sábado, 13 de novembro de 2010

Segredos dolorosos

Via Blog do Noblat
Por Vitor Hugo Soares
13.11.2010


Os principais diários de Salvador e os grandes jornais do País - com seus estranhos e incompreensíveis cadernos B e suplementos culturais cada vez mais grudados no que acontece ou vem de fora, alheios ou indiferentes ao que se passa diante do nariz -, praticamente ignoraram o principal fato da música e da cultura esta semana no Brasil. Um caso acontecido na capital baiana, é verdade, mas bem emblemático da confusão nestes dias de faz de conta na mídia em geral, na cultura, na política e no poder.

Segunda-feira (08/11) Caetano Veloso saiu do histórico palco do Teatro Castro Alves visivelmente extenuado. Os sinais de tensão e emoção ainda permaneciam à flor da pele do artista, como se ele tivesse acabado de participar de uma experiência semelhante a da maratona enfrentada pela atriz Jane Fonda, no demolidor filme de Sidney Lumet, “A Noite dos Desesperados" (Não se matam mais Cavalos?), jóia premiada do cinema político e social dos anos 70.

Pode parecer exagero, mas esta é a primeira imagem comparativa que vem à cabeça do jornalista diante do espetáculo protagonizado pelo filho querido de Santo Amaro da Purificação, na cidade que o projetou para o País e o mundo. Agora, beirando os 70 anos de idade, Caetano havia acabado de vencer com a mesma garra e brilho (mesmo despedaçado física e intimamente) um teste demolidor.

Quase três horas de música e conversa sobre a vida, a poesia, a juventude e a velhice, os colegas e amigos, a profissão, a família, a religião, a política, a prisão, o exílio, a volta e a permanência. Uma catarse pessoal diante da platéia que ocupava todos os lugares do TCA em festa, como em suas noites mais memoráveis. Continua