quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Usina nuclear entra em estado de alerta na Argentina


JC e-mail 4567, de 22 de Agosto de 2012.
Usina nuclear entra em estado de alerta na Argentina


Pedido foi feito depois que apareceram fissuras na estrutura de um reator igual na Bélgica.

A central nuclear de Atucha 1, na Argentina, entrou em estado de alerta. O pedido foi feito pela Agência de Energia Nuclear da Organização para a Cooperação Econômica e Desenvolvimento, depois que foram constadas fissuras na estrutura do reator de uma central belga, construída pela mesma empresa que a argentina.

A usina belga foi fechada há dois meses e todos os reatores construídos pela empresa holandesa RDM vão ser submetidos a uma rigorosa inspeção internacional. A usina de Atucha 1 é a mais antiga da América do Sul. Funciona desde 1974 e fica a apenas cem quilômetros de Buenos Aires. Segundo o Greenpeace, ao menos 22 milhões de pessoas vivem a menos de 300 quilômetros da central em risco.

Atucha I é uma das 19 centrais nucleares do planeta que contam com um reator construído pela empresa holandesa, segundo o jornal argentino "La Nación". As outras ficam na Europa e nos Estados Unidos.

A denúncia sobre os riscos de Atucha I foi feita por ambientalistas do Greenpeace, da Fundação Ambiente e Recursos Naturais e dos verdes argentinos. Eles pedem que o governo de Cristina Kirchner esclareça a situação real da usina argentina, mas até agora não tiveram resposta. Os ativistas lembram que a Bélgica já cogita fechar definitivamente sua central danificada.

Ativistas argentinos pediram no último dia 14 informações à Autoridade Regulatória Nacional e à Comissão Nacional de Energia Atômica. "Até agora não se conseguiu resposta alguma da parte das autoridades", explicou Juan Carlos Villalonga, dos Verdes, à imprensa argentina.

Mas ontem a AEN confirmou que Atucha I é um dos 19 reatores com material fornecido pela empresa RDM.

Mauro Fernández, integrante do Greenpeace, disse que há 22 milhões de argentinos vivendo a menos de 300 quilômetros da usina e que o governo deve fornecer informações sobre o caso.
(O Globo)

Brasil relaxou no controle da Aids, afirma manifesto


JC e-mail 4567, de 22 de Agosto de 2012.
Brasil relaxou no controle da Aids, afirma manifesto


Dados do Ministério da Saúde apontam que o número de mortes no País cresceu 8,8%.

Manifesto lançado ontem (21) por 14 instituições e 54 pesquisadores e ativistas do movimento anti-Aids aponta sérios problemas no controle da epidemia da doença no País. Entre eles estão o aumento no número de casos e de mortes.

Dados do Ministério da Saúde mostram que o número de casos passou de 33.166, em 2005, para 37.219, em 2010 (aumento de 12%). No mesmo período, as mortes pularam de 11.100 para 12.073 (aumento de 8,8%). "Não é uma situação esperada. Com a melhoria do tratamento, deveríamos estar reduzindo o número de óbitos. Se tivéssemos uma política de prevenção efetiva, não teríamos tantos casos novos", afirma Alexandre Grangeiro, pesquisador da Universidade de São Paulo (USP) que assina o manifesto.

O diagnóstico tardio, verificado em mais da metade dos pacientes, é apontado como a principal causa para o aumento de mortes. "Uma pessoa sem tratamento tem mais risco de morrer e de transmitir o vírus para outras. Em tratamento, ela reduz em 94% as chances de infectar outras pessoas."

Segundo Grangeiro, o Brasil tem uma epidemia muito específica, com 90% dos casos concentrados em 400 municípios, e um crescente aumento de casos entre a população jovem, que está iniciando a vida sexual.

Para Vera Paiva, coordenadora do Núcleo de Estudos para a Prevenção da Aids (USP), é preciso reverter a "banalização" da Aids. "Os pesquisadores estão mostrando que o povo acha que não precisa mais usar camisinha, que é coisa de gente velha. E o vírus parou de circular? De jeito nenhum."

Paiva afirma que é preciso baixar a curva da doença, estabilizada em patamar mais alto do que deveria, em sua avaliação. E que essa é uma questão a ser resolvida por diferentes governos. "Não é um problema específico do governo federal, é nacional."

Críticas - Considerado uma referência mundial, o programa brasileiro de DST/Aids tem sido bastante criticado. No mês passado, durante uma conferência internacional em Washington, pesquisadores fizeram alertas sobre a falta de médicos, leitos e exames para os pacientes com HIV e de medicamentos para tratar doenças causadas pelos antirretrovirais.

Durante o evento, o coordenador de HIV/Aids da Opas (Organização Panamericana da Saúde), Massimo Ghidinelli, disse que o aumento da pressão de grupos religiosos e a redução das campanhas de prevenção dedicadas às populações de maior risco são a principal ameaça ao programa brasileiro.

"O programa precisa mudar e se adaptar rapidamente a esses novos desafios da epidemia e manter um grande enfoque nas populações vulneráveis", afirmou.
Outro lado

Outro lado - O secretário de vigilância em saúde do Ministério da Saúde, Jarbas Barbosa, questionou a leitura dos dados da Aids feita pelo manifesto. "O óbito aumentou entre aspas. A população aumentou, então a taxa de mortalidade está estabilizada."

Ele faz o mesmo raciocínio para o número de casos da doença e diz que a taxa de incidência caiu nitidamente no Sudeste, onde a epidemia está consolidada. E isso, continua, mesmo com o maior número de testagens feitas para o HIV.

Sobre o percentual de gestantes com o vírus em tratamento, Barbosa afirma que dados de 2011 mostram que também há estabilidade. Ele diz que é preciso fazer uma análise epidemiológica mais aprofundada dos números. E argumenta que os dados da doença no Brasil são bons frente a países com características semelhantes.

Segundo o secretário, a política de Aids é aberta no País, discutida periodicamente com especialistas e a sociedade civil. "Algumas questões que eles colocam como inquietações são compartilhadas, estamos fazendo políticas para atendê-las." As preocupações, diz, são a aproximação com os grupos mais vulneráveis (como jovens gays) e testes precoces para a doença.
(Folha de São Paulo)

Sociedade Brasileira de Física (SBF):
Reforma do ensino médio não pode sucatear ciência


JC e-mail 4567, de 22 de Agosto de 2012.
SBF: Reforma do ensino médio não pode sucatear ciência


Sociedade Brasileira de Física (SBF) envia carta ao ministro da Educação com sugestões de como modernizar e aperfeiçoar o ensino das disciplinas científicas nas escolas.

A reforma do currículo do ensino médio proposta pelo Ministério da Educação é importante e desejável, mas há de se tomar cuidado para não agravar, em vez de solucionar, alguns dos sérios problemas enfrentados hoje no setor de educação.

Em carta enviada ao ministro Aloizio Mercadante, a diretoria da Sociedade Brasileira de Física manifesta sua preocupação de que as disciplinas de física, biologia e química sejam reunidas sob um único curso de "ciências da natureza". A iniciativa deve diluir ainda mais a apresentação dos conteúdos científicos, que hoje carecem de aprofundamento e modernização na grade curricular.

Em vez disso, a SBF sugere que haja diversificação optativa no ensino médio, com aumento de carga horária para essas disciplinas destinado aos alunos que pretendem seguir carreira técnica ou científica.

Veja a íntegra da carta enviada ao ministro Mercadante.

Ao M.D.
Sr. Dr. Aloizio Mercadante Oliva
Ministro
c/c Dr. Cesar Callegari
Secretário de Educação Básica
Ministério da Educação


Sr. Ministro,
Diante das notícias de que o MEC inicia um processo de discussões sobre a reforma do currículo do ensino médio no País com o objetivo de, até o início de 2013, encaminhar proposta de resolução nesse sentido ao Conselho Nacional de Educação (CNE), a Sociedade Brasileira de Física gostaria de apresentar as seguintes considerações:

. entendemos como necessária uma reforma curricular imediata que leve ao aumento da flexibilidade da escolha de disciplinas por parte dos alunos do ensino médio;

. existe hoje, de fato, uma enorme carência de profissionais formados em áreas técnicas. Como resultado do avanço da economia do País e da necessidade de uma maior competitividade em sua inserção no mercado internacional, essa carência deverá se tornar ainda mais grave nos próximos anos. Para supri-la, defendemos o aumento da carga horária de disciplinas como matemática, física, química e biologia para aqueles alunos que pretendam seguir carreiras técnicas ou de nível superior nessas áreas;

. da mesma forma, julgamos necessária uma discussão urgente que vise a modernização do conteúdo dessas disciplinas, de maneira a torná-las mais adequadas à formação de profissionais do século 21 e de maior interesse aos estudantes do ensino médio;

Pelas razões acima, julgamos um retrocesso danoso aos interesses do País a proposta de reunir o ensino de física, química e biologia em uma única disciplina chamada de "ciências da natureza" (ou equivalente). Entendemos que essa opção levaria a que o conteúdo específico de cada uma delas fosse gravemente diluído e, portanto, irremediavelmente comprometido, ao mesmo tempo em que passaríamos a ter dificuldades quase insuperáveis para a formação e atualização de professores na quantidade necessária e com a qualidade mínima indispensável para ministrar tal disciplina.

A Sociedade Brasileira de Física se coloca de pronto à disposição do Ministério da Educação, do Conselho Nacional de Educação e das secretarias estaduais de educação para debater esses pontos e apresentar sua colaboração para que a proposta de resolução a ser definida venha a melhor contribuir para a formação de jovens mais habilitados para o mercado profissional e o exercício da cidadania plena no Brasil das próximas décadas.

São Paulo, 21 de agosto de 2012
Sociedade Brasileira de Física


quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Na cidade de São Paulo, Fundo faz obras ilegais no Parque da Água Branca

Via Estadão
Por Diego Zanchetta
21.08.2012

Intervenções em imóveis tombados são feitas sem autorização; MP vai cobrar multa de R$ 500 mil e pedir embargo de reforma

SÃO PAULO - Obras realizadas pelo Fundo Social do Estado na área externa de três prédios tombados no Parque da Água Branca, na zona oeste de São Paulo, estão desrespeitando uma decisão liminar da Justiça e as autorizações concedidas pelo Departamento do Patrimônio Histórico (DPH). O Estado flagrou nos últimos dois dias pedreiros que trocavam o telhado e realizavam intervenções na fachada dos casarões em estilo normando, símbolos da cultura cafeeira, construídos no início do século 20.

Informado por usuários sobre as irregularidades, o promotor Washington Luis Lincoln de Assis pediu nesta terça-feira, 21, à Justiça o embargo e afirmou que emitirá multa hoje de R$ 500 mil. O parque, com 131 mil metros quadrados, esteve em obras de abril de 2010 a novembro de 2011. A nova intervenção teve início no dia 3 de maio, quando a ONG SOS Parque da Água Branca procurou o Ministério Público (MP) e uma ação civil pública foi instaurada contra a obra. A Justiça, então, concedeu liminar para barrá-la.

Além dos três casarões em reforma, por todos os lados há interdições com cercas laranjas, fitas de isolamento amarelas e caçambas com entulho. Um alojamento para operários foi improvisado em contêineres.

Estão em obras o Espaço Lucy Montoro (antigo gabinete de desenho e fotografia), o Centro Histórico e Pedagógico e o prédio do Fundo de Desenvolvimento da Pecuária (antigo laboratório de análise de mel). Os telhados antigos das casas (números 29, 35 e 37) foram substituídos por um forro de metal. VEJA A MATÉRIA COMPLETA. VEJA AS FOTOS.

São Paulo atravessa a madrugada para ver Monet, Cézanne e Van Gogh

Via Jornal da USP
Por LEILA KIYOMURA
12.08.2012

A exposição “Impressionismo: Paris e a Modernidade – Obras-Primas do Museu d’Orsay”, no Centro Cultural Banco do Brasil, movimenta a cidade. Mais de 10 mil pessoas se enfileiram dia e noite para recepcionar os mestres da pintura

Quadro mais impressionista do que os pintores retratando as cores da vida parisiense é o do centro da cidade de São Paulo todo iluminado. E elegante para atravessar a madrugada apreciando a leveza das bailarinas de Edgar Degas, a natureza de Paul Cézanne, a boemia de Toulouse Lautrec.

O amanhecer frio, a garoa, a chuva. Lá estavam as famílias paulistanas e de cidades e Estados de todo o País, na expectativa de prestigiar as 85 obras-primas do acervo Museu d’Orsay. Mais de 10 mil pessoas, em uma fila cordial e ininterrupta, esperando a sua vez para entrar no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB).

Ao ver tamanho movimento no dia, noite e madrugada da estreia de “Impressionismo: Paris e a Modernidade”, o presidente do Museu d’Orsay, Guy Gogeval, elogia: “Nunca vi um público tão interessado e disposto. É uma grande honra trazer o nosso acervo para ser apresentado aos brasileiros”. Gogeval explica que a maioria das obras está saindo do museu e de Paris pela primeira vez. “Esta atitude faz parte de um projeto de internacionalização que estamos desenvolvendo.”

O movimento do público mostra mais uma vez que a nossa vida cultural está mudando. O Brasil, no ano passado, segundo levantamento da revista americana The Art Newspaper, teve três das dez exposições com maior público do mundo. “O mundo mágico de Escher” bateu recorde de visitação diária do planeta, cerca de 9.677 visitantes por dia. Também “Oneness”, da japonesa Marico Mori, que mistura arte e tecnologia, atraiu com a sua nave espacial cerca de 7 mil pessoas. E a retrospectiva da americana “Eu em Tu”, da americana Laurie Anderson, teve 6.934 visitantes. Todas essas mostras tiveram entrada franca e foram apresentadas pelo Centro Cultural Banco do Brasil. A sede do Rio de Janeiro é a responsável por esses índices, porém a de São Paulo tem uma frequência surpreendente. CONTINUA!

STF concede liberdade a fazendeiro acusado de matar Dorothy Stang

Via Estadão
22.08.2012

Segundo decisão, a prisão só poderia ocorrer após o fim de todos os recursos da defesa pendentes

SÃO PAULO - O ministro Marco Aurélio, do Supremo Tribunal Federal (STF), concedeu, nesta terça-feira, 21, liminar em habeas corpus que determina liberdade provisória para Regivaldo Pereira Galvão, condenado pelo Tribunal do Júri de Belém (PA) a 30 anos de prisão pela morte da missionária Dorothy Mae Stang. Segundo o ministro, o alvará de soltura deve ser cumprido "com as cautelas próprias", caso Regivaldo não esteja preso por outro motivo. Regivaldo está preso em Altamira (PA) desde setembro de 2011, quando se apresentou à polícia. CONTINUA!

Depressão e transtorno bipolar podem acelerar envelhecimento

Via Revista Pesquisa FAPESP
Por RICARDO ZORZETTO
Edição 197 - Julho de 2012

Tempestades do corpo e da alma

Crises de depressão e de euforia provocam desequilíbrios químicos que podem danificar as células e acelerar o envelhecimento do corpo

Desde 2009 o psiquiatra Rodrigo Bressan e outros pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) acompanham um grupo de adolescentes com alto risco de desenvolver doenças mentais graves como o transtorno bipolar e a esquizofrenia. Eles querem descobrir o momento adequado para agir antes que os problemas se manifestem e, assim, tentar evitar que se instalem. Ao mesmo tempo, procuram ensinar os adolescentes e seus familiares a lidar com situações estressantes que podem disparar as crises. Assim que possível, Bressan e os psiquiatras Elisa Brietzke e Ary Araripe Neto querem ver se compostos anti-inflamatórios, antioxidantes ou neurotróficos poderiam proteger as células cerebrais e, quem sabe, reduzir o risco de desenvolver essas doenças mentais.

A estratégia de tentar proteger o cérebro com esses e outros compostos se baseia na hipótese de que os neurônios e outras células cerebrais sofrem danos gradativos a partir do primeiro episódio mais intenso da doença – há quem suspeite de que os danos podem começar até mesmo antes. Estudos recentes indicam que nesses distúrbios o cérebro produz certos compostos em níveis nocivos que atrapalham o funcionamento das células e podem causar danos irreparáveis à medida que se sucedem, levando à deterioração das capacidades de raciocínio, planejamento e aprendizagem e até a uma alteração leve e definitiva do humor. Simultaneamente ao aumento na concentração dessas substâncias, haveria também uma diminuição nos de compostos neuroprotetores naturalmente produzidos pelo organismo.

Um dos pesquisadores que ajudou a desenvolver essa hipótese é o psiquiatra Flávio Kapc-zinski, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e coordenador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Medicina Translacional. Ele está convencido de que a evolução dramática dos casos graves de transtorno bipolar e de depressão é consequência de alterações fisiológicas causadas pelas crises recorrentes.

As crises que de tempos em tempos atormentam a mente também intoxicam o corpo, acredita Kapc-zinski. Elas seriam como tempestades químicas que desfazem o equilíbrio das células cerebrais e liberam compostos que, carregados pelo sangue, inundariam o organismo – às vezes levando a um grau de intoxicação quase tão grave como o enfrentado por quem desenvolve uma infecção generalizada (sepse). Repetidas ao longo de anos ou décadas, essas avalanches tóxicas precipitadas por surtos de depressão ou de mania produziriam um desgaste lento e progressivo do cérebro e de todo o corpo, reduzindo a capacidade de recuperação e acelerando o processo de envelhecimento. CONTINUA!

Benefícios do café da manhã

Via Revista Fapesp
Por REDAÇÃO
Edição 197 - Julho de 2012

Por falta de hábito ou por estarem em briga com a balança, crianças e adolescentes obesos deixam, às vezes, de fazer uma refeição. A prática não é recomendável, especialmente se o café da manhã for a refeição abolida. Um estudo de pesquisadores das universidades Estadual Paulista (Unesp), do Oeste Paulista (Unoeste) e Estadual de Londrina (UEL) indica que não comer na hora certa, em especial a primeira refeição matinal, pode estar relacionado com índices mais elevados de glicose e lípideos nas crianças. O estudo analisou 174 crianças e adolescentes obesos e sedentários (80 meninos e 94 meninas), com idade entre 6 e 16 anos, que moram na cidade de Presidente Prudente, interior paulista (Journal of Pediatrics, 7 de junho de 2012). Menos da metade dos meninos e meninas tomava café da manhã, de longe a refeição que era mais ignorada (apenas 10% não almoçavam e pouco mais de 20% não jantavam). Os pesquisadores acreditam que, ao pularem o café da manhã, as crianças passam um período muito longo sem comer. O mau hábito altera mecanismos neuroendócrinos e estimula a produção pelo estômago da grelina, um hormônio ligado à fome. Dessa maneira, a maior produção de grelina levaria os adolescentes e crianças a terem mais apetite nas demais refeições. Comendo mais no resto dia, teriam índices maiores de açúcar e gordura no sangue do que as pessoas que fazem as três refeições do dia. Em última instância, não tomar café da manhã pode até ser um fato que estimula a obesidade.

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Umidade chega a 10% e SP entra em estado de emergência

Via Folha de São Paulo
Cotidiano
21/08/2012 - 17h23


Clique no texto acima para ler a matéria!

Pedido básico:
SOCORROOOOOOOOOOO!!!!!
Adelidia Chiarelli



'Está na hora de começar a rever a Teoria da Relatividade' - Professor Mário Novello


JC e-mail 4565, de 20 de Agosto de 2012.
'Está na hora de começar a rever a Teoria da Relatividade'


Às vésperas de completar 70 anos, um dos mais importantes físicos do Brasil é homenageado em simpósio e faz um balanço da ciência e seu futuro.

Um dos maiores físicos brasileiros da atualidade, o professor Mário Novello completa 70 anos no próximo dia 24. Em sua homenagem, a instituição onde trabalha, o Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF), promoveu um simpósio especial na última semana, em que pesquisadores do Brasil e de várias partes do mundo discutiram as principais ideias e teorias que ele apresentou nos seus anos de atuação na ciência.

Em entrevista, Novello resumiu algumas delas e comemorou a atenção cada vez maior que a física recebe do público em geral.

Quais foram seus focos de estudo nos últimos anos? Eu me interessei por cinco grandes questões de conhecimento da natureza. A primeira é se o Universo teve um começo singular há alguns bilhões de anos ou é muito mais velho, possivelmente eterno, ou seja, se teve um colapso anterior à fase atual de expansão ou não. A segunda é se é possível produzir um buraco negro não-gravitacional em laboratório. Os buracos negros são um conceito tipicamente de gravitação, mas mostramos, eu e minha equipe, desde 2001 que certos efeitos eletrodinâmicos não-lineares podem produzir um comportamento dos fótons, os grãos de luz, típico do que têm quando na vizinhança de um buraco negro, o que significa que em certas circunstâncias seria possível fabricar um buraco negro não-gravitacional, eletromagnético, no laboratório. Isso teria consequências muito interessantes, como, por exemplo, esconder o que se quiser dentro dele, pois a matéria lá dentro não consegue emitir fótons e, assim, não seria possível ser detectada. A terceira é a origem da massa, que ganhou tanta atenção recentemente com o anúncio da detecção do bóson de Higgs. A quarta envolve um trabalho que fiz há algum tempo sobre a hipótese de que as interações da física poderiam variar com a situação espaçotemporal, ou seja, que a física que a gente descobre na Terra não é necessariamente a mesma em qualquer lugar do Universo. Aprendemos que as leis da física foram geradas de uma maneira que não sabemos como e cabe a nós simplesmente descobri-las, isto é, elas são o que são e não podem ser emendadas ou mudadas. Mas se por acaso houver uma dependência das interações fundamentais com a situação do Universo, poderia se começar a pensar que talvez tenha havido outras configurações e esta que hoje chamamos de leis da física são na verdade um conjunto cuja coerência durou um certo tempo suficientemente grande para gerar o que a gente chama de Universo. É mais ou menos a mesma diferença entre Ptolomeu e Copérnico. Nós achávamos que a Terra era o centro do Universo, e agora achamos que as leis da física descobertas na Terra são as mesmas em todo Universo. Guardadas as devidas proporções, o que estamos discutindo é se isso é verdade mesmo. Isso não pode ser um dogma a priori, é preciso testar, e onde testamos isso é com a Cosmologia, que está produzindo uma refundação da física como não se viu desde o século XVI. Já a quinta é a geometria do microcosmos, que é delicada. O mundo quântico tem propriedades muito especiais. Desde os anos 20 que a gente considera que neste mundo não se deve falar em processos contínuos, mas discretos. Daí o famoso "salto quântico", que foi caracterizado de forma bem clara nas órbitas dos átomos de hidrogênio, e nos outros também, em que os elétrons não fica em todos lugares, eles têm certas órbitas preferenciais, que são determinadas exatamente pelas equações que regem este mundo quântico. Mas nos anos 50 David Bohm (físico britânico de origem americana que também foi cidadão brasileiro e viveu no país no início dos anos 50) produziu um cenário com uma visão contínua do mundo quântico que é a única, ou pelo menos uma das poucas, que pode ser aplicada na Cosmologia. Isso porque quando se vai produzir um modelo quântico do Universo, não se pode usar a interpretação clássica da mecânica quântica, a da Escola de Copenhague, que exige que se tenha um observador externo ao sistema. Ora, como não pode haver um observador externo ao que a gente chama de Universo, não poderia haver, neste caso, uma Cosmologia quântica. Para que ela exista, é preciso sair desta interpretação e é daí que vem a ideia de Bohm e de De Broglie (Louis De Broglie, físico francês ganhador do Nobel de 1929). No nosso grupo de Cosmologia no CBPF, temos trabalhado muito nesta direção e fizemos uma mudança na estrutura métrica que envolve o microcosmos. Isso é curioso porque estamos acostumados a medidas euclidianas no cotidiano. A Relatividade Especial, no entanto, mostrou que essa geometria euclidiana pode ser alterada quando você tem objetos com velocidades extremamente elevadas. O que estamos construindo é uma terceira possibilidade que é uma geometria do tipo produzida pelo matemático e físico alemão Hermann Weyl que pode exatamente ser responsável por aquele tipo de coisas que a gente chama de efeitos quânticos. Neste modo de encarar, os efeitos quânticos seriam na verdade propriedades do fato de termos uma estrutura métrica no interior do microcosmos do tipo não-euclidiana, o que muda de forma fantástica várias interpretações que temos até agora. São estas as cinco questões que basicamente tenho me envolvido. E claro que neste meio tempo orientei mais de 50 teses de mestrado e doutorado de meus alunos.

Entre 2014, a Copa do Mundo no Brasil, e 2016, as Olimpíadas do Rio, temos os 100 anos da Teoria da Relatividade Geral de Einstein em 2015. Como o senhor e o CBPF estão se preparando para comemorar a data?
Há algum tempo venho propondo para o governo brasileiro a criação de um instituto de Cosmologia. Nos últimos 10 anos, os países do chamado Brics (sigla em inglês para Brasil, Rússia, China, Índia e África do Sul), com exceção do Brasil, montaram seus instituto de Cosmologia mostrando que a ciência fundamental faz parte do seu desenvolvimento, mostrando que em alguns anos esperam estar na fronteira do conhecimento, pois os centros tradicionais, como a Europa, estão em decadência. O Brasil então deveria seguir os "Rics" se quiser também participar deste movimento. Não seria a primeira vez que o CBPF daria origem a outra instituição de excelência. O Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC); o Laboratório Nacional de Luz Síncroton, em Campinas, e o Instituto de Matemática Pura e Aplicada (Impa) vieram do CBPF. Ele é um gerador de institutos que, no entanto, não tiram um pedaço dele. Ao contrário, o CBPF engrandece cada vez mais quando faz uma coisa dessas. Devemos ter uma instituição nacional voltada para a Cosmologia.

No mês passado, tivemos o anúncio da detecção do bóson de Higgs, que ganhou atenção da mídia e do público ao redor do mundo. Como o senhor vê este crescente interesse geral em ciências de ponta como a Física?
A maior parte das questões da Física envolvem também questões fundamentais do ser humano, como de onde viemos, para onde vamos. Tanto que o Higgs, ou a expansão do Universo, o Big Bang, os buracos negros, questões que as pessoas não entendem bem, chamam a atenção. São questões que estão no limite do conhecimento e estão interligadas na Cosmologia. Ao longo dos meus 35 anos de trabalho, sempre lidei com estes temas que estão na fronteira do conhecimento e têm um apelo popular notável, primeiro porque não sabemos totalmente a resposta. E segundo porque a visão que elas nos dão do Universo é maravilhosa. É como se estivéssemos vivendo uma época que está passando daquela visão estreita da Terra como centro de tudo para uma imagem grandiosa do Universo. Na semana passada estive em um evento organizado pelo rabino Nilton Bonder e foi muito bom ver o interesse das pessoas em assuntos que de uma certa maneira fogem de seu dia a dia. As pessoas perguntaram basicamente duas coisas: se o Higgs pode ter alguma importância na descrição do Universo e como se vê hoje a evolução do Universo. Eram 20h30 de uma quarta-feira e as pessoas lotaram um anfiteatro mostrando um interesse fantástico na ciência.

Neste caso, o apelido marqueteiro do Higgs como "partícula de Deus" não teria influenciado esse interesse, apesar de na verdade sua busca não ter nada a ver com religião ou provar ou não a existência de Deus, mas sim decifrar as leis do Universo que está à nossa volta?
Destaquei lá que não há oposição entre ciência e religião. Religião trata de fé, enquanto a ciência é uma interpretação racional da natureza. Tem cientistas que acreditam em Deus e são religiosos, judeus, católicos, protestantes, muçulmanos, pois não há contradição. O debate não é religioso e as pessoas aceitaram isso muito bem. A questão não é como o cientista está vendo Deus, ele está produzindo um conhecimento do nosso Universo. É o que a gente pode fazer, porque o conhecimento de Deus não se pode dar através da razão, apenas de outra coisa que a gente chama de fé. São dois modos como o homem pensa o mundo e interage com a sociedade distintas e que não são incompatíveis. Cada coisa com seu próprio Universo.

E quanto à evolução do Universo e a descoberta que sua expansão está se acelerando, o que trouxe a necessidade de encontrar explicações quase que esotéricas, como a misteriosa energia escura, que ninguém sabe o que é?
Essa é uma discussão importante, ainda mais tendo em vista os 100 anos da Relatividade. O momento é de começar a pensar em alterar um pouco a Teoria da Relatividade Geral de Einstein, o que vai mudar nossa visão da Cosmologia. Assim como Einstein não provou que Newton estava errado, só incompleto, estamos vendo que ele também não está completo e é preciso encontrar algumas mudanças em sua teoria, principalmente na presença de campos gravitacionais muito intensos. Einstein não está errado, o que ele fez é observacionalmente correto, principalmente com os dados que ele tinha na época. Mas não explica uma série de novas observações e novos fenômenos que a gente tem que descobrir um modo de interpretar mudando a Relatividade Geral, e propostas estão sendo desenvolvidas no mundo todo. É interessante ver que 100 anos depois, o que Einstein classificou com um dos seus maiores erros, a constante cosmológica, talvez tenha que ser reintroduzida na sua teoria com outras propriedades. A gente sabe que não sabe tudo.
(O Globo - 17/8)

Ministério Público quer impedir construção de hidrelétricas no Pantanal

Via Agência Brasil
Por Sabrina Craide
20.08.2012

Brasília - Os ministérios públicos Federal (MPF) e Estadual (MPE) de Mato Grosso do Sul querem suspender a construção de hidrelétricas no Pantanal até que sejam realizados estudos sobre o impacto das obras na região. Segundo o MPF, atualmente existem 126 empreendimentos instalados ou em vias de instalação e 23 estudos de inventário em análise no Pantanal.

A suspensão das obras foi pedida em uma ação civil pública na 1ª Vara Federal de Coxim (MS) contra a União, os estados de Mato Grosso do Sul e de Mato Grosso, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e o Instituto do Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul).

O Ministério Público quer condicionar os futuros licenciamentos ambientais à Avaliação Ambiental Estratégica (AAE) e, para os empreendimentos que já estão em funcionamento, o MP quer que a renovação das Licenças de Operação considerem expressamente as novas exigências decorrentes da AAE.

Na ação judicial, o Ministério Público reforça que os diversos empreendimentos hidrelétricos representam prejuízos desconhecidos e sem medida, “o que por si só seria motivo suficiente para arguir a necessidade de suspensão dessas atividades”. “Admitir a continuidade da expansão do setor elétrico na bacia na qual está inserido o Pantanal, sem o adequado estudo de impactos cumulativos de empreendimentos hidrelétricos, é ato contrário à lei e à Constituição, capaz de ferir de morte um dos biomas mais notáveis do mundo”, alerta o MP.

Edição: Fábio Massalli

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Nem sei se posso, mas quero
Entrevista com o filósofo
Eduardo Giannetti

Via Estadão
Por Juliana Sayuri
19.08.2012

O deslumbramento pelo consumo não pode durar para sempre. Em algum momento a sociedade brasileira precisará amadurecer, afirma filósofo

Sorry, brazucas... Em um breve e irônico post publicado nessa semana na revista americana Forbes, o jornalista Kenneth Rapoza endereçou críticas aos consumidores brasileiros: "Não há status em um Toyota Corolla, Honda Civic, Jeep Grand ou Dodge Durango. Definitivamente, vocês estão sendo roubados".

Estamos? Estamos. E não só nas cifras milionárias desembolsadas para adquirir carrões e outros luxuosos mimos (sem os quais viveríamos muito bem, obrigado). "Estamos vivendo uma corrida armamentista do consumo", critica o economista e filósofo Eduardo Giannetti, autor de O Valor do Amanhã: Ensaio sobre a Natureza dos Juros e do best-seller Felicidade: Diálogos sobre o Bem-estar na Civilização (ambos Companhia das Letras).

Para Giannetti, nós brasileiros estamos dispostos a pagar preços estratosféricos por carros importados (luxuosos e nem tanto), pois eles nos conferem a ilusória ideia de status. São "bens posicionais", que hierarquizam a sociedade na antiga fórmula quanto mais caro, mais exclusivo; quanto mais exclusivo, mais status. "Primeiro é um tênis de marca, depois um carro importado, um iate, um jatinho, uma viagem a Marte. A corrida sempre se renova", diz. É o carro do ano, o look exclusivo da fashion week, o restaurante badalado, a deserta ilha paradisíaca e outras extravagâncias de gente chique. Para serem almejados, os objetos devem continuar um privilégio de poucos, fora do alcance dos plebeus. Nessa lógica, o diamante só brilha se refletir nos olhos dos outros.

Na quinta-feira, Giannetti recebeu o Aliás no seu apartamento no bairro paulistano de Vila Madalena. Ph.D. pela Universidade de Cambridge, na Inglaterra, e professor do Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper) de São Paulo, Giannetti costura economia e filosofia para discutir por que os ideais de beleza, poder e riqueza abalam a psique humana de uma maneira quase irracional. "Por que nos deixamos levar pelas promessas desses bens posicionais? Por que somos iludidos por eles?", questiona. Para responder à questão, Giannetti busca na estante O Livro das Citações: Um Breviário de Ideias Replicantes, de sua autoria, com páginas marcadas por post its coloridos, e cita o poeta satírico Petrônio: "Só me interessam os bens que despertam no populacho a inveja de mim por possuí-los".

Conversamos numa sala ampla, charmosa e emoldurada por estantes e mais estantes cheias de livros. Só na biblioteca pessoal, o economista guarda mais de 5 mil títulos. "São meus bens posicionais", diz, brincando a sério. "Todos nós temos bens posicionais. Seria uma ilusão dizer que não. Pascal tinha um pensamento interessante: 'Os seres humanos se dividem em duas classes: os santos que se creem pecadores, e os pecadores que se creem santos.' Prefiro estar entre os santos."

Na Forbes dessa semana, Kenneth Rapoza ironiza os preços exorbitantes que os brasileiros pagam por carros importados. Afinal, por que aceitamos pagar tão caro?

Por um lado, porque não há alternativa. A indústria automobilística brasileira é altamente protegida. Os importados pagam uma tarifa exorbitante para entrar no País. Os carros ficam com um preço muito acima do mercado internacional, mesmo descontando os impostos. Por outro lado, os brasileiros se submetem aos preços pois os carros são "bens posicionais". A ideia é do economista inglês Fred Hirsch. O valor do bem posicional depende justamente da "exclusividade", isto é, do fato de que os outros não têm acesso a esses bens. Quanto mais caro, mais exclusivo. Quanto mais exclusivo, mais status. E, portanto, mais poder para impressionar os outros. O filósofo francês Nicolas Malebranche dizia que o desejo mais ardente das pessoas é conquistar um lugar de honra na mente dos seus semelhantes. Essa é a ideia do bem posicional: o proprietário pensa que as pessoas passam a respeitá-lo e admirá-lo mais porque ele pode desfilar um carrão, uma grife, um luxo.

Mas todos os bens são consumidos assim?

Há uma diferença. Um copo de leite, por exemplo, é um bem normal. Se tenho prazer em beber um copo de leite todas as manhãs, isso independe do resto da sociedade. Se amanhã todo mundo beber um copo de leite igualzinho, o meu prazer não mudará uma gota. Mas suponha que eu sou um jovem ambicioso, trabalho 12 horas no mercado financeiro, ganho meu dinheiro honestamente e decido que a coroação da minha vitória será um automóvel caríssimo. Compro meu carro dos sonhos - um BMW, um Mercedes ou um dos carros mencionados pela Forbes - e, de repente, tenho um estalo: "Eu sou especial". As meninas vão ver um brilho diferente no meu olhar, os amigos vão me invejar, os outros vão me respeitar quando passar na rua. Volto para casa feliz da vida. Mas, na manhã seguinte, acontece uma coisa estranha: todos os carros da cidade se transformaram em BMWs idênticos ao meu. E aí? Será que esse carro ainda tem a importância e o valor que tinha aos meus olhos e aos olhos dos demais? Ou será que o poder que ele me conferia simplesmente desapareceu? Pois é, desapareceu. Uma das melhores definições dessa ideia é do satírico romano Petrônio: "Só me interessam os bens que despertam no populacho a inveja de mim por possuí-los". Isso foi dito na Roma antiga, há dois milênios. Uma passagem de Adam Smith, n'A Riqueza das Nações (1776), também ilustra isso: "Para a maior parte das pessoas ricas, a principal fruição da riqueza consiste em poder exibi-la, algo que aos seus olhos nunca se dá de modo tão completo como quando elas parecem possuir aqueles sinais definitivos de opulência que ninguém mais pode ter a não ser elas mesmas". Essa é uma definição irretocável do bem posicional. Quer dizer, sim, compramos um sinal de opulência e de distinção, um prestígio, um brilho - embora muitas vezes sabendo que estamos sendo roubados. Mas, afinal, por quê? Beleza, poder e riqueza mexem com o psiquismo humano de uma maneira quase pré-racional. Não percebemos quão vulneráveis somos a esses apelos. Isso certamente não é de hoje. Ao longo da história, muitos pensadores se debruçaram sobre essa questão, a partir de uma perspectiva ética. Como entender o fascínio por beleza, poder e riqueza? Por que nos deixamos levar por essas promessas? Por que somos iludidos por esses bens posicionais? CONTINUA!

Comentário básico:

...e livrai-me,
Senhor,
desses dentes
brancos,
amém.

Adelidia Chiarelli


Rede desorientada

Via Link/Estadão
Por Filipe Serrano
19.08.2012

Para Andrew Keen, que vem ao Brasil esta semana, o lado social das redes é ilusão

SÃO PAULO – Desde que lançou seu primeiro livro em 2007, o empresário britânico Andrew Keen se estabeleceu como um dos principais críticos da tecnologia no Vale do Silício. Se no primeiro livro, O Culto do Amador, Keen criticava o conteúdo produzido por usuários amadores, o alvo agora é a superexposição provocada por Facebook, Twitter e outras redes sociais.

Em Vertigem Digital, que chega hoje às livrarias, Keen argumenta que estamos substituindo nosso cotidiano pela vida em uma rede ilusória e digitalizada.

Em uma passagem, ele afirma que as redes sociais nos transformam em pequenos Big Brothers de nós mesmos e que reputação e amizade viraram mercadorias. Uma rede de “milhões de amigos que não sabem os nomes de seus vizinhos”, escreve.

Keen vem ao Brasil esta semana e participa em São Paulo da conferência The Next Web Latin America (dias 22 e 23), onde faz uma palestra na quinta-feira. Ele falou ao Link por e-mail sobre os efeitos das redes sociais.

O que é a “vertigem digital”?
Uso o termo de diferentes formas. Primeiro, é uma metáfora do filme Um Corpo que Cai (cujo título original, ‘Vertigo’, significa vertigem), de Hitchcock, no sentido de que estamos nos apaixonando por algo que não existe. Do mesmo jeito em que no filme Jimmy Stewart se apaixona por uma loira que não era loira, nós também nos apaixonamos por uma internet que tem algo de “social”, mas que não é realmente social. É exatamente o oposto. Vertigem digital também é a sensação de desorientação, resultado das atualizações em tempo real no Facebook e no Twitter.

Qual é o problema das redes sociais?
Ao viver mais e mais em público nas redes sociais, estamos enfraquecendo nosso lado humano, banalizando nosso eu interior, transformando nossos sentimentos e emoções em mercadorias. Quanto mais nos expomos publicamente, mais narcisistas nos tornamos. Como (Michel) Foucault argumentou, a visibilidade é uma armadilha. E em nossa era de hipervisibilidade, ela é uma hiperarmadilha. CONTINUA!

Sobram pedagogos e faltam gestores, diz especialista
Entrevista com João Batista Araujo e Oliveira

Via Veja
Por Nathalia Goulart
18.08.2012

Em entrevista a VEJA, o educador João Batista Araujo e Oliveira diz que o Brasil necessita de redes de ensino fundamental eficientes, não de ilhas de excelência, e anuncia um prêmio para os prefeitos que avançarem nesse objetivo

Há décadas governos estaduais, municipais e federal se vangloriam de suas escolas-modelo, unidades que recebem toda a atenção da administração de plantão e que, por isso, se destacam dos demais colégios públicos pela excelência. Os governantes deveriam, na verdade, se envergonhar da situação, afirma o educador João Batista Araujo e Oliveira, presidente do Instituto Alfa e Beto, ONG dedicada à educação. O argumento do especialista é simples: “As escolas-modelo são exceções. A regra, como sabemos, são as demais escolas do Brasil”. Para incentivar governos a corrigir a distorção, Oliveira criou, em parceria com a Gávea Investimentos e a Fundação Lemann, o Prêmio Prefeito Nota 10, que vai dar 200.000 reais a administradores municipais cuja rede de ensino fundamental obtiver a melhor avaliação na Prova Brasil, exame federal que mede a qualidade do ensino público no ciclo básico. Escola-modelo, portanto, não conta. “Não adianta o prefeito falar que tem duas escolas excepcionais, se as demais não acompanham esse nível. Queremos premiar o conjunto.” Confira a seguir a entrevista que ele concedeu a VEJA.

O MEC divulgou nesta semana os resultados da Prova Brasil, que mostra o nível de aprendizado das crianças no ciclo fundamental das escolas públicas. Como o senhor avalia os resultados?
Eles foram divulgados com grande fanfarra, mas não há nenhuma justificativa para isso. Se você analisa a questão no tempo, percebe que existe estagnação. Há um ponto fora da curva, os resultados divulgados em 2010. Mas eles não foram corroborados neste novo exame, e já esperávamos isso. Estamos onde estávamos em 1995. Há uma melhora bem pequena nos anos iniciais da escola, e pouquíssima variação nas séries finais e no ensino médio. Os gastos em educação aumentaram -- e muito -- e foram criados muitos programas, mas isso não tem consistência suficiente para melhorar a qualidade do ensino. Então, temos duas hipóteses para a estagnação: ou os programas criados são bons mas não foram bem executados, ou são desnecessários e não trouxeram benefício algum.

Especialistas, entre os quais o senhor, pregam que uma reforma educacional eficaz se faz com receitas consagradas -- ou seja, sem invencionices. Quais são os ingredientes para o avanço?
O primeiro é uma política para atrair pessoas de bom nível ao magistério. Desde a década de 60 há um rebaixamento do nível do pessoal, e a qualidade do ensino depende essencialmente do professor. O segundo ingrediente é a gestão do sistema. Uma boa gestão produz equidade: todas as escolas de uma mesma rede funcionam segundo o mesmo padrão. Hoje, unidades de uma mesma rede, estadual ou municipal, apresentam desempenhos díspares. O terceiro é a existência de um programa de ensino estruturado, que falta ao Brasil. As escolas têm um punhado de papéis reunidos sob o nome de “proposta político-pedagógica”, seja lá o que isso queira dizer: começa com uma frase do Paulo Freire e termina citando Rubem Alves. Os governos de todos os níveis abriram mão de manter uma proposta de ensino, detalhando o que os alunos devem aprender em cada série. O quarto ingrediente é um sistema de avaliação que possa medir a evolução do aprendizado. Para isso, porém, é preciso ter um programa de ensino: afinal, se você não sabe o que ensinar, como vai saber o que avaliar? De posse de bons profissionais, gestão, programa de ensino e métodos de avaliação, acrescenta-se o último ingrediente, um sistema de premiação e punição. Algumas redes começam a pensar em um sistema de premiação, mas não adianta só dar incentivo. É preciso premiar quem faz direito e punir quem não faz. Hoje, o único punido no sistema de ensino brasileiro é o aluno reprovado. Isso é covardia. Nada acontece com professor, diretor, secretário de Educação, prefeito ou governador quando eles falham. CONTINUA!

Comentário básico:
VIVA O GIZ E LOUSA!!!!
Adelidia Chiarelli

domingo, 19 de agosto de 2012

Caso de morte de Alyne: Destino evitável,
por Debora Diniz

Via Agência Patrícia Galvão
12.08.2012

(O Estado de S. Paulo) Um ano depois de ser condenado pela ONU, o Estado brasileiro ainda não se envergonhou pela morte de Alyne

A discriminação mata. O efeito dessa oração intransitiva não é só linguístico, mas visceral para as mulheres. Em 2002, a discriminação matou Alyne da Silva Pimentel Teixeira. A oração é agora transitiva e o responsável é conhecido, segundo a decisão do Comitê para a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra a Mulher (Cedaw), das Nações Unidas: a discriminação do Estado brasileiro contra as mulheres. Alyne era uma jovem mulher casada, mãe de uma menina de 5 anos. Morreu grávida e sua morte é adjetivada como "evitável" pelas estatísticas internacionais. Morreu porque não foi devidamente cuidada. Morreu após dolorosa peregrinação e sofrimento pelas macas e corredores de hospitais na periferia do Rio de Janeiro. Alyne morreu porque queria ser mãe e aos seis meses de gestação adoeceu, mas sua dor não foi cuidada.

Alyne agonizou, vomitou sangue, padeceu de um coma sem assistência médica. A mãe de Alyne, d. Maria de Lourdes da Silva Pimentel, está velha e doente. Não quer mais falar sobre a saudade da filha e sente que vai morrer sem que o Estado brasileiro reconheça sua responsabilidade pela morte de Alyne. Cuida da neta órfã, cujo pai o destino desconhece após a morte de Alyne. D. Maria de Lourdes reclama a reparação pela morte da filha, por isso transformou seu sofrimento em um caso para as cortes internacionais: a primeira decisão do Cedaw sobre morte materna, de agosto de 2011, determinou que o Estado brasileiro reparasse financeiramente a família de Alyne pelas "graves violações" sofridas". Foi o primeiro caso internacional em que o sistema das Nações Unidas afirmou que descuidar das mulheres grávidas é uma violação de direitos humanos. O Estado brasileiro, esse sujeito da discriminação contra as mulheres, foi considerado culpado pela morte de Alyne.

A história de Alyne é agora um caso inesquecível para as cortes internacionais. Mas o Brasil teima em não reparar sua vergonha. Um ano após a decisão, não houve mudanças na vida de d. Maria de Lourdes. A responsabilidade pela compensação financeira é disputada entre o governo federal e o Estado do Rio de Janeiro, em uma negociação de deveres que ignora que a vida de Alyne foi datada e que mãe e filha padecem com a espera. Sofrem pela saudade e pela pobreza. Mas a demora em reconhecer a responsabilidade tem implicações para além da família de d.Maria de Lourdes. É um sinal de que o Estado brasileiro não se envergonhou verdadeiramente pela morte de Alyne. A morte evitável de mulheres em idade reprodutiva não é um destino da maternidade, mas um ato de violência de uma ordem política que não dá o devido valor à vida das mulheres. Por isso, a melhor forma de descrever a causa da morte de Alyne não é com um diagnóstico médico de hemorragia digestiva, mas com um julgamento ético: Alyne morreu por discriminação contra as mulheres.

Só as mulheres engravidam - não importa a revolução biomédica, o útero é ainda a metonímia da criação. Na mesma simplicidade argumentativa, não é demais lembrar que só as mulheres têm útero, engravidam e dão à luz. A reprodução biológica é o que anima a vida social, mas para isso é preciso reconhecer que as mulheres têm direito à saúde reprodutiva. A decisão do Cedaw menciona obrigações do Estado brasileiro para com as mulheres. E diferencia as obrigações de conduta das obrigações de resultado. As primeiras são aquelas listadas como recomendações gerais do Cedaw ao Brasil: garantir que as mulheres tenham acesso ao atendimento obstétrico adequado; garantir o treinamento dos profissionais de saúde sobre os direitos à saúde reprodutiva das mulheres; assegurar que os casos de violação dos direitos das mulheres serão remediados; oferecer treinamento ao Judiciário; assegurar que o sistema de saúde cumprirá com as regulamentações internacionais - uma lista de recomendações óbvias em uma ordem constitucional que reconhece o "direito à saúde" como um direito fundamental. Mas quais obrigações de conduta e de resultado foram cumpridas pelo Estado brasileiro neste último ano desde a decisão do Cedaw? D. Maria de Lourdes ainda espera o cumprimento do primeiro item da decisão de "garantir reparação apropriada, inclusive compensação financeira, à autora e à filha de Alyne".

A estratégia política do Estado brasileiro foi a do silêncio em relação à decisão do Cedaw. Um silêncio cínico diante do escândalo do caso e da singularidade da dor da orfandade de uma mãe idosa e de uma filha agora adolescente. Não há ameaça à soberania política por uma decisão de um comitê legítimo internacional como é o Cedaw - a verdade é que não existe soberania para atos de discriminação injustos. Alyne agora é um caso de violação de direitos humanos. Sua mãe e sua filha são duas mulheres de carne e osso à espera da justiça. Todas nós somos espectadoras à espera de uma nova ordem que reconheça que proteger a saúde reprodutiva das mulheres é garantir valor às nossas vidas.

Debora Diniz á antropóloga, professora da UnB e pesquisadora da ANIS - Instituto de Bioética, direitos humanos e gênero

Leia em pdf: Destino evitável, por Debora Diniz (O Estado de S. Paulo - 12/08/2012)

Leia mais:
 Carta para autoridades sobre caso Alyne (10/08/2012)

Caso Alyne: Entidades denunciam inércia do Brasil e exigem que assuma responsabilidade e indenize família (Viomundo - 15/08/2012)


sábado, 18 de agosto de 2012

GRUPO GALPÃO - 30 ANOS

Via Globo Cidadania
Valeu, Lucia Maria!!!!



AQUI!!!



Comentário básico:
MARAVILHOSO!!!!
Adelidia Chiarelli


As más lembranças e as megaobras,
por Washington Novaes

Via Estadão
Por Washington Novaes
17.08.2012

Há poucos dias, o 67.º aniversário da primeira bomba atômica, despejada sobre Hiroshima, provocou uma catadupa de artigos na comunicação mundial, já preocupada com as consequências que a guerra cibernética - aqui comentada na semana passada [veja a matéria aqui] - possa a vir a ter nos destinos do planeta. Agora se começa a recordar que no final do mês será lembrado o 25.º aniversário do acidente com o césio 137 em Goiânia.

Nesse contexto da nossa fragilidade diante de elementos tão destruidores, vale a pena recordar o que disse a uma CPI da Assembleia Legislativa de Goiás o cientista Júlio Rosenthal, encarregado pela Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) de comandar a operação de "salvamento" da capital goiana. Ele recebeu a missão por telefone na manhã de um domingo e também por telefone convocou alguns peritos em São Paulo e com eles combinou de se encontrarem no fim da noite no aeroporto de Goiânia. Consultando arquivos da CNEN, Rosenthal já verificara que havia um instituto de radiologia na cidade, dono de uma bomba de césio, que havia pouco tempo recebera uma bomba de cobalto. Por isso desativara a de césio - e a possibilidade maior de acidente era com esta última.

Com a roupa do corpo e suas malas, a equipe seguiu do aeroporto diretamente para o endereço do instituto de radiologia, onde só encontrou os restos de uma construção e, no seu interior, alguns mendigos. À luz de isqueiros, souberam por eles que as construções na área haviam sido demolidas; ficaram aqueles restos pendentes de uma decisão judicial, onde o instituto deixara a bomba de césio desativada. Ela fora dali retirada na véspera por um mecânico, que a levou para casa, despedaçou-a a marretadas e vendeu os pedaços a um ferro-velho; dentro havia uma substância azulada, com a qual começou a brincar sua filha Leide, misturada com uma fruta.

Goiânia, em pânico, soube do acidente enquanto via na televisão os técnicos da CNEN, com macacões improvisados pelo Estado, cercarem com tabiques a casa do mecânico, de onde fugiam pássaros e gatos. Só uma semana depois, indignado com o pânico que a CNEN deixara crescer, o então governador Henrique Santillo (que fora professor de Física), numa cadeia de TV, explicou a todos que o césio não se propagava pelo ar. E como os goianos tinham seus carros apedrejados em outras cidades, temerosas de contágio, conseguiu arranjar um terreno para onde foram levadas centenas de toneladas das construções afetadas. Um depósito provisório, que lá continua, teve de ser instalado acima do solo, porque o lençol freático, muito superficial, não permitia um depósito subterrâneo. E é para lá que hoje se cogita de transferir todo o lixo nuclear das usinas Angra I e II, que não tem destinação e permanece em piscinas nas próprias usinas.

Neste 25.º aniversário seria muito adequado cogitar de um monumento para a tia de Leide, Gabriela - analfabeta e sem informações -, que vendo a menina passar mal colocou numa sacola de supermercado todos os restos da bomba e do césio, pegando-os com as próprias mãos, e os levou exatamente para onde deveriam ir: a Vigilância Sanitária. Salvou a vida de muitas pessoas. E pagou com a sua própria.

Tudo isso vem à memória quando o competente físico Carlos Nobre, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e do governo federal, recomenda, como fez no programa Roda Viva, da TV Cultura, que se revejam os planos de implantação da usina Angra III, ao lado de Angra I e II, porque há evidências científicas de elevação do nível do mar naquela região. Mas ali continuam sendo investidos R$ 9,5 bilhões. E ainda se pensa em mais oito usinas nucleares para o País, plano congelado neste momento, quando o mundo todo começa a desativar suas instalações nucleares.

Melhor faria o governo federal se incluísse essa área no âmbito do recém-aprovado Plano Nacional de Gestão de Riscos e Respostas a Desastres Naturais (MMA, 9/8), que terá R$ 18,8 bilhões até 2014, principalmente para "deslizamentos e enxurradas" em 851 municípios já mapeados. Mas também para secas. E aí se entra em outro capítulo de perplexidades, já que quase não merece mais atenção que a seca na Caatinga atinja 1.187 municípios em estado de emergência, onde vivem 8,35 milhões de pessoas, em oito Estados do Semiárido. Há algumas semanas se anunciou a liberação de R$ 2,7 bilhões, inclusive para implantação de cisternas de polietileno, técnica cara, inadequada (muitas já derreteram), quando o caminho já provado é de cisternas de placas de concreto (que custam metade do preço das de plásticos). Como é inadequada a transposição das águas do Rio São Francisco, que não chegará a milhões de pessoas que vivem em áreas isoladas, mas já custou R$ 4,7 bilhões e custará mais R$ 4,5 bilhões, e só ficará pronta (se ficar) em 2015.

Até lá, milhões de pessoas continuarão sofrendo com secas conhecidas há séculos e que a cada 30 anos são muito mais intensas. Sem que se tenham políticas (ou práticas) adequadas. Nesta seca as perdas de lavouras já superam R$ 12 bilhões (Estado, 23/5). E nem será surpresa se vierem estiagens ainda mais fortes nos 180 mil quilômetros quadrados de território brasileiro em processo de desertificação - principalmente no Semiárido -, como antecipam estudos que admitem uma redução de até 20% a 25% nos recursos hídricos dessa região.

É inacreditável que questões como essa e a nuclear continuem a ser tratadas como o são. Porque não se resolvem com as megaobras que são o centro do desejo de políticos e empreiteiros. No caso nuclear, igualmente o desejo é de megausinas, em lugar das chamadas "energias alternativas" e de projetos diversificados e esparsos. Contentes mesmo ficam aqueles com iniciativas tais como o Plano Nacional de Logística Integrada: dezenas de bilhões para integrar ferrovias e hidrovias a portos e aeroportos (Agência Estado, 5/8).

* JORNALISTA E-MAIL: WLRNOVAES@UOL.COM.BR

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

UE diz que decisão da justiça russa sobre Pussy Riot é 'desproporcional'

Via Estadão
17.08.2012

Integrantes da banda foram condenadas a 2 anos de prisão; EUA também reprovaram sentença

MOSCOU - Protestos e pronunciamentos de autoridades se espalham pelo mundo, após a condenação de dois anos de prisão das três integrantes do grupo punk Pussy Riot, nesta sexta-feira, 17. Elas foram acusadas de vandalismo por terem cantado contra o presidente da Rússia, Vladimir Putin, em uma catedral ortodoxa.

A União Europeia condenou a decisão "desproporcional" da justiça russa de condenar as três jovens da banda punk e pediu revisão da sentença. "Estou muito desapontada com a decisão da justiça russa", disse a diplomata da UE, Catherine Ashton. "A sentença é desproporcional", disse. CONTINUA!



TV ESTADÃO
17.08.2012

Caso da banda
Pussy Riot na
Rússia é momento
histórico para o Punk






Jornal Nacional
17.08.2012

Prisão de banda punk na Rússia gera protestos pelo mundo

Em fevereiro, as três garotas do grupo invadiram a principal catedral ortodoxa de Moscou para cantar o que chamaram de uma “oração punk”.

A justiça russa condenou a dois anos de prisão três garotas integrantes de uma banda punk. A acusação era de vandalismo, e o veredicto gerou uma onda de protestos pelo mundo.

Centenas de pessoas se aglomeraram nos arredores do tribunal em Moscou. Vários manifestantes acabaram presos. Entre eles, o ex-campeão mundial de xadrez e um dos líderes da oposição, Garry Kasparov. Até a igreja ortodoxa russa pediu clemência para o grupo. Leia a matéria completa. Veja o vídeo.

LEITURA NA ESCOLA

Via TV Escola
Valeu, Lucia Maria!!!!



 
VEJA O VÍDEO AQUI!

Por favor, divulgue!


Obra reúne artigos sobre os hábitos do leitor brasileiro

Via Estadão
Por Maria Fernanda Rodrigues
15.08.2012

5.012 pessoas de 305 municípios foram ouvidas sobre seus hábitos de leitura

SÃO PAULO - Se os professores fossem também leitores e mediadores de leitura, se as famílias tivessem livros em casa e os pais costumassem lê-los na frente das crianças - e também para elas -, e se as bibliotecas fossem atrativas tanto na forma quanto no conteúdo, é possível que o Brasil ganhasse, enfim, a alcunha de um país de leitores, sonho acalentado e expressão repetida à exaustão por entidades do livro e representantes governamentais. Essa é, basicamente, a fórmula da socióloga Zoara Failla para a solução do problema. Ela é coordenadora da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, apresentada em março, e organizadora de livro homônimo, lançado agora na Bienal do Livro.

A obra traz artigos de pesquisadores, escritores e de profissionais do governo, de entidades do livro e de organizações do terceiro setor acerca dos mais variados temas abordados no levantamento que ouviu, em 2011, 5.012 pessoas de 5 anos ou mais, moradoras de 315 municípios. Traz ainda os números da pesquisa e gráficos comparativos, apresentando um mapa do comportamento leitor brasileiro - o que lê, quando e onde lê, por que lê.

A análise feita agora dos dados possibilita traçar tendências, identificar políticas e ações que estão dando certo e sugerir novos caminhos. Entre os autores, estão a escritora Ana Maria Machado, presidente da Academia Brasileira de Letras; Ísis Valéria Gomes, presidente da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil; a pesquisadora Marisa Lajolo; Tania Rösing, idealizadora da Jornada de Literatura de Passo Fundo, e muitos outros.

Desenvolver a habilidade leitora da criança não é tarefa fácil, mas é um dos objetivos da educação básica. Mais difícil é transformar essa criança que está aprendendo a juntar letrinhas num leitor crítico e num leitor que terá prazer em ler um livro de literatura - e que continuará buscando novas leituras quando sair da escola e não for mais obrigado a ler. Se o índice de leitura do brasileiro é de quatro livros por ano, como apontou a última pesquisa, quando excluímos as obras indicadas pela escola, ou seja, quando consideramos apenas a leitura espontânea, chega-se ao risível índice de pouco mais de um livro por ano. Segundo o Cerlalc, os colombianos leem 2,2 e os espanhóis, 10,3. CONTINUA!


Veja também:
link Cai nº de leitores no País e metade não lê
link Cerca de 75% dos brasileiros jamais pisaram em uma biblioteca


Cientistas anunciam um dos maiores conjuntos de galáxias já descoberto

Via Estadão/Efe
16.08.2012

A Agência Espacial Americana (Nasa) anunciou o descobrimento de um aglomerado de galáxias apelidado "Fênix", pela constelação na qual se encontra, e que segundo os pesquisadores é um dos maiores e mais ativos objetos descobertos até agora no universo.

Michael McDonald, do Instituto Tecnológico de Massachusetts em Cambridge, destacou em conferência telefônica que se trata de um objeto único que contém "a maior taxa de formação de estrelas jamais vista no centro de um conjunto de galáxias".

O descobrimento foi possível pelas observações do observatório de raios-X Chandra, da Nasa, o Telescópio da Fundação Nacional de Ciências do Polo Sul e outros oito observatórios internacionais.

O aglomerado de galáxias, localizado a 5,7 bilhões de anos luz da Terra, pode levar os astrônomos a repensar a forma destas estruturas colossais e das galáxias. McDonald informou que a superestrutura é também o maior produtor de raios-X de qualquer grupo conhecido e um dos mais sólidos. CONTINUA!

Estudo mostra que mercúrio tem afetado as tartarugas da Amazônia

Via G1 - Pará
16.08.2012

No Rio Tapajós metal foi usado em garimpo e há reservatório natural. Fêmeas contaminadas colocam ovos em áreas rasas da praia.

Uma pesquisa apresentada pela Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa), em Santarém, mostra como a contaminação pelo mercúrio no Rio Tapajós está influenciando as tartarugas da Amazônia que nascem no tabuleiro de Monte Cristo, um dos mais importantes para a reprodução da espécie em solo paraense.

Os dados revelam que a presença de taxas de mercúrio nos ovos da tartaruga marinha tem contribuído para a produção de ovos menores e mais leves, o que pode prejudicar a espécie. Outra conclusão do estudo é de que o mercúrio também está relacionado a desovas em áreas mais rasas da praia, o que também diminuiria a taxa de sucesso reprodutiva da tartaruga.

"Estima-se que são necessários cerca de mil ovos para que um deles supere todas as ameaças e alcance a maturidade sexual para que chegue a reprodução. Esta situação é mais dramática, pois além das pressões antrópicas, as ninhadas em seu desenvolvimento devem ainda suportar as limitações que são impostas pela natureza tais como as inundações naturais das praias", diz José Carvalho, mestre em recursos naturais da Amazônia. CONTINUA!

Três sedes da Copa não têm abastecimento de água 24 horas por dia

Via blog do Noblat
17.08.2012

Guilherme Soares Dias, Valor


Cuiabá, Recife e Manaus, que receberão jogos da Copa do Mundo de 2014, estão entre as cidades que não possuem abastecimento de água 24 horas por dia para toda a população. Nessas capitais, além de a rede não chegar a todas as residências parte dos domicílios é atendida de forma intermitente, fazendo com que os moradores tenham que usar água de forma controlada.

“São cidades que não conseguem ter água 24 horas para a população existente e não possuem compromisso de fazê-lo para a Copa do Mundo”, alerta o presidente do Trata Brasil, Édison Carlos, ressaltando que o saneamento foi esquecido como parte das obras de infraestrutura para o evento.

Leia mais em Três sedes da Copa não têm abastecimento de água 24 horas por dia


quinta-feira, 16 de agosto de 2012

O consumo insustentável e os oceanos à beira de uma catástrofe, por Henrique Cortez

Via EcoDebate
16.08.2012



Nos últimos dez anos a população de atuns vermelhos diminuiu 90 por cento.Um atum de 150 quilos como este é raridade. O mais nobre dos peixes foi dizimado. Só restam peixinhos ridículos. E estão ameaçados.
 Foto na revista ÉPOCA.
 
[EcoDebate] O rápido esgotamento dos estoques pesqueiros e a crescente degradação dos ecossistemas marinhos são temas que muitas pessoas já ouviram falar, mas, definitivamente, não se importam ou não se preocupam.

A acidificação dos oceanos, em razão do aumento da concentração do CO2 atmosférico, o aquecimento global e as mudanças climáticas ameaçam os ecossistemas marinhos e, diante da inação global, esta ameaça é crescente.

Como se não bastasse, a superexploração em razão do consumo insustentável, ameaçam os oceanos ainda mais rapidamente do que o aumento da concentração do CO2 atmosférico.
O relatório da FAO ‘The State of World Fisheries and Aquaculture 2012 ’ foi bastante noticiado, inclusive aqui no EcoDebate, mas a reação foi mínima, tanto no Brasil como nos EUA e Europa.
Como em outros temas relacionados à crise ambiental global, a maioria das pessoas prefere manter-se alheia ao problema. Não questiono a opção consumista alienada destas pessoas, mas tenho o direito de discutir que isto tem um ‘preço’, a ser pago pelas próximas gerações, nossos filhos e netos.

Segundo o relatório, 30% dos peixes do mundo são superexplorados (e podem desaparecer) e outros 57% estão próximos do limite de extração sustentável.
O relatório da FAO reafirma que a pesca comercial em grande escala já captura 80% de todas espécies oceânicas além de sua capacidade máxima de reposição e que a sobrepesca continua a crescer.

A redução dos ‘estoques’ oceânicos vem sendo compensada pela piscicultura comercial, que, de acordo com o relatório, já oferta 50% dos peixes consumidos em escala global. Em 2002 a piscicultura respondia por 1/3 da oferta.

A tendência de crescimento da piscicultura parece ser uma boa notícia, na medida em que, aparentemente, reduzirá a pressão sobre os cardumes oceânicos. Parece, mas não é.
A piscicultura precisa alimentar os peixes ao máximo, no menor tempo possível, para que atinjam tamanho e peso com valor comercial. Para isto usam rações e óleos produzidos a partir de pequenas espécies como sardinha. Estas pequenas espécies, que são de fundamental importância na cadeia alimentar, também estão sob imensa pressão de sobrepesca e a piscicultura é uma das razões.

As pequenas espécies, que, aparentemente, tem pequeno valor comercial, são intensamente capturadas para produção de rações. Um terço da captura mundial de peixe é desperdiçado na produção de ração animal, sendo que as rações preparadas a partir de peixes representam 37% (31,5 milhões de toneladas) do total de peixes retirados dos oceanos a cada ano e 90 % das capturas transformam-se em farinha e óleo de peixe. Em 2002, 46% de farinha de peixe e óleo de peixe foram utilizadas como alimento para a aqüicultura (piscicultura), 24% para alimentar porcos e 22% para a alimentação de aves.

Um terço do que acaba nas redes de pesca é jogado fora – Três em cada 10 peixes são mortos por engano e são jogados de volta na água. Todos os anos, 250 mil tartarugas são mortas pelos ganchos destinados aos peixes-espada. Mais de 70% dos estoques populacionais de peixes da Europa progressivamente são empobrecidos pelo uso excessivo das redes. CONTINUA!

Encuentran evidencias del origen extraterrestre de los cuasicristales

No Tendencias 21
10.08.2012


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