domingo, 17 de janeiro de 2010

Cinco dias após tremor, equipes enfrentam caos e violência para distribuir ajuda

Via Folha Online - 17.01.2009

Trecho da matéria:

"Mesmo cinco dias após a tragédia, a coordenação da ajuda ainda é um desafio. O aeroporto não tem torre de controle, o porto está tão destruído que não pode receber barcos, as estradas estão bloqueadas por destroços e haitianos que temem ficar sob um telhado que pode vir abaixo e, mesmo para quem consegue passar, não há combustível.

Alguns membros das equipes de ajuda, afirma o jornal americano "New York Times", reclamam da prioridade imposta pela ONU (Organização das Nações Unidas) --que focaria em retirar seus funcionários do país, resgatar possíveis sobreviventes de suas instalações e instalar suas tropas.

Reclamam também que os EUA atrasaram a chegada de aviões do Programa Mundial de Alimentos com comida, remédios e água por dois dias para a chegada de suas tropas e equipamentos e para repatriar americanos.

Mesmo quando os alimentos chegam ao aeroporto, os problemas persistem. Os americanos, que controlam o aeroporto desde quinta-feira (14), dizem que cerca de 180 toneladas de suprimentos foram entregues no aeroporto, e a maioria ainda espera ser entregue.

No gramado do que era o Palácio Presidencial, relata o jornal, cerca de 1.700 pessoas estão acampadas a espera de comida e água potável distribuídas pelas equipes de ajuda humanitária.

"Bem-vindos marines dos EUA. Nós precisamos de ajuda. Corpos aqui dentro", dizia uma placa em um prédio de Nazon, relata o jornal." Matéria completa aqui.


Leia também: Haiti teme epidemias e planeja evacuação em massa.


Esgota-se tempo para resgates no Haiti e cresce impaciência

EFE - 16.01.2010







Desaparecidos no Haiti

Via New York Times


Photos of missing people submitted by friends, family members and colleagues. Readers can make a submission or read comments from people seeking information. If you have information about any of them, please let us know. Type “found” into the search field to see who has been located.







Visite a página



Comentário:

Gostei muito dessa página do New York Times. Sabe por quê?
Porque, finalmente, pude ver os rostos de pessoas, todas possivelmente vítimas fatais do terremoto. Rostos lindos, sadios, cheio de vida. É assim que devemos nos lembrar delas, não como um amontoado de carcaças jogadas pelas ruas. Ninguém merece aquilo! Ninguém!

Ao entrar na página, não se esqueça de utilizar a barra de rolagem sob as fotos.



sábado, 16 de janeiro de 2010

Nossa embaixatriz: notas sobre a atuação diplomática

Via Blog Pesquisadores da Unicamp no Haiti - 16.01.2010
Trecho da matéria:

"[...] Aos poucos, enquanto sua proeminente testa e suas bochechas se enchiam de suor, ela discorreu sobre grandes temas, aliando ciência, religião e política de maneira única. Em poucos minutos, a embaixatriz do Brasil no Haiti explicou por que um rabino, as placas tectônicas, seu marido, os mortos e o Brasil eram interdependentes.

Ela não nos perguntou nada. Não sabia quem éramos, ou o que fazíamos aqui. Quando soube que de um grupo da Unicamp se tratava, não titubeou: “A EMBAIXADA NÃO TEM NENHUM COMPROMISSO COM A UNICAMP. O EMBAIXADOR PROIBIU QUE FOSSEM HOSPEDADOS EM NOSSAS DEPENDÊNCIAS. ELE É O EMBAIXADOR, ELE MANDA; SE HOSPEDAMOS VOCÊS TEMOS QUE HOSPEDAR TODOS”.

E seguiu, com pérolas: “A EMBAIXADA NÃO VAI EVACUAR NINGUÉM PORQUE EU NÃO VOU SAIR DAQUI. VOCÊS DEVEM VOLTAR PARA O BRASIL COMO VIERAM. VOCÊS SABEM ONDE FICA O AEROPORTO, COMPREM PASSAGEM; VOCÊS SABEM ONDE FICA A RODOVIÁRIA, DE LÁ SAEM ÔNIBUS PARA A REPÚBLICA DOMINICANA”. E prosseguiu com a máxima: “NÃO TEMOS NENHUMA RESPONSABILIDADE SOBRE VOCÊS. VOCÊS ESTAVAM NO LUGAR ERRADO NA HORA ERRADA, SINTO MUITO”.

Poderíamos reproduzir detalhes de suas observações sobre a situação atual do Haiti ou sobre a política haitiana. Não o fazemos porque, com franqueza, sentimos vergonha alheia. Seu auto-centramento e sua falta de sensibilidade quanto aos impasses vividos pelos haitianos não fizeram nada além de nos constranger: ela pode ocupar a posição que ocupa? [...]" Matéria completa AQUI!


Veja também a matéria: Estudantes acusam embaixatriz de negar abrigo no Haiti , publicada pelo Portal Terra, onde se lê: "O Ministério das Relações Exteriores (MRE) afirmou, por meio de sua assessoria de imprensa, que não iria comentar as afirmações postadas no blog. Segundo a assessoria, a embaixatriz não é uma funcionária da embaixada e que, mesmo assim, estaria trabalhando de forma voluntária para ajudar a todos que buscam por socorro.

"O que se sabe é que a embaixatriz, apesar de não ser funcionária, está trabalhando de forma abnegada desde que aconteceu o terremoto. Esse relato é surpreendente, porque bate de frente com outras informações que recebemos, que dão conta de que ela estaria com boa vontade de ajudar", afirmou a assessoria de imprensa do MRE""


Continuo indignada!!!!!!








Quanta modéstia... Quanta modéstia... O senhor fala português muito bem, muito bem. Afinal, está no Brasil como cônsul, desde 1975. E fique tranquilo: todos nós entendemos direitinho as suas palavras.

Para dizer o mínimo: é preconceito demais para os meus parcos neurônios!


***


A história do Haiti é um monstrengo político
Por Arnaldo Jabor - Jornal da Globo - 14.01.2009:






Arnaldo Jabor fala sobre a tragédia no Haiti
Jornal da Globo - 15.01.2009:





Doações   Doações



Morir tras sobrevivir bajo los escombros

Via El Mundo - Por CRISTINA DE MARTOS - 16.01.2010


. Mucho tiempo atrapado por un gran peso provoca el síndrome de aplastamiento
. La destrucción muscular y los problemas circulatorios pueden llevar a la muerte
. En los casos más graves, la mortalidad puede superar el 70%



MADRID.- Miles de personas permanecen atrapadas bajo los escombros tras el terremoto que ha aslolado Haití. A estas alturas, muy pocos permanecerán con vida. Aquellos que han sido liberados, además de superar sus fracturas y heridas se enfrentan al síndrome de aplastamiento, un problema que puede ser mortal.

La primera vez que se describió este síndrome fue tras estudiar a las víctimas que quedaron atrapadas en los edificios londinenses derrumbados por las bombas nazis. Eric Bytawers, catedrático de medicina interna, descubrió que las alteraciones observadas en estos pacientes (daños orgánicos, insuficiencia renal, hipotensión...) se deben a la rotura de los músculos -fenómeno conocido como rabdomiolisis- y la consiguiente liberación de sustancias tóxicas al torrente sanguíneo.

Si una persona permanece muchas horas bajo un gran peso, "la parte del cuerpo que está comprimida, generalmente extremidades, se queda sin oxígeno, se produce salida de líquido del tejido muscular, lo que ocasiona trastornos hemodinámicos [circulatorios]", explica a ELMUNDO.es Fernando Liaño, nefrólogo del Hospital Ramón y Cajal. Continua



Legenda da imagem:
Miles de cuerpos continúan atrapados tras el terremoto. (Foto: Afp)

Leia também:
Destrucción y muerte también en fuera de la capital
Terremoto provoca êxodo em massa de Porto Príncipe


sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Estou indignada!!!!!!



Vejam o que afirma o cônsul-geral do Haiti em São Paulo, George Samuel Antoine, sem saber que estava sendo gravado. A reportagem é do SBT Brasil, do dia 14.01.2010:




Caso o vídeo, acima, não entre clique aqui.




Enquanto isso Chega a Brasília o corpo de Zilda Arns . Enquanto isso Corpos são enterrados de forma lenta e desesperadora . Enquanto isso Presidente diz que Haiti já enterrou 7 mil em vala comum . Enquanto isso "Não lembro da última vez que me alimentei, diz o tenente. . Enquanto isso "Están montando barricadas con cadáveres" . Enquanto isso Chega ao Haiti ajuda de todas as partes do mundo . Enquanto isso Vítimas precisam de água, comida e remédios .


Doações   Doações


Adelidia Chiarelli

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Zilda Arns




   



Dircurso que seria lido por Zilda Arns no Haiti:

Agradezco la honrosa invitación que me han hecho. Quiero manifestar mi gran alegría por estar aquí con todos ustedes en Puerto Príncipe, Haití, para participar de la asamblea de los religiosos.

Como hermana de 2 Franciscanos e 3 hermanas religiosas de la Congregación de lãs Hermanas Escolares de Nuestra Señora, estoy mucho feliz entre todos ustedes. Doy gracias a Dios por esto momento.

En realidad, todos nosotros estamos aquí, en este encuentro, porque sentimos dentro de nosotros una fuerte llamada a difundir en el mundo la buena noticia de Jesús. La buena noticia, transformada en acciones concretas, es luz y esperanza en la conquista de la PAZ en las familias y en las naciones. La construcción de la Paz empieza en el corazón de lãs personas y tiene su fundamento en el Amor, que tiene sus raíces en la gestación y en La primera infancia, y se transforma en Fraternidad y corresponsabilidad social.

La Paz es una conquista colectiva. Tiene lugar cuando impulsamos a las personas, cuando promovemos los valores culturales y éticos, las actitudes y prácticas de búsqueda del bien común, que aprendemos de nuestro Maestro Jesús: “Yo he venido para que todos tengan vida y la tengan en abundancia.” (Jn 10, 10)

Se espera que los agentes sociales sigan, además las referencias éticas y morales de nuestra Iglesia, sean como Ella, maestra en orientar a las familias y comunidades, especialmente en el área de salud, educación y derechos humanos. De este modo podemos formar masa crítica en las comunidades cristianas y de otras religiones, en favor de la protección del niño desde la concepción, y más excepcionalmente hasta los seis años, y del adolescente. Debemos esforzarnos para que nuestros legisladores elaboren leyes y los gobiernos ejecuten políticas públicas que incentiven la calidad de educación integral de los niños y salud, como prioridad absoluta.

El pueblo siguió Jesús porque tenía palabras de esperanza. Así nosotros somos llamados a anunciar experiencias positivas y caminos que lleven las comunidades, familias el país a serien más justos y fraternos.

Como discípulos y misioneros, invitados a evangelizar, sabemos que la fuerza propulsora de la transformación social está en la práctica del más grande de todos los mandamientos de la Ley de Dios: el Amor, expresado en la solidaridad fraterna, capaz de mover montañas. “Amar a Dios sobre todas las cosas y al prójimo como a nosotros mismos” significa trabajar por la inclusión social, fruto de la Justicia; significa no tener prejuicios, aplicar nuestros mejores talentos en favor de la Vida Plena, prioritariamente de aquellos que más lo necesitan. Sumar esfuerzos para alcanzar los objetivos, servir con humildad y misericordia, sin perder la propia identidad. Todo este caminar necesita la comunicación constante para iluminar, animar, fortalecer y democratizar nuestra Misión de Fe y Vida. Creemos que esta transformación social exige una inversión máxima de esfuerzos para el desarrollo integral de los niños. Este desarrollo empieza cuando el niño se encuentra aún en el vientre sagrado de su madre. Los niños, cuando están bien cuidados, son semillas de Paz y Esperanza. No existe ser humano más perfecto, más justo, más solidario y sin prejuicios que los niños. Continua



Sobre Zilda Arns



Veja como ajudar as vítimas do terremoto no Haiti

Via G1 - 13.01.2010

Tragédia pode ter afetado 3 milhões de pessoas, diz Cruz Vermelha.
Instituições pedem doações em dinheiro para ajudar vítimas.


O terremoto no Haiti causou destruição e pode ser afetado cerca de 3 milhões de pessoas, segundo o Comitê Internacional da Cruz Vermelha, que alerta, porém, que o número ainda pode mudar porque ainda falta verificar muita coisa sobre a situação no país.

Quem quiser ajudar as vítimas do terremoto tem algumas opções. Como costuma acontecer depois de tragédias, podem aparecer sites falsos pedindo doações, então procure doar para instituições reconhecidas por meio do site delas.

A embaixada do Haiti no Brasil recebe doações em dinheiro por meio da conta corrente abaixo. Os recursos serão recebidos diretamente pela embaixada e administrados por ela, segundo o Banco do Brasil. Podem ser feitos depósitos ou transferências de qualquer banco e até mesmo de fora do Brasil para a conta corrente.

Nome: Embaixada da República do Haiti
Banco: Banco do Brasil
Agência: 1606-3
CC: 91000-7
CNPJ: 04170237/0001-71


O Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) também recebe doações só em dinheiro. Segundo Silvia Backes, coordenadora do CICV no Brasil, a entidade não recebe outros tipos de doações, como roupas, devido à dificuldade de enviá-las ao país. Ela diz que há uma equipe de ajuda emergencial da Cruz Vermelha saindo de Genebra com toneladas de doações e com equipes de médicos.

Para doar ao CICV, use a conta corrente abaixo:

Nome: Comitê Internacional da Cruz Vermelha
Banco: HSBC
Agência: 1276
CC: 14526-84
CNPJ: 04359688/0001-51


O Movimento Viva Rio informou que abriu uma conta para receber doações que serão usadas para compra de alimentos, água e medicamentos.
Presente desde 2004 no Haiti, o Viva Rio mantém uma equipe de mais de 400 pessoas trabalhando nos projetos, sendo nove brasileiros. Doações podem ser feitas na conta:

Nome: Movimento Viva Rio
Banco: Banco do Brasil
Agência: 1769-8
CC: 5113-6
CNPJ: 00343941/0001-28


O músico haitiano Wyclef Jean recebe doações para ajudar as vítimas do terremoto por meio de sua ONG, a Yelé Haiti. Para doar, acesse o site do Yelé Haiti, clique em "Donate", escolha o valor da doação e forneça os dados do seu cartão de crédito.

Informações sobre cidadãos brasileiros no Haiti podem ser obtidas no Núcleo de Assistência a Brasileiros do Itamaraty, nos telefones abaixo:

(61) 3411-8803
(61) 3411-8805
(61) 3411-8808
(61) 3411-8817
(61) 3411-9718
(61) 8197-2284


Fonte

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Haiti







Sobre o Haiti



Jornais noticiam o terremoto:


Haiti    Haiti    Haiti    Haiti




Bom Dia Brasil - 13.01.2010




Zilda Arns morre no Haiti

Aqui!

Sobre Zilda Arns


***

Haiti:

No twitter  No twitter


Doações




Miséria na cultura: decepção e depressão

Via blog do Noblat - Por Leonardo Boff - 11.01.2010


Em 1930 Sigmund Freud escreveu seu famoso livro "O mal-estar na cultura" e já na primeira linha denunciava: "no lugar dos valores da vida se preferiu o poder, o sucesso e a riqueza, buscados por si mesmos".

Hoje tais fatores ganharam tal magnitude que o mal-estar se transformou em miséria na cultura.

A COP-15 em Copenhague trouxe a mais cabal demonstração: para salvar o sistema do lucro e dos interesses econômicos nacionais não se teme pôr em risco o futuro da vida e do equilíbrio do planeta já sob o aquecimento que, se não for rapidamente enfrentado, poderá dizimar milhões de pessoas e
liquidar grande parte da biodiversidade.

A miséria na cultura, melhor, miséria da cultura se revela por dois sintomas verificáveis mundo afora: pela generalizada decepção na sociedade e por uma profunda depressão nas pessoas. Elas têm razão de ser. São conseqüência da crise de fé pela qual está passando o sistema mundial.

De que fé se trata?

A fé no progresso ilimitado, na onipotência da tecno-ciência, no sistema econômico-financeiro com seu mercado como eixos estruturadores da sociedade.

A fé nesses deuses possuía seus credos, seus sumos-sacerdotes, seus profetas, um exército de acólitos e uma massa inimaginável de fiéis.

Hoje os fiéis entraram em profunda decepção porque tais deuses se revelaram falsos. Agora estão agonizando ou simplesmente morreram.

Os G-20 em vão procuram ressuscitar seus cadáveres.

Os professantes desta religião de magia, agora constatam: o progresso ilimitado devastou perigosamente a natureza e é a principal causa do aquecimento global; a tecnociência que, por um lado tantos benefícios trouxe, criou uma máquina de morte que só no século XX matou 200 milhões de pessoas e hoje é capaz de erradicar toda a espécie humana; o sistema-econômico-financeiro e o mercado foram à falência e se não fosse o dinheiro dos contribuintes, via Estado, teriam provocado uma catástrofe social.

A decepção está estampada nos rostos dos lideres dos Estados, perplexos e estupificados, por que não sabem mais em quem crer e que novos deuses entronizar.

Vigora uma espécie de nhilismo doce.

Já Max Weber e Friedrich Nietszche haviam previsto tais efeitos ao anunciarem a secularização e a morte de Deus. Não que Deus tenha morrido, pois um Deus que morre não é "Deus". Nietszche é claro: Deus não morreu, nós o matamos. Quer dizer, Deus para a sociedade secularizada não conta mais para a vida nem para coesão social. Em seu lugar entrou um panteão de deuses, referidos acima. Como são ídolos, um dia, vão mostrar o que produzem: decepção e morte.

A solução não reside simplesmente na volta a Deus ou à religião. Mas em resgatar o que eles significam: a conexão com o todo, a percepção de que o centro deve ser ocupado pela vida e não pelo lucro e a afirmação de valores compartidos que podem conferir coesão à sociedade.

A decepção vem acolitada pela depressão. Esta é um fruto tardio da revolução dos jovens dos anos 60 do século XX. Ai se tratava de impugnar uma sociedade de repressão, especialmente sexual e cheia de máscaras sociais. Impunha-se uma liberalização generalizada. Experimentou-se de tudo. O lema era: "viver
sem tempos mortos; gozar a vida sem entraves".

Isso levou a supressão de qualquer intervalo entre o desejo e sua realização. Tudo tinha que ser na
hora e rápido.

Disso resultou a quebra de todos os tabus, a perda da justa-medida e a completa permissividade. Surgiu uma nova opressão: o ter que ser moderno, rebelde, sexy e o ter que desnudar-se por dentro e por fora. O maior castigo é o envelhecimento.

Projetou-se a saúde total, padrões de beleza magra até a anorrexia. Baniu-se a morte, feita espantalho.

Tal projeto, pós-moderno, também fracassou, pois não se pode fazer qualquer coisa com a vida. Ela possui uma sacralidade intrínseca e limites. Uma vez rompidos, instaura-se a depressão. Decepção e frustração são receitas para a violência sem objeto, para o consumo elevado de ansiolíticos e até para o suicídio, como vem ocorrendo em muitos países.

Para onde vamos? Ninguém sabe. Somente sabemos que temos que mudar se quisermos continuar. Mas já se notam por todos os cantos, emergências que representam os valores perenes da "condição humana".

Precisa-se fazer o certo: o casamento com amor, o sexo com afeto, o cuidado para com a natureza, o ganha-ganha em vez do ganha-perde, a busca do "bem viver", base para a felicidade que hoje é fruto da simplicidade voluntária e de querer ter menos para ser mais.

Isso é esperançador. Nessa direção há que se progredir.


Leonardo Boff é autor de Virtudes para um outro mundo possível (3 vol.) Vozes 2008.



terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Morre Miep Gies

Via sapo.pt - 12.01.2010


Miep Gies- AP
A mulher que salvou o diário de Anne Frank

Miep Gies, que ajudou Anne Frank e a sua família a esconder-se dos nazis em Amesterdão durante a Segunda Guerra mundial, morreu segunda-feira aos 100 anos, anunciou segunda-feira o site de Internet da sua família.

Miep Gies escondeu e salvou o diário íntimo da adolescente judia alemã que, denunciada bem como a sua família, foi deportada para o campo de concentração nazi de Bergen Belsen, onde morreu em 1945.
Nascida a 15 de Fevereiro de 1909 em Viena, Miep Gies chegou à Holanda aos 11 anos.
Na Primavera de 1942 aceitou ajudar o seu patrão Otto Frank, pai de Anne, a esconder toda a sua família.
A 06 de Julho do mesmo ano, os quatro membros da família Frank, aos quais se juntaram mais tarde quatro outros clandestinos, refugiaram-se num esconderijo construído num anexo da sua casa, construção que abrigava também a empresa familiar, Opekta.
Durante dois anos, Miep Gies e três dos seus colegas encarregaram-se do abastecimento diário e da segurança da família Frank. Continua


***







Visite o site de Miep Gies
Veja os vídeos



Ao lado, Miep Gies no início da década de 1930



Cada museo escribe su historia del arte

Via El País - Por ISABEL LAFONT - 10.01.2010


El Victoria&Albert reordena su colección para proponer una nueva mirada a la Edad Media - El Reina Sofía, la Tate Modern y el Pompidou reinventan los cánones del siglo XX

La historia del arte ya no es un dogma inmutable. En el siglo XXI, museos de todo el mundo se enfrentan a la necesidad de redefinir periodos, recuperar artistas olvidados, bajar a otros de su pedestal... Cánones que parecían incuestionables dejan de serlo y surgen así voces que hablan desde puntos de vista que nunca antes la historia oficial había tenido en cuenta.

El Victoria&Albert londinense ha sido el último en anunciar una nueva lectura de la historia. Tras una reforma de 30 millones de euros y siete años de trabajo, una nueva ordenación del periodo que abarca desde el año 300 después de Cristo hasta el 1600 se aparta de la visión oscurantista del medievo como antítesis del luminoso Renacimiento para mostrar, en su lugar, una transición fluida a lo largo de esos siglos. Continua

Legenda da imagem: En el siglo XXI los museos de todo el mundo se enfrentan a la necesidad de redefinir periodos o de recuperar artistas olvidados.- GORKA LEJARCEGI



'Nós nos omitimos, consentimos e não fazemos nada'

Via Blog do Noblat - 11.01.2010

Do leitor que se assina Oswaldo Cruz Gribel:

Noblat: você disse na sua coluna de hoje: “Só prendendo” [ aqui ]. O grande, imenso problema do país é a falta de justiça, piso para todos os outros.

Nós, você, eu e todos, permitimos que a falta de justiça seja a vilã da Nação. Falamos em impunidade e, assim, encobrimos o verdadeiro problema.

O Brasil deve ser o país que mais pune no mundo, porém pune os inocentes. Quando um corrupto não vai para a cadeia, e o STF jamais mandou um que seja, a criança que acabou de nascer é a punida porque vai beber menos 40% de leite do que poderia para pagar imposto e eles desviarem.

O jovem com um ensino de pior qualidade, os adultos com falta de segurança. Estrutura, saneamento etc, os idosos com a nossa péssima Saúde.

Quando o Pimenta Neves fica solto, a vítima é a punida, os parentes e amigos da vítima também. Para não punir um criminoso punimos inúmeros inocentes.

O Fantástico mostrou que no Brasil o número de vítimas de trânsito é uma catástrofe e, mostrou também que, até hoje, apenas um foi punido e porque os parentes da vítima mobilizaram os vizinhos para pressionar o julgamento.

Disse, ainda, que na Alemanha, onde não existe limite de velocidade, as pessoas seguem as placas e quase não há acidentes. Pudera, lá eles sabem que são responsáveis pelos seus atos e que por eles responderão com rigor.

Aqui, um juiz que matou um empregado de supermercado com um tiro nas costas porque ele não quis abrir o estabelecimento exclusivamente para ele, foi apenas aposentado.

Nós admitimos que assim seja, nós nos omitimos, nós consentimos, nós não fazemos nada como se não fosse conosco, até o dia que a injustiça bata à nossa porta.

Aí choramos, pedimos justiça, tentamos mobilizar a sociedade. Mas é tarde. Não criamos o hábito de justiça que é uma virtude neutra.

Justiça não é só para mim, para os meus. Caso não façamos nada hoje, legaremos o caos para as futuras gerações e a culpa será nossa, os omissos.



A dignidade da pessoa humana, Gilberto Kassab e Abílio Diniz

Via Portal Terra - 11.01.2010
Por Rizzatto Nunes
De São Paulo

Tentei evitar, mas como testemunha, sou obrigado a começar meus artigos deste ano que tratam de abusos reais narrando o que vai abaixo.

Aqui nesta coluna, por mais de uma vez, comentei o desrespeito que existe quanto ao direito ao sossego de que gozam as pessoas. Também já apontei mais de uma vez a característica "selvagem" do capitalismo contemporâneo, que nada vê pela frente na sanha de buscar obter mais lucro, custe o que custar. Como diz Octávio Paz, "o mercado sabe tudo sobre preços, nada sobre valores", ao que eu acrescento que pouco sabe sobre o respeito à dignidade da pessoa humana.

Muito bem. Hoje conto um caso real, infelizmente, de abuso incrível. O Grupo Pão de Açúcar, ou melhor, a Companhia Brasileira de Distribuição, na sua sede de se tornar cada vez maior (O capital atualmente declarado é de R$5.374.750.648,18 - Cinco bilhões, trezentos e setenta e quatro milhões, setecentos e cinquenta mil, seissentos e quarenta e oito reais e dezoito centavos), abriu mais uma filial. Fica na Rua Tito, 639, Vila Romana, Lapa. Até aí, nada de mais.

A construção da loja foi feita a toque de caixa, numa velocidade incrível. E a loja já foi inaugurada. Mas, sabe você leitor o que está acontecendo com os vizinhos? Eles não dormem já há mais de duas semanas e mesmo durante o dia não têm qualquer sossego. Na parte de trás, que dá para a Rua Camilo, foram colocadas algumas "turbinas" que provavelmente servem para a manutenção refrigerada da loja e que produz um som altíssimo que não deixa ninguém em paz. Continua





segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Esperando Deus

Via Blog do Altino Machado - Por José Augusto Fontes
07.01.2010


No ônibus lotado, em todo trem apertado, nas canoinhas que cruzam os rios, Deus deve estar seguindo. Nos escondidos e nos e ares, Deus deve estar sabendo, há sempre alguém acenando, esperando. Ele está olhando quem está parado, quem quase não tem para onde ir, está vendo quem paga penitência e pede passagem, esperando o troco da salvação. Mas ela é depois de agora. É numa próxima estação que Deus nos encontra e paga, estando quitadas nossas vidas. Isso é depois, precisamos seguir. Deus precisa esperar condução? Ele está acima disso? Enquanto cremos e esperamos, não custa muito ajudar quem espera nas filas, quem espera esquecido, quem espera humilhado, com olhar caído e dor elevada.

Para os homens de boa-fé, para todos que vivem na terra mirando o céu, para os que pouco vêem, para os que não cansam de esperar, para os que não podem deixar de trabalhar e com o trabalho alegram a esperança, para os que estão acostumados com a indiferença, para os que se entregam a uma crença, o jeito é esperar pelos homens, esperar que sejam vistos e acolhidos, adiante dos votos e das cédulas. É o jeito esperar serenidade, utilidade, alguma palavra, algum agir. Deus é para sentir, o homem é para abraçar. Em cada dia, em cada instante, existe a possibilidade de estar o homem ao lado do homem, o momento é o que vivemos. Depois, um clarão vai partir ares e mares. E Deus dará. Continua



A luta continua

Por Lucia Hippolito - 08.02.2010

UNIÃO HOMOSSEXUAL

Um dos pontos mais importantes do Programa Nacional de Direitos Humanos, criado por decreto assinado pelo presidente da República – e que tanta celeuma está causando nos meios militares – é a proposta de retomada da discussão sobre a união civil entre pessoas do mesmo sexo.

Este é um debate crucial, que não pode ficar restrito ao Congresso Nacional, que deverá votar uma lei para regular o assunto.

É uma discussão que interessa a toda a sociedade brasileira.

O século XX foi o século da luta por direitos civis. Começou, a rigor, no século XIX, com a luta pelo voto feminino.

A Nova Zelândia foi o primeiro país a conceder o voto às mulheres, em 1893; a Inglaterra em 1918, os Estados Unidos em 1920 e o Brasil em 1933.

Em seguida, a luta disseminou-se para combater a segregação racial, ampliar os direitos da minorias, incluir os excluídos. A partir da década de 1960, acirrou-se a luta por mais direitos civis, com muitas conquistas importantes.

E chegamos ao século XXI.

De certa forma, a eleição de Lula em 2002 e depois a eleição de Obama em 2008 encerram um importante capítulo na luta pelos direitos civis.

Vitória da inclusão, da tolerância, da aceitação do outro, do convívio entre diferentes.

Agora é preciso avançar. E a união civil entre pessoas do mesmo sexo está na ordem do dia. Continua



As atribulações da senhora Robison

Via Blog do Noblat - 10.01.2010

Deu no El País


Famosa por seu extremismo religioso e puritanismo,
a mulher do principal ministro de Ulter, na Irlanda do Norte,
é protagonista de um escândalo político-sexual


Iris Robinson (na foto acima ao lado do marido) é um devotíssima cristã, protestante pentecostal e membro do Tabernáculo Metropolitano de Belfast. É também mulher do principal ministro da Irlanda do Norte, Peter Robison.

Ela mesma é deputada em Westminster e na Assembléia de Úlster, e bastante conhecida por sua forte personalidade e a tendência de apelar para a Bíblia de modo a justificar seu extremismo religioso e seu puritanismo nos costumes. Amaldiçoa o homossexualismo, por exemplo. E a infideidade conjugal.

Kirk McCambley é filho de um açougueiro de um bairro protestante de Belfast. Na época com 19 anos, tinha a madura Iris, na faixa dos 40, como uma de suas clientes. No leito de morte do pai de Kirk, Iris se comprometeu a cuidar do seu filho. Seu maternal desvelo por ele acabou convertendo-os em amantes.

Todo político, como qualquer cidadão, tem direito a uma vida privada. Mas um político que apela à religião para tentar impor um modelo de comportamento à sua comunidade, tem que ser consequente com seu credo. E dar o bom exemplo.

Iris Robinson é a mesma pessoa que, na fase das eleições primárias para a escolha dos candidatos à presidência dos Estados Unidos, censurou Hillary Clinton por ter perdoado as infidelidades do seu marido. "Nenhuma mulher pode aceitar o que ela tolerou quando seu marido era presidente. Ela só estava pensando no futuro de sua própria carreira", decretou Iris.

Há mais do que hipocrisia e adultério nas atuais atribulações da senhora Robinson.

Quando o pai de Kirk morreu, Iris decidiu transformar o amante em empresário. Conseguiu dinheiro com construtores amigos para que ele abrisse um café ao sul de Belfast. E sendo conselheira da prefeitura, conseguiu licença para a abertura do café.

Do dinheiro obtido para o amante, Iris ficou com 10%. Quando o romance acabou, Iris exigiu a devolução de todo o dinheiro - o equivalente a quase R$ 60 mil. Alegou que doaria metade para financiar as despesas de sua igreja. Foi quando estourou o escândalo.


Kirk, o afortunado filho de um açougueiro








Queridos, algumas informações básicas:

Sobre a canção Mrs. Robinson


Sobre The graduate




Simon & Garfunkel - Mrs. Robinson



The Graduate (1967)
"Mrs. Robinson, you're trying to seduce me. Aren't you?"



Leia também:

Mrs. Robinson: la canción




domingo, 10 de janeiro de 2010

OAB apóia Vannuchi e diz que quem torturou tem pagar

Via Blog do Noblat - 10.01.2009

Da assessoria de imprensa da OAB:

"Quem censurou, quem prendeu sem ordem judicial, quem cassou mandatos e quem apoiou a ditadura militar estão anistiados. No entanto, quem torturou cometeu crime de lesa-humanidade e deve ser punido pelo Estado como quer a nossa Constituição".

A afirmação foi feita hoje (10) pelo presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Cezar Britto, ao ligar para o secretário nacional de Direitos Humanos, ministro Paulo Vannuchi, a fim de prestar solidariedade na sua luta pelo estabelecimento do direito à memória e à verdade.

No telefonema, Britto ratificou o seu posicionamento no sentido de que a anistia não implica em esquecimento pois todo brasileiro tem o direito de saber o que aconteceu no passado no país:.

- Todo brasileiro tem o direito de saber que um presidente da República constitucionalmente eleito foi afastado por força de um golpe militar. Da mesma forma, não se pode esquecer que no Brasil o Congresso Nacional foi fechado por força de tanques e que juízes e ministros do Supremo Tribunal Federal foram afastados dos seus cargos por atos de força, e que havia censura, tortura e castração de todo o tipo de liberdade.

O presidente nacional da OAB fez questão de ressaltar, mais uma vez, que "o regime do medo que sustentava o passado não pode servir de desculpa no presente democrático". E acrescentou: "Um país que tem medo de sua história, não pode ser considerado um país sério".



O diretor do Greenpeace reconstrói seus 21 dias de prisão na Dinamarca

Via El País - Por CLEMENTE ÁLVAREZ - 10.01.2010


"Me metieron en una perrera"

La celda número 5 de los "presos del clima", en la vieja cárcel de Vestre Faengsel, en Copenhague, es un cuarto estrecho de seis o siete pasos de largo; pasos lentos para no llegar demasiado pronto al fondo. Son los que daba para un lado y para otro Juan López de Uralde, director ejecutivo de Greenpeace España, puesto en libertad el pasado miércoles, tras 21 días detenido. ¿Delito? Colarse vestido de etiqueta durante la Cumbre del Clima en la cena de gala que ofrecía la reina Margarita II en el Palacio de Christiansborg y mostrar una pancarta con el lema: Los políticos hablan, los líderes actúan.
Esta celda, con un grueso portalón metálico, se encuentra en una galería de cuatro plantas en la que hasta comienzos de año casi todos los reclusos habían sido arrestados en protestas durante la cumbre. Está en la planta baja, en la hilera de puertas del lado derecho, al fondo. Algo más apartada de las otras del mismo piso en las que estuvieron encerrados los otros tresactivistas de Greenpeace que dejaron en evidencia a las fuerzas de seguridad danesas en la recepción de la reina Margarita II. A la noruega Nora Christiansen, que irrumpió con un vestido de noche rojo, la metieron en la celda 27; al suizo Christian Schmutz, que actuó como guardaspaldas, en la 36; y al holandés Joris Thijssen, responsable de Cambio Climático de Greenpeace Internacional, al que detuvieron un día después, en la 26. Continua

Legenda da imagem:
Juan López de Uralde, director de Greenpeace, ayer en Madrid, después de 21 días preso en Copenhague.- CLAUDIO ÁLVAREZ



Astrônomos dizem que planetas habitáveis devem ser encontrados em até 5 anos

Via Folha Online - Por Associated Press, em Washington - 08.01.2010



Concepção artística de como poderia ser um planeta habitável
como a Terra, que pode ser encontrado em 5 anos (AP/Nasa)



Astrônomos dizem que estão prestes a encontrar planetas como a Terra orbitando outras estrelas, um passo-chave para determinar se nós estamos sozinhos no Universo.

Um importante oficial da Nasa (agência espacial norte-americana) e outros importantes cientistas dizem que, dentro de quatro ou cinco anos, eles devem descobrir o primeiro planeta similar à Terra onde a vida poderia se desenvolver, ou já se desenvolveu.

Um planeta com o tamanho próximo ao da Terra pode até mesmo ser encontrado neste ano se vestígios preliminares de um novo telescópio espacial se confirmarem.

Na conferência anual da Sociedade Astronômica Norte-Americana, que acontece nesta semana, cada descoberta envolvendo os assim chamados "exoplanetas", aqueles planetas de fora do nosso Sistema Solar, apontam para a mesma conclusão: planetas como a Terra, em que a vida pode se desenvolver, são provavelmente abundantes, apesar do violento Universo de estrelas explosivas, buracos negros esmagadores e galáxias em colisão. Continua



Tratado geral sobre o cinismo

Via Estadão, há 163 dias sob censura - Por Dora Kramer - 09.01.2010

Para o exercício do logro, o governador José Roberto Arruda possui instrumental completo: não conhece limites, menospreza o discernimento alheio, confia na eficácia de seus truques e acha que suas mentiras têm pernas longas.

A ideia de recorrer ao mesmo expediente de 2001, de novo pedindo desculpas por seus pecados alegando ter sido vítima da própria ingenuidade, deve ter-lhe parecido genial.

Afinal, foi muito bem-sucedido na ocasião. Recebeu uma votação extraordinária no ano seguinte para deputado federal e cinco anos depois de renunciar ao mandato e sair escorraçado do PSDB, virou um "case" em matéria de volta por cima, elegendo-se governador em aliança integrada, entre outros, pelo mesmo PSDB.

Nos quatro principais pronunciamentos que fez nesse período para negar e depois se penitenciar de seus delitos, José Roberto Arruda escreveu um perfeito tratado geral sobre a arte de iludir plateias com a feição do pecador contrito.

"Inútil resistir à verdade", disse ele em momento alto de franqueza quando admitiu ao Senado, em 23 de abril de 2001, que cinco dias antes havia mentido naquela mesma tribuna ao negar a violação do sigilo do painel eletrônico e chamar de mentirosa a funcionária que afirmava ter entregado a ele a lista de votantes na cassação de Luiz Estevão, no ano anterior.

Naquele ato de contrição, na véspera de renunciar ao mandato de senador, Arruda se disse vítima da própria cobiça - "o poder estava me levando, pela vaidade exagerada, pela ambição desmedida, a um atalho, a um desvio, que não é o caminho que tracei"- e assegurou ter aprendido a lição: "É um aviso para mudar enquanto é tempo".

Invocava a desproporcionalidade entre o crime e o castigo - "não matei, não roubei, não enriqueci, não desviei dinheiro público!" - e distribuía ensinamentos a respeito da prevalência da ética sobre a ambição.

"Não há nada de errado em ser ambicioso, mas o erro que muitos temos cometido, e eu certamente cometi, é definir a ambição antes de definir a ética." Esta seria a receita contra a tentação de, diante da oportunidade, se reduzir o "rigor ético".

Parlamentar de primeiro mandato à época, Arruda dizia ter sido acometido por "grande dose de ingenuidade".

"De fraqueza, de açodamento. Falhei, fui ingênuo, infantil, descuidado algumas vezes, mas pretendo, com esse gesto (a penitência) que vem de dentro da alma, dar o exemplo de que sempre se pode retomar o verdadeiro caminho."

Daí em diante, a bordo desse discurso, José Roberto Arruda tomou o caminho da reconstrução da carreira. Pediu perdão coletiva e individualmente a quase cada um de seus eleitores, percorrendo bairros de porta em porta, dizendo de seu arrependimento aos cidadãos de Brasília.

Até chegar em 2006 a governador do Distrito Federal e, três anos depois, voltar à cena da transgressão com provas produzidas em operação da Polícia Federal, de como havia, de novo, privilegiado a ambição do poder em detrimento do "rigor ético".

Aliou-se a um esquema de ilicitudes montado pelo antecessor e tomou um atalho para o Palácio do Buriti se elegendo "por dentro" do aparelho. Viciado, e, portanto, aderiu aos vícios.

Conforme ficou demonstrado pela entrega de gabinete, acesso e desenvoltura de trânsito no poder ao homem que operava a corrupção, que viria a se transformar no denunciante do esquema e com ele, Arruda, visto por todo o Brasil em cena amena de transação financeira.

E o que diz agora o penitente de outrora?

Apela por indulto, alega outra vez ingenuidade, alude ao "erro" de ter "permitido que interesses contrariados" ficassem tão próximos dele e mostra que se alguma coisa aprendeu, foi a se aperfeiçoar na arte de ludibriar: "Eu perdoo a cada dia os que me insultam. Entendo as suas indignações pela força das imagens. E sabem por que eu perdoei? Porque só assim eu posso pedir perdão pelos meus pecados".

Ato contínuo pede que o deixem trabalhar sossegado a fim de que "o governo não seja prejudicado" e muitas obras possam ser inauguradas em prol do povo.

Uma síntese do festival de descaramento que assombra o Brasil.


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Veja também: José Roberto Arruda pede perdão


Programa Nacional de Direitos Humanos III

Via Estadão, há 163 dias sob censura - Por Roldão Arruda - 10.01.2010:

Punição a torturador volta a gerar polêmica
Protesto e abaixo-assinado fazem defesa de Comissão da Verdade

As reações do ministro da Defesa, Nelson Jobim, e de grupos militares às propostas de apuração de violações de direitos humanos ocorridas na ditadura reavivaram as polêmicas em torno do assunto. Está prevista para esta semana uma manifestação conjunta de movimentos de direitos humanos e de outros setores organizados da sociedade civil em defesa da Comissão da Verdade - proposta no Programa Nacional de Direitos Humanos, lançado há três semanas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Paralelamente às costuras para essa ação conjunta, foi intensificada a coleta de assinaturas eletrônicas para o Manifesto Contra a Anistia aos Torturadores. Lançado na segunda semana de dezembro, no site da Associação dos Juízes para a Democracia, o manifesto contava, na sexta-feira à noite, com mais de 11 mil assinaturas. Um número surpreendente, na avaliação do presidente da entidade, Luis Fernando Vidal.

"Imaginávamos que teria boa adesão, mas não que fosse tão rápida, considerando que estamos em período de férias, com pouca capacidade de mobilização das pessoas", diz Vidal. "O espaço está servindo para que pessoas comuns manifestem seu descontentamento."

Na lista de assinaturas aparecem estudantes, profissionais liberais, artistas, educadores, escritores, jornalistas. O compositor Chico Buarque apareceu logo na primeira leva de pessoas que endossaram o manifesto. Continua

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Via UOL - Por Jovem Pan Online - 09.01.2010:

Liberdade de expressão ameaçada




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Via Folha Online - 09.01.2010:

Ministro ameaça sair se Programa Nacional de Direitos Humanos for alterado

O secretário nacional de Direitos Humanos, Paulo Vannuchi, disse ontem à colunista Eliane Cantanhêde que é um fusível removível no governo e pedirá demissão caso o terceiro Programa Nacional de Direitos Humanos seja alterado para permitir investigação de militantes da esquerda armada durante a ditadura militar (1964-1985).
A reportagem completa está na edição deste domingo da Folha (exclusiva para assinantes do jornal ou UOL), que já está nas bancas.

"A minha demissão não é problema para o Brasil nem para a República, o que não posso admitir é transformarem o plano num monstrengo político único no planeta, sem respaldo da ONU nem da OEA".

A terceira edição do Programa Nacional de Direitos Humanos é um apanhado de 521 medidas que vão desde metas vagas, de difícil implementação, até propostas específicas, e controversas, que também não devem sair do papel. Muitas delas dependem não só da ação do governo federal, mas de municípios, Estados, Congresso e do Poder Judiciário. Continua

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Íntegra do Programa Nacional de Direitos Humanos: AQUI!



sábado, 9 de janeiro de 2010

María Amelia López Soliño







Aos 95 anos, María Amelia López Soliño ganhou um blog do neto. Virou blogueira. E ficou conhecida mundialmente. Amada também. Muuuitooo amada! No dia 20 de maio de 2009 faleceu. A família deixou, então, um post singelo no blog - que continua no ar! -, comunicando o fato. O nome do blog? A mis 95 años. O endereço? AQUI! Visitem a dona María Amelia. E contem para todo mundo sobre a existência do blog.

Ki exemplo!

Beijos, meus queridos,

Adelidia Chiarelli



ONGs arrecadam doações para animais em Paraitinga

Via Isto É - Por Carolina Freitas - 09.02.2010


Depois da ajuda humanitária, começa a chegar a São Luiz do Paraitinga (SP) socorro aos animais vítimas da enchente. A chuva destruiu o abrigo de animais da cidade, matando 80 gatos e deixando 77 cães desaparecidos. Além dos 103 cachorros sobreviventes do canil, muitos animais que tinham dono se perderam em meio às águas e agora vagam pelas ruas de Paraitinga, doentes e com fome. "O mesmo que aconteceu às pessoas aconteceu aos bichos", resumiu a presidente da Associação Luizense Protetora dos Animais (Alpa), Eva Vilma Siqueira. Os protetores pedem ração, medicamentos, cobertores e panos que possam servir de cama aos animais.


A ONG Clube dos Vira-Latas articulou uma rede com 17 pontos de arrecadação na Capital e em outras quatro cidades. Só em Ribeirão Pires, onde fica a sede da entidade, já haviam sido entregues até sexta-feira (8) mais de 500 quilos de ração para cães e gatos. "Pedimos que as pessoas continuem doando alimentos, comedouros, medicamentos, caminhas, cobertores e material de limpeza e construção, pois será preciso reconstruir o canil e alimentar os animais por no mínimo mais um mês", disse a presidente da ONG, Cida Lellis. O telefone do Clube dos Vira-Latas é (11) 4824-7430 e o site, www.clubedosviralatas.org.br. No caso da Alpa, informações podem ser obtidas pelos telefones (12) 9603-6551 e (12) 9783-1509. Continua