segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Região serrana fluminense poderá ter ‘epidemia’ de problemas mentais, alerta psicóloga

Via EcoDebate
Por Vladimir Platonow, da Agência Brasil
24.01.2011


Os municípios da região serrana do Rio atingidos pelas chuvas que já causaram mais de 790 mortes devem se preparar para enfrentar uma verdadeira “epidemia de problemas mentais”. A perda de parentes e amigos vai deixar marcas que levarão meses, até anos para, cicatrizar. O alerta é da psicóloga Katrina Pereira, que trabalha no Hospital Pedro Ernesto, no Rio. Desde os primeiros dias da catástrofe, ela se transferiu para Nova Friburgo, onde está atuando como voluntária no hospital de campanha da Marinha.

“A nossa cidade vai sofrer com a saúde mental durante muito tempo e vai precisar de um suporte. Os lutos patológicos vão ser grandes, porque muitas pessoas não conseguiram sequer enterrar seus familiares. Então, fica aquela esperança de que podem estar em algum hospital, que tenham sido socorridos. Outros conseguiram enterrar, mas foi de uma forma tão rápida que nem elaboraram ainda essa perda“, explicou a psicóloga.

Katrina Pereira alertou também para um possível aumento de casos de suicídio, que deve ser detectado com antecedência por uma rede de atendimento público. “Haverá aumento nos casos de depressão e riscos de suicídio e a cidade vai ter que acordar para isso. Perder filhos, mulher, perder tudo, acaba ficando sem sentido para a vida.”

Segundo ela, também haverá mais incidência de doenças físicas como pressão alta, diabetes e úlceras, decorrentes de problemas psicológicos. Outros buscarão nas drogas e no alcoolismo uma fuga para a dor das perdas.

Ela explica que cada indivíduo vai trabalhar de forma diferente essas perdas e que, nesse momento, é importante que se fortaleça a rede de relacionamentos em torno da pessoa atingida pela tragédia, seja de vizinhos, colegas de trabalho ou amigos. Só agora, alerta a psicóloga, passados mais de dez dias da tragédia é que as pessoas vão realmente acordar para o que aconteceu.

“Depois que ela [vítima] sair da fase aguda [da crise psicológica], é preciso fazer um trabalho para que se crie novamente esperança para reconstruir uma casa, para ir atrás de uma vida melhor, de um novo emprego, de uma nova família. Não vai apagar essa dor que ficou. A saudade vai se estender, mas existe vida pela frente. Cada um vai encontrar um motivo próprio para encarar e superar tudo isso”, assegurou a psicóloga com otimismo. Continua