, de 15 de Agosto de 2012.
MEC divulga Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) de 2011
Mais de 70% dos municípios alcançam meta de qualidade para os anos iniciais do ensino fundamental. Ensino médio piora em nove estados.
Desde 2005, o sistema de ensino brasileiro tem um indicador criado para medir a qualidade da educação básica no País. Se o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) fosse uma prova, poderia se dizer que finalmente o Brasil ficou "na média". É o que apontam os números de 2011: em uma escala de 0 a 10, a nota atribuída aos anos iniciais do ensino fundamental é 5. O resultado supera a meta estabelecida para 2011, 4,6 pontos. Também é 0,4 ponto superior ao verificado em 2009. Os dados da última edição do Ideb foram divulgados ontem (14) pelo Ministério da Educação (MEC).
O Ideb é calculado a partir da taxa de aprovação e do desempenho dos alunos na Prova Brasil, avaliação aplicada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) a cada dois anos. Com base nessas informações, são atribuídas notas para cada escola pública do País, assim como para as redes de ensino e para os municípios e os estados. Cada escola, prefeitura e governo estadual tem uma meta que deve ser atingida de dois em dois anos.
O indicador atribui uma nota diferente para três etapas da educação básica: anos iniciais do ensino fundamental (1° ao 5º ano), anos finais do ensino fundamental (6º ao 9º ano) e ensino médio. Se nos anos iniciais houve crescimento de 0,4 ponto, nos anos finais a melhora é mais lenta - a nota passou de 4 pontos em 2009 para 4,1 em 2011. No caso do ensino médio, a situação é mais grave: na média nacional, a meta de 3,7 pontos foi atingida, mas nove estados pioraram seu desempenho em relação a 2009.
Para a diretora executiva do Movimento Todos pela Educação, Priscila Cruz, os resultados dos anos iniciais do ensino fundamental devem ser comemorados. "A gente está acertando a mão. Já sabemos o que fazer [para melhorar a aprendizagem], o que precisamos é intensificar as ações. Já [a fase final do] ensino fundamental é o nó invisível, existem poucas políticas voltadas para essa etapa. E no ensino médio está a crise, não conseguimos evoluir", aponta.
O objetivo do Ideb é fomentar a melhoria da qualidade do ensino para que o país atinja a nota 6 para as séries iniciais do ensino fundamental até 2022, bicentenário da Independência. Em 2005, o Ideb aferido para os anos iniciais foi 3,8. Em 2007, subiu para 4,2, em 2009, para 4,6, e agora chegou aos 5 pontos. Em todas as edições, as médias nacionais superaram as metas estabelecidas para o período.
O professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Márcio Costa avalia que os resultados devem ser analisados com cautela. "Eu não asseguraria que esse resultado quer dizer necessariamente que há uma melhoria na qualidade da educação", diz. O pesquisador aponta que os resultados em educação muitas vezes estão conectados a fatores externos à escola, como a condição social dos alunos.
"Um dos fatores mais associados ao desempenho escolar é o nível socioeconômico da população. Com a melhoria de renda que o País vive, é esperado que isso tenha um reflexo na educação, portanto o resultado não necessariamente é fruto da política educacional. Em educação, tudo é um conjunto complexo de fatores", destaca.
Para o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, os resultados precisam ser comemorados. "Quero parabenizar os professores do Brasil que permitiram no seu trabalho cotidiano que o Brasil alcançasse esse resultado", disse.
O ministro citou três fatores como explicação para a melhoria do Ideb nos anos iniciais. O primeiro seria o ensino fundamental de nove anos, modelo que começou a ser implantado em 2007 e antecipou a entrada das crianças no ensino fundamental dos 7 para os 6 anos de idade. Os outros seriam o aumento dos investimentos em educação e das matrículas na educação infantil. "Outro fator importante é o fortalecimento da cultura da avaliação. Quando você mede e estabelece metas o sistema se move, você estabelece uma perspectiva de melhora e uma ambição de futuro."
Ensino médio piora - Se os dados indicam melhora na qualidade nos primeiros anos do ensino fundamental, os resultados não são animadores no ensino médio. Entre 2009 e 2011, o Ideb do ensino médio subiu apenas 0,1 ponto, passando de 3,6 para 3,7. A meta nacional esperada para o período foi atingida, mas em nove estados o índice piorou em relação à edição anterior.
Mercadante argumentou que "internacionalmente" o ensino médio continua sendo um "grande desafio" para qualquer sistema educacional. Ele defendeu que o currículo da etapa precisa ser reformulado porque é muito sobrecarregado. Em algumas redes de ensino, o total de disciplinas chega a 19. "É uma sobrecarga muito grande que não contribui para você ter foco nas disciplinas essenciais, como língua portuguesa, matemática e ciências", disse.
Outro problema do ensino médio, segundo Mercadante, é a falta de professores com formação específica para algumas áreas, como matemática e ciências, além da alta concentração de matrículas no turno noturno - 30% dos jovens do ensino médio estudam à noite.
Vera Masagão, coordenadora-geral da organização não governamental Ação Educativa, aponta que o ensino médio é um nível subfinanciado. "A gente precisa de um investimento muito forte em qualidade e não é à toa que a matrícula também está aquém, poderia haver muito mais jovens matriculados no ensino médio que estão fora da escola", disse.
Mercadante não quis comentar os resultados dos estados que tiveram Ideb inferior ao registrado em 2009. "Uma mesma região tem estados e cidades que evoluíram muito mais que outros. Há especificidades, a gestão na ponta. O professor na sala de aula, o diretor da escola, o secretário municipal. Vamos olhar essa informação e tentar tirar lições para avançar", disse. O ministro aposta que a educação em tempo integral pode ser uma "grande resposta" para melhorar a qualidade do ensino.
Tricampeão - Pela terceira vez consecutiva, o Colégio de Aplicação da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) conquistou a melhor colocação entre as escolas públicas do País no Ideb. O colégio pernambucano tirou nota 8,1 nos anos finais do ensino fundamental (6º ao 9º ano). A escala varia de zero a 10 e a nota 6 já é considerada excelência em ensino. O resultado do Aplicação foi superior ao de 2009, quando a instituição obteve 8, mas inferior a 2007, com a média de 8,2. A Escola do Recife, ligada à Universidade de Pernambuco (UPE), ficou com o 5º lugar, com 7,3.
"Aqui, com o suporte das famílias, fazemos com que os alunos pensem, raciocinem. Outro diferencial é qualidade do corpo docente. Cerca de 80% dos nossos professores são mestres e doutores", afirmou o diretor do Aplicação, Alfredo Matos. Para entrar na escola, os candidatos submetem-se a um "vestibulinho", cuja concorrência, muitas vezes, supera a do curso de medicina da UFPE.
O segundo lugar entre as escolas públicas no Ideb ficou com o Colégio Estadual Waldemiro Pita, no Rio de Janeiro, com média 7,8, seguida por uma escola estadual da mesma cidade, a Oscar Batista, que obteve 7,7. O quarto lugar ficou com o Colégio Dom Pedro II, federal do Rio de Janeiro, com Ideb de 7,6,seguido pela Escola do Recife.
A escola pública que mais se destacou nos anos iniciais do ensino fundamental em Pernambuco é a Escola Municipal São Miguel, localizada no município de Quixaba, no Sertão do estado. A unidade alcançou a nota 7,8. No ensino médio, não foram divulgados resultados por escola. Mas Pernambuco avançou na média geral. No Ideb 2011, o estado somou 3,4. No último Ideb, a nota foi 3,3.
Confira os dados por unidade da Federação, municípios e escolas: http://portal.inep.gov.br/web/portal-ideb/planilhas-para-download.
Confira o sistema do Ideb de 2011: http://ideb.inep.gov.br/resultado/.
(JC com Agência Brasil e MEC)
quarta-feira, 15 de agosto de 2012
DALVA DE OLIVEIRA
Para a Dona Nega!
Viva Dalva de Oliveira!!!
Uma cantora cuja vida marcada por amores e reviravoltas não deve em nada aos melhores folhetins. Sua potência vocal de soprano e também a afinação impecável, permitiram-lhe deixar a vida pobre e alcançar o estrelato. Já sua forma de cantar fez dela ícone de uma época, influenciando toda uma geração de cantoras. De Leny Eversong a Ângela Maria, foram várias as artistas que se renderam ao talento dessa intérprete dona de olhos verdes que hipnotizavam multidões. (Via Estúdio F - Funarte)
AQUI!
Viva Dalva de Oliveira!!!
Uma cantora cuja vida marcada por amores e reviravoltas não deve em nada aos melhores folhetins. Sua potência vocal de soprano e também a afinação impecável, permitiram-lhe deixar a vida pobre e alcançar o estrelato. Já sua forma de cantar fez dela ícone de uma época, influenciando toda uma geração de cantoras. De Leny Eversong a Ângela Maria, foram várias as artistas que se renderam ao talento dessa intérprete dona de olhos verdes que hipnotizavam multidões. (Via Estúdio F - Funarte)
Comentário básico:
É impossível para mim
ouvir Dalva de Oliveira
sem chorar. Muito.
É impossível para mim
ouvir Dalva de Oliveira
sem chorar. Muito.
Ki voz!!!!
Adelidia Chiarelli
Adelidia Chiarelli
Justiça manda Eternit pagar indenização de R$ 300 mil
Via blog do Noblat
15.08.2012
Cássia Almeida, O Globo
Em abril de 2008, Aldo Vicentin, aos 66 anos, foi diagnosticado com mesotelioma, um tipo de câncer raro, causado na grande maioria das vezes, por exposição ao amianto. Ele havia trabalhado na fábrica da Eternit em Osasco (SP).
Quatro anos após a sua morte, em julho de 2008, a Justiça do Trabalho de São Paulo mandou a Eternit pagar R$ 300 mil de indenização para a viúva Gizelia Gomes Vicentin. Vicentin foi um dos fundadores da Associação Brasileira de Expostos ao Amianto (Abrea). Ajudou a localizar ex-colegas de trabalho doentes e ficou na associação até pouco antes de morrer.
Leia mais em Justiça manda Eternit pagar indenização de R$ 300 mil
15.08.2012
Cássia Almeida, O Globo
Em abril de 2008, Aldo Vicentin, aos 66 anos, foi diagnosticado com mesotelioma, um tipo de câncer raro, causado na grande maioria das vezes, por exposição ao amianto. Ele havia trabalhado na fábrica da Eternit em Osasco (SP).
Quatro anos após a sua morte, em julho de 2008, a Justiça do Trabalho de São Paulo mandou a Eternit pagar R$ 300 mil de indenização para a viúva Gizelia Gomes Vicentin. Vicentin foi um dos fundadores da Associação Brasileira de Expostos ao Amianto (Abrea). Ajudou a localizar ex-colegas de trabalho doentes e ficou na associação até pouco antes de morrer.
Leia mais em Justiça manda Eternit pagar indenização de R$ 300 mil
Adolescentes de até 14 anos são as maiores
vítimas de estupro
Via blog do Noblat
15.08.2012
Gustavo Goulart, O Globo
A maioria dos crimes de estupro praticados no ano passado no Estado do Rio teve adolescentes de até 14 anos como vítimas. Do total de 4.871 casos, 53,6% tinham até esta idade; 24,1%, até 9 anos; e 29,5% entre 10 e 14 anos. A maioria das vítimas foi mulher (82,6%).
E 70,9% dos crimes ocorreram dentro de casa, no ambiente familiar. As mulheres também foram as maiores vítimas dos crimes de ameaça, representando 66,8%, e lesão corporal dolosa, com 64,5%. Esses são alguns dados da sétima edição do “Dossiê Mulher”, estudo Instituto de Segurança Pública (ISP) sobre violência contra a mulher em 2011, divulgado nesta terça-feira
Leia mais em
Adolescentes de até 14 anos são as maiores vítimas de estupro
15.08.2012
Gustavo Goulart, O Globo
A maioria dos crimes de estupro praticados no ano passado no Estado do Rio teve adolescentes de até 14 anos como vítimas. Do total de 4.871 casos, 53,6% tinham até esta idade; 24,1%, até 9 anos; e 29,5% entre 10 e 14 anos. A maioria das vítimas foi mulher (82,6%).
E 70,9% dos crimes ocorreram dentro de casa, no ambiente familiar. As mulheres também foram as maiores vítimas dos crimes de ameaça, representando 66,8%, e lesão corporal dolosa, com 64,5%. Esses são alguns dados da sétima edição do “Dossiê Mulher”, estudo Instituto de Segurança Pública (ISP) sobre violência contra a mulher em 2011, divulgado nesta terça-feira
Leia mais em
Adolescentes de até 14 anos são as maiores vítimas de estupro
Justiça de SP reconhece Ustra como torturador
Via blog do Josias de Souza
14.08.2012
O Tribunal de Justiça de São Paulo reconheceu nesta terça (14) que o coronel reformado do Exército Carlos alberto Brilhante Ustra é torturador. No início da década de 70, Ustra comandou o DOI-Codi (Centro de Operações de Defesa Interna), principal centro de repressão aos combatentes da ditadura em São Paulo.
Foi a primeira vez que um tribunal brasileiro reconheceu um agente da ditadura militar como torturador. Deve-se a condenação a uma ação movida pela família Teles, que teve cinco de seus membros presos e moídos nas dependências do centro de suplícios comandado por Ustra, em 1973. CONTINUA!
14.08.2012
O Tribunal de Justiça de São Paulo reconheceu nesta terça (14) que o coronel reformado do Exército Carlos alberto Brilhante Ustra é torturador. No início da década de 70, Ustra comandou o DOI-Codi (Centro de Operações de Defesa Interna), principal centro de repressão aos combatentes da ditadura em São Paulo.
Foi a primeira vez que um tribunal brasileiro reconheceu um agente da ditadura militar como torturador. Deve-se a condenação a uma ação movida pela família Teles, que teve cinco de seus membros presos e moídos nas dependências do centro de suplícios comandado por Ustra, em 1973. CONTINUA!
Ensino fundamental melhora no país, mas médio não avança, aponta Ideb
Jornal Nacional
14.08.2012
Acre, Pará, Maranhão, Paraíba, Alagoas, Bahia, Espírito Santo, Paraná e Rio Grande do Sul tiveram desempenho pior do que índice de 2009. Ideb avalia alunos das redes pública e privada.
A qualidade do ensino fundamental melhorou, no Brasil, entre os anos de 2009 e 2011, mas, no mesmo período, não houve evolução no ensino médio. O Ideb, o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica, avalia alunos das redes pública e privada.
O índice é calculado a partir das notas dos alunos em avaliações nacionais, como a Prova Brasil, e a taxa de aprovação dos estudantes. Vai de zero a dez e serve para comparar, a cada dois anos, o que acontece dentro das salas de aula, desde o ensino fundamental até o ensino médio. Leia a matéria completa. Veja o vídeo.
Leia também:
Dificuldade de encontrar mão de obra qualificada afeta economia brasileira
14.08.2012
Acre, Pará, Maranhão, Paraíba, Alagoas, Bahia, Espírito Santo, Paraná e Rio Grande do Sul tiveram desempenho pior do que índice de 2009. Ideb avalia alunos das redes pública e privada.
A qualidade do ensino fundamental melhorou, no Brasil, entre os anos de 2009 e 2011, mas, no mesmo período, não houve evolução no ensino médio. O Ideb, o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica, avalia alunos das redes pública e privada.
O índice é calculado a partir das notas dos alunos em avaliações nacionais, como a Prova Brasil, e a taxa de aprovação dos estudantes. Vai de zero a dez e serve para comparar, a cada dois anos, o que acontece dentro das salas de aula, desde o ensino fundamental até o ensino médio. Leia a matéria completa. Veja o vídeo.
Leia também:
Dificuldade de encontrar mão de obra qualificada afeta economia brasileira
terça-feira, 14 de agosto de 2012
Tribunal Regional Federal suspende obras de Belo Monte
Via Estadão
Por Fátima Lessa
14.08.2012
No caso de não cumprimento da decisão, multa diária é de R$ 500 mil
CUIABÁ - A 5ª Turma do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, em Brasília, aceitou o recurso promovido pelo Ministério Público Federal (MPF) e determinou em julgamento ocorrido na noite desta segunda-feira, a paralisação imediata das obras da Usina Hidrelétrica de Belo Monte em Volta Grande do Xingu em Altamira do Pará. No caso de não cumprimento, a multa é de R$ 500 mil por dia.
Na semana passada, a mesma Turma determinou a suspensão das obras da Usina de Teles Pires na divisa entre Pará e Mato Grosso. A 5ª turma do Tribunal Regional Federal da 1.ª Região seguiu o voto do relator do recurso, desembargador Souza Prudente, e determinou, por unanimidade a paralisação imediata do empreendimento, sob pena de multa diária de R$ 100 mil em caso de descumprimento. CONTINUA!
Por Fátima Lessa
14.08.2012
No caso de não cumprimento da decisão, multa diária é de R$ 500 mil
CUIABÁ - A 5ª Turma do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, em Brasília, aceitou o recurso promovido pelo Ministério Público Federal (MPF) e determinou em julgamento ocorrido na noite desta segunda-feira, a paralisação imediata das obras da Usina Hidrelétrica de Belo Monte em Volta Grande do Xingu em Altamira do Pará. No caso de não cumprimento, a multa é de R$ 500 mil por dia.
Na semana passada, a mesma Turma determinou a suspensão das obras da Usina de Teles Pires na divisa entre Pará e Mato Grosso. A 5ª turma do Tribunal Regional Federal da 1.ª Região seguiu o voto do relator do recurso, desembargador Souza Prudente, e determinou, por unanimidade a paralisação imediata do empreendimento, sob pena de multa diária de R$ 100 mil em caso de descumprimento. CONTINUA!
Satchita - Playing for change project
Valeu, Ophelia!!!!
Grande abraço da maninha aqui!!!
E VIVA A VILA TIBÉRIO!!!
Grande abraço da maninha aqui!!!
E VIVA A VILA TIBÉRIO!!!
Dificuldade de encontrar mão de obra qualificada afeta economia brasileira
Jornal Nacional
Por JOSÉ ROBERTO BURNIER
E MARCO ANTÔNIO GONÇALVES
13.08.2012
A origem do problema é uma velha conhecida: a precariedade da educação brasileira. De acordo com a Organização Internacional do Trabalho, metade dos trabalhadores brasileiro não completou nem o ensino fundamental.
A dificuldade de encontrar quem tenha preparação adequada pra preencher vagas afeta muitos setores da economia brasileira. É o apagão de mão de obra qualificada.
Pode não ter sido na velocidade da locomotiva chinesa. Mas é fato: a economia brasileira teve, na última década, o maior crescimento desde os anos 70. As empresas investiram, aumentaram a produção e, claro, precisaram de mais trabalhadores.
Entre 2001 e 2010, o país criou quase 18 milhões de empregos com carteira assinada, um aumento de 68%.
O que parecia um caminho para um ciclo virtuoso deu de cara com barreiras que muitos não previram, como as crises no exterior, outras escancaradas, como a precária infraestrutura do país e uma, que havia tempo estava embaixo do tapete: a falta de mão de obra qualificada. Mas o que é isso?
Mão de obra qualificada é o trabalhador que tem as qualidades mínimas exigidas para exercer a função para a qual ele está sendo contratado. Desde a mais simples até a mais sofisticada. Veja a matéria completa. Veja o vídeo.
Por JOSÉ ROBERTO BURNIER
E MARCO ANTÔNIO GONÇALVES
13.08.2012
A origem do problema é uma velha conhecida: a precariedade da educação brasileira. De acordo com a Organização Internacional do Trabalho, metade dos trabalhadores brasileiro não completou nem o ensino fundamental.
A dificuldade de encontrar quem tenha preparação adequada pra preencher vagas afeta muitos setores da economia brasileira. É o apagão de mão de obra qualificada.
Pode não ter sido na velocidade da locomotiva chinesa. Mas é fato: a economia brasileira teve, na última década, o maior crescimento desde os anos 70. As empresas investiram, aumentaram a produção e, claro, precisaram de mais trabalhadores.
Entre 2001 e 2010, o país criou quase 18 milhões de empregos com carteira assinada, um aumento de 68%.
O que parecia um caminho para um ciclo virtuoso deu de cara com barreiras que muitos não previram, como as crises no exterior, outras escancaradas, como a precária infraestrutura do país e uma, que havia tempo estava embaixo do tapete: a falta de mão de obra qualificada. Mas o que é isso?
Mão de obra qualificada é o trabalhador que tem as qualidades mínimas exigidas para exercer a função para a qual ele está sendo contratado. Desde a mais simples até a mais sofisticada. Veja a matéria completa. Veja o vídeo.
Paes afirma que orçamento dos Jogos só será fechado em 2013
Via blog do Noblat
14.08.2012
O orçamento das Olimpíadas de 2016 só será fechado no segundo semestre do ano que vem. A informação foi confirmada na segunda-feira pelo prefeito Eduardo Paes, ao desembarcar de Londres com a bandeira olímpica.
Era uma resposta à cobrança da divulgação dos gastos com instalações para os Jogos e obras de infraestrutura na cidade, feita pelo presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), Jacques Rogge, 12 horas antes de entregar ao prefeito a bandeira, durante a festa de encerramento dos Jogos de Londres.
— Não vamos ser irresponsáveis. Eu não vou dar um chute. Tudo está dentro do cronograma e segue o seu ritmo. As grandes obras estão aí, e algumas já têm seus custos, como o Parque Olímpico (R$ 500 milhões para a infraestrutura) e o Transolímpico (R$ 1,6 bilhão, para construir o corredor expresso de ônibus ligando a Barra da Tijuca a Deodoro).
Leia mais em Após chegar com bandeira olímpica ao Rio, Paes afirma que orçamento dos Jogos só será fechado em 2013
***
Veja também, na Band:
Brasil prevê gastos de R$ 28 bilhões até Rio 2016
14.08.2012
Selma Schimidt e Maria Elena Alves, O Globo
O orçamento das Olimpíadas de 2016 só será fechado no segundo semestre do ano que vem. A informação foi confirmada na segunda-feira pelo prefeito Eduardo Paes, ao desembarcar de Londres com a bandeira olímpica.
Era uma resposta à cobrança da divulgação dos gastos com instalações para os Jogos e obras de infraestrutura na cidade, feita pelo presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), Jacques Rogge, 12 horas antes de entregar ao prefeito a bandeira, durante a festa de encerramento dos Jogos de Londres.
— Não vamos ser irresponsáveis. Eu não vou dar um chute. Tudo está dentro do cronograma e segue o seu ritmo. As grandes obras estão aí, e algumas já têm seus custos, como o Parque Olímpico (R$ 500 milhões para a infraestrutura) e o Transolímpico (R$ 1,6 bilhão, para construir o corredor expresso de ônibus ligando a Barra da Tijuca a Deodoro).
Leia mais em Após chegar com bandeira olímpica ao Rio, Paes afirma que orçamento dos Jogos só será fechado em 2013
***
Veja também, na Band:
Brasil prevê gastos de R$ 28 bilhões até Rio 2016
segunda-feira, 13 de agosto de 2012
domingo, 12 de agosto de 2012
SBPC se manifesta sobre o Marco Civil da Internet
JC e-mail 4559, de 10 de Agosto de 2012.
SBPC se manifesta sobre o Marco Civil da Internet
Confira carta encaminhada aos deputados sobre o tema.
Senhor Deputado,
A Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) manifesta-se apoiando a "Carta de Olinda", emanada e aprovada por unanimidade na plenária final do 2º Fórum de Internet do Brasil, ocorrido em Olinda/Pernambuco em 4 de julho, promovido pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil.
Assim, a SBPC considera imperativa a aprovação do Marco Civil da Internet no Brasil em função da sua importância crucial para a garantia da liberdade e dos direitos de cidadania, individuais e coletivos na rede.
A Internet encontra-se sob ataque. Em vários países, grandes corporações e segmentos retrógrados da máquina estatal querem restringir as possibilidades democráticas que a Internet nos trouxe, bloquear o compartilhamento de bens culturais e impedir a livre criação de conteúdos, plataformas e tecnologias.
Neste sentido, defendemos que o Marco Civil assegure o princípio de neutralidade da rede. Os controladores da infraestrutura física da Internet não podem impor qualquer tipo de filtragem ou interferência política, econômica, comercial, cultural, religiosa, comportamental, por origem ou destino dos pacotes de dados que transitam na Internet.
Estamos preocupados com as pressões dos grupos econômicos internacionais para que se efetive a remoção de conteúdos da rede sem ordem judicial efetiva. É inaceitável que os provedores sejam transformados em poder judiciário privado e sejam instados a realizar julgamentos sem o devido processo legal, sem a garantia do direito constitucional de ampla defesa.
Atenciosamente,
Helena Bonciani Nader
Presidente da SBPC
Traços exóticos da 'partícula de Deus' surpreendem físicos
JC e-mail 4559, de 10 de Agosto de 2012.
Traços exóticos da 'partícula de Deus' surpreendem físicos
Estudo com participação de brasileiro indica que bóson de Higgs pode não se encaixar em teoria mais aceita hoje. Análise preliminar dá pistas de partículas ainda desconhecidas; outros cientistas pedem cautela com os dados.
A partícula de Deus está, ao que parece, do jeito que o diabo gosta: malcomportada. É o que indica uma análise preliminar de dados coletados no LHC, maior acelerador de partículas do mundo.
O trabalho, feito por Oscar Éboli, do Instituto de Física da Universidade de São Paulo (USP), sugere que o chamado bóson de Higgs, que seria responsável por dar massa a tudo o que existe, não está se portando como deveria, a julgar pela teoria que previu sua existência, o Modelo Padrão. Se confirmado, o comportamento anômalo da partícula seria a deixa para uma nova era da física.
A descoberta do possível bóson, anunciada com estardalhaço no mês passado, foi comemorada como a finalização de uma etapa gloriosa no estudo das partículas fundamentais da matéria. Sua existência, em resumo, explicaria porque o Sol pode produzir sua energia e criaturas como nós podem existir.
Dada sua importância para a consistência do Universo (e fazendo uma analogia com a história bíblica da torre de Babel), o físico ganhador do Nobel Leon Lederman deu ao bóson o apelido de "partícula de Deus".
Para analisar o bóson de Higgs, é preciso primeiro produzir uma colisão entre prótons em altíssima velocidade - função primordial do LHC. Então, do impacto de alta energia, surgem montes de novas partículas, dentre as quais o Higgs, que rapidamente decai, como se diz.
É que, por ser muito instável, o bóson se "decompõe" quando a energia da colisão diminui. Aparecem, no lugar dele, outras partículas. É esse subproduto que pode ser detectado e indicar a existência do bóson de Higgs. Contudo, isso exige a realização de muitos impactos, até que as estatísticas comecem a sugerir a presença do procurado bóson.
Os dados coletados até aqui são suficientes para apontar a existência da partícula, mas suas características específicas ainda não puderam ser determinadas. "Estamos ainda num estágio inicial da exploração das propriedades da dela", diz Éboli. "Contudo, há uma indicação de que o Higgs decaia mais em dois fótons [partículas de luz] do que seria esperado no Modelo Padrão."
Os resultados dessa análise preliminar foram divulgados no Arxiv.org, repositório de estudos de física na internet, e abordados na revista "Pesquisa Fapesp".
Surpresa bem-vinda - A novidade anima os cientistas. "Para a maioria dos físicos, o Modelo Padrão é uma boa representação da natureza, mas não é a teoria final", afirma Éboli. "Se de fato for confirmado que o Higgs está decaindo mais que o esperado em dois fótons, isso pode significar que novas partículas podem estar dentro do alcance de descoberta do LHC."
Poderia ser o primeiro vislumbre de um novo "zoológico" de tijolos elementares da matéria. Previa-se que essas partículas exóticas começassem a aparecer com as energias elevadas do LHC.
Tudo muito interessante, mas nada resolvido. "É um trabalho muito sério, mas eu acho que ainda é muito cedo para se tirar qualquer conclusão se se trata ou não do Higgs padrão", afirma Sérgio Novaes, pesquisador da Unesp que participa de um dos experimentos que detectaram o bóson de Higgs. "Até o final do ano as coisas estarão um pouco mais claras", avalia ele.
(Folha de são Paulo)
sábado, 11 de agosto de 2012
"Não existe bronzeado seguro", diz o especialista Fernando Stengel
Via Agência FAPESP
Por Karina Toledo
10/08/2012
Agência FAPESP – Quando o assunto é a prevenção do câncer de pele, mais importante do que defender o uso de filtro solar é “fotoeducar” pacientes, médicos, indústria farmacêutica, políticos e autoridades de saúde, defende o dermatologista Fernando Stengel, presidente da Fundação Argentina de Câncer de Pele e membro do Conselho Internacional da Skin Cancer Foundation.
Durante participação no 14º Congresso Mundial de Câncer de Pele, realizado em São Paulo no início de agosto, Stengel questionou a eficácia da fotoproteção como praticada hoje. “Filtros solares são um produto e são vendáveis. Por isso foram superpromovidos. Agora estamos voltando atrás”, disse em entrevista à Agência FAPESP.
Stengel afirma que o sol não é mais perigoso hoje do que no passado. “Mas a preocupação com o câncer de pele, no entanto, é maior, pois as pessoas estão mais expostas à radiação solar e a expectativa de vida aumentou”, disse.
Segundo dados da Skin Cancer Foundation, nos Estados Unidos mais pessoas tiveram câncer de pele nos últimos 31 anos do que todos os outros casos de câncer somados. Um em cada cinco americanos desenvolverá a doença ao longo da vida e uma pessoa morre de melanoma a cada hora.
Também no Brasil o câncer de pele é o tumor mais frequente, de acordo com dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca). A estimativa para 2012 é de 134,1 mil novos casos de câncer de pele não melanoma e 1,3 mil casos de melanoma.
Um único episódio de queimadura solar na infância ou na adolescência dobra o risco de melanoma, segundo especialistas da Skin Cancer Foundation. O risco também dobra caso existam cinco ou mais episódios de queimadura solar em qualquer idade.
Ainda assim, a cultura do bronzeado está em toda parte, disse Stengel. “É preciso rever a forma como a mensagem sobre fotoprevenção tem sido difundida”, disse. CONTINUA!
Por Karina Toledo
10/08/2012
Agência FAPESP – Quando o assunto é a prevenção do câncer de pele, mais importante do que defender o uso de filtro solar é “fotoeducar” pacientes, médicos, indústria farmacêutica, políticos e autoridades de saúde, defende o dermatologista Fernando Stengel, presidente da Fundação Argentina de Câncer de Pele e membro do Conselho Internacional da Skin Cancer Foundation.
Durante participação no 14º Congresso Mundial de Câncer de Pele, realizado em São Paulo no início de agosto, Stengel questionou a eficácia da fotoproteção como praticada hoje. “Filtros solares são um produto e são vendáveis. Por isso foram superpromovidos. Agora estamos voltando atrás”, disse em entrevista à Agência FAPESP.
Stengel afirma que o sol não é mais perigoso hoje do que no passado. “Mas a preocupação com o câncer de pele, no entanto, é maior, pois as pessoas estão mais expostas à radiação solar e a expectativa de vida aumentou”, disse.
Segundo dados da Skin Cancer Foundation, nos Estados Unidos mais pessoas tiveram câncer de pele nos últimos 31 anos do que todos os outros casos de câncer somados. Um em cada cinco americanos desenvolverá a doença ao longo da vida e uma pessoa morre de melanoma a cada hora.
Também no Brasil o câncer de pele é o tumor mais frequente, de acordo com dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca). A estimativa para 2012 é de 134,1 mil novos casos de câncer de pele não melanoma e 1,3 mil casos de melanoma.
Um único episódio de queimadura solar na infância ou na adolescência dobra o risco de melanoma, segundo especialistas da Skin Cancer Foundation. O risco também dobra caso existam cinco ou mais episódios de queimadura solar em qualquer idade.
Ainda assim, a cultura do bronzeado está em toda parte, disse Stengel. “É preciso rever a forma como a mensagem sobre fotoprevenção tem sido difundida”, disse. CONTINUA!
sexta-feira, 10 de agosto de 2012
Onde vão parar os alunos de medicina? Artigo de João Sobreira
JC e-mail 4558, de 09 de Agosto de 2012.
Onde vão parar os alunos de medicina? Artigo de João Sobreira
João Sobreira de Moura Neto é oftamologista em Santos e diretor de Defesa Profissional da Associação Paulista de Medicina. Artigo publicado no jornal O Estado de São Paulo de hoje (9).
Entra governo, sai governo, e se mantém o vilipêndio ao ensino médico no Brasil. O Ministério da Educação (MEC) autorizou, em junho, a criação de mais nove cursos de medicina particulares, com 800 vagas no total, sendo 520 nas Regiões Sul e Sudeste, onde hoje já se concentram 72% dos médicos brasileiros. As novas escolas estão nas cidades de Votuporanga (60 vagas) e São José do Rio Preto (160 vagas em dois cursos), no estado de São Paulo; Belo Horizonte (120 vagas) e Betim (120 vagas), em Minas Gerais; e Londrina (60 vagas), no Paraná. As demais ficam no Recife (120 vagas), Cajazeiras, na Paraíba (60 vagas), e Salvador (100 vagas).
Ao ler esses números, é simples constatar quão infundado se apresenta o argumento de que seriam necessárias mais escolas de medicina porque há cidades e regiões que não contam comesses profissionais. Falácia. Provavelmente, nenhum dos médicos que vierem a se formar num desses novos cursos privados vai trabalhar numa cidade ou região carente de médicos.
Eles farão, sim, parte de um sistema saturado de profissionais de medicina nas instituições de melhor qualidade. Disputarão acirradamente vagas em programas de residência médica e poucos conseguirão ser selecionados. Resistirão a trabalhar na periferia dos grandes centros onde estudaram. Se vierem a fazê-lo, perderão muitas horas de sua vida no trânsito e estarão sujeitos a todo tipo de cobrança e violência nas unidades de saúde.
Precisarão fazer muitos e muitos plantões para somar uma remuneração razoável, que nem sequer de longe será suficiente para cobrir, em médio prazo, as altas mensalidades pagas à faculdade. Não se sentirão atraídos a começar a vida profissional num local distante, sem garantias trabalhistas e sem perspectiva de mobilidade, como tempo, para instituições de sua preferência. Acabarão tendo múltiplos empregos e vínculos, precários, sem conseguirem se dedicar à prática médica da maneira que sonharam. Sem conseguirem estudar de forma continuada. Sem conseguirem cuidar de si mesmos. Esperando que, um dia, o trabalho médico venha a ser valorizado no serviço público e pelos planos de saúde. Sabe-se lá quando...
Se essa é a realidade dos atuais médicos jovens, o que se dirá a respeito dos futuros profissionais? E o MEC foi além: anunciou publicamente que pretende criar mais 2.415 vagas em cursos de medicina já existentes e em outros a serem abertos até 2014. Em defesa da saúde dos cidadãos e da qualidade do exercício da medicina do Brasil, a Associação Médica Brasileira (AMB), a Associação Paulista de Medicina (APM) e o Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp), com apoio das sociedades de especialidade, repudiaram em nota oficial a intenção do ministério.
Atualmente, já temos 196 escolas médicas no País, somando 16.892 vagas. Sete delas foram criadas em 2011, sendo cinco particulares, uma municipal e uma estadual. Este ano, além das nove já mencionadas, foi criada uma federal em fevereiro. No quadro geral, são 82 cursos públicos (federais, estaduais e municipais), ante 114 privados, criados, principalmente, de 1967 a 1970 (auge do período militar), de 1997 a 1999 (segundo mandato do governo Fernando Henrique Cardoso) e desde 2002 até nossos dias (governos Lula e Dilma Rousseff).
No estado de São Paulo há 36 escolas médicas, sendo a grande maioria particular (26). O total de vagas é de 2.633, o que representa 15,6 % do número geral em todo o País. Novamente, a maior parte dessas vagas é privada: 65 %. Chama a atenção que esse cenário se tenha agravado nos últimos dez anos, quando foram abertos 12 novos cursos, todos privados, mais que dobrando as vagas particulares existentes até então. A interesses de quem o Executivo se tem empenhado em atender? Os dados estão todos disponíveis no site www.escolasmedicas.com.br.
Além do mais, temos clareza de que uma política de "transbordamento" não será capaz de levar e fixar médicos em regiões periféricas. O caminho, insistentemente ignorado pelos gestores, é a valorização do trabalho médico e a criação de uma carreira de Estado para esses profissionais, nos moldes do Poder Judiciário.
Curioso é que, embora anuncie sem pudor ou justificativa plausível a proliferação de escolas médicas, o MEC não menciona nada sobre o que será feito com os cursos de má qualidade, o que se comprova nas notas do Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade). Das 141 instituições avaliadas na última edição, 23 (quase 17%) tiveram notas entre 1 e 2 e nenhuma obteve a nota máxima (5). O ex-ministro da Saúde Adib Jatene, convidado para presidir uma comissão de especialistas responsável por avaliar essas escolas, desistiu após meses e meses de diversas visitas técnicas, pareceres, termos, estabelecimento de critérios e... nenhum avanço.
Por outro lado, o Exame do Cremesp, realizado voluntariamente desde 2005, passa a ser obrigatório já a partir deste ano, por determinação da Resolução n.º 239, recém-publicada. A aprovação ainda não será requisito para que o novo médico obtenha o seu registro profissional e, portanto, possa praticar a medicina. Mas o fato de todos se submeterem à prova será fundamental para que um retrato mais exato da formação médica em São Paulo seja exposto à sociedade.
Desde a fase voluntária, os índices de reprovação já chocavam a opinião pública. Agora teremos mais uma prova de que escolas sem condições mínimas de realmente "formar" médicos representam grave risco para a saúde da população e põem em xeque tanto o sistema público quanto o suplementar. Assim, o foco da discussão é a qualidade, e não mais apenas a quantidade. É um ato de cidadania cobrar das autoridades competentes uma proposta clara, factível e eficiente para avaliar essas escolas e exigir a estrutura necessária ao ensino/aprendizagem em níveis adequados.
* A equipe do Jornal da Ciência esclarece que o conteúdo e opiniões expressas nos artigos assinados são de responsabilidade do autor e não refletem necessariamente a opinião do jornal.
Países em desenvolvimento querem pagamento de royalties por uso de saberes tradicionais
JC e-mail 4558, de 09 de Agosto de 2012.
Países em desenvolvimento querem pagamento de royalties por uso de saberes tradicionais
Até sexta-feira (10), representantes de 40 países em desenvolvimento discutem, no Palácio do Itamaraty, a proteção intelectual e a remuneração pelo uso comercial de conhecimentos ancestrais, recursos genéticos da biodiversidade local, folclore e direitos autorais.
A iniciativa é do Ministério das Relações Exteriores (MRE), do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) e da Organização Mundial da Propriedade Industrial (Ompi), que já discute em três comitês internos a chamada Agenda do Desenvolvimento, que visa beneficiar os países do Hemisfério Sul.
"A ideia geral é que o conhecimento considerado tradicional possa ser objeto de parte [do pagamento] dos royalties gerados por aquela tecnologia originada em saber antigo", explica Jorge de Paula Costa Avila, presidente do INPI.
"A intenção é que os países soberanos sobre os seus recursos genéticos possam auferir algum tipo de participação de ganhos que advirão de patentes registradas e desenvolvidas a partir de recursos da sua biodiversidade", complementa o conselheiro Kenneth Nóbrega, chefe da Divisão de Propriedade Intelectual do MRE.
"O que se quer é que no sistema internacional de proteção de patentes se leve em conta o fato de que um remédio ou produto químico, por exemplo, são desenvolvidos com base em recursos da biodiversidade", explica o diplomata.
Não há estimativa do valor que possa ser recebido pelos países em desenvolvimento que guardam as maiores reservas biológicas e têm a maior diversidade étnica, mas o presidente do INPI imagina que um percentual entre 5% e 10% dos royalties possa ser repassado, por exemplo, pelo uso de plantas consideradas medicinais cujo princípio ativo possa dar origem a novos medicamentos.
Jorge Avila admite, no entanto, que os mecanismos de proteção e pagamento poderão ser de difícil desenho. Isso porque muitas vezes o conhecimento tradicional é ancestral, difuso e sem registro escrito, e pode ser verificado em mais de um ponto geográfico por causa da migração das populações.
Anfitrião da reunião, o governo brasileiro assinou um acordo de cooperação de duração de quatro anos, no valor de R$ 2,1 milhões, com a Ompi para auxiliar projetos sobre propriedade intelectual para países em desenvolvimento.
Apesar da iniciativa, o Brasil tem, segundo especialistas, legislação que dificulta o acesso a recursos genéticos como em pesquisas científicas com finalidade de desenvolver um produto comercial, como um medicamento. "Claramente nosso procedente é complicado", admitiu o presidente do INPI. Segundo ele, muitos produtos não têm patente reconhecida porque não conseguiram autorização da pesquisa original pelo Conselho de Gestão do Patrimônio Genético (CGen), ligado ao Ministério do Meio Ambiente.
"Para o Brasil se tornar um grande player [econômico] terá que ser um país que registre muitas patentes, que promova a sua indústria criativa", assinala o conselheiro Kenneth Nóbrega. Como a legislação é favorável à pesquisa básica, mas restritiva à pesquisa comercial, alguns produtos são patenteados por países estrangeiros e não pelo Brasil.
Esse foi o caso da copaíba, cujo óleo é extraído de uma árvore da Floresta Amazônica e usado para mais de 50 finalidades medicinais e fitoterápicas. Segundo o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, entre 2000 e 2009, 17 patentes com copaíba foram depositadas pelos Estados Unidos e nenhuma pelo Brasil. Nesse período, no entanto, pesquisadores brasileiros publicaram 76 artigos científicos de pesquisa básica sobre a planta.
(Agência Brasil)
Hominídeos de três espécies conviveram na África, diz estudo
JC e-mail 4558, de 09 de Agosto de 2012.
Hominídeos de três espécies conviveram na África, diz estudo
Novos fósseis sugerem que humanos primitivos eram grupo diversificado no Quênia há 1,9 milhão de anos.
É um cenário que parece saído de romances de fantasia, como "O Senhor dos Anéis": três espécies distintas de seres inteligentes, cada uma delas com aparência e cultura próprias, vivendo lado a lado por milênios.
Segundo uma nova pesquisa, é exatamente isso o que aconteceu na África Oriental há 1,9 milhão de anos, quando o gênero humano, o Homo, estava se estabelecendo. Novos fósseis - fragmentos de um crânio e mandíbulas -, descobertos em Koobi Fora, no Quênia, são a base dessa hipótese, defendida em estudo na edição de hoje (9) da revista científica "Nature".
O grupo de Meave Leakey, do Instituto da Bacia Turkana, em Nairóbi, analisou a anatomia desses cacos e concluiu que eles se encaixariam com outro fóssil, o crânio conhecido como KNM-ER 1470, achado nos anos 1970.
Para alguns, o KNM-ER 1470 representaria uma espécie separada de hominídeo, o Homo rudolfensis, distinta de dois velhos conhecidos dos paleoantropólogos, o Homo erectus e o Homo habilis. Para outros, ele não passaria de uma variante do H. habilis. Os novos fósseis parecem confirmar que o H. rudolfensis pertencia a uma linhagem distinta - embora Leakey e seus colegas não usem o nome. Querem mais estudos antes de dar esse passo.
Se eles estiverem corretos, cai por terra de vez uma ideia que já estava sendo muito atacada: a de que teria havido uma progressão linear de espécies de humanos primitivos - H. habilis gerando H. erectus gerando H. sapiens - rumo ao homem moderno. Em vez disso, prevaleceria o chamado modelo do arbusto: vários "galhos" da linhagem humana evoluindo ao mesmo tempo, cada um com suas próprias adaptações e estilos de vida. Alguns teriam se extinguido, enquanto outros deixaram descendentes.
Esteban Sarmiento, primatologista da Fundação Evolução Humana, em Nova York, diz que tem dúvidas sobre as conclusões do estudo. "No fundo, o principal argumento para associarem esses fósseis ao KNM-ER 1470 é a idade deles, a comparação morfológica não mostra isso."
(Folha de São Paulo)
quinta-feira, 9 de agosto de 2012
Comissão tira proteção de rios intermitentes
Via Estadão
Por João Domingos
08.08.2012
Emenda na medida provisória do Código Florestal pode comprometer metade dos rios do País, alerta senador; áreas úmidas têm proteção mantida
BRASÍLIA - A comissão especial do Congresso que analisa a medida provisória do Código Florestal aprovou nesta quarta-feira, 8, uma emenda que poderá comprometer para sempre todas as bacias hidrográficas brasileiras. Por 15 votos a 12, a comissão decidiu que só serão resguardados por Área de Proteção Permanente (APP) os rios perenes. Os intermitentes poderão virar pasto, roça e estrada.
Entre os rios que poderão perder a proteção está até o Jaguaribe, em cujos leitos se encontram os Açudes do Castanhão e de Orós, no Ceará. Há épocas do ano em que o Jaguaribe seca.
Pelas contas do senador Jorge Viana (PT-AC), 50% dos rios brasileiros serão atingidos. Segundo o Ministério do Meio Ambiente, 80% dos rios do Piauí são intermitentes e no Distrito Federal, 70%. "Os rios intermitentes é que mandam a água para os perenes. Sem eles, todas as bacias hidrológicas ficarão comprometidas", afirmou Viana.
"Um rio que seca parte do ano, se não estiver protegido, com o tempo pode não voltar mais. Uma decisão dessas está no fundo sacrificando rios e, em última instância, sacrificando o fornecimento de água", disse Ana Cristina Barros, da ONG TNC, que trabalha com projetos de plantio em margens de rios para garantir a produção de água.
A emenda que tirou a proteção dos rios intermitentes foi apresentada pelo deputado Abelardo Lupion (DEM-PR). Segundo ele, o objetivo foi dar "maior clareza à lei e buscar um tratamento isonômico com os olhos d’água perenes". Para Viana, não sobrarão nem os igarapés da Amazônia, que em determinadas épocas do ano são gigantescos braços de água e em outros secam. CONTINUA!
Lamento básico:
olhos d’água...
olhos d’água...
só restarão os teus,
só restarão os meus.
Adelidia Chiarelli
Por João Domingos
08.08.2012
Emenda na medida provisória do Código Florestal pode comprometer metade dos rios do País, alerta senador; áreas úmidas têm proteção mantida
BRASÍLIA - A comissão especial do Congresso que analisa a medida provisória do Código Florestal aprovou nesta quarta-feira, 8, uma emenda que poderá comprometer para sempre todas as bacias hidrográficas brasileiras. Por 15 votos a 12, a comissão decidiu que só serão resguardados por Área de Proteção Permanente (APP) os rios perenes. Os intermitentes poderão virar pasto, roça e estrada.
Entre os rios que poderão perder a proteção está até o Jaguaribe, em cujos leitos se encontram os Açudes do Castanhão e de Orós, no Ceará. Há épocas do ano em que o Jaguaribe seca.
Pelas contas do senador Jorge Viana (PT-AC), 50% dos rios brasileiros serão atingidos. Segundo o Ministério do Meio Ambiente, 80% dos rios do Piauí são intermitentes e no Distrito Federal, 70%. "Os rios intermitentes é que mandam a água para os perenes. Sem eles, todas as bacias hidrológicas ficarão comprometidas", afirmou Viana.
"Um rio que seca parte do ano, se não estiver protegido, com o tempo pode não voltar mais. Uma decisão dessas está no fundo sacrificando rios e, em última instância, sacrificando o fornecimento de água", disse Ana Cristina Barros, da ONG TNC, que trabalha com projetos de plantio em margens de rios para garantir a produção de água.
A emenda que tirou a proteção dos rios intermitentes foi apresentada pelo deputado Abelardo Lupion (DEM-PR). Segundo ele, o objetivo foi dar "maior clareza à lei e buscar um tratamento isonômico com os olhos d’água perenes". Para Viana, não sobrarão nem os igarapés da Amazônia, que em determinadas épocas do ano são gigantescos braços de água e em outros secam. CONTINUA!
Lamento básico:
olhos d’água...
olhos d’água...
só restarão os teus,
só restarão os meus.
Adelidia Chiarelli
quarta-feira, 8 de agosto de 2012
Conselho Federal de Medicina condena uso de hormônios para retardar envelhecimento
JC e-mail 4556, de 07 de Agosto de 2012.
CFM condena uso de hormônios para retardar envelhecimento
Parecer do Conselho Federal de Medicina (CFM) publicado ontem (6) indica que não há evidências científicas que justifiquem a prática da medicina antienvelhecimento, que tem como base o uso de hormônios como a testosterona, a progesterona e o corticoide.
De acordo com o vice-presidente do órgão, Carlos Vital Corrêa, o documento vai servir de base para a publicação de uma resolução que proíba a indicação hormonal para pessoas saudáveis. Desta forma, profissionais de saúde que insistirem na prática vão responder por conduta antiética e estarão sujeitos a sindicâncias e sanções.
Dados do CFM apontam que pelo menos cinco médicos foram cassados nos últimos quatro anos por praticar procedimentos sem comprovação científica, enquanto dez profissionais foram punidos com suspensão. "A questão da eterna juventude ainda está no campo das fábulas. Do ponto de vista técnico-científico, não há nenhuma afirmação de um procedimento que possa retardar ou retornar a juventude daquele que já envelheceu", destacou Vital.
Para a geriatra e membro da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, Maria Lencastre, a manipulação hormonal deve ser indicada apenas nos casos em que o paciente apresente algum tipo de disfunção na produção de hormônios, como nos casos de hipotireoidismo (distúrbio hormonal que afeta o metabolismo do organismo).
Ela lembrou que o fator genético responde por um terço das causas do envelhecimento e que a melhor maneira de retardar o processo é a modificação de hábitos, que incluem a prática de exercício, a alimentação adequada e a perda de peso. "Envelhecimento não é doença", disse. "Medicamentos que não são necessários, além do risco, significam custo com uma população que já tem grandes custos [com patologias como doenças do coração], completou.
(Agência Brasil)
***
Veja no site do Fantástico:
Médicos oferecem tratamentos hormonais condenados pelo Conselho
20 mil mulheres denunciaram sofrer violência diária em 2012
Via Estadão
07.08.2012
Número faz parte de relatório divulgado nesta terça-feira, 7, que marca os 6 anos de vigência da Lei Maria da Penha
Quase 60% - ou 20 mil pessoas - das mulheres que relataram, no primeiro semestre de 2012, casos de violência no telefone 180 descreveram sofrer violência diária. O número faz parte de relatório da Secretaria de Políticas para as Mulheres divulgado nesta terça-feira, 7, dia que marca os seis anos de vigência da Lei Maria da Penha.
Em 89% dos casos, a violência denunciada foi praticada por companheiros ou ex-companheiros das pessoas agredidas. E, em quase metade dos (42%) dos relatos, o vínculo entre o casal era superior a 10 anos. CONTINUA!
Leia também:
No Marrocos,
Suicídio de jovem forçada a casar com estuprador causa protestos
07.08.2012
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Em 89% dos casos, a violência denunciada foi praticada por companheiros ou ex-companheiros das pessoas agredidas. E, em quase metade dos (42%) dos relatos, o vínculo entre o casal era superior a 10 anos. CONTINUA!
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Cadastro nacional terá cerca de 300 cidades suscetíveis a desastres naturais
JC e-mail 4556, de 07 de Agosto de 2012.
Cadastro nacional terá cerca de 300 cidades suscetíveis a desastres naturais
Cerca de 300 cidades deverão fazer parte do cadastro nacional de municípios suscetíveis a desastres naturais que está sendo elaborado pelo governo federal. Segundo a Lei 12.608 de 10 de abril de 2012 essas cidades terão que elaborar um sistema de defesa civil e planejamento para evitar tragédias.
"Essa lei além de estabelecer todo um sistema de proteção e defesa civil, com papéis para a União, para estados, para a prefeitura, para a sociedade civil", explica o diretor de Assuntos Fundiários e Prevenção de Risco Ministério das Cidades, Celso Santos Carvalho.
Segundo Carvalho, apesar de o cadastro ainda não estar pronto, constarão na lista cidades como Blumenau, São Paulo, Santo André, São Bernardo, Belo Horizonte, Contagem, Betim, Juiz de Fora, Ouro Preto, Nova Friburgo, Teresópolis, Rio de Janeiro, Niterói, Petrópolis, Salvador, Recife e Olinda. "São esses municípios que todo o ano têm problemas", ressalta o diretor. De acordo com ele, para inclusão no cadastro são levados em consideração o histórico e as condições geológicas de cada região.
Essas cidades terão acesso a recursos do governo federal para elaborar as cartas geotécnicas de aptidão, que definirão os critérios para expansão dos municípios. "Ela vai falar quais áreas não podem ser ocupadas, quais áreas podem ser ocupadas com critérios especiais, quais áreas não têm nenhuma restrição para ocupação", destaca Carvalho.
Para o professor da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP), Faiçal Massad, o modelo estabelecido pela nova lei muda totalmente a forma de atuação do Poder Público em relação aos desastres. "É um enfoque completamente diferente. Quer dizer, a nossa engenharia vai atuar antes da ocorrência do escorregamento ou de um desastre. Muda a maneira de agir. Em vez de ir depois que ocorreu, vamos chegar antes".
Assim, os recursos tecnológicos disponíveis atualmente poderão ser usados, segundo Massad, de maneira mais efetiva para prevenir tragédias. "A nossa engenharia já está há muito tempo habilitada para responder a esses desafios de escorregamento de terra". O tema será discutido nesta semana em um evento promovido pela Poli e pela Fundação para o Desenvolvimento Tecnológico da Engenharia (FDTE).
De acordo com Celso Carvalho, encontros como este são de grande importância porque ajudam a envolver a comunidade acadêmica com o tema. Para ele, as instituições de ensino serão fundamentais para dar suporte técnico às prefeituras.
(Agência Brasil)
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