com Paulo Schiller

Con las obras del pensador vienés libres de derechos se reactualiza su legado
Desde el 1 de enero, las obras de Sigmund Freud han quedado libres de derechos en el mundo entero. Salvo en España, donde por una disposición transitoria de la Ley de Propiedad Intelectual siguen vigentes hasta 2019. En Francia la noticia ha movilizado a los editores, y a lo largo del año se traducirán en distintos sellos varios textos del fundador del psicoanálisis. ¿Semejante rapidez de reflejos indica que Freud sigue conquistando lectores y que su obra mantiene su virulento poder de agitar el debate intelectual?
Sigmund Freud (1856-1939) vino a poner en cuestión que el sujeto gobernara su vida con total autonomía, como se había creído hasta entonces. En condiciones normales, contaba en El malestar de la cultura, el yo "se nos presenta como algo independiente, unitario, bien demarcado frente a todo lo demás". Pero, añadía, ese yo se prolonga "hacia dentro, sin límites precisos, con una entidad psíquica inconsciente que denominamos ello y a lo cual viene a servir como de fachada". Así que, explicaba, no sabemos gran cosa de lo que ocurre por esas zonas interiores donde operan los deseos sexuales reprimidos. Médico de formación, Sigmund Freud investigó en esos territorios oscuros para encontrar la manera de curar determinados trastornos psicológicos. De ahí surgió una nueva escuela, y su correspondiente terapia, el psicoanálisis, pero lo que sobre todo hizo este brillante caballero vienés fue cambiar nuestra manera de entendernos y de entender el mundo. Continua
"Na segunda reportagem da série especial “Sob o Sol do Sudão”, feita pelos repórteres Fábio Diamante e Ronaldo Dias, do SBT Brasil, saiba mais sobre o presidente do país, único em exercício no mundo que tem prisão decretada."
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Inferno em Darfur: 300 mil crianças morrem por ano no Sudão
Os casos de intolerância, especialmente alimentar, podem aparecer a qualquer momento da vida e são despertados, muitas vezes, por comidas importantes, como o leite, indispensável na infância
A causa das alergias que atingem milhares de pessoas no mundo pode estar no seu prato. Alguns alimentos são fortes candidatos a causar inchaço e vermelhidão na pele, assim como falta de ar e até choque anafilático. O leite encabeça a lista, pois é o primeiro a fazer parte da alimentação de qualquer pessoa.
Ovo, trigo, soja, frutos do mar, amendoim e castanhas também causam intolerância com muita frequência, mas os especialistas alertam que, com a mudança de hábito alimentar da população, corantes e conservantes – presentes em boa parte dos produtos industrializados – vêm tornando-se grandes vilões da alergia. Como eles são totalmente artificiais, o sistema imunológico pode encará-los como um corpo estranho. “Isso ocorre devido à perda de tolerância do sistema imunológico a esse produto”, diz o médico chefe do departamento de alergia da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), Ronaldo Regis Mobius.
Duas em cada dez pessoas, segundo a Associação Brasileira de Alergia e Imunologia, sofrem de algum tipo de alergia. Embora a respiratória seja a mais frequente, a alimentar tem lotado os consultórios dos especialistas. Mais comum na infância por ser um fator genético – quase três vezes mais que em adultos – a alergia pode aparecer em qualquer fase da vida, independentemente da idade. Um adulto que sempre tenha comido um determinado alimento pode passar, de uma hora para a outra, a ser alérgico a ele. Continua

JC e-mail 3941, de 01 de Fevereiro de 2010.
Ameaça ao paraíso maia
Poluição destrói o Lago Atitlán, na Guatemala, patrimônio da Humanidade
Um dos últimos redutos dos maias, um lugar cercado de história e misticismo que sobreviveu às guerras de ocupação espanhola, pode perder para sempre o seu encanto. O Lago Atitlán, na Guatemala, entrou para a malfadada lista de lugares em extinção - não são apenas plantas e animais que sucumbem à ação humana.
A poluição fez o Atitlán ser classificado no último Fórum Mundial da Água como o lago mais ameaçado do mundo em 2009. A decisão foi tomada a pedido da ONG Global Nature Fund (GNF), que fez uma análise do lago.
O Atitlán, que integra a pré-lista do Patrimônio Cultural da Humanidade da Unesco, é um dos mais belos lagos da Terra. Suas águas são cercadas por vulcões. Mas, segundo uma investigação da GNF, o fundo do lago está coberto por uma espessa lama, resultado de intensa poluição. O ambientalista Udo Gattenlöhner, da GNF, explica que a lama é formada pela decomposição de microscópicas algas tóxicas, que proliferaram devido ao lançamento de esgoto. Além disso, há muito fósforo, proveniente de fertilizantes e despejos domésticos.
Unesco diz que situação é grave
Gattenlöhner explica que, para piorar, em 2005 um furacão destruiu a estação de tratamento de esgoto e, desde então, algumas cidades da região, como Panajachel, de 11.200 habitantes, passaram a fazer seus lançamentos direto no lago, sem qualquer tratamento. Outro problema é o lixo, jogado diretamente na água. Continua
Leia também:
Lake Atitlán in Guatemala is "Threatened Lake of the Year 2009"
Imagem fonte
"Na primeira reportagem da série especial “Sob o Sol do Sudão”, os repórteres Fábio Diamante e Ronaldo Dias, do SBT Brasil, mostram o drama de milhares de famílias que vivem em um dos campos de refugiados de Darfur, Estado que fica na região oeste do maior país da África. A equipe foi abordada por homens das Forças Armadas do país quando filmava nas ruas da capital."
Ibama libera licença prévia da hidrelétrica com 40 exigências, que vão aumentar o valor de investimento na obra
BRASÍLIA - Após um ano e dois meses de análises e pressões, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) anunciou ontem a liberação da licença ambiental prévia para o projeto da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu (Pará).
No documento, o órgão ambiental lista 40 condicionantes que terão de ser atendidas pelos empreendedores para que a obra seja autorizada. O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, estima que, para mitigar os impactos ambientais, os empreendedores terão de investir cerca de R$ 1,5 bilhão. "Não é compensação ambiental. São mitigações, contrapartidas, precauções."
A Usina de Belo Monte será a terceira maior hidrelétrica do planeta, com potencial de produção de 11,2 megawatts médios (MW), superada somente pelas usinas de Três Gargantas, na China, e por Itaipu (Brasil-Paraguai).
O custo total do empreendimento ficará entre R$ 16 bilhões (segundo o governo) e de R$ 30 bilhões (segundo as construtoras), com a inundação de uma área de 516 quilômetros quadrados, o equivalente a um terço da cidade de São Paulo. A obra vai criar 18 mil empregos diretos e 80 mil indiretos. Continua
... e naqueles dias longínquos, todas nós, gatas borralheiras, no escuro do Cine Marrocos, na Vila Tibério, nos tornávamos Sissi, a Imperatriz da Áustria.
Inquérito também aponta que ex-diretora de engenharia movimentou mais de R$ 2 milhões entre 2003 e 2006
Operação Caixa Preta - investigação da Polícia Federal que aponta desvio de R$ 991,8 milhões em obras de dez aeroportos contratadas no primeiro governo de Luiz Inácio Lula da Silva, entre 2003 e 2006 - relata casos de ex-dirigentes da Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero) que teriam recebido vantagens, benefícios e prêmios, inclusive passagens aéreas, dinheiro e apartamento de luxo, de empreiteiras supostamente beneficiadas em licitações fraudulentas.
Alvo do inquérito da PF, Eleuza Lores , ex-diretora de Engenharia da Infraero, movimentou "mais de R$ 2 milhões" naquele período, revela a quebra de seu sigilo bancário. "Valores muito superiores à renda da empregada pública recebidos, ao que tudo indica, como proveito dos crimes investigados", assinala o relatório final da missão policial, à página 58.
Segundo a PF, Eleuza mantinha seis contas correntes em instituições financeiras, "não se sabendo, nos dias de hoje, onde se encontram depositados ou em que foram aplicados". Ao abordar contatos da ex-diretora com executivos de construtoras, a PF questiona: "Por qual razão Eleuza patrocinou interesses alheios? Ora, para receber vantagens financeiras, ocultando-lhes a origem." Continua
Poucas coisas nos dilaceram tanto a alma quanto as catástrofes que devastam cidades e vidas, expondo a miséria humana e nossa fragilidade diante dos fenômenos da natureza.
Se por um lado essas tragédias revelam que a humanidade ainda não se perdeu de todo e é capaz de se unir em correntes solidárias, por outro demonstram uma das faces mais sórdidas do poder: o uso político, sem qualquer pudor, do sofrimento alheio.
Seja na destruição do Haiti, onde milhares morreram e outros tantos milhões vagam perdidos sem teto, alimento, água ou esperança, seja nos mortos e desabrigados brasileiros depois das chuvas que castigaram e ainda castigam o país, todos, sem exceção, sempre viram moeda política.
E não há qualquer escrúpulo em usá-las.
No Haiti - há mais de dois séculos condenado à sua própria sorte – disputa-se até o nome do plano de salvação.
O governo brasileiro, no afã de promover a liderança do presidente Lula no cenário internacional, finca bandeiras no solo, tenta se rivalizar com os Estados Unidos, bate no peito e diz que o Plano Lula é a solução, embora ninguém saiba o que vem a ser o tal plano.
Por sua vez, os EUA de Barack Obama enxergam naquela terra arrasada uma chance de redenção diante dos males que imputaram ao mundo.
Não economizam recursos e discursos. Cada pedacinho do mundo – até os envergonhados franceses que exploravam a então colônia haitiana - reivindica sua cota de poder na reconstrução.
São demonstrações cruéis que apequenam todas as nações.
Enquanto isso, haitianos em absoluto flagelo veem os dias passarem sem que algum plano, nem mesmo de emergência, saia da lábia para a prática.
Sabe-se apenas que pouco mais de 25% do dinheiro prometido chegou. Não há estratégia definida para a distribuição de congêneres, feita aleatoriamente em absoluta desordem. Quem chega primeiro come e os demais ficam a olhar bandeiras.
No Haiti como aqui. Continua

Imagine um dia você conversando com seu filho de dois anos e poucos meses quando, de repente, ele lhe revela que o pai dele faz uma brincadeira de “mágica” para bolinar o seu corpinho. Imagine seu pequeno e amado filho reclamando de que o papai está fazendo. “Doeu meu bumbum, mami”, disse a criança. Essa é uma história real, chocante, de uma advogada paulistana de classe média que conta as amarguras dos abusos sexuais cometidos pelo pai de sua criança no livro Uma chance para Lucas – a história de um crime hediondo (ed. da Praça), que acaba de ser lançado no país. A autora Paula Belmanto trocou o seu nome, de seu filho e das pessoas envolvidas, assim como as cidades e datas para preservar a integridade de “Lucas”.
Foram seis longos anos de batalha judicial para destituir o poder paterno. Durante esse período, Paula ainda sofreu um processo de calúnia do pai da criança e teve que suportar oito meses de visitas monitoradas do pai, mesmo depois de saber dos abusos. Isso para que a morosa justiça brasileria pudesse andar com o processo. Foram anos de muita tristeza, desespero e reflexões. O tempo todo Paula tentava entender as razões que levam um pai explorar sexualmente seu próprio filho.“Eu me perguntava: como ele pode fazer isso, como eu não percebi?”.
Em uma das cenas que mais a fez sentir culpa, ela lembra que a empregada chegou a lhe mostrar uma cuequinha de Lucas machada de sangue. Mas ela nunca associou a uma violência e pensou que fosse algum probleminha de saúde de Lucas.
Hoje Lucas é um adolescente feliz e Paula conseguiu retomar sua vida. Ela diz que decidiu se expor para poder alertar outras famílias sobre a gravidade dos abusos em menores e como isso é comum nos lares brasileiros. Paula Belmanto descobriu a duras penas que 40% dos abusos sexuais no país são realizados pelos próprios pais, contra 30% de padrastos e namorados das mães. E isso independe da classe social, origem étnica e formação educacional de quem comete a violência sexual. Portanto, esse livro é um alerta para as famílias. No Brasil, as denúncias vem aumentando e logo abaixo da entrevista com Paula, coloco um link para você se informar como denunciar, caso saiba de algum caso. Continua
Legenda da imagem:
Uma chance para Lucas de Paula Belmanto

Eles querem usar saias e cabelos compridos. Elas escolhem cortar os cabelos e vestir só calças. Não dizem que querem ser de um sexo diferente. Insistem que são de um sexo diferente. São crianças com uma perturbação de identidade de género. Casos raros de quem diz estar preso num corpo errado desde sempre. O que fazer com estas crianças? E quando?
Sentem que nasceram com o corpo errado. Não são rapazes que querem ser raparigas. Dizem que são raparigas com pénis. Não são raparigas que querem ser rapazes. Dizem que são rapazes com uma vagina. Nem sempre é possível identificar e diagnosticar uma perturbação de identidade de género na infância ou adolescência. São crianças que muitas vezes acabam por receber um rótulo de Maria-rapaz, "mariquinhas" ou, mesmo, homossexuais. Mas não é a mesma coisa. No mundo da transexualidade lida-se com algo que é muito diferente de orientação sexual: lida-se com a identidade. E a verdade é que quando os transexuais são recebidos pelos especialistas, já na idade adulta, dizem que estão à espera do verdadeiro corpo desde muito cedo. Desde sempre.
"Olá. O meu nome é Josie. Faço anos no dia 16 de Abril. Sou uma rapariga. E tenho um pénis." David Elisco, produtor do documentário Sexo, Mentiras e Género, da National Geographic, conta como conheceu Josie Romero, uma criança com oito anos, do Arizona, Estados Unidos. Foi através de um vídeo caseiro onde se via uma menina loira, sentada numa grande cadeira que lhe deixava os pés soltos a abanar no ar. Josie foi notícia em muitos jornais e programas de televisão como exemplo de uma criança com perturbação de identidade do género e porque está autorizada a iniciar os tratamentos hormonais quando chegar aos 12 anos. Continua
Legenda da imagem:
Nem sempre é possível identificar e diagnosticar uma perturbação de identidade de género na infância ou adolescência (Adriano Miranda (arquivo))
JC e-mail 3938, de 27 de Janeiro de 2010.
Crescimento insustentável, artigo de Roberto Nicolsky
"Exportamos cinco toneladas de soja ou quatro de minério de ferro pelo preço de um laptop, cuja produção gerou muito mais empregos e renda"
Roberto Nicolsky é físico e diretor-geral da Sociedade Brasileira Pró-Inovação Tecnológica (Protec). Artigo publicado no "Correio Braziliense":
Felizmente o Brasil superou os principais reflexos da recente crise econômica mundial. Mas mesmo assim a economia brasileira, que entre 2006 e 2008 cresceu a uma taxa média de cerca de 5% ao ano, em 2009 não repetirá esse desempenho e deverá até encolher um pouco, conforme as estatísticas irão mostrar. A questão a se discutir, portanto, é se o modo de crescer que o governo vem praticando é sustentável.
O crescimento brasileiro tem sido puxado pelos produtos agropecuários, extrativos e primários. São as chamadas commodities, de muito pouco valor por unidade física. Crescemos também produzindo para o mercado interno mediante a expansão do crédito, o que levou famílias a consumir mais, mas também a aumentar muito o seu endividamento.
O inconveniente desse tipo de crescimento é que ele se sustenta na ascensão econômica, bem mais acelerada, de outros países, como a China. Os preços de commodities são definidos pela demanda do mercado mundial, e se nos últimos anos têm estado elevados é porque a China compra muito. São fatores que fogem ao nosso controle e qualquer mudança pode paralisar o nosso crescimento, como aconteceu em 2009.
Esses fatores, em conjunto com a apreciação do real frente ao dólar, geram forte pressão de substituição da produção interna por produtos importados, principalmente aqueles de maior intensidade tecnológica e maior valor agregado. Ou seja, exportamos cinco toneladas de soja ou quatro de minério de ferro pelo preço de um laptop, cuja produção gerou muito mais empregos e renda.
A indústria brasileira de transformação, que agrega tecnologia e deixa o produto pronto para o consumidor final, está crescendo bem menos do que o PIB. A nossa economia é cada vez mais produtora de commodities agropecuárias e minerais, de produtos básicos e de serviços simples, como o comércio. Continua
O repórter conversou há pouco, por telefone, com um integrante da comitiva presidencial que acompanha Lula no Hospital Português, em Recife.
Informou que Cleber Ferreira, o médico que atendeu Lula, internado às pressas na noite desta quarta (27), atribui o mal-estar a uma crise de hipertensão.
A pressão arterial de Lula alçou a casa de 18 por 12. Segundo o interlocutor do blog, o quadro já foi normalizado.
Lula passará a noite no hospital, em observação. Deve receber alta na manhã desta quinta (28). Continua

Ainda dá tempo de conferir as fotos "São Paulo - Outdoor's", realizadas por Carlos Goldgrub. Elas ficam até o dia 31 de janeiro, expostas a céu aberto, na rua Avanhandava, em São Paulo.
Até o final de fevereiro, as mesmas fotos também poderão ser vistas e adquiridas na Galeria Calligraphia: rua Avanhandava, 40.
Congelamento de R$ 25,6 milhões da receita de subprefeituras para obras e serviços nesse locais foi na quinta-feira
No dia em que quatro pessoas morreram soterradas na capital por desabamentos provocados pela chuva, na quinta-feira (21), o prefeito Gilberto Kassab (DEM) congelou R$ 25,6 milhões destinados a obras e serviços em áreas de risco. O valor representa 86,5% dos R$ 29,6 milhões disponíveis para essas ações no orçamento das 31 subprefeituras e da Secretaria Municipal de Coordenação das Subprefeituras.
O corte, que faz parte do contingenciamento de R$ 2 bilhões do Orçamento, surpreendeu ao menos dois subprefeitos que disseram não terem sido informados da medida. "É de chorar. Acabei de levantar obras de emergência necessárias na região em função das chuvas e disse à população que começaríamos a agir. Descubro que não há um centavo liberado", disse um deles, que pediu anonimato.
A decisão irritou vereadores da base aliada de Kassab. "Resolver centralizar as obras em meio ao caos das chuvas é dar um tiro no pé politicamente", afirmou um kassabista.
A Prefeitura alega que apenas os recursos das subprefeituras - R$ 19,6 milhões - foram congelados porque serão remanejados nos próximos dias para os orçamentos de outras secretarias. Segundo a Assessoria de Imprensa de Kassab, os R$ 9,98 milhões previstos para obras em áreas de risco na Coordenação das Subprefeituras estão disponíveis, apesar de R$ 5,9 milhões aparecerem congelados, segundo levantamento da Liderança do PT na Câmara. Continua
Grupo de pesquisadores da UFSCar lança livro Sociologia dos Desastres. Segundo eles, tragédias se repetem porque Brasil não tem cultura de prevenção e proteção civil contra desastres
A cada ano, em períodos de chuvas mais intensas, repetem-se pelo Brasil as cenas de tragédias provocadas por enchentes e deslizamentos de terra. Esses desastres periódicos são, muitas vezes, indevidamente atribuídos apenas à intensidade dos fenômenos naturais. No entanto, na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), um grupo de especialistas no tema adota uma perspectiva mais crítica: os desastres são recorrentes no país por falta de uma cultura de prevenção e proteção civil.
Essa é uma das principais conclusões do livro Sociologia dos Desastres: construção, interfaces e perspectivas no Brasil, lançado pelo Núcleo de Estudos e Pesquisas Sociais em Desastres (Neped), do Departamento de Sociologia da UFSCar. A obra é fruto dos estudos realizados no núcleo desde 2003 e reúne artigos de 12 especialistas diferentes.
Organizado pela coordenadora do Neped, Norma Valêncio, e pelos pesquisadores Mariana Siena, Victor Marchezini e Juliano Costa Gonçalves, o livro tem o objetivo de contribuir para o aperfeiçoamento do Sistema Nacional de Defesa Civil.
De acordo com Mariana, o foco do grupo é a relação entre desastres, direitos humanos, defesa civil e dimensões políticas e institucionais. "Estudamos também as dimensões psicossociais dessa associação. Para isso, trabalhamos com entrevistas in loco, por exemplo, com moradores que perdem suas casas em desastres", disse Mariana à Agência Fapesp. Continua
O que Jeanette disse a Roger, soterrada pelos escombros do terremoto
Seis dias depois do terremoto, Roger continuava diante das ruínas do prédio onde estava sua mulher, Jeanette, em Porto Príncipe. Não é possível alcançar, só podemos tentar vestir a pele do homem diante do monte de pedras. Debaixo delas, está a mulher que ama. Para todos, morta. Para ele, viva. Roger grita o nome de Jeanette. Diante de tantas dezenas de milhares de mortes, seu drama era apenas mais um. Mas não existe mais um. Existe o mundo inteiro em cada um. A vida só faz sentido se o homem com o os olhos vermelhos fixos nas pedras for ele e todos nós.
De repente, alguém ouve um barulho. Uma voz entre os escombros. “Ela está viva!”, grita Roger. Agora, há um pequeno buraco. O repórter da TV americana enfia por ele um microfone para falar com Jeanette. Ela não come há seis dias, não bebe água há seis dias, não se move há seis dias. Enterrada viva, há seis dias Jeanette respira com dificuldade na escuridão. Tem os dedos da mão quebrados, sente dor. Jeanette tem algo a dizer. O que ela diz? Ela manda um recado para Roger: “Eu te amo muito. Nunca se esqueça disso!”.
Roger pega o que parece ser um pedaço de ferro da estrutura do prédio e começa a cavar.
Fiquei tentando abarcar o que é cavar pedras com um pedaço de ferro, com as mãos, para retirar dali um amor. Acho que não cheguei nem perto.
O que faz meu coração falhar uma batida, para além da tragédia, é o que Jeanette escolhe dizer a um minuto da morte. O que importa a ela registrar depois de seis dias soterrada, 144 horas, 8.640 minutos, cada um deles eterno. Tudo o que importa para Jeanette, que não sabe se vai sobreviver, é afirmar seu amor ao homem que ama. Diante da morte, esta era a frase de uma vida.
Este pequeno drama, um entre dezenas de milhares, explica por que, contra todas as catástrofes, a escravidão e os sucessivos abusos cometidos pelas potências de cada época, a exploração e a violência, as bolachas de lama, as tantas misérias, a falta de tudo, o Haiti vai sobreviver. Mesmo sem quase nada, Jeanette e seu povo ainda tem o que perder.
O que você diria se fosse Jeanette?
A história de Roger e Jeanette nos remete ao que dá sentido à vida. Ao que realmente importa para cada um de nós. Soterrada pelas ruínas do seu país, a haitiana Jeanette ensina o mundo inteiro. Não porque quer nos dar alguma lição, mas porque Jeanette é. Inteira, ainda que aos pedaços em meio aos cacos simbólicos e reais de um povo, de uma nação.
Como repórter, já escutei sobreviventes das mais diversas tragédias, ou apenas diante da catástrofe inescapável que é o fim da nossa história quando a vida chega ao fim. Ninguém sente saudades do momento em que teve seus 15 minutos de fama ou brilhou em algum palco ou ganhou um aumento de salário ou foi chefe de alguma coisa ou botou um peito turbinado ou emagreceu seis quilos ou comprou uma casa ou um carro zero ou uma TV de tela plana. Diante do momento-limite, somos levados não aos grandes bens ou aos grandes planos, mas aos detalhes cotidianos que em geral passam despercebidos, quase esquecidos em nossa pressa rumo às grandes aspirações. O que nos falta é aquilo que nos preenche a cada dia sem que nos demos conta. Aquilo para o qual, em geral, não temos tempo.
Será que é preciso quase morrer para lembrar de viver? Continua
Atraso em acordo contra efeito estufa deixa vácuo legal em floresta alvo de projetos ambientais
A falha da COP-15 (a conferência do clima de Copenhague, em dezembro) em produzir um tratado com força legal pode contribuir para aumento da violência, corrupção e especulação fundiária em áreas de floresta. Segundo um novo estudo, as lacunas jurídicas deixadas pelo fiasco nas negociações para redução de gases do efeito estufa dão margem a uma disputa pelo dinheiro destinado a projetos ambientais.
O trabalho foi apresentado na sexta-feira (22/1) em Londres pela RRI (Iniciativa para Direitos e Recurso, sigla em inglês), grupo de entidades ambientalistas. A ONG diz que o dinheiro a ser disputado inclui sobretudo os US$ 3,5 bilhões anunciados para projetos do tipo Redd (Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação florestal).
Segundo o estudo, a indefinição da conferência quanto à regulamentação formal dessas iniciativas -basicamente, uma compensação financeira para preservação de florestas- aumentaria a pressão sobre áreas verdes. O carbono contido nas árvores elevará o valor de áreas florestadas e despertaria o interesse de pela posse dessas terras, levando a conflitos.
Nesse contexto, afirma o relatório, desvios de recursos e grilagem serão comuns. Os conflitos, além de limitarem a redução das emissões, ameaçam sobretudo os povos que vivem nas florestas tropicais.
"As florestas serão retalhadas, controladas e usadas como instrumento de barganha política como nunca antes", disse Jeffrey Hatcher, analista político da RRI, em comunicado à imprensa. Segundo a ONG os países que mais sofrerão com o problema são aqueles onde as instituições legais não estão fortalecidas, como o Congo. Continua


Cartas de amor - F. Pessoa / Voz: M. Bethânia
Mundo - Drummond / Voz: Drummond
Tabacaria - F. Pessoa / Voz: Antônio Abujamra
The Sky is Low - Emily Dickinson
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